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19 de junho de 2017
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Joesley aumenta fogo contra Temer


A entrevista de Joesley Batista que está na capa da Época é longa e detalhista. O empresário conta como conheceu Michel Temer, entre 2009 e 2010, quando estabeleceram uma relação próxima com trocas de recados no celular e muitas visitas de um ao outro. “Acho que ele me via como um empresário que poderia financiar as campanhas dele”, diz Joesley, “e fazer esquemas que renderiam propina”. Descreve o presidente como um homem objetivo. “Nunca me chamou lá para bater papo, sempre tinha um assunto específico.” E desde o início pediu dinheiro. “Não tem muita cerimônia para tratar desse assunto.” Joesley vai além. “Há políticos que acreditam que pelo simples fato do cargo que ele está ocupando já o habilita a você ficar devendo favores a ele.” Na maioria das vezes, as questões de dinheiro com o PMDB eram resolvidas pelo doleiro Lúcio Funaro. Quando ele não conseguia, passava a Cunha e, depois, a Temer. “A pessoa à qual o Eduardo Cunha se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer.” A influência do grupo político composto por eles no fundo de investimento do FGTS, na Caixa Econômica e no Ministério da Agricultura tinha impacto direto nos negócios da JBS. “O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara.” Organização criminosa, no jargão dos advogados. “Temer, Eduardo, Geddel , Henrique, Padilha e Moreira”, ele segue. “Quem não está preso está hoje no Planalto.” Segundo Joesley, foi uma lida difícil. “Meu convívio foi sempre mantendo a distância”, explica. “Nem deixando eles se aproximarem demais, nem deixando longe.” Mesmo presos, Cunha e Funaro continuaram a pedir recursos. “Não te delato nunca”, vinha a promessa, “sei que você vai cuidar da minha família.” O pedido não era só dos presos. “Toda hora o mensageiro do presidente me procurando para garantir que eu estava mantendo o sistema.” O mensageiro: Geddel Vieira Lima. De 15 em 15 dias. “Uma agonia terrível.” Foi quando Geddel passou a ser investigado que o interlocutor mudou, para Rodrigo Rocha Loures.

Temer pretende processar Joesley. “Esse senhor desfia mentiras em série”, registrou em nota oficial. “Será buscada a devida reparação financeira pelos danos que causou, não somente à instituição Presidência da República, mas ao Brasil.” Segundo o Planalto, “Joesley Batista é o bandido notório de maior sucesso na história brasileira.”

Há pequenas contradições entre a narrativa da entrevista e o depoimento à Procuradoria-Geral da República. A principal é que o empresário disse à PGR ter conhecido o presidente somente após sua eleição como vice. (Folha)

Tales Faria: “Quem circula pela política em Brasília sabe que o Congresso e a Esplanada dos Ministérios não são um paraíso repleto de santos e anjos. Mas também não são anjos os empresários e lobistas que circulam em torno dos políticos para pedir favores. Muitos, como o próprio Joesley, são corruptores ativos, num jogo de ganha-ganha com os políticos em que ora pressionam, ora são pressionados. O Planalto diz ter votos para barrar a autorização pela Câmara. Mas e se aparecerem as provas? O PSDB vota com o governo? Quantos hoje governistas abandonarão o barco? Brasília já assistiu a outros governistas pularem fora durante os impedimentos de Dilma Rousseff e Fernando Collor de Mello.”

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As operações da Polícia Federal contra organizações criminosas, nos últimos quatro anos, revelaram prejuízos de R$ 123 bilhões ao Brasil. O esquema da Petrobras exposto pela Lava Jato (R$ 13,8 bilhões) não é o maior. A operação Greenfield, que investigou fraudes em fundos de pensão, levantou o desvio de R$ 53,8 bilhões. Pelos cálculos da PF, as ações evitaram, só em 2016, o desvio de outros R$ 59,1 bilhões. (Estadão)

Mas... PMDB, PSDB e PP não abriram um único procedimento de investigação interna para apurar o envolvimento de seus membros com corrupção. O PT abriu. Dois. Um contra André Vargas, e o outro contra Delcídio Amaral. Ambos haviam pedido desfiliação. (Globo)

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Alon Feuerwerker: “O sistema político brasileiro travou, e isso torna muito difícil a ruptura organizada. Em todos os nossos impasses desde 1930, sempre houve alternativa à mão. Ou nascida de uma dissidência do sistema dominante, ou surgida da cooptação de dissidentes do poder por forças novas emergentes. E a vida seguia, com componentes de renovação e continuidade. Mas hoje não há dissidência efetiva no poder, unido no objetivo de conter o Partido da Justiça. E as ‘forças novas emergentes’, quando não caricaturais, são embrionárias e desprovidas de maior influência no único canal possível para acesso ao governo: os partidos.”

