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29 de maio de 2019
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Congresso aprova MP da administração e Coaf fica com Guedes


O ministro Sérgio Moro não controla mais o Coaf. O Senado aprovou ontem, por 70 votos a 4, o texto-base da medida provisória que reestruturou o governo. O número enxugado de ministérios, que de 29 passou a 22, foi mantido. Moro considerava essencial manter consigo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras por ver, ali, um dos canais onde se originam investigações a respeito de corrupção. O Congresso, no entanto, devolveu o órgão ao Ministério da Economia. Saiba como votou cada senador. (G1)

Ainda na manhã de ontem, o líder do governo no Senado, Major Olímpio, falava em mudar o texto que viera da Câmara. O Planalto temia que, de sua teimosia, a MP modificada tivesse de voltar para ser novamente avaliada pelos deputados. Era um risco: se não fosse aprovada em definitivo até 3 de junho, toda estrutura do governo voltaria a ser como na administração Temer. O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de Moro e Paulo Guedes, assinaram uma carta enviada em mãos ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Pediam para não mudar, aceitando a derrota. (Estadão)

O ministro da Economia prometeu que não mexerá na equipe nomeada por Moro para o Coaf. E, de acordo com o ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni, uma portaria permitirá o compartilhamento das informações com a Justiça. (Poder 360)

Pois é... O ministro Sérgio Moro será entrevistado ao vivo, do dia 28 de junho, durante o 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que ocorre em São Paulo. Cá este Meio é apoiador do congresso. As inscrições estão abertas.

Após o café da manhã, ontem, os presidentes da República, Câmara, Senado e Supremo concordaram em assinar um pacto no qual firmam concordarem com algumas metas que sejam do interesse da sociedade brasileira. Marcaram data: ocorrerá em 10 de junho. O primeiro compromisso é pela reforma da Previdência. (Poder 360)

Então... À noite, num discurso, Bolsonaro comentou sobre a conversa. “Eu disse para ele. Maia: com a caneta, tenho muito mais poder do que vocês.” (Globo)

Vera Magalhães: “Teve um quê de cinismo generalizado o encontro entre representantes dos três Poderes, que prometeram um pacto pelas pautas de interesse do Brasil apenas dois dias depois de o presidente Jair Bolsonaro instigar e comemorar manifestações em todo o País que clamaram não por pacto, mas por cabresto no Legislativo e no Judiciário. Os presidentes da Câmara e do Senado não vestiram a carapuça de inimigos da Nação que tentaram lhes enfiar nas cabeças pelo fato de a Câmara estar com a maior parte dos projetos de relevo, como a reforma da Previdência. Foram ao encontro, comeram pão de queijo, sorriram amarelo para as fotos e voltaram para suas Casas na certeza de que não há confiança de parte a parte. Foi isso que relataram a seus liderados e deles colheram. Da mesma maneira, chega a ser engraçado o presidente do STF ser autor da ideia de pacto. O Supremo acaba de derrubar as concessões de subsidiárias da Petrobrás e a decidir sobre homofobia na frente do Congresso. O nome disso não é pacto, mas superveniência de atribuições entre os Poderes. Maia não acusou o golpe do pixuleco em que o colocaram de pirulito na mão, mas reagiu sem passar recibo. Ao pedir que o relator da reforma antecipe seu parecer, ele devolve a bola a Bolsonaro: presidente, a Câmara tem pressa; pelo bem do País, deixe de travar a Nova Previdência e consiga os votos de que precisa.” (Estadão)

No ano passado, por unanimidade, o Supremo suspendeu operações da polícia em universidades, quando juízes eleitorais de todo o país, repentinamente, pediram que fossem coibidos debates a respeito do fascismo. O que alguns TREs julgaram publicidade eleitoral o STF enxergou como livre debate de ideias. A Advocacia Geral da União, agora, pediu que a Corte revisse sua opinião. “Professores precisam ter um comportamento imparcial”, afirmou o AGU André Mendonça a Andreia Sadi. “Não pode haver professor sendo tendencioso, que atue como militante.”

