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3 de abril de 2019
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Ataque de Bolsonaro ao IBGE põe Brasília em alerta


Após ter criticado a metodologia do IBGE para medir desemprego no Brasil em entrevista à TV Record, presidente Jair Bolsonaro voltou ontem ao tema, enquanto visitava Jerusalém. “Quem não procura emprego não é tido como desempregado”, afirmou. “Então, quando há uma pequena melhora, essas pessoas que não estavam procurando, procuram, não acham, aumenta a taxa de desemprego. Não mede a realidade. Parecem índices que são feitos para enganar a população.” O aumento de desempregados registrado em fevereiro, que passou de 13 milhões de pessoas, não ocorreu porque havia maior procura. Também aumentou o número de desalentados — aqueles que, sem trabalho, não procuram. São 4,85 milhões. (Globo)

O IBGE se defendeu. “A metodologia adotada segue as recomendações dos organismos internacionais, em especial da Organização Internacional do Trabalho, com o intuito de garantir a comparabilidade com outros países.”

Míriam Leitão: “O Bolsonaro revela mais do que ignorância quando critica o IBGE. É comum governantes não gostarem dos dados negativos, o que os diferencia é que os de mente autoritária querem desmoralizar o órgão que apura a estatística indesejada. Bolsonaro poderia afirmar que não é culpado pelo enorme desemprego do Brasil e que herdou o problema, afinal está no cargo há pouco mais de um trimestre. Em vez de dizer como enfrentará esse desafio, ele prefere brigar com o termômetro. Qual é o objetivo do presidente ao atacar o instituto oficial de estatísticas, que fornece ao país um sem-número de indicadores, em todas as áreas, há mais de 80 anos? Essa sempre foi a tendência de governantes autoritários. Foi o que os Kirchner fizeram com o Indec porque não gostavam da informação de que a inflação estava subindo mês a mês. O IBGE tem sabido resistir às tentativas de intervenção. Há outros temores. O pior perigo agora é que o governo imponha ao IBGE um Censo resumido, como foi sugerido pelo ministro Paulo Guedes recentemente. O Censo é a nave-mãe das estatísticas. Dele o país depende para saber, por exemplo, por que a reforma da Previdência é necessária ou como distribuir os recursos do Fundo de Participação dos Municípios. Se errar no Censo, o Brasil terá um prejuízo que vai durar dez anos.” (Globo)

Tales Faria: “Rodrigo Maia mudou o discurso. Do pessimismo das últimas semanas, quando até colocou em dúvida o interesse do presidente Bolsonaro em aprovar a reforma da Previdência, agora já fala não só na aprovação pela Câmara até julho como também na votação da reforma tributária. Motivo do otimismo? A notícia de que Bolsonaro chamou os presidentes dos partidos do Centrão para uma conversa. Nenhum deles morre de amores pelo presidente. E vice-versa. Por isso não têm se encontrado. Só o fato de convidá-los para um encontro em busca de apoio no Congresso já é considerado pelos caciques do Centrão como uma primeira rendição do presidente à chamada ‘velha política’. Mas este gesto só não bastará. Será preciso que, além do encontro, Bolsonaro faça movimentos concretos em direção ao grupo. Leia-se: divisão do poder para os próximos quatro anos de governo. Caso contrário, o Centrão continuará esticando a corda. Ora mordendo, ora assoprando para arrancar nacos de poder à força.”

O vice-presidente Hamilton Mourão viaja na semana que vem aos EUA, onde se reunirá com o vice de Trump, Mike Pence. Mourão também irá à Brazil Conference, de Harvard e MIT, e tem conversa marcada com o professor Roberto Mangabeira Unger, ligado a Ciro Gomes. Auxiliares de Bolsonaro leem o movimento como uma tentativa do vice se mostrar mais plural. (Folha)

Pois é... Enquanto Bolsonaro, de Israel, confirmava bancar a tese de que o Nazismo foi um movimento de esquerda, Mourão no Brasil afirmou o contrário. “De esquerda é o comunismo”, disse. Repetindo a tese defendida pela filósofa Hanna Arendt, o vice-presidente seguiu. “Critico direita e esquerda, nazismo e comunismo são duas faces de uma moeda só, o totalitarismo.”

