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14 de junho de 2019
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Briga com Carlos Bolsonaro derruba general Santos Cruz


O general Carlos Alberto dos Santos Cruz foi demitido ontem pelo presidente Jair Bolsonaro. Não houve tentativa de suavizar o ato. Tanto na nota do presidente quanto na carta escrita pelo agora ex-ministro chefe da Secretaria de Governo fica claro que a decisão foi do presidente. A maior pressão veio do núcleo familiar de Bolsonaro. Subordinado ao ex-ministro, porém ligado a Carlos Bolsonaro e Olavo de Carvalho, o secretário de Comunicação Social Fábio Wajngarten se queixava da rigidez com que Santos Cruz tratava a gestão dos contratos, conta Gerson Camarotti. É, lembra Cristiana Lôbo, o segundo ministro demitido após confronto com Carlos. (G1)

Do ex-ministro Gustavo Bebianno, segundo Lauro Jardim: “Quando o presidente Carlos Bolsonaro toma uma decisão, não há volta.” (Globo)

Vera Magalhães: “A queda do general Santos Cruz fortalece a ala ideológica, ou anti-establishment, como gosta de se denominar. No início de maio, esse grupo fez uma investida aberta para derrubar o ministro, capitaneada pelo ideólogo da Virgínia, mas foi derrotada pela defesa também enfática de Santos Cruz feita pelos demais militares com postos-chaves no governo. Mas a fritura do ministro foi mantida em banho-maria, longe dos holofotes da imprensa e das redes sociais, e alimentada a partir de dentro do Palácio do Planalto, onde pontificam alguns dos líderes da ala anti-establishment.” (BR18)

Para evitar atritos com os militares, Bolsonaro nomeou outro general para o cargo. É Luiz Eduardo Ramos, comandante militar do Sudeste. Carioca, Ramos liderou a parte militar da missão da ONU no Haiti. (Poder 360)

O jornalista Glenn Greenwald, editor do Intercept Brasil, afirmou ontem durante o programa Pânico que ainda há muito para sair dos vazamentos. “Temos materiais que vão ter mais impacto do que os que já publicamos”, disse. Ele defende que o julgamento do ex-presidente Lula deve ser anulado. “Quando tem um juiz na primeira instância criando um recorte com motivos errados e não seguindo as regras éticas, o caso inteiro é corrupto. Se nossa reportagem mostrar que Sérgio Cabral e Eduardo Cunha foram condenados por um processo corrupto, vou defender também” (JovemPan)

Assista ao Pânico com Greenwald, em vídeo. (YouTube)

Sérgio Moro: “Estou absolutamente tranquilo em relação à natureza nas minhas comunicações. No fundo, esse processo da Lava Jato é o dia inteiro proferindo decisão urgente. As pessoas ouviam histórias verdadeiras, plausíveis e, às vezes, histórias fantasiosas. E, muitas vezes, em vez de levar ao Ministério Público, levavam a mim. O que a gente fazia? Mandava ao MP. Esses aplicativos de mensagens apenas aceleram a comunicação. Isso do juiz receber procuradores, delegados, advogados acontece o tempo todo. Às vezes chegava lá o Ministério Público: ‘ah, vou pedir a prisão preventiva do fulano X’. Às vezes, o juiz tem uma análise lá e fala ‘ó, precisa de prova robusta para pedir a prisão preventiva’. Assim como o advogado chega lá e diz ‘vou pedir a revogação da prisão preventiva do meu cliente’. Às vezes o juiz fala ‘olha, o seu cliente está em uma situação difícil para demonstrar, por exemplo, a correção do comportamento do cliente, afastar essa suspeita’. Então, essa interlocução é muito comum.” (Estadão)

Segundo investigação da PF, a primeira vítima do hacker dentre as autoridades ligadas à Lava Jato foi o ex-procurador-geral Rodrigo Janot, em abril. Foi pelo celular dele que o invasor chegou aos grupos de conversa com procuradores e, daí, expandiu sua coleta. Por enquanto, os inquéritos apontam apenas acesso ao app Telegram.

