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3 de julho de 2019
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Chamado de juiz ladrão por deputado, Moro pergunta quem defende Cabral e Cunha


Foi em confusão que encerrou, ontem à noite, a audiência do ministro Sérgio Moro com deputados federais. “A história não absolverá o senhor”, lhe disse o deputado carioca Glauber Braga, do PSOL. “Vai estar nos livros de história como um juiz que se corrompeu, como juiz ladrão.” Perante a afirmação, quando já haviam passado mais de oito horas de depoimento, deputados em defesa do ministro começaram a gritar, também o fez a oposição e a sessão foi encerrada. (Poder 360)

Em seu depoimento, Moro afirmou que o objetivo dos vazamentos das conversas é invalidar o processo da Lava Jato. “O que existe é uma tentativa criminosa de invalidar condenações”, afirmou. “Alguém com muitos recursos está por trás destas invasões.” Por momentos, ele foi irônico. “Se ouve muito da anulação do processo do ex-presidente Lula”, ele comentou. “Tem que se perguntar realmente quem defende, então, Sergio Cabral, Eduardo Cunha, Renato Duque, todos esses inocentes que teriam sido condenados segundo este site de notícias.” (G1)

Diga-se... Moro deu à Polícia Federal seu celular para que fosse periciado atrás de vestígios do hacker. Também entregaram seus aparelhos a juíza Gabriela Hardt, que o substituiu em Curitiba, e o desembargador Abel Gomes, do TRF-2. Segundo Lauro Jardim, os procuradores tiveram postura distinta. Eles, a começar por Deltan Dallagnol, não quiseram ceder os aparelhos. (Globo)

Aliás... A PF, de acordo com o jornalista Claudio Dantas, pediu ao Coaf um relatório das atividades financeiras de Glenn Greenwald, cofundador do Intercept. Não é, de acordo com o site, ainda uma investigação formal. (Antagonista)

Durante a audiência, parlamentares da oposição questionaram Moro, que como ministro da Justiça tem comando sobre a PF. O ex-juiz não respondeu se o jornalista está mesmo sendo investigado por denúncias contra o ministro. (Blog do Sakamoto)

A Freedom of the Press Foundation, ong dedicada às dificuldades da imprensa no século 21, publicou uma nota. “Investigar criminalmente o jornalista por reportar é uma violação chocante de seus direitos”, afirmou o diretor-executivo Trevor Timm. “Não é apenas um ataque absurdo à liberdade de imprensa mas também um claro abuso de poder.”

Os estados e municípios não entraram no relatório final da reforma da Previdência, lido ontem pelo relator Samuel Madeira. A economia esperada com o projeto, em dez anos, é de no mínimo R$ 931,5 bilhões, de acordo com cálculos dos parlamentares. Haverá pressão. A bancada ruralista quer retirar o fim da isenção previdenciária das exportações agrícolas. (Estadão)

Não só... Os policiais civis e federais fizeram um protesto por desejar amenizar as regras para a categoria e chamaram o presidente Jair Bolsonaro de traidor. Parte da bancada do PSL promete votar contra o texto. Bolsonaro entrou então em campo, para modificar o trecho. De acordo com o Painel, o ministro da Economia Paulo Guedes se comprometeu a ficar em silêncio. (Folha)

Leia: O projeto que saiu das mãos do relator. (Poder 360)

