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6 de junho de 2019
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Histórias para ouvir

Previdência nos estados e municípios racha Câmara


Na reta final antes de a reforma da Previdência chegar ao plenário da Câmara, um impasse sério divide os deputados: a inclusão ou não de servidores estaduais e municipais nas novas regras. Entre governadores, não há qualquer polêmica. 21 dos 27, ouvidos pelo Jornal Nacional, desejam a inclusão. Não à toa. Segundo um estudo do Instituto Fiscal Independente, os estados gastavam em 2006 R$ 45 bilhões com previdência. Em 2017, o valor chegara a R$ 153 bilhões. E tende a aumentar. É com este tema que o relator da reforma na Comissão Especial, Samuel Moreira, tem gasto boa parte de seu tempo, costurando apoios de reunião em reunião com as bancadas. “A Câmara está bem dividida”, afirmou, “mas vamos conversando, ainda tem bastante tempo.” Muitos deputados não querem arcar com o desgaste de votar sim por uma reforma que será muito impopular com o funcionalismo público local. (G1)

Moreira havia se comprometido a entregar seu parecer entre hoje e segunda-feira. Os governadores se mobilizam para que ele faça a entrega na terça, quando estarão em Brasília para discutir o tema. Com uma demonstração de apoio em bloco pelos Executivos estaduais, compartilhando o desgaste, talvez fique mais fácil convencer. Foi o que aconteceu na bancada do MDB com a presença dos governadores do Pará, Helder Barbalho, e de Alagoas, Renan Filho. Votos foram virados. (Estadão)

Uma das alternativas é de que cada estado e município decida, posteriormente, se entra ou não na reforma. Para evitar este risco, conta o Painel, o presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Jonas Donizette, tem outra ideia. Que a adesão ocorra por decreto, se o Congresso não a aprovar. (Folha)

O Congresso se reuniu pela primeira vez em sessão conjunta, necessária para analisar os vetos presidenciais. Foram mantidos 15 vetos, derrubados 3, e jogados para terça-feira outros 5. Sem limpar a pauta de vetos, não é possível votar uma extensão de crédito para que o governo possa pagar suas contas. (Poder 360)

Terminou em bate-boca. O Major Olímpio, líder do PSL no Senado, acusou Joice Hasselmann, líder do governo no Congresso, de não cumprir um acordo firmado. Olímpio queria derrubar um veto para agradar agentes penitenciários, que tem entre seus eleitores. Acordo feito, a bancada do governo ignorou a orientação. “Coisa de moleque”, afirmou da tribuna. “Ninguém pode apontar uma arma para a cabeça de parlamentar para votar o que está na cédula”, defendeu-se Joice. (Folha)

Foi interrompido ontem, no Supremo, com placar de 2 a 2, o julgamento que definirá o rumo das privatizações. Ainda faltam sete votos. Vai ser no photochart. Em jogo está a definição de se o Executivo precisa de autorização do Congresso para privatizar uma empresa. Votaram que sim os ministros Ricardo Lewandowski e Edson Fachin e, que não, Alexandre de Moraes e Roberto Barroso. São três os tipos de empresa. As estatais são aquelas que têm no Estado o único acionista; nas de economia mista, o Estado é o principal acionista, mas as ações correm na Bolsa; e, por fim, há as subsidiárias — empresas que pertencem às duas anteriores. A distribuidora BR, por exemplo, pertence à Petrobras, que é de economia mista. Barroso e Moraes argumentam que as empresas subsidiárias podem ser vendidas sem consulta ao Legislativo e, em alguns casos, até sem licitação. O julgamento continua hoje. (Jota)

Segundo o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, Bolsonaro acatará a decisão sem discutir, mesmo que ela ameace um dos objetivos principais de seu governo, que é o de promover privatizações em quantidade. (Folha)