Uma história... Ainda antes do AI-5, em 1966, a polícia cercou o prédio da Faculdade Nacional de Medicina, no Rio. Liberal convicto, visto com desconfiança pela esquerda, o reitor Pedro Calmon se pôs perante a porta para lhes negar entrada. “Meu filho, na universidade só se entra por vestibular ou concurso”, conta a lenda. As negociações duraram quase um dia. De madrugada, a PM invadiu e fez mais de 600 estudantes passarem por um corredor polonês.

A Fundação Oswaldo Cruz desenvolveu, ao longo de três anos, um censo do consumo de substâncias lícitas e ilícitas no Brasil. Dada sua abrangência, o estudo custa caro: R$ 7 milhões. O governo engavetou a pesquisa. O ministro da Cidadania, Osmar Terra, atacou a Fiocruz e disse que “não confia” no levantamento. Para pesquisadores, tem motivo: não foi confirmada a existência de uma epidemia de drogas no país, como costuma professar Terra. Pois Terra foi driblado por Sérgio Moro. Se um vetou sua divulgação, o outro autorizou a liberação do conteúdo da pesquisa, desde que mude o título e retire qualquer associação com o governo. Seria uma forma de tornar de conhecimento público. A Fiocruz teme que a publicação sem a chancela do governo implicaria em reconhecer que não cumpriu o contrato como acusa Terra e, consequentemente, na obrigação de devolver o dinheiro. (Globo)

Cultura


Para ler com calma. Um dos marcos da literatura infantil no Brasil, Flicts completará 50 anos em 18 de agosto. Ziraldo, sempre apaixonado pelos astros, planetas, estrelas e astronautas, escreveu o livro em dois dias no ano em que o homem pisou na Lua. A conquista do espaço foi a deixa para a história da cor Flicts (de um tom terroso bege), que se sente excluída por não ser tão forte quanto o vermelho, por não ter a imensidão do amarelo e nem a paz do azul. No final do livro, Flicts, que não tinha lugar na Terra, descobre ser a cor da Lua. “E para não restar dúvidas disso, Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar lá, confirmou a informação, autografando o livro com a frase: ‘A Lua é Flicts’”. Tudo que diz respeito ao artista está sendo tocado por sua filha, a cineasta Daniela Thomas, e por sua prima, Adriana Lins, que juntas organizaram duas exposições sobre Ziraldo, ambas em São Paulo. Uma delas fica na Casa Melhoramentos, na Vila Romana, que vai até o dia 29 de junho. A outra está no Sesc Interlagos e vai até 4 de agosto (Uol).

Co-produção da HBO com o canal britânico Sky, Chernobyl é uma das produções para TV mais comentadas no momento e a série mais bem avaliada da história do IMDb. Em cinco episódios - três já disponíveis na HBO GO - a minissérie destaca o lado político a partir da dramatização do desastre nuclear ocorrido em 1986 na União Soviética. Recriar acontecimentos reais, de maneira minuciosa, mas com liberdades narrativas, não é tarefa simples - o que torna o trabalho ainda mais impressionante. Confira o que é verdade e o que é ficção na série da HBO. A cientista Ulana Khomyuk, interpretada por Emily Watson, por exemplo, jamais existiu. “Embora não fosse incomum que mulheres ocupassem cargos importantes na União Soviética, não havia nenhuma representante feminina na alta cúpula que investigou o acidente”. A própria minissérie criou um podcast (em inglês), no qual o showrunner Craig Mazin conversa com o apresentador Peter Sagal sobre como cada episódio foi feito.

Viver


Museu Nacional: Dados divulgados pela Andifes apontam que um orçamento de R$ 55 milhões, destinado para sua recuperação, sofreu um corte de 21,63% - correspondente a aproximadamente R$ 12 milhões. No MEC, hoje, cerca de R$ 5,8 bilhões do orçamento estão contingenciados, atingindo recursos que vão desde a educação infantil até a pós-graduação.