Uma das dificuldades que a Polícia Federal está enfrentando na investigação dos ataques aos celulares de autoridades ligadas à Lava Jato é de dificuldade de acesso. Tanto o ministro Sérgio Moro quanto o procurador Deltan Dallagnol resistem a ceder os aparelhos para que sejam periciados, conta Bela Megale. (Globo)

Pedro Doria: “Pelo menos para duas das pessoas envolvidas na investigação, o que chama atenção é que o hacker conhece bem os protocolos de telefonia. O TCP/IP, os códigos que fazem a internet funcionar, são acessíveis a todos. Mas quem clonou estes celulares demonstrou também conhecimento de SS7, os padrões que ditam o funcionamento das redes de telefonia. Assim, manipulando roaming internacional, escolheu trafegar por operadoras pequenas no Brasil, ao invés das quatro grandes. Não à toa: nas pequenas, os níveis de segurança são mais frágeis.” (Globo ou Estadão)

Bello, colunista de América Latina: “Foi o julgamento mais controverso do Brasil desde que Tiradentes foi enforcado, em 1792. Por muitas razões, a situação de Lula não deve mudar muito. Mas a investigação anti-corrupção chamada Lava Jato talvez tenha recebido um golpe fatal. O Intercept afirma ter ‘um enorme acervo’ de mensagens hackeadas. O material publicado até agora parece bem menos do que o prometido. O que mais causa dano são as mensagens entre Mr. Moro e Mr. Dallagnol, na qual o juiz parece orientar o procurador. Segundo a lei brasileira, juízes deveriam ser árbitros neutros. Na prática, dizem advogados, trocam informação com procuradores habitualmente. É contra a lei e anti-ético. Mr Moro deveria sabe-lo. Tendo ido tão longe na punição de corruptos, seria trágico se o Brasil desse para trás, agora.” (Economist)

Apesar de terem anunciado que se juntariam à greve geral marcada para hoje, os trens paulistanos estão funcionando normalmente. Ônibus e metrô, porém, circulavam parcialmente no início da manhã e a Prefeitura decidiu manter o rodízio de veículos. No Rio, trens, ônibus e metrô estão em plena função. Em Belo Horizonte, o metrô amanheceu fechado. Em Salvador, ônibus e trens não circulam; metrô funciona. Na maioria das capitais, escolas públicas e privadas aderiram à greve que protesta as reformas propostas pelo governo federal. (G1)

Clóvis Rossi, um dos decanos do jornalismo brasileiro, morreu esta madrugada, em casa, enquanto se recuperava de um infarto. Rossi teve uma longa carreira que começou no Correio da Manhã, em 1963, incluiu uma passagem como editor-chefe do Estadão, mas criou raízes mesmo na Folha de S. Paulo. Era, na imprensa, provavelmente o maior especialista em política internacional que havia. Sua cobertura do 11-M, a explosão por atentado terrorista de trens em Madrid, 2004, é antológica. Muito alto, vinha evitando viagens aéreas nos últimos tempos pelo desconforto das pernas. Queridíssimo na redação, capaz de um bom senso e equilíbrio raros, de longe um dos melhores textos do jornalismo. Clóvis Rossi tinha 76 anos, deixa a mulher, três filhos e três netos. (Folha)

Assista: Em setembro do ano passado, Pedro Bial conversou com Clóvis sobre a memória da transição democrática com Tancredo Neves. (Globoplay)


No Meio deste sábado: Novamente o Brasil rachou, desta vez entre os indícios de quebra ética do juiz Sérgio Moro e a fragilidade da segurança digital de autoridades. E voltamos a falar de hackers — na edição de amanhã, o Meio contará a história dos hackers. Programadores talentosos ou invasores perigosos, ativistas políticos. Há de todo tipo. Ainda: o STF decidirá sobre a descriminalização da maconha no semestre que vem. E nós vamos explorar o tema. Ainda é tempo para se tornar assinante premium. Ora: sai por menos que um chope.