Um hacker foi capaz de usar a linha de celular do ministro Sergio Moro por seis horas entre terça e quarta-feira. Moro recebeu uma ligação de seu próprio número às 18h, e estranhou. Então soube que alguém estava enviando mensagens através de seu Telegram. Algo semelhante ocorreu também com ministros do governo Temer. E aumenta a apreensão com o celular do presidente Jair Bolsonaro, que não é seguro, vulnerável a hackers e espiões. Aplicativos de mensagens e redes sociais não funcionam em celulares criptografados fornecidos pela Abin. Mas Bolsonaro gosta de governar usando o WhatsApp. Seria difícil para um hacker ter acesso às mensagens do presidente. Mas ele poderia enviar mensagens usando o número, fazendo-se passar por ele. (Folha)

Dois agentes da Polícia Federal, assim como dois advogados, foram presos ontem suspeitos de retirar documentos sigilosos e vazar informações. Andrea Neves, irmã de Aécio, teria sido uma das beneficiadas pelo esquema. (Poder 360)

Errata: O título da edição de ontem saiu Bolsonaro Código de Trânsito menos rígido. Faltou, evidentemente, o verbo quer. Foi daqueles erros percebidos meio segundo após dispararmos o envio para dezenas de milhares de assinantes. Sentimos muitíssimo. E que vergonha.

Viver


A modelo Najila Trindade, que acusa Neymar de estupro, deu ontem sua primeira entrevista, ao SBT, informando que tinha a intenção de manter relações com o jogador mas, quando ele se recusou a usar preservativo, pediu para parar — o que não ocorreu. Em vídeo.

O repórter Mauro Naves, da TV Globo, foi afastado por conta do caso. Durante o Jornal Nacional, William Bonner explicou que o profissional encaminhou contatos de Neymar pai para José Edgard Bueno, o primeiro advogado da modelo. O envolvimento vai contra as regras de conduta do jornalismo da emissora.

Cortado da Copa América: a seleção brasileira venceu ontem o Qatar e o amistoso ganhou ainda mais um elemento quando o camisa 10 sofreu uma lesão no tornozelo direito. Ele nem sequer ficou o tempo todo no estádio e recebeu, em seguida, a visita do presidente Jair Bolsonaro. “Neymar está em um momento difícil, mas acredito nele.” Juristas dizem que apoio de Bolsonaro a Neymar fere ética do cargo. Por não ter tempo para se recuperar para jogar a competição, foi cortado.

O jogador vai depor amanhã à Polícia Civil, no Rio de Janeiro, sobre suposto crime ao divulgar fotos íntimas de uma mulher. (Folha)

O desmatamento é a questão ambiental mais preocupante para a maioria dos brasileiros - no ranking global, o tópico aparece na 5ª colocação. Quando se trata do meio ambiente, o aquecimento global é considerado o tema mais importante para a população mundial  - já para os brasileiros, o assunto aparece somente no 4º lugar entre as principais preocupações. O diagnóstico é da pesquisa global Earth Day 2019, realizada pela Ipsos. A medida provisória (MP) que altera o Código Florestal perdeu a validade no Senado, mas o governo insistirá numa proposta igual à que foi aprovada pela Câmara dos Deputados. A ideia é ganhar tempo e garantir o apoio da bancada do agronegócio no Congresso. A MP abre espaço para que produtores rurais não recomporem áreas de preservação desmatadas.

A taxa de mortes causadas por armas de fogo para grupo de 100 mil habitantes foi de 22,9 em 2017, a maior da década e 6% acima da de 2016, segundo o estudo Atlas da Violência 2019, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Alguns dados chamam a atenção: a proporção de homicídios provocados por arma de fogo foi de 72,4% em 2017, 1,8% acima de ano anterior. Os pesquisadores do atlas são unânimes em avaliar que, com um maior número de armas em circulação, mais frequentes são os casos de letalidade no país.

