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18 de junho de 2019
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Gravação mostra caixa dois e WhatsApp na campanha Bolsonaro


De acordo com a gravação de um diálogo obtido pela jornalista Patrícia Campos Mello, empresários brasileiros contrataram a agência de marketing espanhola Enviawhatsapps para distribuição maciça de mensagens pró-Bolsonaro durante a campanha eleitoral — até vinte mil por hora. “Eles contratavam o software pelo nosso site, como eram empresas, achamos normal”, afirma em um momento Luis Novoa na gravação obtida. “Mas aí começaram a cortar nossas linhas, fomos olhar, e nos demos conta de que todas essas contratações, 80%, 90%, estavam fazendo campanha política.” O WhatsApp confirma ter enviado uma notificação judicial para a Enviawhatsapps. A doação por empresas para campanha eleitoral é proibida no Brasil. (Folha)

O deputado federal David Miranda, marido do jornalista e ativista Glenn Greenwald, fundador do Intercept, viu nos últimos dias o número de ameaças via internet disparar. Ele, que chegou ao cargo após a renúncia de Jean Wyllys, já vinha sendo ameaçado de morte desde março — a diferença é escala. As mensagens sempre envolvem, além dele, o próprio Greenwald, os filhos de ambos, além de fazer menções ao destino da vereadora assassinada Marielle Franco. Miranda foi vereador da mesma bancada de Marielle, o PSOL, no Rio de Janeiro. (El País)

O professor Matthew Stephenson, especialista em corrupção de Harvard, escreveu na semana passada uma longa análise dos trechos de conversas entre procuradores da Lava Jato e o então juiz Sérgio Moro. O Meio resumiu seu texto. Stephenson voltou ontem ao tema, após repensar alguns pontos e conversar com brasileiros. “Minha impressão mudou”, ele afirma, “na direção de considerar que este ‘escândalo’ é consideravelmente menos escandaloso do que reportou o Intercept.” Uma de suas convicções é de que, diferentemente do argumentado pelo site, não há indícios de que os procuradores são ideólogos de direita cuja missão era destruir o PT e impedir Lula de concorrer em 2018. “Embora as mensagens de fato mostrem franca hostilidade de parte dos procuradores ao PT em setembro de 2018, isto não quer dizer que o sentimento existia entre 2015 e 16, quando a investigação sobre Lula começou, nem que isto tenha influenciado suas decisões.” Para Stephenson, mesmo que haja um viés da Lava Jato contra a esquerda, isto não necessariamente quer dizer que o julgamento será injusto. O professor levanta outro ponto: as conversas entre Moro e Dallagnol ocorreram não na fase de julgamento, mas na do inquérito, quando procuradores precisam de autorizações judiciais com frequência. “Isto não quer dizer que as comunicações neste contexto sejam éticas”, ele avalia. Mas menos graves. É um argumento longo pró-Lava Jato — em inglês.

A Odebrecht, um dos maiores grupos empresariais do país, entrou ontem com pedido de recuperação judicial, em São Paulo. A companhia quer reestruturar aproximadamente R$ 51 bilhões em dívidas — mas o total devido pode chegar a R$ 98 bi. Desde seu envolvimento com a Lava Jato, perdeu cerca de 80% dos funcionários. O pedido não envolve todas as empresas do grupo. Estão de fora, por exemplo, a Braskem e a empreiteira OEC.

