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3 de agosto de 2018
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Sacrificados pelo acordo PT-PSB se revoltam


O acordo costurado por Lula para asfixiar a candidatura Ciro Gomes fez explodir inúmeras crises regionais dentro de PT e PSB. Começa em Minas. O esquema de Lula tirou de Dilma Rousseff a oportunidade de sair candidata ao Senado para que o socialista Marcio Lacerda concorra. Lacerda, porém, se recusa a abrir mão de disputar o governo do estado. Pretende conquistar a indicação na convenção estadual amanhã e, domingo, ir a Brasília brigar com a direção nacional. Se for preciso, vai à Justiça. Dilma, entregue pelo PT, depende de Lacerda ganhar em seu partido para poder se candidatar.

É do próprio Distrito Federal que vem outra revolta. O governador Rodrigo Rollemberg, que disputa a reeleição, afirmou que não seguirá a orientação de seu PSB para ser neutro no pleito e apoiará Ciro na campanha presidencial. “Considero a neutralidade um erro, um equívoco”, afirmou. “Estamos fortalecendo uma polarização PT-PSDB que é muito ruim para o país.”

O choque não vem só do PSB. O PT pernambucano ignorou o nacional e, ontem à noite, indicou Marília Arraes candidata ao governo do estado. Os militantes cercaram o senador Humberto Costa, representando a cúpula da legenda, aos berros de ‘golpista’. Se depender da legenda local, o esquema para que o PSB fique neutro nas eleições presidenciais em troca do apoio petista à reeleição de Paulo Câmara no estado irá por água abaixo.

Mas absolutamente nada é definitivo. O PSB mineiro faz amanhã sua convenção estadual. O PT nacional, também. E no domingo será a vez do PSB nacional. Serão reuniões de calor intenso.

Marco Antonio Carvalho Teixeira, da FGV-SP: “Ciro se isola ao fracassar nas tentativas de atrair simultaneamente a esquerda e a direita e perde tempo de TV, além do palanque socialista em Pernambuco e em outros estados. O arranjo entre petistas e socialistas não foi simplesmente uma derrota para Ciro, mas pode se transformar numa importante vitória para Geraldo Alckmin. O tucano assiste tranquilamente seus principais rivais à esquerda se digladiarem e perderem força num processo eleitoral em que a unidade é crucial para a viabilização de qualquer candidatura.” (Estadão)

Há incríveis ironias. Adversários na presidencial de há quatro anos, Dilma e Aécio lideravam as pesquisas para as duas vagas de senadores mineiros no inicio da semana. Dilma pode perder a candidatura, Aécio já perdeu a sua. Isolado pelo seu PSDB, desistiu e tentará se eleger deputado federal.

Balão de ensaio circulando: o PDT poderia lançar Túlio Gadelha, namorado da apresentadora Fátima Bernardes, ao governo pernambucano. É para dificultar a vida do governador Paulo Câmara. O mesmo que comandou pelo lado do PSB a articulação anti-Ciro.

Enquanto isso, Geraldo Alckmin, observa. As esquerdas implodem a dois meses do pleito, livrou-se do constrangimento de ter de lidar com Aécio no palanque de Minas e, enfim, conseguiu uma vice que não tem propriamente a cara do fisiologismo do Centrão. A senadora conservadora gaúcha Ana Amélia, do PP, disse que aceitará o cargo. É mulher e tem força na região Sul. O voto feminino terá particular importância este ano. Mas ainda é preciso o aceite do PP do Rio Grande do Sul. Seus líderes se inclinavam ao apoio de Bolsonaro.

José Roberto de Toledo: “Jair Bolsonaro tem mais que o dobro de intenções de voto entre homens do que entre mulheres nas pesquisas estimuladas. A distância entre os sexos aumenta três vezes nas pesquisas espontâneas. Nunca houve tanta divergência entre eleitores e eleitoras numa corrida presidencial pós-ditadura no Brasil. Logo, a questão que tende a decidir a eleição é se os homens vão seguir as mulheres ou o contrário. Quem vai ter o voto final?” (Piauí)

Outras definições: O MDB acabou com a dúvida e confirmou que Henrique Meirelles será seu candidato à presidência. E o verde Eduardo Jorge aceitou o convite para ser vice de Marina Silva.