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Na prisão, Andrea Neves tem participado de cultos religiosos e atividades psicoterapêuticas. Não pode trabalhar — isto, só após sentenciada. E até agora só recebeu visita do marido, Luis Márcio Pereira. Já o primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, não vai às atividades. Sua mulher, um amigo e dois irmãos o visitaram. Ambos fazem quatro refeições por dia, vivem em celas pequenas e tomam banhos de sol. O G1 foi atrás da rotina dos presos mineiros.

Enquanto isso... Em 20 de novembro de 2007, a Procuradoria-Geral da República denunciou 12 homens pelo chamado Mensalão Tucano, em Minas. Até hoje, apenas um foi condenado: o ex-governador Eduardo Azeredo. Só em primeira instância. A Justiça federal de Minas sequer pautou o caso para ser analisado em segunda. Dos 12 denunciados, três já escaparam por prescrição. E o quarto, Lauro Wilson de Lima Filho, acaba de completar 70 anos e deve também sair ileso sem ter sido julgado. (Folha)

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Consequências da Lava Jato: o braço de construção da Odebrecht pode ser vendido para um grupo chinês.

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A taxa de juros no Brasil é alta desde a implementação do Plano Real. “É motivo de perplexidade e controvérsia entre os analistas”, diz um dos pais do Real, André Lara Resende, em entrevista ao Globo. Em seu novo livro, Juros, moeda e ortodoxia, ele argumenta que é preciso reavaliar. E começa com a necessidade de pensar ao mesmo tempo a política fiscal (a relação entre o que o governo angaria e o que gasta) e a monetária (controle do dinheiro em circulação através das taxas de juros). Quando o Banco Central sobe muito o juro para tirar dinheiro de circulação e diminuir a inflação, aumenta a dívida do governo. Para o economista, sem levar em consideração as contas do governo, este método de combate à inflação pode ser contraproducente. O livro já está em pré-venda.

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O segundo turno das eleições parlamentares francesas consolidou a vitória do grupo político de Emmanuel Macron. Aos 39 anos, viu seu partido República em Marcha consolidar uma maioria de entre 395 e 425 cadeiras, dizimando as legendas tradicionais do Partido Socialista, à esquerda, e Republicanos, à direita. Macron é um dos presidentes mais poderosos da história recente do país.

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Boaventura de Sousa Santos: “O Partido Socialista português se uniu ao Partido Comunista e ao Bloco de Esquerda e eles se tornaram maioria. E essa coisa extraordinária foi apelidada pejorativamente de ‘geringonça’. Tornou-se o único governo de esquerda na Europa a governar à esquerda. Promove o fim dos cortes em pensões e salários, reverte a precarização dos contratos de trabalho, torna o sistema fiscal mais justo, reforça a educação pública. E a economia começa a crescer. Neste momento, a economia portuguesa é uma das que mais crescem na Europa, mais de 2%. O desemprego está nos níveis dos anos 1990, 9%. O deficit público está a diminuir. E os alemães começam a ter muita curiosidade com a ‘geringonça’ portuguesa. Fizemos o contrário do que pregavam e começamos a obter os resultados que eles diziam que teríamos com as receitas deles.” (Folha)

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Uma van partiu contra um grupo de pessoas que deixava uma mesquita, no norte de Londres, no início da madrugada de segunda. Um morreu e dez ficaram feridos. O ataque ocorreu em meio à celebração do Ramadã. O motorista foi preso.

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Cultura


Durou pouco. O ministro da Cultura, em menos de um mês, enviou a Temer uma carta sobre seu “desinteresse em ser efetivado” no cargo. Trocando em miúdos: o ministro pediu para sair, informou O Globo. João Batista de Andrade alegou três razões — o orçamento “mesquinho” da pasta, o corte de verbas do Fundo Nacional de Cultura e o “desrespeito” às indicações que fez para a direção da Ancine. “Qual o papel de um ministro numa situação dessas?”, perguntou.

De Paulo Celso Pereira: “O Ministério da Cultura se tornou o vaso chinês do governo Temer. Como diz a clássica metáfora, trata-se daquele objeto espaçoso, incômodo, que exige cuidados e do qual o proprietário, se pudesse, gostaria de se livrar.” (Globo)

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Já são quase dois meses desde o sumiço de Bruno Borges, o menino do Acre que cobriu as paredes do quarto com escritos enigmáticos. Sua “obra”, porém, já tem paradeiro: a família do rapaz assinou contrato com uma editora para lançar os 14 livros que rendem seus escritos. Não se falou em data de lançamento, nem se divulgou nome da editora.

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Primeiro foi um Oscar de Marlon Brando. Agora é um Picasso de US$ 3 milhões e um Basquiat de US$ 9 milhões. Leonardo DiCaprio devolveu-os ao governo americano, que investiga suposta lavagem de dinheiro por um fundo de investimentos da Malásia. Este, por sua vez, foi o doador dos itens ao ator, que, diz, planejava usá-los num leilão beneficente. DiCaprio está ainda mais enrolado na história: dinheiro desviado do mesmo fundo teria sido usado na produção de O Lobo de Wall Street, estrelado por… ele mesmo. 

