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22 de abril de 2019
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Redes de Bolsonaro atacam militares e políticos aliados


A crise da semana começou já sábado. Apareceu publicado no canal do presidente Jair Bolsonaro, no YouTube, um vídeo de seis minutos e tanto no qual o escritor Olavo de Carvalho desce o malho tanto nos militares quanto nos políticos que ascenderam com a onda de direita. “Esses novos políticos eram caras que estavam liderando as massas na rua”, ele diz. “Tão logo Bolsonaro subiu, eles todos se candidataram a deputado, a senador, e largaram o povão. Todos querem entrar na elite, não querem derrubar a elite. Querem fazer parte do estamento burocrático, como dizia o Raymundo Faoro. É a mesma coisa que o PT fez: na primeira chance, ele virou o estamento burocrático. Tudo o que eles querem é ficar em Brasília e embolsar o dinheiro do governo.” Durante a curta entrevista que dá no vídeo, Carvalho chama Bolsonaro de mártir. “Dentro do governo é só intriga, só sacanagem, só egoísmo, é só vaidade, é só isso que tem.” O escritor repetiu também sua tese de que a ação contra o governo Jango, em 1964, foi em verdade dos líderes civis. “Esse pessoal”, disse se referindo aos militares, “subiu ao poder em 1964, destruindo os líderes civis de direita, e sobrou o quê? Os comunistas. Aí eles vêm dizer: nós livramos o país dos comunistas. Não. Eles entregaram o país aos comunistas.”

De acordo com as contas do Painel, o vídeo ficou no ar pelo menos 20 horas até ser apagado, 100 mil visualizações depois. Na manhã de domingo, o vereador Carlos Bolsonaro o compartilhou. Um dos militares ouvidos por Daniela Lima limitou-se a comentar sobre o presidente: “não sabe onde ele quer chegar com esse tipo de coisa.” (Folha)

Há uma briga interna. Sem se expor, o próprio Bolsonaro vem incentivando aliados que ataquem seu vice, Hamilton Mourão. O jornalista Gabriel Mascarenhas ouviu áudios de WhatsApp do presidente vibrando com ataques. Em um deles, fala sobre Mourão: “Em 2022, ele vai ter uma surpresinha.” (Globo)

Marcos Augusto Gonçalves: “O investimento incessante do governo em cizânia não se volta apenas contra os inimigos externos. A luta é travada também dentro de casa. É o que se vê nas disputas acaloradas entre os olavistas e o grupo de generais. O confronto é atiçado pelos filhos de Bolsonaro. A guerra chegou a um ponto de difícil retorno. Com menos de quatro meses de governo já se presencia um cisma de grandes proporções numa administração cuja índole caótica parece ser ainda tolerada por representantes do empresariado e das elites graças às promessas — aqui e ali fantasiosas, diga-se — do ministro da economia.” (Folha)

Malu Gaspar: “Num contexto em que Bolsonaro dispensa a oposição para tumultuar, ele mesmo, o próprio governo, a questão que se coloca não é se Mourão é ou não um conspirador. Está mais para saber se, a esta altura, os radicais bolsonaristas podem hostilizar, isolar ou mesmo prescindir do vice. Com seus últimos movimentos, Mourão vem assumindo um papel de avalista. Assim como o mercado se agarra a Paulo Guedes para as questões macroeconômicas, cada vez mais será ao vice que o establishment recorrerá quando precisar de alguma garantia anti-solavancos. Num cenário de queda de popularidade, o vice, mais do que inevitável, pelo cargo que ocupa, vai se tornando necessário. Mesmo não gostando, os radicais pelo jeito não têm alternativa a não ser engolir Mourão.” (Piauí)

Oficialmente, o governo afirma que não houve qualquer intervenção sobre a Petrobras. Mas um áudio enviado pelo ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni a um líder caminhoneiro viralizou na categoria. “Já demos uma trava na Petrobras”, ele garante. (Veja)