Jair Bolsonaro alegou que tinha um compromisso inadiável para não ir ontem à noite ser entrevistado pela Globonews. Geraldo Alckmin concordou em trocar seu dia. Era trapaça: no mesmo horário em que o tucano estava na TV, Bolsonaro montou uma sabatina amiga para transmitir pela internet. Com som ruim.

CNI/Ibope de junho: 71% dos eleitores afirmam que vão se informar pela imprensa tradicional para decidir o voto. 26% usarão as redes sociais. (PDF)


O jardineiro infiel

Tony de Marco

 
Lula-regador

Cultura


Em São Paulo, de hoje a 12 de agosto, a Bienal do Livro ocupa o Pavilhão do Anhembi com quase 200 expositores e extensa programação de debates no Salão de Ideias. Para os cinéfilos cosmopolitas, duas mostras: a Festa do Cinema Italiano, já em cartaz, e a Mostra Árabe de Cinema, que começa na quinta. E a soprano russa Anna Netrebko, dos maiores nomes do canto lírico mundial, se apresenta na Sala São Paulo ao lado do tenor Yusif Eyvazov, na segunda.

No Rio, Fernanda Takai canta Tom Jobim hoje no Blue Note, acompanhada por Marcos Valle e Roberto Menescal, produtores do disco O Tom da Takai. João Donato faz amanhã show único baseado no lendário disco Quem é Quem, lançado em 1973, na Sala Baden Powell. E seis exposições de fotografia ocupam a Galeria Aymoré como parte do festival FotoRio Resiste.

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Dentre as estreias da semana no cinema está Querido Embaixador (trailer), de Luiz Fernando Goulart. É a história de Luiz Fernando de Souza Dantas, o diplomata boêmio e mulherengo que, na França de Vichy, desobedeceu às ordens do governo concedendo vistos para que judeus fugissem do Holocausto. Mistura ficção com entrevistas de sobreviventes. Já Ana e Vitória (trailer), com as cantoras do duo Anavitória interpretando as próprias, não é exatamente uma cinebiografia e sim uma história levemente inspirada na delas. Com suas músicas. Veja outras novidades.

A segunda pessoa mais assistida no Instagram Stories em junho é brasileira. É o humorista alagoano Carlinhos Maia, que desbancou famosos internacionais como Beyoncé, e brasileiros como Whindersson Nunes, Anitta e Neymar. Ele só perdeu mesmo para a socialite norte-americana Kim Kardashian. Ele é também o maior produtor de stories no país, à frente da drag Pablo Vittar.

Viver


Quase 200 mil bolsistas da Capes, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, correm o risco de ficar sem bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado no ano que vem. O presidente do órgão enviou um ofício ao ministro da Educação informando que, caso não haja mudanças no orçamento para 2019, o pagamento das bolsas terá que ser suspenso a partir de agosto do próximo ano.

Stevens Rehen, cientista brasileiro reconhecido na comunidade internacional sobretudo por explicar a relação entre zika e microcefalia: “Isso pode enterrar a ciência no Brasil. Se uma epidemia de zika acontecesse no início deste ano no Brasil, quando vínhamos de uma série de cortes de investimentos do governo, a ciência brasileira já não poderia responder em tempo recorde, como conseguiu antes. E isso por falta de material, de reagentes, por exemplo. A partir de agora, com essa expectativa de corte massivo de bolsas, não poderíamos responder por falta de pessoas.” (Globo)

Encontrar uma bicicleta parada na calçada e pronta para ser usada por qualquer um que tenha um aplicativo no celular se tornará mais comum em São Paulo. As redes de bicicletas compartilhadas sem estação começaram a fazer sucesso na China há dois anos, e, no ano passado, chegaram às ruas dos Estados Unidos e Europa. Agora, é a vez do Brasil. A Yellow, a primeira empresa do tipo por aqui, vai colocar 500 bicicletas nas ruas de São Paulo, em um teste de duas semanas — elas devem chegar a 20 mil até o fim do ano. E outras duas empresas já estão cadastradas para lançar serviços iguais: a chinesa Mobike, uma das maiores do mundo, e a Serttel, de Recife. Mas uma das suas principais vantagens — elas podem estacionar em qualquer lugar — também pode ser um inconveniente. Assim como as scooters nos Estados Unidos, já ficaram famosas na China cenas registradas de bicicletas amontoadas nas ruas ou reunidas aos milhares em cemitérios após serem removidas ou danificadas.

