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23 de maio de 2019
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Histórias para ouvir

Câmara tira Coaf de Moro em votação tensa


No plenário, deputados governistas fitavam o celular, tentando convocar pelas redes a pressão de militantes. O clima era de animosidade e, no escalar das tensões, o confronto entre deputados do PSL e do Centrão fez com que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, encerrasse a sessão antes de terminar o voto da Medida Provisória 870, que reestruturou o Poder Executivo. Ela só volta, portanto, na terça dia 28 — e precisa ser aprovada também pelo Senado antes de 3 de junho, quando caduca. Se não ocorrer, o governo volta a ter a estrutura ministerial do período Temer. O texto base já foi aprovado. O enxugamento dos ministérios foi mantido mas o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Coaf, deixou a pasta de Sérgio Moro para retornar à Economia, com Paulo Guedes. (Folha)

Paulo Celso Pereira: “O recuo na criação do Ministério das Cidades tem um grupo visível de vencedores: os militantes alinhados ao governo que ameaçam ir às ruas e atacaram o acordo nas redes sociais desde o dia em que ele foi firmado, há duas semanas. O campo dos derrotados, por sua vez, é amplo, mas tem um quarteto na linha de frente: os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, o líder do governo Fernando Bezerra e o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que negociaram a recriação da pasta. Ao recuar do acordo, o Congresso parece admitir ter caído em uma armadilha ao tentar emparedar o presidente da República. Se o presidente preserva assim a imagem de que não aceita o fisiologismo, por outro lado mina ainda mais a frágil articulação política de seu governo. Em Brasília, o respeito aos acordos firmados entre líderes é central para o andamento da pauta congressual. Se não quiser passar os próximos anos vendo suas propostas caminharem aos soluços, algo parecido com um diálogo sério e transparente precisará ser institucionalizado entre Executivo e Legislativo.” (Globo)

Vinicius Torres Freire: “A pressão das redes insociáveis e a ameaça das ruas fazem efeito e intimidam o miolão do Câmara, o centrão e sua vizinhança, como se vê nesta semana: parece um gol dos bolsonaristas. O governo recua de medidas ineptas ou repugnantes, por pressão de técnicos ou da sociedade: parece um gol de gente avessa ao governo. A resultante não presta, a não ser para extremistas que pretendem emparedar instituições. Aumenta os passivos do governo no Congresso e cristaliza o conflito odiento na sociedade. A balbúrdia cria incerteza, medo do futuro, tanto no cidadão que corta ainda mais seus gastos no supermercado como no empresário que investiria um tico mais. Bolsonaro não tem controle do que se passa no Parlamento, não apenas na reforma da Previdência. O Congresso faz tramitar sua reforma tributária e ignora o governo. O pacote anticrime de Sergio Moro pega poeira. O acirramento de ânimos pode levar deputados e senadores a limitar poderes presidenciais, por ora apenas ameaça, mas indício de que se enche o arsenal para o conflito.” (Folha)

Pois é... A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, e agora vai a plenário, uma proposta de reforma tributária. O projeto, do economista Bernard Appy, substitui PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por um único Imposto sobre Bens e Serviços, que seria cobrado onde se dá a venda do produto ou serviço. Uma comissão nacional teria a responsabilidade de fazer um reparte do arrecadado entre união, estados e municípios. (G1)

O Senado aprovou ontem a medida provisória das companhias aéreas e, assim, empresas com capital 100% estrangeiro passam a poder operar voos domésticos no Brasil. O texto aprovado, porém, manteve a garantia de gratuidade de uma bagagem de até 23kg em aviões com mais de 31 lugares. A mudança reverte uma decisão anterior da Anac, que havia liberado a cobrança. Os parlamentares argumentam que eliminar o custo da mala não diminuiu o preço das passagens, como se esperava. (G1)

A equipe econômica e a Anac, informa Tales Faria, recomendarão ao Planalto que vete a gratuidade. Sugerem que, com o retorno, os consumidores verão os preços aumentarem. (UOL)

Já existe uma companhia aérea totalmente estrangeira autorizada a operar no mercado interno brasileiro. É a Air Europa, da Espanha. A empresa é pequena — tem uma frota de 44 aviões contra 143 da Latam ou 119 da Gol. Mas é simbólico. A Norwegian já manifestou interesse de entrar no mercado brasileiro, assim como a Sky Airline chilena. Outra chilena, a JetSmart, está de olho na aquisição da Avianca. (Gazeta do Povo)

Em seu currículo na plataforma Lattes, o governador fluminense Wilson Witzel afirma ter feito cursos em Harvard. Nunca aconteceu. Segundo a assessoria, a passagem foi incluída porque Witzel teve a intenção de estudar lá. (Globo)


A líder do governo na Câmara dos Comuns, Andrea Leadsom, renunciou ontem pressionando pela renúncia da premiê britânica Theresa May. Leadsom afirma não acreditar mais que o gabinete tenha condições de negociar a saída do Reino Unido da UE. A ex-líder é contra um novo referendo, no qual a população tenha a oportunidade de confirmar que deseja mesmo o Brexit. A simpatia por esta saída aumenta em plenário. Alguns analistas avaliam que May não consiga encerrar o dia no cargo. (Guardian)

Aliás... Ocorre hoje, em 28 nações europeias, eleições para o Parlamento continental. A expectativa é de que os grupos nacionalistas de extrema-direita, eurocéticos, aumentem suas bancada. (CNN)

Cultura


Este desenho foi identificado como o trabalho mais antigo de Michelangelo já conhecido. De acordo com Timothy Clifford, especialista em renascimento italiano, foi criado quando o artista tinha apenas 12 ou 13 anos.