Para ler com calma: A edição da revista Piauí que chega às bancas este mês traz um longo perfil do vereador Carlos Bolsonaro, assinado pela repórter Malu Gaspar. O personagem que emerge do texto é um homem que, aos 36 anos, age como pit bull nas redes sociais, mas, pessoalmente, costuma ser cordato. Cegamente dedicado ao pai. Quando Jair se separou da mãe dos três mais velhos, Flavio e Eduardo escolheram viver com Rogéria. Carlos, o do meio, com o pai. Foi neste contexto que, após o primogênito Flavio se recusar a concorrer contra a mãe para sua cadeira na Câmara Municipal, Carlos aceitou a disputa. Aos 17. Ligado ao escritor Olavo de Carvalho, com quem chegou a agir de forma coordenada no Twitter atacando os mesmos alvos simultaneamente, ele jamais leu um de seus livros. Malu não encontrou indícios de que Carlos age, na rede, por orientação do presidente. Mas ouviu de suas fontes que o presidente tem particular preocupação com o filho Zero Dois. “Toda vez que Carlos ameaça ir embora ou retaliar o pai, Bolsonaro teme que ele cometa um ato extremo”, ela escreve. “Familiares e amigos próximos compartilham da mesma preocupação.” A conexão do filho com o pai é profunda. Carlos desconfia que Adélio Bispo, que tentou assassinar o então candidato, também o tinha por alvo. E foi ele quem se manteve ao lado do pai em seus períodos de internação. Carlos, que tem uma relação de ciúmes com Flavio, termina sendo o mais influente dos filhos. “Quando o presidente Carlos Bolsonaro toma uma decisão”, comentou recentemente o ex-ministro Gustavo Bebianno, “não tem volta.” (Piauí)

Pois então... Após os ataques feitos por Carlos ao general Augusto Heleno, outro general decidiu retrucar. Luiz Eduardo Rocha Paiva, integrante da Comissão de Anistia, distribuiu via WhatsApp. “Pau-mandado de Olavo. Se o pai chama os estudantes vermelhinhos de idiotas úteis, e eu concordo, para mim, o filhinho dele é um ‘idiota inútil’, ou útil para os esquerdistas”, escreveu, de acordo com Guilherme Amado. (Época)

Viver


Agora é no Maracanã! Seleção faz 2 a 0 no Mineirão contra a Argentina com destaque para Gabriel Jesus e bela atuação também de Daniel Alves. Time brasileiro retorna à final da Copa América após 12 anos. Veja os melhores momentos.


Filho de imigrantes italianos que perderam tudo na Grande Depressão, Lido Anthony Iacocca foi contratado pela Ford logo ao sair da universidade, em 1946. Escolheu se dedicar ao marketing, responsável pelo apoio às revendas em parte da Pensilvânia. Estudou padrões dos ciclos de venda, trabalhou horas incontáveis, e se destacou por números fora do comum. Já havia anglicizado o nome para Lee quando bolou o slogan 56 por 56 — carros modelo 1956 divididos em parcelas de US$ 56. Era uma pegada regional que a companhia adotou nacionalmente. Tornou-se protégé de Robert McNamara, então vice-presidente da companhia. Com ele, aprendeu a ser executivo. Em 1960, quando McNamara foi trabalhar no governo Kennedy, Iacocca o substituiu. O lançamento do Mustang, um modelo icônico que marcou a década e a história, foi ideia sua. Tornou-se um dos primeiros CEOs conhecidos como símbolo pop — grande feito na companhia fundada por Henry Ford. Demitido espetacularmente por um Henry Ford II que não gostava do brilho de alguém com outro sobrenome, assumiu uma Chrysler próxima da falência em 1978 e a pôs de pé. O declínio foi inevitável, na virada dos anos 1980 para os 90, com a entrada de Toyotas e Nissans no mercado americano. Ali, Iacocca perdeu sua mágica. Foi autor de best-sellers, incluindo uma autobiografia (Amazon). Lee Iacocca morreu ontem, aos 94 anos. Tinha Parkinson’s. (New York Times)

As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já estão prontas e deverão ser impressas até dia 17 de julho, garantiu o presidente substituto do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Camilo Mussi foi convocado à Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre o andamento e a segurança do exame deste ano. 

Milhares de pessoas aplaudiram o eclipse total do Sol ontem, no norte do Chile, onde estão os céus mais limpos do planeta. Uma galeria de fotos. O fenômeno começou no Pacífico, chegou ao norte do Chile e atravessou a Argentina, em uma rota de cerca de 11 mil quilômetros. Por aqui, foi visto de forma parcial em algumas cidades, como Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Os eclipses totais do Sol ocorrem, em geral, duas vezes por ano e estima-se que as chances de uma pessoa qualquer ver um eclipse total seria de só uma vez na vida. No Brasil, o próximo está previsto para 2045.

