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29 de março de 2019
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Bolsonaro e Maia fazem trégua, por ora


Pela primeira vez em dias, não houve bate-boca, ontem, entre os presidentes da República — Jair Bolsonaro — e da Câmara — Rodrigo Maia. Bolsonaro pegou um avião para Israel, país que visitará, enquanto Maia recebeu, em sua residência oficial, o ministro Sérgio Moro. Na Comissão de Constituição e Justiça, a análise da reforma da Previdência foi destravada com a nomeação do deputado calouro Marcelo Freitas, do PSL mineiro, para relatoria da proposta. Por ser do partido do presidente, o indício é de que há um acordo que envolve o governo. O ministro Paulo Guedes, que cancelara sua participação numa audiência na comissão terça, afirmou que se apresentará na semana que vem. O texto da reforma deve ser votado na CCJ até 17 de abril. (Globo)

Bruno Boghossian: “O aparente armistício entre o Planalto e o Congresso foi assinado com uma ressalva: Jair Bolsonaro não vai mudar. Aliados que negociaram a redução da temperatura avisaram que o presidente continuará com o dedo no gatilho. Integrantes da cozinha do palácio (incluindo a ala militar) e parlamentares que fazem a ponte com o Legislativo foram transparentes. Avisaram aos líderes partidários que há disposição em acalmar os ânimos, mas admitiram que será impossível conter o presidente. Bolsonaro está convencido de que o discurso de oposição às práticas políticas foi o grande motor de sua campanha. Incensado pelo núcleo ideológico do governo, ele deu demonstrações de que não está disposto a abrir mão dessa carta. Para um dirigente partidário, a chance de conciliação permanente ‘é zero’.” (Folha)

Eliane Cantanhêde: “O que parece claro é que Bolsonaro vai sempre governar atacando num dia, recuando no outro, mais preocupado com três ou quatro milhões de bolsonaristas da internet do que com os 200 milhões de brasileiros. Como isso só atrapalha a reforma da Previdência, Maia decidiu deixar o presidente pra lá e articular com quem realmente interessa. Ontem, fez as pazes com Moro e acertou os próximos passos com Paulo Guedes, seu principal parceiro no governo. Funciona mais ou menos assim: todo mundo deixa Bolsonaro brincando com os filhos nas redes e vai tocar a reforma da Previdência, o pacote anticrime e o que mais for importante para o próprio governo e para o país. Guedes, que já deu seu recado — ‘Não tenho apego a cargo’ –, vai fazer o que Bolsonaro se recusa a fazer e o vice Hamilton Mourão já faz naturalmente: abrir as portas do seu gabinete para grupos de parlamentares, de prefeitos, de governadores. Ou seja: ele vai articular apoio político.” (Estadão)

Merval Pereira: “A munição da Câmara de maldades constitucionais para assumir o protagonismo na aprovação do Orçamento está longe de esgotada. Deputados de diversos partidos já estudam, entre outras medidas, retomar os termos de uma emenda constitucional muito mais rigorosa com relação ao orçamento impositivo, que hoje abrange apenas as emendas individuais dos parlamentares. A proposta de 2000, que pode ser ressuscitada, impõe ao governo limites rigorosos para contingenciamento de verbas, exigindo explicações formais ao Congresso. Ou a necessidade de autorização do Congresso para aumentar os gastos além do Orçamento. Há até um mecanismo semelhante ao em vigor nos EUA, de paralisação das atividades dos serviços públicos caso o Congresso não aceite as explicações do governo.” (Globo)

Bello, colunista da Economist: “Uma das principais razões que garantiram a eleição de Jair Bolsonaro, no ano passado, foi sua promessa de fazer a economia se mover novamente após parada por quatro anos. Muitos acreditaram que só a chegada ao governo de Mr. Bolsonaro já seria capaz de mover o ponteiro. Três meses depois, segue moribunda. Investidores começam a perceber que Paulo Guedes terá uma missão difícil para fazer o Congresso aprovar a reforma da Previdência, crucial para a saúde fiscal do Brasil. E Mr. Bolsonaro não está ajudando. Por mais que democratas tenham horror a Mr. Bolsonaro, não deveriam desejar que ele não conseguisse terminar o mandato. Ainda está no começo e sua presidência já enfrenta um teste crucial. ‘Temos duas opções, disse seu porta-voz esta semana. ‘Ou aprovamos a Nova Previdência ou mergulhamos num buraco sem fundo.’ Se ao menos seu chefe tivesse esta clareza.”