A Igreja Católica mudou ontem seu entendimento sobre a pena de morte. Ela a considera agora inadmissível em todos os casos. Segundo o papa Francisco, essa punição é um ataque à inviolabilidade e dignidade da pessoa. A pena era defendida pela doutrina nos casos em que seria “a única forma praticável de defender de forma eficaz a vida dos seres humanos contra o agressor”.

Cotidiano Digital


É a primeira vez que acontece na história com uma empresa privada. No momento em que cada ação bateu em US$ 207,92, a Apple cruzou a linha e alçou um valor de mercado que passa de US$ 1 trilhão. A segunda companhia mais valiosa do mundo, a Amazon, vale US$ 884,01 bilhão. Uma enorme diferença. O Google vem em terceiro, com US$ 854,86 bi e, em quarto, a Microsoft, US$ 827,53 bi. Valores de ontem.

Pedro Doria: “Há exatos 20 anos, em 1998, Steve Jobs estava recém-nomeado CEO interino da Apple. Não era um cargo invejável e Jobs não era mito. Era, isto sim, o Bill Gates que não deu certo. O gênio que, pelo humor intratável, ataques de fúria e obsessão com detalhes irrelevantes, destruíra a própria carreira. Hoje, nenhuma empresa tem o poder de escolher que rumo tomar, em que mercado entrar, o que dominar, como a Apple. Porque a chave está na cultura criada pela obsessão com detalhes irrelevantes que um dia foi vista como defeito. Qualquer smartphone de ponta das cinco maiores fabricantes são peças impecáveis de design. Sólidos, com telas brilhantes, texturas de materiais surpreendentes e curvas sedutoras. Este acabamento é o padrão de um aparelho de ponta. Não era assim vinte anos atrás. Mas houve Jobs. Que surpreendente foi aquele primeiro iMac azul translúcido. Percepção de qualidade foi fundamental para tirar o digital do mercado profissional e leva-lo para a casa do consumidor comum. Gerou fidelidade. É isto que a Apple tem. Fidelidade por ter sido a primeira, por ser percebida pela qualidade.” (Globo ou Estadão)

E... Por coincidência, a Vanity Fair publicou, também ontem, um trecho inédito do livro de memórias de Lisa Brennan-Jobs, filha de Steve Jobs por muito tempo rejeitada pelo pai.

Lisa Brennan-Jobs: “Por um tempo, eu passava as noites de quarta-feira na casa de meu pai, enquanto minha mãe estudava. No caminho, de carro, ele nunca falava. ‘Posso ficar com ele quando você não o quiser mais?’, perguntei uma noite enquanto virávamos a esquina próxima ao portão. Eu já vinha pensando nisso fazia um tempo mas demorei para criar coragem e pedir. ‘Pode ficar com o quê?’, ele disse. ‘Com este carro. Com o Porsche.’ Eu me perguntava onde dele deixava os outros Porsches. ‘De jeito nenhum’, ele respondeu naquele jeito amargo, mordido, que eu já conhecia de quando cometia um erro. Percebi que a história que me contaram, de que ele trocava de carro sempre que havia um arranhão, talvez não fosse verdade. Àquela altura, eu já sabia que ele não era generoso. Queria poder voltar atrás e não ter dito aquilo. Antes que saísse do carro ele se voltou para mim. ‘Você não vai ter nada’, falou. ‘Entendeu? Nada. Você não terá nada.’ Ele falava do carro ou de algo maior? Eu não tinha certeza.”





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