Por falar em museu...o Louvre fechou suas portas, segunda-feira, devido ao excesso de público. Em 2018, o Louvre obteve um recorde histórico de visitas: 10,2 milhões de pessoas. Segundo o sindicato SUD Culture Solidaires, a pausa foi um recado dos funcionários insatisfeitos com suas jornadas exaustivas de trabalho.

O futuro do Fundo Amazônia, mantido por doações da Noruega e Alemanha, é incerto. Há duas semanas, os países doadores foram surpreendidos por ataques do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que disse ter encontrado "indícios de irregularidades" no gasto de verbas do fundo. Na segunda-feira, os envolvidos reuniram-se em Brasília. Segundo Salles, a retirada do apoio financeiro dos dois países não foi discutida na ocasião. Georg Witschel, embaixador alemão, afirmou que ainda não há nada definido quanto ao futuro da colaboração. As conversas sobre o destino do fundo devem continuar nas próximas semanas. (Deutsche Welle)

Em Jerusalém, Daniel Atwood, 27 anos, foi ordenado rabino. Ortodoxo. E assim tornou-se o primeiro rabino ortodoxo assumidamente gay, sugerindo o passo à frente no judaísmo mais rígido. O movimento reformista já ordena homossexuais desde os anos 1980 e, os conservadores, ordenaram o primeiro em 2006. Os ortodoxos eram a última barreira.

E o Vaticano, centro espiritual e político da Igreja Católica, sedia um evento inusitado. Trata-se da Understanding Unbelief, apresentada como a maior conferência mundial sobre ateísmo. O antropólogo Jonathan Lanman, um dos organizadores do evento, contou à BBC que entrou em contato com o Vaticano e "eles concordaram em revisitar os temas da 'incredulidade'".

Cotidiano Digital


Enquanto EUA e China negociam nos bastidores e Beijing não retalia, o banimento da Huawei de fazer negócios com empresas americanas vai aumentando seu custo. A WiFi Alliance e a SD Association romperam com a empresa. Os próximos equipamentos Huawei, smartphones ou notebooks, não poderão usar cartões de memória padrão. E não terão certificação de WiFi — pode implantar a tecnologia, mas não informa que a tem. Ontem veio a maior ameaça: a Bluetooth SIG também descredenciou a companhia. Neste caso, não é apenas ficar sem certificação. Os futuros aparelhos não poderão operar com Bluetooth, ficando, pois, desconectados da maioria dos equipamentos sem fio padrão como headphones, teclados e mice. A lógica destes padrões universais é de que podem ser licenciados por qualquer um. Isto mudou repentinamente. O clima é de apreensão. Quando um governo decide exterminar uma companhia de grande porte, ninguém está seguro. A maioria dos analistas ainda acreditam que o processo será revertido.

Aliás... A Huawei registrou três marcas, no último dia 24, na Europa. Huawei Ark OS, Huawei Ark e Ark OS. Deve ser o nome de seu substituto para o Android.

Vazou o novo celular topo de linha da Motorola, o Z4. Mas não foi um site que conseguiu dados sobre o aparelho, como ocorre habitualmente. Um homem o encontrou à venda na Amazon e comprou. Foi entregue. O aparelho custou US$ 499 lá, tem uma câmera frontal recortada e a tela ocupa quase todo o espaço e nem todos os Mods — acessórios oficiais — das gerações anteriores dão encaixe perfeito. Assista ao vídeo de unboxing.

Perante o surgimento da Centauro como concorrente, o Magazine Luiza aumentou sua oferta pela Netshoes. Havia oferecido US$ 60 milhões, a concorrência sugeriu US$ 87 mi. Magalu cobriu: US$ 93 mi. Ontem, a Centauro chegou em US$ 108,7 mi.





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