O governo escolheu Gustavo Montezano, que trabalhava como secretário adjunto de desestatização e desinvestimento no Ministério da Economia, para dirigir o BNDES. Ele foi sócio do Banco Pactual. (Poder 360)

O Senado deve derrubar hoje o decreto que flexibiliza a posse e o porte de armas, editado pelo presidente Jair Bolsonaro em maio. (Globo)

E... O presidente sancionou a lei que permite a empresas estrangeiras operar linhas aéreas no Brasil. Mas vetou a gratuidade de franquia de bagagem que o Congresso havia incluído por emenda. (Estadão)


O ex-presidente egípcio Mohammed Morsi teve um ataque cardíaco fulminante e morreu enquanto falava a uma corte de Justiça, no Cairo. Preso desde que um Golpe militar o derrubou, em 2013, Morsi sofria de inúmeros problemas de saúde e seu julgamento vinha sendo arrastado pelo governo. A família ainda não sabe onde está seu corpo. Único presidente eleito democraticamente na história do país, Morsi tinha 67 anos e dirigia a Irmandade Muçulmana. (BBC)

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HealthTech


Na última terça, o vice-presidente da Microsoft para saúde, Peter Lee, subiu ao palco do salão de conferências da companhia e prometeu para, em poucos anos, um sistema capaz de diagnosticar inúmeras doenças com apenas uma amostra de sangue. Pelo computador. Trata-se do trabalho da Adaptive Biotechnologies, startup de health tech que anunciou planos de abrir capital na Bolsa em 30 de maio. Seu plano é desenvolver um sistema capaz de decodificar a informação genética nos linfócitos T, agrupamentos de glóbulos brancos do sangue. Fazendo isso, a esperança é de que o software seja capaz de interpretar os dados ali inscritos. Afinal, nestas células que são as responsáveis pela defesa do organismo está toda a informação a respeito de que doenças o indivíduo tem. Doenças autoimunes, infecciosas — até mesmo os tipos de câncer. Para isso, serão precisos dados. Exemplos de linfócitos em pessoas cujos diagnósticos se conhece. A Adaptive Biotechnologies está conseguindo catalogar uma biblioteca de 100 bilhões de microdados por mês. “Em alguns anos já teremos treinado o algoritmo o suficiente para ser capaz de fazer diagnósticos.” A empresa já tem contrato com a Microsoft.

O próximo TEDxRio, que ocorrerá no teatro Oi Casa Grande no dia 3 de julho, vai focar no futuro da saúde. “Nossos speakers vão abordar a saúde de forma global, passando pelas inovações tecnológicas, filosofias de vida x cura, os alimentos do futuro, entre outros”, explica Alessandra Teixeira, uma das responsáveis pelo evento. “A curadoria foi pensada de forma a convidar o público a mergulhar em um mundo de inovações, sem deixar de voltar ao passado.”

Metamateriais vão mudar por completo ressonâncias magnéticas. São materiais que não existem na natureza, compostos artificiais, por exemplo, do encontro entre metais plásticos, criações de engenharia que ressurgem com novas propriedades. Neste caso, desenvolvido pela Universidade de Boston, produziu-se um misto de cobre e plástico capaz de amplificar os sinais da ressonância. O resultado prático: muito mais nitidez nas imagens.

Cultura


Gloria Vanderbilt, a socialite americana que se tornou ícone da moda, morreu ontem aos 95. Teve uma vida agitada — herdeira da fortuna do pai, que traçou ferrovias nos EUA do faroeste, casou-se cedo para se livrar da tia que era sua guardiã, logo separou para casar uma segunda vez com o maestro Leopold Stokowski. Também teve entre os ex-maridos o cineasta Sidney Lumet e é mãe do jornalista Anderson Cooper, da CNN, que a entrevistou recentemente. Modelo frequente do fotógrafo Richard Avedon, nos anos 1950, sua marca de jeans foi a cara de Nova York na década de 1970.

Aliás... Em Chansong (Spotify), uma das músicas do álbum Passarim, Tom Jobim a homenageia.

É bom demais o quarto álbum solo do pernambucano Flávio Augusto Câmara – conhecido pelo apelido de China. No Spotify, ouça Manual de Sobrevivência para Dias Mortos. Destaque para as faixas Pó de Estrela, com Uyara Torrente, e Frevo e Fúria, com Andreas Kisser.

