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6 de janeiro de 2020
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Iraque se move para expulsar soldados americanos do país


A primeira consequência da morte do general iraniano Qassim Suleimani, que ocorreu na madrugada de sexta-feira em Bagdá, saiu do Iraque. O parlamento aprovou, ontem, a autorização para saída das forças militares americanas do país. Suleimani, um dos mais poderosos líderes do país vizinho, foi alvo de um míssil americano em um ataque em território iraquiano sem que o governo local fosse sequer avisado. A decisão, agora, cabe ao premiê Adel Abdul Mahdi. “O que aconteceu foi um assassinato político”, afirmou o chefe de Estado. Os EUA acusam o general de ser responsável por vários ataques a soldados americanos ao longo dos anos. Antes da decisão do parlamento iraquiano, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, rejeitou a ideia de retirada. (Estadão)

Guga Chacra: “É um duro revés para Trump e uma vitória estratégica para o Irã. O objetivo nos últimos meses de Suleimani vinha sendo canalizar o sentimento nacionalista do Iraque contra os americanos para que as tropas fossem expulsas. Conseguiu mesmo após a sua morte. A presença dos 5 mil militares é fundamental para a segurança dos interesses americanos no país e também na região. Sem falar na humilhação de levar adiante uma guerra que custou trilhões de dólares e milhares de vidas americanas para ver seu maior adversário sair vencedor. Caso a expulsão americana realmente se concretize, o Irã naturalmente preencherá o espaço em uma vitória geopolítica. Ainda assim, o regime de Teerã terá problemas, já que o nacionalismo iraquiano também se volta contra os iranianos. Outra tendência é o risco do fortalecimento do Estado Islâmico”. (Globo)

Pois... O Irã anunciou que não vai mais cumprir o acordo nuclear se os EUA não retirarem as sanções impostas ao país. As medidas foram impostas no ano passado, por atribuir aos iranianos o ataque à instalação de petróleo na Arábia Saudita. (Folha)

Como resposta às ameaças de resposta, Trump tuitou. “Que sirva de AVISO”, escreveu usando as capitulares. “Se o Irã atacar americanos, já definimos 52 locais iranianos (representando os 52 reféns mantidos pelo Irã há muitos anos), alguns de nível muito alto & importantes para o Irã & para a cultura iraniana”. (New York Magazine)

As Convenções de Genebra e de Haia proíbem terminantemente a escolha de alvos de relevância cultural e, no país, há sítios arqueológicos que remontam ao Império Persa e até bem antes do surgimento das civilizações. Seria um crime de guerra.

O Secretário de Estado Mike Pompeo apareceu nos programas jornalísticos matutinos de domingo das redes NBC, CBS e ABC e, em todas, afirmou que os EUA só escolherão alvos dentro da legalidade. (Time)

Mas... Trump reiterou. “Eles podem matar os nossos, podem torturar os nossos, e nós não podemos tocar em seus sítios culturais? Não funciona assim.” De quebra, ameaçou também os iraquianos. “Temos uma base aérea muito cara, lá, custou bilhões de dólares”, afirmou a jornalistas. “Se eles pedirem para que deixemos o país, vamos impor sanções como nunca viram. Vão fazer com que as sanções ao Irã pareçam mansas.” (Guardian)

Thomas Friedman, o principal colunista dedicado a política externa nos EUA, qualifica Suleimani como um estrategista ruim. Sob seu comando, o Irã organizou e estruturou uma teia de influência em todo o Oriente Médio, financiando ou mesmo fazendo crescer milícias — em sua maioria xiitas, mas não todas — para favorecer políticos que lhe fossem simpáticos, mas também agravando a instabilidade geral da região. O país dos aiatolás, hoje, tem influência direta nos governos de Líbano, Síria, Iraque e Iêmen. E, para Friedman, o jogo definido pelo general morto foi, em sua eficiência, um desastre. Elevou ao máximo o nível de alerta com o Irã nos países árabes sunitas e em Israel. Por sua vez, estes pressionaram os EUA. Calhou de encontrarem, na Casa Branca, um presidente que estava ansioso para detonar qualquer ação feita pelo governo anterior — o de Barack Obama. O acordo de paz envolvendo energia nuclear com o Irã entrou no Salão Oval e implodiu. Sem amenizar para Trump, Friedman avalia que a agressividade de Suleimani justamente no momento em que o Irã deveria buscar normalização via diplomacia de suas relações, pôs o país no centro do alvo americano. (New York Times)