O ministro Alexandre de Moraes revogou no final do dia, quinta, a decisão de censurar a revista Crusoé e o site-irmão, Antagonista. A menção que Crusoé fez a um documento envolvendo o presidente do STF, Dias Toffoli, havia sido considerada por Moraes ‘típico exemplo de fake news’. Voltar atrás se tornou inevitável após o MP confirmar que o documento existia. Moraes e Toffoli estavam também sob pressão. O primeiro a se manifestar publicamente contra a censura foi Marco Aurélio. Depois o decano, Celso de Mello. Os dois ministros mais experientes da Corte. E Fachin, em cujas mãos caíram as queixas a respeito da investigação contra ‘fake news’ deslanchada por Toffoli, começou a pressionar. (G1)

Não ficou neles. Também a ex-presidente Cármen Lúcia se manifestou. “Toda censura é mordaça”, ela afirmou, “e toda mordaça é incompatível com a democracia.” (Globo)

De acordo com o repórter Severino Motta, Toffoli desconfia que os procuradores da Lava Jato forçaram Marcelo Odebrecht a citar seu nome em depoimento como forma de pressão para evitar que a prisão após segunda instância fosse derrubada pelo Supremo. Pelo menos um ministro com o qual o repórter conversou falou na possibilidade de prisão dos procuradores. (BuzzFeed)

Pois é... no PT, conta Alberto Bombig, estão preocupados que a confusão tenha azedado de vez o clima entre os ministros, jogando para longe a análise da segunda instância. (Estadão)

Então... São, afirma o colunista Guilherme Amado, pelo menos três os ministros que apoiam o inquérito contra ‘fake news’. Além de Toffoli e Moraes, também Ricardo Lewandowski. Na parte que investiga pessoas ligadas à direita que criticam o Supremo nas redes sociais, está a convicção de que empresários pagam a agitação bolsonarista online. O STF seria um dos alvos preferenciais. (Época)

Elio Gaspari: “Dias Toffoli conflagrou o tribunal, confrontou-se com a Procuradoria-Geral da República e tornou-se um defensor da censura com argumentos conceitualmente desastrosos e factualmente inconsistentes. Graças aos ministros Marco Aurélio e Celso de Mello, a piromania foi contida. Alexandre de Moraes revogou a censura e é de se esperar que Toffoli sossegue em sua pregação desconexa. Fica faltando limar a truculência de um inquérito escalafobético que saiu por aí apreendendo computadores nas casas dos outros. A crise do Supremo teve uma peculiaridade. Pela primeira vez ela saiu de dentro do tribunal, contaminando o meio externo. Em todas as outras a encrenca, grande, vinha de fora. Agora havia um mal estar lá dentro e a partir dele criou-se a crise. Não se pode dizer que fosse um problema dos 11 ministros. Seriam três ou quatro, no máximo. Em algum lugar há uma fonte emissora de radioatividade. Nada melhor que a luz do Sol para procurá-la.” (Globo ou Folha)

E... Na nova edição de Crusoé, os nomes de Moraes e Toffoli estão tarjados. (Crusoé)

Há grande resistência, na Esplanada, ao plano de privatização do ministro Paulo Guedes. Empresas priorizadas na lista de venda continuam contratando, com os ministros autorizando. Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, mantem-se na defesa dos Correios. Tereza Cristina, da Agricultura, quer continuar controlando a Conab. O próprio Planalto, que cogitou extinguir a EBC, voltou atrás. (Estadão)

Diga-se... Bolsonaro já autorizou colocar os Correios na lista de à venda, conta Cristiana Lobo. (G1)

Sem explicar o porquê, o Ministério da Economia decretou sigilo sobre estudos e pareceres técnicos que embasaram a Reforma da Previdência. (Folha)


Seis explosões simultâneas por volta das 8h45, no Sri Lanka, atingiram três hotés de luxo, uma igreja da capital, outra em Katana, e uma terceira em Batticaloa. Quase 300 já foram reconhecidos como mortos no ataque de Domingo de Páscoa. O governo identificou o Thowheeth Jama’ath, um pequeno grupo de terrorismo islâmico, pelas explosões. (New York Times)

No país, Facebook, WhatsApp, Instagram, YouTube, Viber, Snapchat e Facebook Messenger estão fora do ar. Autoridades dizem que intenção é evitar disseminação de notícias falsas. (G1)

Viver


Vinte campeonatos estaduais de 2019distribuíram títulos. O Corinthians levou seu 30º Paulistão e, o Flamengo, o 35º Carioca. Em Minas, o Cruzeiro chegou ao topo invicto. A eles se juntam Bahia e, em Pernambuco, o Sport. Veja a lista completa.