Moro telegrama o passe para Deltan e zagueiro intercepta jogada ensaiada da Lava Jato

Tony de Marco

 
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Cultura


Nos cinemas, uma invasão alienígena com a estreia de MIB: Homens de preto - Internacional, um recomeço da série de filmes. Will Smith e Tommy Lee Jones passam a responsabilidade de salvar o planeta para a nova dupla de agentes interpretada por Tessa Thompson e Chris Hemsworth (trailer). E também tem o novo longa de Pedro Almodóvar. Antonio Banderas é o protagonista do filme e vive um diretor de cinema em crise com suas produções, dores no corpo inteiro e depressão. Coincidências? Claro que não. O diretor espanhol já disse que Dor e Glória é seu filme mais biográfico (trailer).
Para quem curte um suspense, a dica é Obsessão. No papel de uma psicopata, Isabelle Huppert persegue uma garçonete que ainda sofre a perda da mãe (trailer). Veja também os outros lançamentos.

No Rio de Janeiro, Gal Costa, Criolo, Baco Exu do Blues e Hypnotic Brass Ensemble são alguns dos destaques do festival Queremos!, que leva 14 horas de música a dois palcos montados na Marina Glória, no sábado e no domingo. Amanhã, Gilberto Gil apresenta o disco OK OK OK em show no Vivo Rio. A cantora Roberta Sá lança hoje o álbum Giro, composto de inéditas do tropicalista, no Circo Voador. Com obras de Schumann e Beethoven, a Orquestra Sinfônica Cesgranrio abre amanhã sua temporada na Sala Cecília Meireles, regida por Eder Paolozzi e acompanhada pela pianista Sylvia Thereza.

Em São Paulo, a ópera O Caso Makropulos, composta por Leoš Janá?ek em 1926, faz a sua estreia brasileira hoje no Theatro São Pedro com encenação de André Heller-Lopes e regência de Ira Levin. Representantes do novo pop baiano, o grupo ÀTTØØXXÁ se apresenta amanhã e no domingo no Sesc Avenida Paulista. Esculturas e relevos de artistas como Willys de Castro, Sérgio Sister e Erika Verzutti são exibidas na coletiva A linha como direção, na Pinacoteca. Para mais indicações culturais, assine a newsletter da Bravo!

Viver


A primeira cabeça intacta de um lobo adulto da Era do Gelo foi encontrada por caçadores na Sibéria. Ela tem mais de 30 mil anos de idade, inclui presas, um cérebro incrivelmente preservado, e pode dar pistas sobre passado evolutivo de espécies como cães e lobos modernos. O próximo passo, agora, é sequenciar o DNA do lobo - o que permitiria responder diferentes perguntas. David Stanton, pesquisador em paleogenética evolutiva do Museu de História Natural da Ciência na Suécia, disse à BBC Mundo que uma possibilidade é que os lobos tenham se extinguido por razões meteorológicas. "Se for este o caso, uma melhor compreensão dessas extinções pode nos ajudar a prever e prevenir futuras extinções devido às mudanças climáticas".

O Supremo Tribunal Federal decidiu enquadrar a homofobia e a transfobia como racismo. Isso significa que os ministros entenderam que a legislação sobre racismo, em vigor desde 1989 no País, também deve ser aplicada para quem praticar condutas discriminatórias homofóbicas e transfóbicas, sejam elas disparadas contra homossexuais, transexuais ou contra heterossexuais que eventualmente sejam identificados pelo agressor como LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais). No Twitter, as reações foram favoráveis ao STF.

Cotidiano Digital


O secretário de Assuntos Domésticos britânico, Sajid Javid, assinou uma ordem de extradição do fundador do Wikileaks, Julian Assange, para os Estados Unidos. Ele é acusado de solicitar e publicar informação secreta e de conspirar para o hackeamento de computadores do governo americano. A Justiça da Suécia, onde Assange é acusado de estupro, havia pedido extradição antes. Mas, na semana passada, uma corte sueca afirmou que, para ser interrogado, o australiano de 47 anos não precisa estar preso no país. A decisão do secretário não é final. Cabe à Justiça dar esta palavra. Assange deverá ser ouvido hoje por um juiz.

A Anatel deu 30 dias para que as principais empresas de telecomunicações criem uma lista de não perturbe nacional e única de consumidores que não querem receber chamadas de telemarketing.





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