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19 de fevereiro de 2018
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Em meio a rebelião, general quer expurgar corruptos da polícia


Estourou ontem à noite uma rebelião na Penitenciária Milton Dias Moreira, na Baixada Fluminense. Lá, vivem 2.051 presos. Cerca de 18 agentes penitenciários foram feitos reféns dos detentos e libertados, ao longo da madrugada. Quando amanheceu, a situação já estava sob controle. Foi, porém, um dia longo e tenso. Na tarde de domingo houve tentativa de fuga. E, desde sexta, todas as 54 prisões do Rio foram postas em alerta. O secretário de Administração Penitenciária do estado chegou a afirmar que tinha tomado medidas para impedir instabilidades. Entre elas, aumentar a frequência de varreduras nas celas. E foi o enrijecimento da segurança que, segundo apurou O Globo, acirrou os ânimos. De Brasília, o ministro da Justiça Torquato Jardim afirmou que o governo já previa que rebeliões fariam parte da reação. São, ele diz, um teste para compreender o que muda com a intervenção.

Pois, conforme começa a atuar no papel de interventor, o general Walter Braga Netto vai encarar a parte mais difícil — e prioritária — de sua missão. A limpeza nas polícias Militar e Civil. Ele cobra, do Planalto, e por escrito, autorização para mexer na estrutura das instituições. (Globo)

E... Segundo Gerson Camarotti, o Exército já tem inteligência a respeito da corrupção policial.

Entrevistado pelo Painel, da GloboNews, o general Augusto Heleno, primeiro comandante das tropas brasileiras no Haiti, foi duro. “A gente pode dizer que o policial do Rio de Janeiro é covarde? Eles são extremamente corajosos. Subir morro, debaixo de tiro? Tem de ter muita disposição. Fazem isso diariamente. Mas e essa história de a polícia ser corrupta? Num país onde a classe política derrete sob corrupção, começando pelo presidente da República, você acha que é fácil convencer o homem que está ali na ponta da linha, sendo mal pago, com péssimas condições de trabalho, mal armado, mal equipado, a não ceder a determinadas tentações?”

Elio Gaspari: “A ideia da intervenção na Segurança do Rio veio tarde e é curta. O governador Luiz Fernando Pezão precisa ir embora. Não tem saúde, passado, nem futuro para permanecer no cargo num estado falido, capturado por uma organização criminosa cujos chefes estão na cadeia. Sérgio Cabral (patrono de Pezão) e Jorge Picciani (‘capo’ do PMDB) não estão na cadeia pelo que fizeram na Segurança. Ambos comandaram a máquina corrupta que arruinou as finanças, o sistema de ensino e a saúde pública do estado. A corrupção e a inépcia policial são apenas o pior aspecto da ruína. Colocar um general como interventor no aparelho de Segurança, sem mexer no dragão das roubalheiras administrativas, tem tudo para ser um exercício de enxugamento de gelo. Ou algo pior: o prosseguimento de uma rotina na qual as forças policiais invadem bairros pobres e proclamam vitória matando ‘suspeitos’. A intervenção proposta por Temer coloca Pezão e seus amigos no mundo de seus sonhos. Num passe de mágica, o problema do Rio sai do Palácio Guanabara (onde mora há décadas) e vai para o colo de um general. Esse semi-interventor assumiria com poderes para combater o crime organizado. O Planalto deve burilar sua retórica, esclarecendo que não se considera crime organizado aquilo que o juiz Marcelo Bretas vem mostrando ao país.” (Globo ou Folha)

Jair Bolsonaro não gosta do que ocorre no Rio. “Defendemos a intervenção, mas não dessa forma, feita nos porões do Palácio, longe dos integrantes das Forças Armadas.” Marina Silva escolheu o muro do Twitter. “Espero que o decreto de intervenção de Temer tenha sido precedido do mais responsável planejamento.” Por sua vez, Ciro Gomes foi um pouco mais claro a respeito do que pensa. “Torço que possa dar certo, mas duvido muito.” Geraldo Alckmin considerou a medida “extrema”, “necessária”, e que “tem de ser transitória”.

