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14 de março de 2019
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Massacre em escola choca o país


Às 9h42 de ontem, G.T.M., de 17 anos, atravessou o portão da Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, São Paulo. Tinha em mãos um revólver calibre 38. Ex-aluno, o rapaz começou imediatamente a atirar contra um grupo de estudantes e funcionários na recepção. Era hora do lanche. Trinta segundos após, cruzou o portão seu amigo, Luiz Henrique de Castro, 25, também ex-aluno. Trazia besta, arco e flecha e uma machadinha. Golpeou corpos no chão e se jogou contra quem tentava fugir. Eles já haviam matado o tio de um deles, Jorge Antonio de Moraes, na locadora de carros da família. Foi de lá que pegaram o automóvel que os levou. Dentro da escola, mataram a coordenadora pedagógica e uma funcionária. No pátio, mais cinco alunos. Os assassinos seguiram para o centro de línguas, onde alunos e professora haviam se trancado. E então, no corredor, um deles voltou-se contra o outro e o matou, cometendo suicídio na sequência. Em 15 minutos. (Estadão)

No Twitter, aluna da Escola Professor Raul Brasil, onde aconteceu o massacre, relatou as cenas que testemunhou na manhã de ontem.

Este é o 7º ataque do tipo ocorrido no Brasil. Durante toda a quarta, internautas lembraram de outros tiroteios ocorridos em colégios, como o de Columbine, nos EUA (1999), o de Realengo, no Rio (2011), e o de Goiânia (2017). Com ampla cobertura internacional, o New York Times ressaltou que tiroteios em escolas não são comuns no Brasil. Relembre outros casos semelhantes.

O crime de Suzano deixou extremamente agitados os dois principais chans brasileiros. São fóruns frequentados por rapazes que guardam o anonimato e falam num tom de extrema agressividade. Crimes como este, por lá, são incentivados. “Quando esses caras depressivos, solitários, decidem se matar”, conta um tuiteiro familiar com o ambiente, “seus coleguinhas nos chans usam um chavão: ‘se mate, mas leve o gado junto.’” No ano passado, um dos frequentadores fez exatamente isto. Antes de cometer suicídio, matou uma mulher que lhe negara as investidas.

É o maior massacre em escolas do estado. O governador João Doria lamentou que um fato como este “ocorra em nosso estado e nosso país”. Disse também que foi a cena mais triste que viiu em toda sua vida.

O tópico ‘Armas’ ficou na lista de assuntos mais comentados do Twitter Mundial, abrindo novamente a discussão sobre a flexibilização de armas de fogo. De um lado, apoiadores do presidente brasileiro argumentam que não se pode culpá-lo por tragédias envolvendo armas. De outro, críticos alegam que Jair Bolsonaro normatiza atos de violência ao fazer ‘gesto de arma com a mão’. O vice-presidente Hamilton Mourão ressaltou que “agora é necessário compreender por que têm ocorrido ataques a tiros em escolas brasileiras”. Para o general, a flexibilização da posse de armas, autorizada pelo presidente Jair Bolsonaro, não tem relação com a tragédia. (Folha)

Olavo de Carvalho se retirou de campo, mas seus alunos não descansaram. Conseguiram negar ao ministro Ricardo Vélez o direito de indicar seu número dois. Vélez queria ver Rubens Barreto no lugar de Luiz Antonio Tozi, demitido do cargo de secretário-executivo a pedido de Olavo. Barreto e Tozi eram amigos. Na terça, o ministro cogitou largar ele próprio seu cargo. E não está de todo seguro. Segundo o Painel, o nome de Miguel Nagib, fundador do Movimento Escola Sem Partido e cunhado da deputada peselista Bia Kicis, circula. (Folha)

