A História (suspeita) do Brasil nos cinemas

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Agosto de 1976. Um acidente rodoviário em circunstâncias suspeitas mata o ex-presidente Juscelino Kubitschek, ferrenho crítico da ditadura militar. Menos de cem dias depois, um igualmente suspeito ataque cardíaco mata no exílio o também ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe de 1964. Em A Conspiração Condor, de André Strum, Mel Lisboa vive uma jornalista que não acredita se tratar de uma coincidência. Sua investigação ameaça os alicerces do governo e pode botar sua vida em risco.
Igualmente político, O Mago do Kremlin, de Olivier Assayas, é baseado no livro homônimo de Giuliano da Empoli. O personagem-título é Vadim Baranov (Paul Dano), um cineasta russo que testemunha o caos resultante do fim da União Soviética no início dos anos 1990. Especialista em manipulação de massas, ele se aproxima de um ex-chefe da KGB com grandes ambições políticas chamado Vladimir Putin (Jude Law) e se torna seu principal conselheiro de comunicação. Juntos, montam um aparato de desinformação que vai contribuir para que Putin permaneça no poder até hoje. Mas qual preço Baranov terá de pagar?
Relações familiares podem ser ainda mais complexas e turbulentas que as políticas, como mostra Pai Mãe Irmã Irmão, escrito e dirigido pelo mestre Jim Jarmusch. Na tradição do cineasta, são três histórias independentes amarradas pela mortalidade. No interior dos EUA, Mayim Bialik e Adam Driver visitam o pai (Tom Waits) adoentado e empobrecido, mas vão aos poucos descobrindo que talvez não seja bem assim. Em Dublin, Charlotte Rampling (sempre brilhante) recebe com certo distanciamento a visita periódica das filhas, a moderninha Vicky Krieps e a classuda Cate Blanchett. E em Paris, Indya Moore e Luka Sabbat vivem um casal de gêmeos que se reencontra para lidar com os pertences dos pais, mortos em um acidente aéreo.
Trazendo na bagagem os principais prêmios do Festival de Gramado, o thriller Cinco Tipos de Medo, de Bruno Bini, lida com amor, relacionamentos abusivos e crime. Em Cuiabá, um jovem músico Murilo (João Vitor Silva) se envolve com a enfermeira Marlene (Bella Campos), embora ela seja “propriedade” de Sapinho (o rapper Xamã), criminoso que domina a comunidade em que a jovem mora. Como se o triângulo não fosse por si só um prenúncio de tragédia, há uma policial (Bárbara Colen) que não descansará enquanto não se vingar de Sapinho, mesmo que precise violar a lei que deveria estar protegendo.
Realidade e fantasia (sombria) se misturam em A Mulher que Chora, de George Walker Torres. Miguel (Zayan Medeiros), um menino de sete anos, vive em uma casa rica, mas remota, com a mãe Elena (Julia Stockler). Esta, recuperando-se de um divórcio traumático, acaba se distanciando do filho, que encontra apoio emocional em Carmen (Samantha Castillo), uma imigrante venezuelana que deixou o próprio filho em seu país e trabalha como empregada doméstica para a família. Carmen conta para Miguel lendas de seu país, como a “mulher que chora”, que matou o filho após ser abandonada e se tornou um fantasma. O menino acredita que a assombração seja uma idosa que vive na floresta perto da casa, sem entender que a mulher que chora pode ser a própria Carmen ou mesmo sua mãe.
Em 2008 o aparentemente saturado universo dos assassinos psicopatas ganhou sangue novo (com trocadilho, por favor) com Os Estranhos, a história de um casal preso em uma casa remota e torturado barbaramente e sem um motivo aparente por três pessoas mascaradas. Dez anos depois, o longa ganhou uma sequência e, em 2024, um reboot na forma de trilogia, aparentemente encerrada agora com Os Estranhos: Capítulo Final, de Renny Harlin. Maya (Madelaine Petsch), sobrevivente dos filmes anteriores, é novamente atacada pelo “Homem do Saco”, que agora quer torná-la parte do trio de assassinos.
Inspirado em um célebre videogame, The Mortuary Assistant, de Jeremiah Kipp, acompanha Rebecca Owens (Willa Holland), uma tanatopraxista recém-formada que trabalha no necrotério de uma cidade pequena. Sua rotina é tranquila, meio morta (perdão), até que uma força demoníaca decide assombrá-la usando os cadáveres que a moça deveria embalsamar. Diferentemente do que acontece nos jogos, Rebecca tem apenas uma vida e vai precisar defendê-la.
E vem do México a comédia religiosa A Família da Fé, de Julio Román, que conta de forma leve a rotina de uma família que administra uma igreja evangélica. Todos os clichês das comédias familiares estão lá, mas sanitizados para se enquadrarem nos valores que os personagens e o filme defendem. Talvez tenha alguma graça para quem compartilhe dessas crenças.
Confira a programação completa nos cinemas da sua cidade. (AdoroCinema)