Um trio de ativistas faz circular um vídeo com orientações de segurança para jovens negros. Como agir perante um policial ou soldado.

Enquanto isso... Rogério Jeremias de Simone, um dos principais líderes do PCC paulista, foi executado próximo a Fortaleza, no Ceará. A polícia desconfia de execução por facção rival ou retaliação interna. A guerra travada entre PCC e Comando Vermelho não é do Rio. É nacional.

Celso Ming: “Há apenas algumas semanas, o ministro da Defesa, Raul Jungmann argumentava que uma intervenção em Pernambuco desembocaria necessariamente em outras. Agora, passou a defender a intervenção no Rio e abandonou sua posição anterior. Mas ficou difícil sustentar que outros estados, como o Rio Grande do Sul e o Rio Grande do Norte, não precisem do mesmo tratamento. A perda de controle da segurança não ocorreu apenas por gestão incompetente e corrupta das autoridades públicas. Ocorreu porque a droga e o crime viraram negócios tão lucrativos que compram a polícia, compram políticos, compram juízes, compram armamentos pesados, sustentam logísticas complexas, destroem o monopólio da força exercido pelo Estado e sustentam poderoso estado paralelo. Outras regiões do mundo, como Nova York, enfrentaram com sucesso problemas parecidos, com determinação, recursos e com uma polícia competente. Mas, por aqui, estamos a anos-luz de resultados assim.” (Estadão)

Pois o ministro Torquato Jardim não nega. “O crime é nacional e nenhum Estado pode combatê-lo sozinho”, afirmou. Segundo ele, o Planalto começará a ouvir as demandas dos governadores. (Estadão)

Aliás... O governo continua acenando com a criação de um Ministério da Segurança Pública. É pedido dos deputados da Bancada da Bala.

O carnaval não para de surpreender. O professor Léo Moraes, que desfilou na Paraíso de Tuiuti de vampiro com a faixa presidencial, passou pelo desfile das Campeãs, no sábado, sem o adereço. O repórter Ricardo Rigel ouviu, na escola de samba, que houve pedido do Planalto. (Globo)

Diga-se... O Palácio nega.

Noutra seara... Uma juíza que serviu na Nilópolis da Beija Flor e de seu patrono, Anísio Abraão David, conta no Facebook sua experiência.


O massacre de Parkland, na Flórida, trouxe à tona um comportamento diferente por parte dos sobreviventes. Os alunos do high school onde ocorreu a mortandade convocaram sua geração, em todo o país, para uma passeata em 24 de março — em Washington e, simultaneamente, em todo o país. Após os políticos repetirem seu mantra de 'pensamos e oramos' pelas vítimas, os estudantes refugaram. “Vocês estão conosco ou contra nós”, disse à CNN Cameron Kasky, um dos rapazes. Num discurso emocionado, e particularmente intenso, Emma Gonzalez foi mais ao centro do argumento. “Se o presidente quiser dizer que foi uma tragédia terrível e que nada pode ser feito a respeito”, ela disse entre ironia, raiva e tristeza, “terei prazer de lhe perguntar quanto dinheiro ele recebeu da Associação Nacional de Rifles. E não importa, porque já sei. Foram US$ 30 milhões.” A Associação, ou NRA, é a principal lobista pela venda de armas, no país.