Em tempo: Tanto na Alemanha quanto em Israel o partido liderado por Adolf Hitler é ensinado nas escolas como de extrema-direita.

Motivo de polêmica após a rede Cinemark exibi-lo em sessão no dia 31 de março, e depois se desculpar publicamente por pressão de militantes, o filme 1964, o Brasil entre Armas e Livros está online, para ser visto. Conta como vê o Golpe a neo-direita brasileira. Assista.

Em tempo: pelo menos três dos entrevistados, incluindo Olavo de Carvalho, chamam o que ocorreu em 1964 de Golpe de Estado. (Globo)

Por 35 votos a 14, mais duas abstenções, a Câmara Municipal do Rio decidiu abrir processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella. Era necessária apenas maioria simples, mas ultrapassou dois terços do colegiado. O bispo da Universal é acusado de prorrogar, sem licitação, a concessão de duas agências de publicidade que exploram a propaganda em locais públicos como pontos de ônibus e relógios de rua. Uma comissão de três vereadores vai analisar o caso, Eles já foram sorteados e um, Paulo Messina, era secretário da Casa Civil de Crivella. O relatório final será votado em plenário — se 34 vereadores se manifestarem a favor, Crivella será afastado do mandato. Carlos Bolsonaro, filho do presidente, votou pela abertura; Cesar Maia, pai do presidente da Câmara dos Deputados, também. O vice-prefeito, Fernando Mac Dowell, morreu de infarte no ano passado. Neste caso, a lei atual determina eleições diretas para escolha de novo prefeito.

Cultura


Ícone da Nouvelle Vague. O mundo do cinema perdeu uma lenda na semana passada com a partida, aos 90 anos, de Agnès Varda. As inúmeras homenagens dizem muito sobre o legado da cineasta francesa, mas ela também foi — e ainda é — muito influente para uma nova geração de cineastas. “Tão boa quanto Truffaut e Godard”, disse Greta Gerwig, diretora de Lady Bird. “A cineasta da minha vida", escreveu Miranda July.

Veja o que outras 15 cineastas mulheres — Lena Dunham, Kelly Reichardt e Crystal Moselle entre elas — disseram sobre a importância de Agnès em suas vidas e carreiras.

Começa hoje a SP-Arte, uma das principais feiras de arte de São Paulo. A programação principal, como de praxe, fica em cartaz no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera, até domingo. Destaque para o Talks, ciclo de debates com especialistas, curadores e colecionadores, que já se tornou tradicional na programação. A iniciativa privada no setor cultural e Inovações no mercado de artes estão entre os temas que serão discutidos. Neste ano, os encontros gratuitos acontecem no auditório do MAM, ao lado do Pavilhão da Bienal. Confira a programação completa no site do evento.

A Marvel divulgou ontem mais um trailer de Vingadores: Ultimato e meia internet parou. Mais de 200 mil buscas no Google, nas duas primeiras horas após a liberação da pré-venda, colocaram o filme no topo do Google Trends. No Twitter, #AvengersEndgame foi o principal assunto no mundo e, #VingadoresUltimato, o principal no Brasil. No YouTube, o vídeo Pré-Venda publicado no canal da Marvel Brasil foi o mais visualizado de ontem. Estreia dia 25 de abril nos cinemas.

No Grammy Awards de 2019, Kacey Musgraves venceu a categoria Álbum do Ano com Golden Hour (Spotify). A cantora é essencialmente country, mas tem uma pegada pop e faz sucesso até entre os leitores do Pitchfork, site americano dedicado a cobrir o universo da música independente. Em 2018, a Rolling Stone escolheu o álbum como o segundo melhor do ano, perdendo apenas pra Invasion of Privacy (Spotify), de Cardi B.

Pra quem não conhece… vale assistir o vídeo de Butterflies, um dos seus principais sucessos.