Para ler com calma: Há um ano completos hoje, a vereadora carioca Marielle Franco embarcou num carro no Centro do Rio, sentando-se atrás do motorista Anderson Gomes. Sem que soubessem, um Chevrolet Cobalt prata começava ali a segui-los. Dentro, um assassino profissional tinha em mãos uma submetralhadora HK MP5, conhecida pela precisão. Treze tiros foram disparados. Das onze câmeras no percurso, cinco foram desligadas nos dias anteriores. O repórter Allan de Abreu, da Piauí, mergulhou na história da apuração deste caso e a publicou na edição que está nas bancas. A investigação da Polícia Civil, liderada pelo delegado Giniton Lages, passou um bom tempo perdida. A um momento, três delegados federais tentaram forjar uma versão pela qual o vereador Marcello Siciliano e o miliciano Orlando Curicica seriam os responsáveis. Era falsa, possivelmente encomendada pelos políticos Domingos e Chiquinho Brazão, interessados em prejudicar Siciliano, com quem disputavam votos. Mas se tornou conveniente para a Polícia Civil. Só no final do ano, por pressão do ministro Raul Jungmann, que a investigação se voltou para o Escritório do Crime, um grupo de sicários que comete assassinatos em troca de dinheiro. Havia um indício forte: o celular de um de seus dois líderes, o major PM Ronald Pereira, foi detectado na região do crime minutos antes. O outro líder é o coronel da reserva Adriano Nóbrega, cuja mãe e mulher trabalhavam no gabinete de Flávio Bolsonaro, na Assembleia do Rio. Foram demitidas quando o envolvimento do Escritório veio a público. É uma leitura longa, porém minuciosa.

Com os dois suspeitos presos, ainda faltando pistas a respeito de mandante, o delegado Giniton Lages deve mesmo ser afastado para a segunda fase da investigação. Segundo o governador Wilson Witzel, ele ficará quatro meses estudando no exterior. Em entrevista ao G1, Giniton disse que a decisão sobre o convite para o intercâmbio com a polícia italiana ainda está sendo tratada. Os repórteres Chico Otávio e Vera Araújo, do Globo, ouviram outra coisa. A principal razão é seu conflito com o novo responsável pelo Departamento Geral de Homicídios, Antônio Ricardo Lima Nunes. Giniton foi pego de surpresa com o afastamento. Ontem, polícia e MP cumpriram mais 16 mandados de busca relativos ao caso. O advogado de Ronnie Lessa, acusado de efetuar os disparos, afirmou que o cliente descartou delação premiada.

Em tempo: Lessa era ligado a Nóbrega. (Globo)

O vereador carioca Marcello Siciliano denunciou em plenário o conselheiro do TCE Domingos Brazão e o delegado federal Helio Khristian por articularem um complô para responsabilizá-lo pelo crime. Khristian, com inúmeros processos por irregularidades, ainda trabalha graças a uma liminar judicial. (Globo)

Aliás... O Globo pôs no ar um documentário sobre o caso Marielle.


E segue a novela do Brexit. Após ter visto seu acordo rejeitado pelo parlamento na terça, a primeira-ministra britânica Theresa May sofreu uma segunda derrota ontem, quando o parlamento aprovou resolução que indica que o governo não deve seguir em frente para sair do bloco sem nenhum acordo. Hoje ocorre uma terceira votação para definir se o Reino Unido deve ou não pedir extensão do prazo de 29 de março, data marcada para o Brexit. May ainda manobra para um adiamento curto de forma a tentar pela terceira vez aprovar seu acordo.

Cultura


Com o excesso de conteúdo da rede, perfis dedicados à publicação de vídeos para desacelerar mentes inquietas estão cada vez mais populares.

No Twitter há o Satisfying Videos: filmetes curtos que exibem, por exemplo, bolhas coloridas em movimento ou mãos sendo enterradas na areia. Parece bobagem — mas têm efeito relaxante. É no YouTube e no Instagram que esses vídeos são reproduzidos freneticamente. Os títulos já dão o tom: vídeo que irá colocá-lo em absoluta tranqüilidade ou 1.000.000 peças de dominó caindo.