Um dos mais interessantes experimentos para o futuro do varejo começou sem muito alarde esse mês. Já faz algum tempo que Amazon oferece entre seus resultados produtos de marcas próprias. Agora a empresa parece ter ambições maiores e mira o mercado de cosméticos. Quer usar seus algoritmos junto com os dados sobre o que os clientes buscam para montar uma linha de produtos genuínos, ambientalmente corretos e sem testes em animais.

Os ingredientes são velhos conhecidos na indústria, como retinol, ácido hialurônico e vitamina C; as embalagens 100% recicláveis e, os produtos, cruelty free. “Compradores de cosméticos na Amazon estão sempre procurando por uma coisa em vez de uma marca", avalia Nancy-Lee McLaughlin, gerente sênior da CPC Strategy. Segundo artigo da Vox, há motivos de sobra pra achar que a empresa tenha usado esses dados para desenvolver sua linha própria. Não há uma associação direta que diga que a Belei seja uma marca da Amazon, diferente do que a AmazonBasics. No site da Belei não há menção, mas páginas de produtos individuais no site da Amazon indicam o contrário. "Seria uma maneira de se camuflar no momento em que políticos, como Elizabeth Warren, apontam para tendências cada vez mais monopolistas das empresas de tecnologia”.

Cultura


Brasileiros em peso no mais importante evento de cinema do mundo, o Festival de Cannes. A seleção oficial de sua 72ª edição traz um mix maior de diretores em nacionalidades e gêneros - dos 47 longas, 13 são assinados por mulheres, com 4 na disputa oficial -, novos filmes de grandes nomes e 4 brasileiros nas duas mostras principais. Em 2019, a organização homenageia a grande cineasta belga Agnès Varda, falecida em Paris no mês de março.

O pernambucano Kleber Mendonça Filho volta à premiação com Sonia Braga e o filme Bacurau para disputar a Palma de Ouro. Sua última vez no Festival tinha sido em 2016, com Aquarius, também estrelado pela atriz. O nome curioso do longa está intrigando as pessoas, que não sabem o seu significado. Teve gente perguntando se Bacurau é o nome condomínio Aquarius, em referência a outro filme de Kleber Mendonça Filho. Outras pessoas preferiram fazer uma enquete: um passarinho, um ônibus noturno ou um doce de milho?

Os memes estão invadindo galerias, centros culturais e museus. Em maio, o Museu da República, no Rio de Janeiro, apresenta uma exposição do Museu de Memes, projeto da Universidade Federal Fluminense dedicado ao assunto. Já a mostra coletiva À Nordeste, que acontece a partir de 15 de maio, tem entre seus integrantes o coletivo Saquinho de Lixo, responsável pela conta homônima no Instagram. O encontro entre arte e internet tem sido frutífero —vide sites como Classical Art Memes, que reúne dezenas de memes relacionados ao tema.

Cotidiano Digital


Há uma guerra em curso no mercado de pagamentos por maquininhas de cartão. A operadora Rede, que tem por trás o Itaú, afirmou que vai parar de cobrar dos lojistas a taxa de antecipação no cartão de crédito à vista. O SafraPay, por sua vez, liquidou taxas no crédito à vista e parcelado para vendas até R$ 50 mil por mês. Desnorteada, e sem o lastro financeiro para sustentar a competição, a Stone entrou na Justiça, conta Sonia Racy. (Estadão)

São os grandes bancos começando uma guerra contra as fintechs — a Stone, avaliada em US$ 6 bi, é uma das startups do setor.

Há um novo player de podcasts na praça: se chama Swoot (Android e iPhone). A diferença: usuários podem fazer amigos, como se fosse uma rede social, e ver que podcasts seus amigos estão ouvindo.





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