Galeria: Multidões celebram Suleimani, considerado um herói nacional, em Teerã. (AFP)


Em uma live transmitida pelo Facebook, o presidente Jair Bolsonaro se queixou das investigações a respeito de seu filho, Flávio. O senador é acusado de desvio de parte dos salários de funcionários de seu gabinete e lavagem de dinheiro quando deputado estadual, no Rio. “Se tivesse possibilidade de trancar, eu teria anulado, cancelado”, afirmou o presidente. Ele diz não ter poder para interferir — mas que usaria se tivesse. “É uma armação que vem lá do governo do Rio”, seguiu. “De um governador que se elegeu em cima do Flávio, ao chegar ao governo fez o quê? ‘Quero ser presidente da República.’ E daí? Tem que me destruir. Tudo faz para derrubar a gente.” (Metrópoles)

Então... A ex-mulher do presidente, Ana Cristina Siqueira Valle, foi convocada para depor pelo MP-RJ. Ela é investigada por uso de funcionários fantasmas e prática de rachadinha no gabinete de Carlos Bolsonaro entre 2001 e 2008. Como vereador, Carlos nomeou sete parentes de Ana Cristina, no qual dois deles admitiram nunca ter trabalhado efetivamente para o filho Zero Dois. (O Globo)

Sérgio Moro é a personalidade pública com o maior índice de confiança dentre 12 figuras do cenário político. Segundo o Datafolha, o ministro tem alta confiança de 33% dos entrevistados. Lula empata com Moro dentro da margem de erro, com 30%. Mas, os dois têm índices maiores de baixa confiança: 53% do ex-presidente contra 42% do ex-juiz. Em terceiro lugar em nível de alta confiança aparecem Jair Bolsonaro (22%) e Luciano Huck (21%). Ambos não são considerados confiáveis por 55%.

Cultura


O Globo de Ouro anunciou nas últimas horas os vencedores de sua 77ª edição. Na categoria Melhor Filme - Drama, ganhou 1917, de Sam Mendes. A melhor série - Drama ficou com Succession (HBO), enquanto Fleabag (Amazon) levou melhor série - Comédia. Veja os outros vencedores.

Pois é...1917, filme de guerra de Sam Mendes, surpreendeu ao desbancar uma concorrência pesadíssima. A produção deixou para trás O Irlandês, de Martin Scorsese; Dois Papas, do brasileiro Fernando Meirelles; História de Um Casamento, de Noah Baumbach; e Coringa, de Todd Phillips.

Uma análise: Em ano cheio de filmes para o streaming, Globo de Ouro reafirma a força do cinema. (O Globo)

Brad Pitt, melhor ator coadjuvante: “Esses nomes, quando eu estava crescendo, eram os grandes mestres, e ainda são, estou muito honrado”, disse no palco do evento. Ele venceu por sua atuação em Era Uma Vez... Em Hollywood, de Quentin Tarantino, e concorreu com Tom Hanks, Anthony Hopkins, Al Pacino e Joe Pesci.

Por Coringa, Joaquin Phoenix levou o prêmio de melhor ator dramático. Em seu discurso, homenageou os colegas indicados: Christian Bale (Ford vs. Ferrari), Antonio Banderas, (Dor e Glória), Adam Driver (História de um Casamento), e Jonathan Pryce (Dois Papas). E fez um agradecimento especial ao diretor Todd Phillips: “Obrigado por me aguentar, sei que sou um pé no saco.”

Já Renée Zellweger confirmou seu favoritismo e levou o prêmio de melhor atriz em um filme dramático, por sua performance em Judy: Muito Além do Arco-Íris, na qual encarna Judy Garland, uma das figuras mais icônicas da história da Hollywood.