Oddly Satisfying é o nome do fenômeno e, como muitos outros interesses de nicho, surgiu do Reddit; um subreddit dedicado a postar vídeos e GIFs que agora tem 2,6 milhões de membros. Segundo Kevin Allocca, diretor do YouTube e autor do livro Videocracy, o movimento sempre existiu - ‘mas sem um nome definido’.

Já existem algumas teorias tentando desvendar os efeitos que esses vídeos provocam no cérebro -  simetria, padrões e repetição, talvez ?! Explicações à parte, fica claro que o movimento é tudo o que o resto da internet não é - calmo, lento, sem interação e nada comercial.

Curiosidade: uma pesquisa no Google por Oddly Satisfying traz cerca de 19 milhões de resultados. Tudo que você precisa é encontrar suas próprias preferências.

O SXSW exibe abertamente todos os lançamentos de filmes para seus visitantes - a maioria dos circuitos oferece somente exibições exclusivas para críticos. E é exatamente essa atmosfera pop e criativa, 'sem amarras', que torna o evento ainda mais especial.

Destaque para a estreia de The Beach Bum (trailer). A comédia restrita 'para maiores de idade' é estrelada por Matthew McConaughey - novamente irreconhecível dando vida ao poeta e compositor Moondog. Veja o trailer!

Estes são os 10 lançamentos no SXSW mais esperados pelo público (Flavorwire).

Viver


O governo italiano implementou uma lei que obriga os pais a vacinarem os filhos para que eles possam comparecer à escola. Crianças menores de seis anos não poderão frequentar creche e jardim de infância se os pais não puderem comprovar a vacinação. Já crianças e adolescentes que têm entre seis e 16 anos não podem ser proibidos de frequentar a escola, mas seus pais terão que pagar multa de 500 euros (cerca de R$ 2.155) se infringirem a regra.

A chamada lei Lorenzin, batizada em homenagem à ex-ministra da Saúde Beatrice Lorenzin, entrou em vigor na segunda-feira e exige dez vacinas obrigatórias: poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola e varicela entre elas.

A implementação é uma resposta ao aumento dos surtos de sarampo no país e, segundo autoridades italianas, já é possível observar uma melhora na taxa de vacinação (BBC).

Você conhece o efeito 'backfire'? Possivelmente, sim. Pesquisadores de Stanford observaram, através de experimentos, que o conselho 'se coloque no lugar do outro', não tem muito efeito na prática. Na verdade, o argumento diminuiria qualquer receptividade em relação a novas ideias e atitudes.

O efeito, no entanto, foi atenuado quando um dos dois indivíduos que pensa diferente mostrou alguma identificação quando se tratava de crenças no geral. Um exemplo: duas pessoas que se detestam podem gostar, sem saber, da mesma série de televisão. Com esse tipo de informação, é possível desenvolver um ponto de vista alternativo que supere divisões aparentemente irreconciliáveis. Em tempos tão polarizados, vale a leitura.

Hoje é o aniversário de Albert Einstein. Se estivesse vivo, o físico mais icônico de todos os tempos completaria 140 anos.

Além da relatividade geral e especial, Albert era conhecido pelo bom humor e suas frases são lições que servem para a vida. "A independência política é, a longo prazo, impossível sem a independência intelectual", escreveu em uma carta arquivada pela Einstein Archives Online.

Para celebrar, algumas das melhores declarações do físico sobre amor, sociedade e liberdade e uma galeria especial de fotos do Nobel Prize.

Cotidiano Digital


O WhatsApp está testando um recurso que permitirá busca fácil de imagens. Quem recebe uma foto ou meme poderá jogá-la no Google por um botão e, assim, traçar sua origem. É uma ferramenta para ajudar todo mundo a identificar se algo é fake news.

Em tempo: Instagram, Facebook, Messenger e WhatsApp sofreram com instabilidade, ontem, atingindo vários usuários. (Estadão)

Erramos, como sói acontecer. Diferentemente do que publicou cá este Meio, ontem, o Mercado Livre não é uma empresa brasileira. É Mercado Libre e mérito dos hermanos argentinos.





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