Viver


A capitão de corveta da Marinha brasileira, Marcia Andrade Braga, recebeu o prêmio de 'Defensora Militar da Igualdade de Gênero' da ONU, em Nova York, por trabalho em missão de paz na República Centro-Africana.Em entrevista à Folha, Marcia falou sobre efetividade de usar a perspectiva de gênero em operações militares.

Num cenário de conflitos internos, defende ela, a questão de gênero se torna ainda mais importante. “As operações que temos hoje em dia são justamente para conter a violência e proteger o civil. E, quando temos patrulhas e ações militares com mulheres, isso facilita o diálogo e a interação com a comunidade”. Marcia espera aplicar essas questões quando retornar ao país ao final do seu período na missão, em 24 de abril.

Videogames são a forma mais popular de entretenimento, mas também são frequentemente vinculados a ideia de vício; especialmente quando os pais precisam culpar algo. O vício, de fato, existe e foi classificado como doença em 2018 pela OMS. Os casos, no entanto, são muito raros e atingem menos de 3% dos gamers. A novidade é que o número de especialistas em saúde mental que enxergam os videogames como uma oportunidade, e não uma ameaça, vem crescendo.O tema - Empowering Gamers - foi abordado durante a PAX East.

Doutora em psicologia clínica e mestre em design de jogos, Kelli Dunlap está particularmente avançada nesse sentido. Ela descreve os jogos como um ‘botão de relacionamento fácil’ para seus pacientes. “Depois de uma conversa sobre o universo de Halo, eu e uma adolescente que se negava a conversar viramos ‘melhores amigas’. Os jogos costumam ser ridicularizados pelos adultos como algo ruim. Reconhecer seu significado genuíno abre um leque de possibilidades de conexão”.

 

Então é Páscoa… E está na praça o ovo plano, feito em camadas planas de chocolate em formato oval, com recheios entre elas. Nas redes sociais, no entanto, as pessoas questionaram se a indústria dos ovos gourmet não foi longe demais.

Um mês após morte do neto de Lula, um laudo de exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz descartou todos os tipos de meningite como causa do óbito. O menino morreu de infecção generalizada provocada pela bactéria Staphylococcus aureus.

Cotidiano Digital


Uma investigação do repórter Mark Bergen, da Bloomberg, revelou que, até o ano passado, o YouTube permitia conscientemente que sua plataforma fosse usada para disseminar discurso manipulador de ódio. Em fevereiro de 2018, quando houve o massacre da escola secundária de Parkland, na Flórida, vídeos alegando que os jovens sobreviventes que protestavam eram na verdade atores simulando uma situação que não ocorrera começaram a crescer em visibilidade, impulsionados pelo algoritmo. Percebendo isto, uma equipe interna recomendou à direção que as notícias falsas deixassem de ser recomendadas. Não que os vídeos fossem tirados, apenas que não aparecessem na lista de sugestões. A proposta foi recusada sem explicação. Em eventos similares anteriores, o argumento dado era de que estes vídeos de alta combustão geravam maior engajamento e, portanto, aumentavam a audiência da plataforma. Só no último trimestre do ano passado o YouTube começou a banir aqueles produtores com conteúdo mais agressivo e falso.

Um relatório publicado ontem pela CTIA, Associação da Indústria de Telecomunicações Celulares, EUA e China estão empatados no nível de implantação da infraestrutura para 5G. Há um ano, China e Coreia do Sul estavam bem à frente. Hoje, os EUA já lideram em número de cidades que já têm redes de nova geração e, até o final do ano, 92 cidades estarão preparadas. Nenhuma funciona — o primeiro celular 5G, da Samsung, sairá este ano, mas ainda não está à venda. Os dois líderes mundiais em digital — China e EUA — estão cabeça a cabeça na briga.

Está para chegar ao mercado um robô para grandes lojas de departamento e supermercados. Como um carro autônomo, ele corre por corredores estreitos sem bater em nada levando, do depósito para as prateleiras, grandes caixas pesadas. Veja.





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