No Brasil, o livro Onde Vivem os Monstros, clássico infantil escrito e ilustrado pelo americano Maurice Sendak, não é mais editado. Na verdade, o livro lançado originalmente em 1963 só saiu por aqui uma única vez, em 2009, pela extinta Cosac Naify. Com mais de 17 mil exemplares vendidos, ele até chegou a ter uma segunda edição —mas, com o fim da editora, em 2015, nenhuma outra casa topou relançar a obra. Frente a isso, a pergunta que surge é por que esse livro não é mais editado no país. A resposta está no rigor com que Sendak encarava sua obra. Hoje, só são achados em sebos e em sites, nos quais a edição brasileira chega a cerca de R$ 300. Ele não está proibido. Mas nenhuma das editoras contatadas pela reportagem da Folha têm previsão de lançar o título no país.

Já o filme está disponível via YouTube.

Viver


Jordan Shapiro, autor de The new childhood: raising kids to thrive in a connected world (Amazon): “Por que você daria um smartphone pela primeira vez a alguém que está entrando na puberdade? Os hormônios estão gritando. O adolescente está obcecado por imagens do corpo, sexo, status, quem é o mais descolado da turma. Esse é o tempo de se começar a construir sua rede social? Tenho filhos de 12 e 14 anos. Nessa idade, sobre tudo o que eu falo, eles têm certeza de que sabem mais. E isso é normal. Mas, para eles, não tenho qualquer habilidade para corrigi-los, para ajudá-los. Ou seja, não tenho influência em como eles usam os celulares.” (Globo)

Crianças e telas? “Todas as pesquisas sérias, desde a invenção da TV, mostram que a exposição às telas por si só não causa danos. Médicos tentaram provar que havia (algum tipo de problema) e não conseguiram. A recomendação da OMS para não se dar telas para crianças antes dos dois anos não é porque o tempo na frente da delas é perigoso, e sim porque o mais importante nesta idade é o contato olho no olho, interações entre crianças e adultos, falar com a criança. Isso, de fato, é muito, muito, muito importante para as crianças. E há o medo de que, com o acesso às telas, os pais diminuam o tempo de contato com a criança. Mas a recomendação também assusta, faz com que pais deixem, por exemplo, de colocar um vídeo para a criança ver enquanto ela toma banho. Ora, ela não terá danos cerebrais se assistir a um vídeo por 15 minutos. O que ela não pode é ficar oito horas sem interação com alguém.”

Cotidiano Digital


Começa amanhã, em Las Vegas, a CES, Consumer Electronics Show que, todos os anos, abre a porteira de lançamentos digitais logo em janeiro. A principal novidade desta edição é a volta da Apple à feira depois de 28 anos — a empresa só vinha realizando eventos próprios mas, agora, está de olho em automação residencial. Sua promessa é de aquecer a competição no setor de casas inteligentes com o seu HomeKit. Suas adversárias de mesmo porte, Amazon e Google, já vêm se consolidando neste espaço. Televisores, carros e caixas de som com assistentes das duas serão lançados.

As discussões serão dominadas pelo 5G. Serão lançados não apenas de smartphones compatíveis, mas também de notebooks, como o novo Dell Latitude 9510. Novas TVs com tecnologia 8K e dispositivos dobráveis aparecerão — a LG já anunciou uma nova versão da sua TV ‘enrolável’. O setor automotivo também promete novidades, como o carro voador da Hyundai. É um protótipo, não um produto para sair logo, mas marca o compromisso da companhia em entrar neste ramo. Outra grande expectativa é o projeto Neon de avatares em 3D da Samsung. Segundo a prévia, a promessa é de que as personagens digitais sirvam como âncoras de TV, recepcionistas ou até atores em filmes.

Por falar na Apple... Tim Cook ganhou US$125 milhões em 2019 — valor inferior aos ganhos de 2018 - US$136 milhões. A empresa não conseguiu superar as metas de vendas e receitas operacionais estabelecidas.





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