Caso Marielle Franco. Em depoimento à Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, um pescador revelou que um aliado do PM reformado Ronnie Lessa, acusado de ser o assassino de Marielle Franco, contratou o seu barco e jogou seis armas no mar perto das Ilhas Tijucas. A polícia suspeita que, entre as armas estivesse a submetralhadora HK MP5 usada para matar a vereadora e o motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018 (O Globo)

Cultura


Talvez você não conheça… ainda,mas Lil Nas X é o principal fenômeno pop de 2019 e desponta como o embaixador de um improvável sub-gênero: o country-rap. Foi com Old town road, canção que lidera as paradas americanas desde 13 de abril, que o americano desbancou astros consagrados como Madonna , Ed Sheeran, Justin Bieber e Taylor Swift. O grande sucesso do primeiro semestre é fruto, também, de uma parceria com o ídolo country, Billy Ray Cyrus, que cacifou essa peculiar mistura. Já são mais de dez semanas no topo da Billboard.

A habilidade de de criar memes divertidos no Twitter e no Instagram é parte essencial do seu sucesso. "Ele diz que trabalha nisso com tanto afinco quanto na criação de raps. Desde que a música saiu, o rapper publicou em suas redes uma série de vídeos e montagens para chamar a atenção dos seguidores”. Outra curiosidade: para fugir da forte concorrência do hip-hop, Lil Nas X categorizou Old town road como música country no SoundCloud. "E foi assim que ela apareceu pela primeira vez na “Billboard”, alcançando a 19ª posição na parada country, dia 16 de março. Mas, em decisão polêmica, a revista decidiu excluir a canção das semanas seguintes, alegando ter se enganado: ela não ‘abraçaria' elementos suficientes da música country de hoje. O Globo traçou o roteiro do sucesso do jovem de 20 anos que peitou o conservadorismo do meio country e ao anunciar publicamente que é gay no domingo, último dia do Mês do Orgulho LGBT.

Clássico da década de 1980 nos cinemas, Gremlins vai virar uma série de animação. Batizada de Gremlins: Secrets of Mogwai, a produção será ambientada em Xangai, na China, durante a década de 1920 e será exibida na futura plataforma de streaming da WarnerMedia.

E aproveitando a relação nostalgia e tecnologia, que ultimamente anda em tudo, o novo canal da TV Cultura no Youtube, deve exibir, semanalmente, episódios de atrações antigas como Mundo da Lua. A abertura, pelo menos, já está no ar.

Cotidiano Digital


O governo chinês tomou o hábito de instalar um app secreto nos celulares de quem visita a região de Xinjiang cruzando a fronteira com o Quirguistão. Uma investigação de Guardian, New York Times e Süddeutsche Zeitung revelou que, na fronteira, os policiais pedem para conferir smartphones antes de permitir a entrada. O app escondido extrai e-mails, mensagens de texto e a agenda de contatos. A província, de maioria muçulmana, tem sido pesadamente vigiada pelo governo central. Há câmeras munidas de software de reconhecimento facial nas principais ruas e mesquitas.

O Facebook implementou uma mudança em seus algoritmos para combater informações falsas a respeito de saúde. Curas milagrosas, paranoia antivacina e outros conteúdos do tipo não serão apagados. Mas vão ser pouco distribuídos. É o mesmo que a rede social fez com conteúdo de baixa qualidade e caça-cliques. O algoritmo o reconhece e não o apresenta para a maioria dos usuários.

Um estudo americano comparou os empréstimos realizados com base em algoritmos de inteligência artificial das novas fintechs e o das instituições tradicionais. Descobriu que os computadores, ignorando etnia, descriminam contra negros e latinos 40% menos. Quem completa um formulário online tem mais chances de conseguir o empréstimo e juros mais baixos do que quem os pede em pessoa.





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