Viver


Michel Platini, ex-jogador e ex-diretor da União Europeia de Futebol (Uefa) foi detido nesta terça-feira como parte das investigações sobre suposta corrupção na concessão da Copa do Mundo ao Catar, em 2022. Platini está sob custódia da Polícia Judicial em Nanterre, junto a Paris.

Quando cobrou o pênalti contra a Austrália na última quinta-feira, Marta, a melhor jogadora do mundo, marcou mais um gol. Na comemoração, a camisa 10 mostrou a chuteira, exibindo o símbolo a favor da igualdade de gênero no esporte. “Marta está sem contrato com qualquer patrocinadora de material esportivo desde julho de 2018. Também por isso teve a liberdade de utilizar aquela chuteira. Em ano de Copa do Mundo, a mais assistida da história do torneio feminino em todo o planeta, esse cenário chama a atenção”. A brasileira recusou as propostas que recebeu e explicou ao GloboEsporte por que planejou a utilização daquela chuteira simbólica.

Marta não está sozinha. Quando as atletas apontam a luta como uma 'briga de todas',  não se trata de metáfora. Meses antes da Copa, 28 atletas americanas, entre elas as estrelas Alex Morgan e Megan Rapinoe, entraram em um processo conjunto contra a federação que rege o futebol no país. Na ação, elas alegaram ‘discriminação institucionalizada de gênero’ e buscaram, entre outras reivindicações, igualdade salarial e de condições trabalhistas com relação aos homens.

Atual dona da Bola de Ouro, a norueguesa Ada Hegerberg marcou três gols na última final da Liga dos Campeões, levando o Lyon ao título. E, mesmo com todo seu status, optou por não acompanhar a seleção de seu país na Copa da França em forma de protesto. A atacante criticou abertamente a diferença de condições de trabalho entre homens e mulheres do futebol profissional.


Cerca de 97% de todas as brasileiras com mais de 18 anos já passaram por situações de asssédio sexual no transporte público, por aplicativo ou em táxis, segundo pesquisa inédita feita pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva, com apoio da Uber. Olhares insistentes, cantadas indesejadas e gestos obscenos estão entre as situações mais comuns.

Galeria: fotos de celebrações do orgulho LGBTQI+ em todo o mundo. A 23ª edição da Parada do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) de São Paulo será realizada no próximo domingo, na Avenida Paulista. O início da marcha está marcado para as 12h com a saída do primeiro trio. Este ano, a parada terá como tema os 50 anos de Stonewall – confira a programação.

uma seleção de filmes e séries LGBTQI+. Algum não entrou na lista? Compartilhe conosco através de nossas redes sociais ou enviando a dica por e-mail. Também vamos selecionar nossos preferidos.

concessão de parques nacionais à iniciativa privada é considerada por muitos ambientalistas como uma das poucas agendas positivas do governo Bolsonaro. Um dos receios, por outro lado, tem origem em declarações do ministro Ricardo Salles sobre concessões amplas que dariam mais atribuições às concessionárias, ampliando a liberdade para a ação da iniciativa privada. “Na lógica do governo, conceder um parque à iniciativa privada ou reduzi-lo para passar uma estrada por ali significa a mesma coisa: destravar o desenvolvimento”, diz Angela Kuczac, diretora da Pró-UCs, em entrevista à Folha. Após ter concedido, ainda em fevereiro, os parques nacionais do Pau Brasil (BA) e de Itatiaia (RJ e MG), cujos editais foram preparados no governo anterior, o ministério prepara editais de outras nove unidades de conservação priorizadas pela estratégia 2018-2020. São os parques nacionais de Lençóis Maranhenses (MA), Serra do Bodoquena (MS), Jericoacara (CE), Caparaó (MG e ES), Chapada dos Guimarães (MT), Aparados da Serra (RS), Serra Geral (RS), Serra da Canastra (MG) e a floresta nacional de Canela (RS).





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