Ainda não é assinante? Assine. Não custa nada.

 
 


7 de março de 2019
Consultar edições passadas

Tuíte pornô anima núcleo de convertidos mas desgasta governo


O tuíte escatológico do presidente Jair Bolsonaro rendeu, ontem, o dia todo. E teve complemento: “O que é golden shower?”, perguntou insistindo no tema, se referindo à prática fetichista de urinar sobre um parceiro sexual. Justamente o ato flagrado em seu vídeo anterior. Em conversas com Lauro Jardim, do Globo, três ministros, alguns assessores e dois deputados importantes do PSL demonstraram constrangimento com a compulsividade do presidente em criar problemas para si próprio através das redes. A Pedro Venceslau, do Estadão, o jurista Miguel Reale Jr, responsável pelo pedido de impeachment da presidente Dilma, observou: “O caso se enquadra com falta de decoro, o que pode levar ao impeachment.” Dificilmente o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aceitaria o pedido. Mas o assunto foi o tópico mais discutido do Twitter no mundo e ganhou as páginas dos principais veículos estrangeiros.

Pois é... De acordo com o monitoramento feito pelo próprio Planalto, a sucessão de tuítes desastrosos está gerando desmobilização da tropa de choque de apoio ao presidente nas redes. (Folha)

Daniela Lima ouviu de aliados que o presidente reconheceu que a postagem “não foi oportuna”. Torcem para que o cuidado com as redes seja reforçado. (Folha)

Não há qualquer indício que date o vídeo ou sugira em que cidade foi registrado. Mas, segundo o BR18, ele foi publicado pela primeira vez na manhã de terça, horas antes de ser replicado pelo presidente. Quem o divulgou foi um usuário do Twitter chamado Edmilson Papo 10 que, entre seus pouco mais de 30 mil seguidores, tem alguns dos principais nomes da neodireita — Jair, Carlos e Flavio Bolsonaro inclusos.

Aliás... O repórter Sergio Spagnuolo, um dos principais especialistas em jornalismo de dados do país, fez uma análise sobre a relação das contas de Twitter de Jair e Carlos Bolsonaro. O vereador carioca é de longe a pessoa mais retuitada pelo presidente — muito mais do que os outros filhos. Há outros indícios, como a curta distância de tempo entre tuítes de um e do outro, que reforçam a suspeita de que Carlos, ao menos parte das vezes, é o responsável pela conta do pai.

Carlos Alberto Sardenberg: “Está marcado para a próxima semana o primeiro leilão de privatização do governo. Se tudo der certo, serão concedidos à iniciativa privada 12 aeroportos. Pode-se dizer que o sucesso (ou não) do leilão dará sinais sobre a confiança no governo para reequilibrar a economia brasileira. É, portanto, uma pauta importante, que se soma a outros temas cruciais na agenda do governo: Previdência, pacote Moro, formação das comissões e lideranças no Congresso. Enquanto isso, o governo ocupa o Twitter global (ou seria globalista?) com um vídeo pornô. Dizem que Bolsonaro está desviando a atenção da reforma da Previdência, um tema que reduz popularidade, para colocar na pauta temas de agrado de seu público religioso e moralista. Ou seja, ficaria todo mundo discutindo o golden shower enquanto a reforma passava de fininho, o Paulo Guedes vendia uma dúzia de aeroportos e Moro aprovava seu pacote. Não faz o menor sentido. O fato é que o presidente efetivamente se interessa mais e se ocupa mais à vontade de questões como os pecados do carnaval e a posse de armas. Uma reforma dessas, como a tributária, só passa com ação pessoal e convincente do presidente. O presidente se ocupando de pornografia carnavalesca só convence seu próprio público, que não precisa ser convencido disso, mas das reformas e privatizações.” (Globo)

Leandro Vieira, carnavalesco da Mangueira: “O desfile é um recado político para o presidente. Isso daqui é a festa do povo, carnaval é a festa do povo, não o que ele acha que é!”