Aliás... O Estadão traduziu o artigo.

O fiscal José Olímpio Morelli, que ocupava um cargo de chefia no Ibama, foi exonerado ontem. Foi ele que, em 2012, multou o então deputado Jair Bolsonaro por pesca irregular em estação ecológica. O Ibama já havia cancelado a multa, dando-a por prescrita, no início do mês. Uma das promessas do presidente é a de por fim à ‘indústria das multas ambientais’. “Está em andamento uma tentativa de desmonte de uma experiência bem-sucedida de combate aos ilícitos ambientais no país”, afirmou Morelli. “Vejo tempos sombrios no Ibama.” (Piauí)

A Rumo venceu ontem o leilão do trecho de 1,5 mil quilômetros da Ferrovia Norte-Sul. O lance foi de R$ 2,719 bilhões - o que representa um ágio de 100,92%. A ferrovia é tida como um dos principais projetos para escoamento da produção agrícola do país.

Amanhã, na Edição de Sábado do Meio, voltamos ao tempo para os fins de março, no ano de 1964, para narrar cada momento que levou à deposição do então presidente João Goulart e a posse de Humberto Castelo Branco. A edição é exclusiva para os assinantes premium. Ainda é tempo. Assine.


O Parlamento britânico vota nesta sexta-feira pela terceira vez o acordo de Theresa May para o Brexit.  "As probabilidades de um 'no deal' pareceram aumentar depois de, na quarta-feira, o Parlamento rejeitar todas as oito propostas alternativas que seus próprios membros tinham apresentado.


Governo nas cordas

Tony de Marco

 
Jair-bobo

Cultura


Em São Paulo, o IMS recebe nesta sexta-feira e no sábado o Festival Serrote, evento anual que reúne escritores, jornalistas, pesquisadores e artistas para apresentações e debates sobre política, cultura e sociedade - na programação estão nomes como os poetas Ricardo Aleixo e a jornalista Patrícia Campos Mello. No sábado tem Lazzo Matumbi no Sesc Pompeia e o projeto Tramundo na Casa de Francisa. No Audio, Marcelo D2 faz show, enquanto o Cidadão Instigado toca amanhã no Sesc Pinheiros. O espetáculo Schumann ou Os Amores do Poeta volta a ser apresentado no Theatro São Pedro neste fim de semana. No domingo, às 16h, o MuBe recebe um recital do pianista Nahim Marun, com Bach e Liszt.

No Rio de Janeiro, Gal Costa se apresenta hoje e sábado no Circo Voador. O rapper BK' faz show neste fim de semana no MAR, apresentando o disco Gigantes. Em cartaz no teatro do CCBB, a performance Caixa Preta e a peça Os Desertos de Laíde sobre trajetórias de mulheres negras. Amanhã também tem Bianca Gismonti no Blue Note e dois filmes de Nelson Pereira dos Santos no IMS. E segue, ainda, a programação do projeto Curto-Circuito na Audio Rebel, com os baianos Andrea May, Heitor Dantas e Jan Cathalá.

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Da Disney, e dirigido por Tim Burton, a novíssima aventura de Dumbo (trailer) chega aos cinemas. Em sua versão live-action, o filme aborda a clássica história em que as diferenças são celebradas e os sonhos ganham asas. Já Natalie Portman estrela Vox Lux, O Preço da Fama (trailer), que narra a ascensão meteórica de Celeste à fama acontece enquanto um ataque terrorista desestabiliza a nação. Outra estreia é o argentino Minha obra-prima (trailer), uma comédia sobre o corrupto mercado de obras de arte. Veja as outras estreias.