Viver


Michael Brooks: “Como redesenharemos nossa relação com animais promete ser um dos temas dominantes das próximas décadas. Richard Dawkins, por exemplo, declarou: ‘Não temos nenhuma razão para pensar que os animais não humanos sentem a dor de forma menos aguda do que nós’. Isso deve mudar nossos hábitos. Embora seja cientificamente impossível saber o que uma raposa sente quando perseguida por uma matilha de cães, temos indícios. Nós compartilhamos milhões de anos de evolução com ela. Ser caçado por cães é quase tão assustador para uma raposa como seria para nós. Podemos ir mais fundo. Experiências demonstraram que baratas e aranhas sofrem em certas situações. É, então, antiético usar invertebrados em experimentos sem considerar como essas criaturas se sentem? Parece ir muito longe, não é? Para a maioria de nós, aranhas e baratas têm valor significativamente menor que os humanos. Os milênios de dependência de suas proteínas e a ignorância de suas vidas internas nos inculcaram a convicção de que os animais não têm o mesmo valor que os humanos. Os tempos mudam e talvez mudem novamente. Não é impossível imaginar que, dentro de algumas décadas, comer carne tenha o mesmo estigma que fumar tabaco ou usar cosméticos testados em animais já carregam.”

Cientistas americanos constataram, na cidade de Los Angeles, que as emissões de produtos usados em casa — tintas, pesticidas, cosméticos e produtos limpeza — já contribuem tanto para a poluição atmosférica urbana quanto as emissões de automóveis.

A Coreia do Norte tem 22 atletas em PyeongChang disputando a Olimpíada de Inverno. A TV estatal do ‘país mais fechado do mundo’, no entanto, até agora só mostrou frames da delegação e do jogo de hóquei feminino disputado pela seleção que reúne jogadoras das duas Coreias. Por lá, ter acesso e ouvir informações e notícias estrangeiras sem a autorização do regime é crime de Estado.

O twitter Glitter in Unusual Places, que apesar do nome é brasileiro, descreve cantos nos quais purpurina colante de carnaval vai parar e não sai fácil.

Galeria: Especializado em fotografia ultravioleta, fotógrafo mostra a fluorescência das flores.

Cultura


O afrofuturismo é o movimento estético e político que recria narrativas negras usando ficção científica e tecnologia. Está cada vez mais forte e atual. O longa Pantera Negra, nas telas do cinema, é um exemplo. A obra da cantora e atriz Janelle Monáe (Spotify e YouTube) é outro. Inclua-se na lista os trabalhos de Ava DuVernay, diretora do clipe de Family Feud, de Jay-Z (YouTube).

Falando nisso... Wakanda, o país afrofuturista do herói de Pantera Negra, foi levado dos quadrinhos para as telas pela designer de produção Hannah Beachler, uma mulher negra. Para isso, ela teve que descobrir o que a África era para ela e o que o continente poderia se tornar para os espectadores do mundo todo.

Aliás... Pantera é a quinta maior bilheteria em estreia da história.

Autora do best-seller A Mágica da Arrumação, a japonesa Marie Kondo anunciou em seu Instagram que terá um reality show sobre organização na Netflix. O programa vai acompanhar seu trabalho enquanto ela ajuda pessoas a colocarem a casa e a vida em ordem.

Galeria: Imagens para dizer adeus ao Carnaval.

Cotidiano Digital


Demorou. E muito. Mas o Chrome passou a bloquear publicidade considerada abusiva pelo grupo Coalition for Better Ads. Inclui janelas pop-up, vídeos que tocam automaticamente com som, anúncios que aparecem antes de a página carregar. Nos computadores e celulares. Não custa lembrar: Chrome, o navegador mais popular do momento, pertence ao Google. Que, junto com o Facebook, detém quase todo o mercado da publicidade online.

Inúmeros sites começaram a proibir, na última semana, a publicação de pornografia baseada em deepfakes. Incluem Twitter, Gfycat, Discord, a comunidade Reddit e até o principal veículo de pornô da rede, PornHub. Deepfakes permitem colocar, no corpo de um ator ou atriz, o rosto de outra pessoa, utilizando-se de um app muito simples de usar, baseado em inteligência artificial. As plataformas argumentam que os vídeos falsos, porém realistas, representam ‘pornografia não consensual’.

É um brinquedo. Vá. Mas a nova varinha mágica de Harry Potter vem carregada de sensores. Por conta, ela sente a natureza de seus movimentos. Acende luzes, interage com outras varinhas, e conta pontos de destreza num duelo de mágicos.





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19 de fevereiro de 2018
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