A força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, pediu a suspeição do ministro Gilmar Mendes no julgamento que envolve Paulo Vieira de Souza, ou Paulo Preto, acusado de operar propinas para o tucanato paulista. Os procuradores encontraram, num celular do senador Aloysio Nunes apreendido em fevereiro por ordem judicial, trocas de mensagens que sugerem proximidade entre Aloysio e Gilmar. Em conversas com um advogado e com o ex-ministro Raul Jungmann, o senador confirma ter conversado com o ministro do Supremo poucos dias antes de ele conceder um habeas corpus para Paulo. Há também o registro de ligações dadas e recebidas entre Aloysio e o gabinete de Gilmar. O pedido está na mesa da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Só ela pode apresenta-lo à Corte. (Folha)

Pois é... Acusado e, agora, condenado em primeira instância. Paulo Preto completa hoje 70 anos, o que faria com que qualquer pena fosse reduzida para metade. Mas ontem a juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal Federal, ordenou sua prisão por 145 anos e oito meses por desvio de dinheiro público, associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema público — todos crimes relacionados às obras do Rodoanel paulista durante os governos de José Serra e Geraldo Alckmin. Paulo está preso preventivamente desde 19 de fevereiro.

Daí que, em Curitiba, já há um novo juiz no lugar de Sergio Moro. É Luiz Bonat.

Uma mineira filiada ao PSL denunciou em setembro, ao Tribunal Regional Eleitoral, o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio. Ela o acusou de convidá-la para servir de laranja durante a campanha. Pelo esquema, Zuleide Oliveira receberia R$ 60 mil em verbas públicas do partido e repassaria de volta para o atual ministro R$ 45 mil, ficando com o restante. (Folha)

Começa hoje o prazo de entrega do Imposto de Renda. Vai até 30 de abril. Os aplicativos já estão disponíveis para download.


Enquanto isso... O ex-presidente americano Barack Obama comentou, em uma conferência, que se aflige com mídias sociais. “Me preocupo com o que está fazendo com nossas crianças, tornando-as absortas em pensar ‘o que o mundo está pensando de nós?’ de um jeito que não ocorria quando nós éramos pequenos.” Obama também afirmou que ignora comentários nas redes. “São desenhados para alimentar ansiedade.”

Cultura


Com 270 pontos, a Estação Primeira de Mangueira conquistou seu 20º título de campeã do Carnaval do Rio de Janeiro. Em segundo ficou a Viradouro (269,7), seguida por Vila Isabel (269,4), Salgueiro (269,3), Portela (269,3) e Mocidade (269).

Bernardo Araújo: “Tudo levava a crer que a Mangueira seria a campeã do carnaval. A expectativa anterior à festa, com o samba cantado fervorosamente pelos quatro cantos do Rio, se confirmou com o catártico desfile da escola na madrugada da terça-feira. Só que ‘tudo leva a crer’ no universo da Liga Independente das Escolas de Samba pode não significar absolutamente nada. Os jurados, de forma geral, avaliaram as escolas com rigor e critério, e a verde-e-rosa acabou campeã com um score perfeito, até folgado em termos de carnaval carioca, com três décimos à frente da surpreendente vice-campeã Viradouro. O quesito samba-enredo (sempre ele!) fez a Mangueira abrir a diferença, que nunca foi recuperada pela escola de Niterói. Na verdade, o hino da Viradouro foi julgado até com complacência demais: dois jurados, Felipe Trotta e Eri Galvão, deram nota 10 para uma canção muito inferior à maioria das outras do ano, com pouco sentido — como é tradicional nos enredos do carnavalesco Paulo Barros — e nenhum charme.” (Globo)

E... Por volta das 18h30, a Mangueira entrou na lista mundial dos principais temas do Twitter. A marca foi a hashtag #MariellePresente, por conta da homenagem da escola feita à vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em março de 2018, durante seu desfile.

Só deu Brasil, ontem, na rede social.