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Galeria: o artista Spencer Byles passou um ano enfiado numa floresta na França. Usou só materiais orgânicos para criar grandes esculturas. E as deixou lá, no meio da floresta — em ‘exposição’ até que o tempo e a mata as consumam por completo.

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Viver


Um incêndio florestal lambeu a região central de Portugal e fez mais de 60 mortos desde sábado. A maioria estava na estrada, nos arredores de Pedrógrão Grande, e morreu carbonizada dentro de seus carros. O fogo começou no sábado, possivelmente fruto de um fenômeno natural, as chamadas ‘trovoadas secas’. A chuva evapora antes mesmo de cair, mas vem acompanhada de raios que causam as faíscas e, enfim, o fogo. O Público lista outros incêndios e defende que este se trata de um dos mais graves do mundo nas últimas décadas.

O diário português, como esperado, reúne dezenas textos sobre a tragédia, de análises a reportagens com moradores da região, como o (belo) texto a seguir: “Dora não sabia se os dois filhos, de 12 e 7 anos, que agora brincam à sua frente, se tinham salvado. Na aldeia de Vila Facaia, em Pedrógão Grande, olhos raiados de falta de sono e de lágrimas, a mulher está sentada num muro, acompanhada de familiares que se salvaram, observando a casa do vizinho que morreu na estrada, com a mulher, a mãe e o padrasto, explicando, sem o saberem, aquilo que tantos se perguntam: como foi possível que 61 pessoas tenham morrido no grande incêndio de Pedrógão Grande”.

Galeria: a força das chamas no incêndio em Portugal.

Galeria 2: o fogo visto do espaço, em imagens da Nasa.

 

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Em São Paulo, a Parada LGBT assumiu viés político. Além do estado laico, tema/bandeira desta edição, os organizadores pediam eleições diretas em discursos no evento, que se estendeu ao longo de todo o domingo. O público respondeu com gritos de ‘Fora, Temer’. A parada, segundo a organização, reuniu 2 milhões de pessoas. A Polícia Militar, por outro lado, não confirmou nem divulgou os números de participantes. (Estadão)

 

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Um juiz de São Paulo deu ganho de causa a Fernanda Young em caso de assédio sofrido por ela no Instagram. Por ganho de causa, leia-se: uma indenização de R$ 5.000 a ser paga pelo agressor. No blog #AgoraÉQueSãoElas, na Folha, ela conta que vai recorrer. Não pelo valor, mas porque o juiz, no texto da decisão, definiu sua reputação como “elástica”, mencionou o fato de a escritora ter posado nua e seguiu com o tom conservador em trechos como: “Uma mulher com tantos predicados como a autora afirma possuir deveria demonstrar, porque formadora de opinião, um pouco mais de respeito".

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Soninha Francine define como “destrambelhada” a ação de João Doria na cracolândia e diz que o prefeito “não tem muita paciência” para pautas de direitos humanos. Mas o que salta aos olhos na entrevista que a ex-secretária de Doria concedeu ao Estadão é mesmo seu relacionamento atual, com um ex-morador de rua. Ela detalha a vida a dois e conta que hesitou em levar o parceiro, Paulo Sergio Martins, de 41 anos, para casa. “Teve um tempo em ele que ficava de castigo, dormia no carro. É difícil brigar com alguém que não tem endereço. Mas agora dá pra dizer que a gente está junto, porque ele parou de beber. Foram muitos anos de pinga.”

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Vídeo: em Amsterdã, há mais bicicletas do que pessoas, um reflexo da força das magrelas como meios de transporte. Como a cidade conseguiu alcançar tal feito?

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Cotidiano Digital


A Amazon quer comprar a Whole Foods. Fez uma oferta de US$ 13,7 bilhões para a rede especializada em comida orgânica e natural, dona de aproximadamente 430 lojas físicas. O movimento é interessante, posto que a venda online de produtos de mercado subiu 15% no último ano e tem expectativa de atingir US$ 150 bilhões até 2025. A Amazon investe na divisão batizada de Amazon Fresh desde 2007, mas até hoje só conseguiu oferecer seus serviços em um número limitado de cidades dos EUA. Com a compra da Whole Foods, a ser aprovada pelos acionistas, poderá acelerar esse processo.

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Para ler com calma: Após a suspensão de campanhas publicitárias por gigantes como Johnson & Johnson e L’Oréal, a CEO do YouTube, Susan Wojcicki, anunciou uma nova tecnologia que permite a anunciantes ter maior controle sobre onde suas propagandas aparecem. As empresas reclamavam ao verem suas peças veiculadas, por exemplo, em vídeos de supremacistas brancos. Diariamente, um bilhão de horas de vídeo são vistas no site, que tem relação profunda, em especial, com o público adolescente. Mas, diferentemente de serviços como Netflix, ainda enfrenta dificuldades em avançar para a TV da sala. Wojcicki falou de sua estratégia à Fast Company.

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