É uma raridade, já que a maioria dos desenhos incompletos foram queimados pelo próprio Michelangelo, antes da sua morte, para que ninguém os visse. Pensava que não eram tão bons. No século 16, Giorgio Vasari escreveu que o artista não queria exibir os obstáculos que enfrentou ao longo dos anos.

A fotografia de rua é tão antiga quanto a própria fotografia. Neste vídeo, Guy Jones compila uma coleção de imagens de fotos de rua tiradas de 1838 a 2019 e as combina com a música da época. É uma jornada, também, sobre a evolução da moda, dos estilos fotográficos e da paisagem urbana em todo o mundo.

Virou meme. Como ir além do medonho Juntos e Shallow Now, adaptação do sucesso de Lady Gaga: versionistas explicam métodos e as dificuldades de recriar um hit internacional. Curiosidade: Beatles quase sempre dá certo, e não só para a Jovem Guarda.

Viver


Um desfile de adolescentes aptos para adoção causou revolta nas redes. Aconteceu ontem em um shopping em Cuiabá (MT). Cerca de 200 pessoas acompanharam da plateia. (BBC)

Uma casa futurista dentro de uma rocha gigante. A inspiração por trás do conceito: Mada’in Saleh, ou cidade de Saleh, na Arábia Saudita, também denominada de al-Hijr, ou 'lugar da pedra'.

Mada’in Saleh foi proclamada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 2008, por guardar importantes resquícios da cultura do extinto povo Nabateu. São 131 túmulos ao longo de 13,4 quilômetros da cidade com cisternas, muralhas e torres. Veja fotos (Reuters).

Novas regras sobre armas foram publicadas ontem no Diário Oficial. Com o novo decreto, o que foi restringido foi o porte, autorização de carregar consigo, na rua, armas de fogo portáteis (fuzis e afins) e não portáteis (armas maiores, transportadas por mais de uma pessoa) para defesa pessoal. Segue permitido o porte de pistolas, revólveres e garruchas. Entenda as mudanças e as dúvidas que permanecem.

Cerca de 93% da população brasileira é contra a liberação da caça de animais no país, indica pesquisa do Ibope feita a pedido da ONG ambientalista WWFBrasil. A diferença entre a opinião de homens e mulheres é de apenas 5 pontos percentuais: enquanto 95% das brasileiras rejeitam a caça, 90% dos homens são contra.


Vai ficar pra 2026... A Fifa desistiu e a Copa do Mundo de 2022, no Qatar, seguirá com 32 seleções. A ideia era antecipar o aumento para 48 participantes já na próxima edição do Mundial de futebol. “Com Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, por exemplo, rompidos com o governo qatari, Omã e Kuwait seriam alternativas visadas pela Fifa. Só que nenhum dos dois mostrou disposição e estrutura para entrar no projeto” (O Globo).

Cotidiano Digital


A Amazon venceu em definitivo uma disputa de quase oito anos com os países da bacia amazônica — além do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. O octeto lutava para que a gigante do e-commerce não tivesse o monopólio do domínio de internet com final .amazon. Argumentava, afinal, que a designação de endereço era importante para a economia local e, ora, a Amazônia já existia com este nome bem antes da loja online. Não exigia controle total, propunha-se a dividir o endereço, mas não deu. O ICANN, organismo que gerencia o endereçamento da rede, deu vitória à empresa de Jeff Bezos. A companhia pediu primeiro o registro e, após vários anos sem que um acordo fosse travado, o board do ICANN decidiu dar a vitória a quem pediu antes. Há algumas condições — 1500 nomes com relevância cultural e científica não poderão ser utilizados em endereços .amazon pela companhia. E cada país poderá registrar alguns poucos endereços, desde que sem fins lucrativos.

Para o Itamaraty, a decisão do ICANN vai contra o interesse público. O board, afirma a diplomacia brasileira, não levou em consideração os pareceres de seu próprio Comitê Consultivo Governamental. Segundo o GAC, sigla em inglês, qualquer decisão que não fosse considerada aceitável pelos países teria caráter problemático dada a sensibilidade do nome ‘amazon’.

Assinatura no mundo digital é algo que veio para ficar. Ao menos é o que se sobressai de um relatório divulgado pela eMarketer. Na média um consumidor americano possui hoje 3 assinaturas, em comparação com 2,4 há cinco anos atrás. E mais de um terço deles espera aumentar esse número nos próximos anos.

E por falar, vai acontecer nos dias 6 e 7 de junho em Campinas o Superlógica Xperience, o maior evento sobre economia de recorrência do Brasil. Um dos temas de destaque na edição do ano passado foi sobre como financiar o crescimento de uma startup. O investidor brasileiro Pedro Sorrentino, deu uma aula sobre como levantar capital no vale do silício. Em outra sessão, o empreendedor serial indiano-canadense, Sathish Bala mostrou o caminho oposto, do bootstrapping, ir crescendo passo após passo sem precisar de dinheiro de outros.

A Câmara dos EUA começou uma série de audiências públicas para compreender melhor tecnologias de reconhecimento facial. Tanto líderes democratas quanto republicanos concordam que regulação será necessária para que prédios ou mesmo cidades se tornem um 'grande irmão' acompanhando os passos de todo mundo.

A Comissão de Proteção de Dados da Irlanda, principal regulador da lei de dados privados europeia, abriu uma investigação a respeito do sistema de publicidade do Google. Segundo a denúncia, sempre que alguém entra em um site com propaganda gerenciada pela empresa, os dados do usuário são enviados para centenas de anunciantes que participam de um leilão virtual para disputar os espaços voltados para banners. Este envio, sem proteção, violaria a GDPR, nova e rígida legislação do continente. Se for considerado culpado, o Google não só estará exposto a uma multa na casa dos bilhões como terá de reescrever o sistema que o sustenta.





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