Galeria: O Museu Nacional do Catar abriu suas portas na capital, Doha, e as imagens são impressionantes. A complexa forma arquitetônica de uma rosa do deserto, encontrada nas regiões áridas do Catar, inspirou o design marcante do edifício de Jean Nouvel. O Museu é a maior exposição de história local do planeta, com mais de 8.000 metros quadrados. (El Pais)

Vale muito a leitura de Maria Bonita: Sexo, violência e mulheres no cangaço, da jornalista Adriana Negreiros. Livro mostra a opressão e a violência às quais foram submetidas a Rainha do Sertão e outras cangaceiras como Dadá, Durvinha e Otília.

Um recorte raro. Diferentemente da literatura sobre o período, Adriana optou por escrever sobre o cangaço do ponto de vista feminino.

O Metallica voltará ao Brasil em abril de 2020, contou ontem o jornalista José Norberto Flesch. “Cidades e estádios que abrigarão nova visita do grupo já começam a ser definidos.” Dessa vez, a icônica banda de heavy metal não virá ancorada em nenhum festival, mas numa turnê solo. Vale lembrar que, em 2017, eles participaram numa das noites do Lollapalooza.

Aliás... Em setembro, o quarteto se apresenta acompanhado por orquestra nos EUA, em São Francisco, na Califórnia. A ideia é celebrar o 20º aniversário do cultuado S&M, álbum em que o grupo toca ao lado de uma sinfônica.

Viver


Um anticoncepcional masculino passou nos testes iniciais de segurança humana. A notícia foi divulgada durante o Endocrine 2019, encontro anual médico realizado em Nova Orleans, nos Estados Unidos. A pílula feminina surgiu em 1960 e foi considerada uma revolução no controle de natalidade.

De repente, Califórnia… Ou Oregon. Ambos estados concentram alguns dos mais importantes produtores norte-americanos de vinhos. Eis uma galeria imperdível que reúne as 10 vinícolas da costa oeste dos EUA, também conhecida como 'Costa do Pacífico', que destacam-se pela dobradinha arquitetura + vinhos.

Cotidiano Digital


Os números da Huawei, divulgados ontem, indicam que a chinesa cresceu 25% em 2018 contra 28% no ano anterior. Só as vendas aumentaram 19,5%. O único problema documentado foi uma queda de 1,3% na divisão de equipamentos de telecomunicações. Embora o boicote americano não tenha afetado os bons resultados da companhia, contiveram um crescimento que era esperado com o avanço das redes 5G.

Principal concorrente da Uber nos EUA, a Lyft abre hoje seu capital, na Nasdaq. Ontem, puxou o preço de lançamento de cada ação para US$ 72, jogando seu valor de mercado para US$ 24 bilhões. É o primeiro IPO de uma das startups que, no Vale, ganharam o apelido de unicórnios — aquelas avaliadas em mais de US$ 1 bi. (New York Times)

De acordo com um estudo da consultoria Brand Finance, a marca que cresceu mais rápido, em 2018, foi a da Netflix. O valor da marca mais que dobrou, crescendo 105% a US$ 21,2 bilhões.

A Lightning, uma empresa dedicada a desenhar motocicletas elétricas, anunciou seu primeiro modelo. A Strike, que chega ao mercado em julho, sai por US$ 13 mil na configuração mais básica, capaz de fazer 110 quilômetros por carga nas estradas ou 170 quilômetros, na cidade. Há versões com bateria capaz de sustentar o dobro da carga.

A nova versão do popular game Minecraft tira todas as menções a seu criador, Markus ‘Notch’ Persson, das telas de entrada. O jogo foi comprado pela Microsoft em 2014 por US$ 2,5 bilhões. Desde então, a empresa o tornou multiplataforma, permitindo aos jogadores participarem de um mesmo universo, mergulhando via celulares, consoles, computadores ou mesmo tablets. Notch, feito bilionário, se tornou uma das figuras mais desagradáveis do Twitter, envolvido com teorias conspiratórias de toda sorte. Como se trata de um game para crianças, a companhia compradora decidiu que é melhor não mais fazer publicidade de seu criador.





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