Após o lançamento do documentário Leaving Neverland, produção da HBO que inclui os relatos de dois homens que afirmam terem sido abusados sexualmente por Michael Jackson quando crianças, estações de rádio da Nova Zelândia começaram a boicotar músicas do cantor. A ação foi seguida, esta semana, por três estações canadenses. De acordo com a diretora de marketing e comunicação da Cogeco Media, Christine Dicaire, o boicote foi uma resposta aos pedidos de ouvintes.

Cotidiano Digital


Mark Zuckerberg publicou, ontem, um longo post anunciando uma mudança estratégica radical do Facebook. O foco na plataforma social aberta e pública de hoje lentamente migrará para uma mais fechada e pessoal, ancorada no encontro de Messenger e WhatsApp. “Facebook e Instagram ajudaram as pessoas a se conectarem com amigos, comunidades e encontrar seus interesses”, escreveu. “Mas, conforme penso no futuro da internet, percebo que comunicações privadas se tornarão mais importantes do que as atuais plataformas, abertas.”

Este Facebook do futuro terá algumas características. Interações entre pequenos grupos, como no WhatsApp. Posts com tempo de duração — o que se publicou no passado não volta para atormentar. Interoperabilidade entre os apps: um comerciante não precisa mais divulgar o celular para receber mensagens pelo WhatsApp. Elas podem ser enviadas de uma página no Face, e recebidas no app. Ainda haverá uma parte mais pública, mas o plano de Zuck é colocar o estilo WhatsApp no centro do Face. “Compreendo que muitos não consideram que o Facebook queira construir este tipo de plataforma privada — nós, francamente, não temos uma reputação forte na construção de serviços com foco em privacidade e, historicamente, apostamos em compartilhamento aberto. Mas repetidamente mostramos que nosso enfoque está no que as pessoas realmente desejam.”

O principal desafio, lembra Kurt Wagner do ReCode, é que o sustento da companhia está baseado na exploração comercial de dados extraídos das conversas públicas. Para uma guinada do tipo, o negócio do Face terá de ser reinventado.

A chinesa Huawei entrou com um processo contra o governo americano, dentro dos EUA. “O Congresso jamais apresentou qualquer evidência para sustentar restrições a nossos produtos”, afirmou Guo Ping, vice-presidente da companhia. O governo acusa o maquinário Huawei, de celulares a sistemas de infraestrutura, de terem portas para uso de espiões chineses. “O banimento é ilegal e restringe acesso da Huawei à livre competição no mercado, prejudicando no fim os consumidores americanos.”

LiDAR é o nome daquele sensor que, instalado em cima de carros autônomos, faz as vezes de olhos para o computador. Funciona como uma espécie de radar, que usa feixos de laser para montar as imagens. Até pouco mais de dois anos atrás, um LiDAR custava em torno de US$ 75 mil. Agora a Waymo, subsidiária do Google, anunciou que vai vender um de seus modelos de LiDAR para empresas que queiram usá-lo em outras aplicações, que não a de taxis robôs. Apesar de o preço não ter sido anunciado, a expectativa é de que custe menos de US$ 5 mil, o que pode viabilizar um boom de novas startups usando o sensor de formas inovadoras.

Viver


O documentário Cholet: The Work of Freddy Mamani mergulhou na vida de um fenômeno contemporâneo da arquitetura boliviana. Celebrado internacionalmente, o arquiteto Freddy Mamani injeta cor e personalidade na cidade de El Alto, a mais alta do mundo, e vem se tornando assunto nos fóruns sobre arquitetura. Embora muitos comparem seu trabalho com Las Vegas, Mamani rejeita a lembrança. Suas formas, cores e padrões são extraídos da história pré-colombiana de seu país. “Meus projetos são uma expressão moderna da nossa cultura", explica ao Guardian. Em particular, remetem ao aguayo, um tecido brilhante dos Aymara, o grupo indígena do qual Mamani faz parte.





Bem-vindo ao Meio. A assinatura básica é gratuita, comece agora mesmo.




7 de março de 2019
Consultar edições passadas