O número de mulheres mortas por arma de fogo dentro de casa no Brasil também é crescente. E o aumento não foi só nos lares. De 2007 a 2017, a taxa nacional de de homicídios a cada 100 mil habitantes cresceu 20,7% a nível nacional. Os pesquisadores também atentam sobre a falta de registros de homicídios de mulheres com o agravante de feminicídio, uma vez que a Lei é de 2015 e ainda está entrando no dia a dia das autoridades. Pesquisas internacionais apontam, no entanto, que a maioria das mortes violentas intencionais que ocorrem dentro das casas é cometida por conhecidos ou íntimos das vítimas. O estudo alerta que "considerando os altíssimos índices de violência doméstica que assolam o Brasil, a possibilidade de que cada vez mais cidadãos tenham uma arma de fogo dentro de casa tende a vulnerabilizar ainda mais a vida de mulheres em situação de violência".

Cultura


No dia 6 de junho de 1965, o single (I Can't Get No) Satisfaction dos Rolling Stones foi lançado nos EUA. Era ao mesmo tempo um ataque à sociedade e seus valores consumistas, e uma expressão sem censura de um garoto se transformando em homem. Para os integrantes da banda, o que realmente formou a reputação da canção foi o fato de ela ter sido muito bem regravada. É o caso de Otis Redding, que colocou trompetes para tocar o riff matador em sua versão de SatisfactionEscute. Já a versão de Aretha Franklin, acompanhada por um piano, levou os Stones às igrejas, e a música voltou às paradas em 1968. E tem também a versão de Cat Power, de 2000.

E por falar em música... a Billboard divulgou a lista com as 50 melhores músicas de 2019 até o momento e o ranking divulgado é repleto de artistas pop. A banda Jonas Brothers foi considerada o grupo com a melhor canção do ano até aqui com o hit Sucker. E o resultado, apesar de curioso, não impressionou muito a Rolling Stone: apenas quatro faixas escolhidas são consideradas rock. O single Lo/Hi do duo The Black Keys, que aparece na posição 49, é a que mais se encaixa no gênero. Veja a lista completa.

O In-Edit chega à 11ª edição brasileira fazendo um panorama da efervescente produção de documentários musicais no mundo. Marcado para acontecer de 12 a 23 de junho, em São Paulo, a mostra exibe este ano 57 filmes nacionais e internacionais. Veja a programação completa.

Cotidiano Digital


O YouTube vai remover de sua rede milhares de vídeos que advogam pelo neonazismo, supremacia branca e quaisquer outras ideologias similares. O objetivo é fazer uma limpa do extremismo. “A partir de hoje passam a ser proibidos vídeos que aleguem que um grupo é superior com o objetivo de justificar discriminação, segregação ou exclusão baseadas em características como idade, gênero, raça, casta, religião ou orientação sexual.” Ainda segundo o post com o anúncio, serão retirados do ar também vídeos que neguem ter ocorrido eventos de alta violência para os quais há provas fartas. Entre eles incluem-se o Holocausto e o massacre na escola primária de Sandy Hook, nos EUA. A nova política vai influir, também, no algoritmo do YouTube — o software que decide que vídeos recomendar para cada usuário. Filmetes que desinformam de forma a causar dano, trazem teorias conspiratórias, e promovem curas milagrosas aparecerão cada vez menos nestas listas. Continuarão lá. Mas os usuários precisarão ativamente busca-los para encontrar. E, caso alguém assista a estes vídeos, ao fim lhe serão apresentadas outras versões de fontes acadêmicas ou jornalísticas.

Pois é... Em março do ano passado, a professora Zeynep Tufecki publicou no New York Times um artigo acusando o YouTube se ser um dos principais focos de radicalização da internet. Pesquisadora do Departamento de Biblioteconomia da Universidade da Carolina do Norte, ela percebeu que o algoritmo tendia a oferecer mais e mais conteúdo radical após assistir a alguns discursos do então candidato Donald Trump. Tufecki fez o teste com outra conta no sistema, assistindo a discursos de candidatos democratas — e rapidamente começou a ser apresentada a conteúdo radical de esquerda. Em geral, visões mais extremadas do que o mainstream. Após seu alerta, outros pesquisadores começaram a observar o mesmo fenômeno até o ponto em que a própria empresa o reconheceu.





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