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14 de maio de 2020
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Família Bolsonaro era investigada pela PF do Rio


Um dos principais argumentos do presidente Jair Bolsonaro, ao defender que não tinha motivos pessoais para interferir na Polícia Federal do Rio, era de que sua família não estava sendo investigada. Segundo o depoimento do ex-superintendente da PF no estado, Carlos Henrique Oliveira, a informação é falsa. O senador Flávio Bolsonaro foi investigado até 1º de março por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A PF não pediu quebras de sigilo do senador e encaminhou a inquérito para arquivamento. O Ministério Público ainda precisa dizer se concorda. E o atual superintendente no Amazonas, Alexandre Saraiva, confirmou ter recebido uma ligação do diretor da Abin, Alexandre Ramagem, o convidando para assumir a posição no Rio. O delegado aceitou o convite mas pediu que viesse através do diretor-geral da PF. A Abin não faz parte da Polícia Federal, mas Ramagem era o candidato do presidente para dirigi-la. A afirmação de Saraiva confirma que houve interferência de Bolsonaro para tentar indicar alguém mais próximo para o cargo. (Globo)

O prazo é de até o fim do dia de hoje para que a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República se manifestem sobre a divulgação total ou parcial do vídeo com a reunião ministerial do dia 22 de abril. É considerada prova essencial pela defesa do ministro Sérgio Moro, que acusa o presidente de intervir com interesses pessoais na PF do Rio. (Poder 360)

O ministro Ricardo Lewandowski tornou públicos, ontem, os três exames de detecção do novo coronavírus de Bolsonaro. Os três foram feitos sob codinomes, mas em dois deles data de nascimento, RG e CPF são do presidente. Um terceiro, realizado pela Fiocruz, não tem qualquer dado que confirme sua identidade. Os três são negativos. (Estadão)

Gustavo Alves: “Se os resultados eram negativos, por que insistiu em não mostrá-los? Foi uma derrota judicial, mas Bolsonaro pode ter colhido frutos. A indefinição criou uma trama paralela que dividiu a atenção com outros temas em que o presidente patina. E é uma forma de reforçar a imagem que quer passar, a do adversário e vítima do status quo e das instituições que seriam somente um peso na vida dos cidadãos. Bolsonaro pode ter se livrado da Covid-19, mas isso não livra seu governo de outros problemas. E a demora em confirmar que está bem de saúde reforça a impressão de que o presidente gosta de criar confusões menores para não enfrentar os problemas maiores.” (Globo)

O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, está na linha de tiro de Bolsonaro. O motivo é sua insistência de seguir as orientações da Organização Mundial da Saúde. “Todos os ministros têm que estar afinados comigo”, afirmou o presidente à saída do Alvorada. Um dos pontos de irritação é o distanciamento de Teich em relação à terapia baseada em cloroquina. Cada vez mais desaconselhada por estudos científicos, é tema constante de Bolsonaro. “Diferentemente de Mandetta, Nelson Teich é um médico bolsonarista”, escreve Tales Faria. “Mas também é um médico tido como um técnico respeitável, orientado pelo parâmetros da ciência e da lógica. A submissão aos ditames de Bolsonaro pode ferir de morte sua reputação profissional. É nessas horas que a gente se pergunta: o que faz um homem aceitar a humilhação pública? O fato é que agora ele se tornou a "bola da vez" no espetáculo de grosserias oferecido quase todos os dias pelo presidente da República. Ou se entrega, ou sai.” (UOL)

Hamilton Mourão, vice-presidente: “A esta altura está claro que a pandemia de Covid-19 não é só uma questão de saúde: por seu alcance, sempre foi social; pelos seus efeitos, já se tornou econômica; e por suas consequências pode vir a ser de segurança. Para esse mal nenhum país do mundo tem solução imediata. Mas nenhum vem causando tanto mal a si mesmo como o Brasil. Um estrago institucional que já vinha ocorrendo, mas agora atingiu as raias da insensatez, está levando o País ao caos e pode ser resumido em quatro pontos. O primeiro é a polarização que tomou conta de nossa sociedade. Tornamo-nos incapazes do essencial para enfrentar qualquer problema: sentar à mesa, conversar e debater. A imprensa precisa rever seus procedimentos. Opiniões, contrárias e favoráveis ao governo, tanto sobre o isolamento como a retomada da economia, devem ter o mesmo espaço nos principais veículos de comunicação. O segundo ponto é a degradação do conhecimento político por quem deveria usá-lo de maneira responsável, governadores, magistrados e legisladores. O terceiro ponto é a usurpação das prerrogativas do Poder Executivo. O quarto ponto é o prejuízo à imagem do Brasil no exterior decorrente das manifestações de personalidades que, por se sentirem inconformados com o governo democraticamente eleito, usam seu prestígio para fazer apressadas ilações e apontar o país ‘como ameaça a si mesmo e aos demais na destruição da Amazônia e no agravamento do aquecimento global’, uma acusação leviana. Enquanto os países mais importantes do mundo se organizam para enfrentar a pandemia em todas as frentes, de saúde a produção e consumo, aqui, no Brasil, continuamos entregues a estatísticas seletivas, discórdia, corrupção e oportunismo. Há tempo para reverter o desastre. Basta que se respeitem os limites e as responsabilidades das autoridades legalmente constituídas. (Estadão)

Viver


O Ministério da Saúde contabiliza, no total, 13.149 mortes pelo novo coronavírus no Brasil, com 749 óbitos registrados nas últimas 24 horas. O governo também divulgou que 97.402 pacientes (51,4%) estão em acompanhamento e 78.424 (41,5%) se recuperaram da doença.

Com um total de 190.137 pessoas já contaminadas pelo novo coronavírus, o Brasil é hoje o sexto país em número de infectados segundo a Universidade Johns Hopkins. Com isso, já tem mais infectados que a França. Dados atualizados às 6h22.

Números são maiores. O sistema chamado Portal de Transparência do Registro Civil, que mostra o total de registros de óbitos no país, está desatualizado com dados não só das últimas semanas, mas até de anos anteriores, o que prejudica a comparação com 2020.

No Twitter, uma thread de como a base que mostra o número de mortes no país impede a análise do avanço da doença.

Dos 20 hospitais municipais de São Paulo, seis deixaram de receber, ontem, pacientes em suas unidades de terapia intensiva, ou por terem atingido a lotação máxima ou por estarem muito próximos da sua lotação. E a taxa de isolamento social no estado e na capital segue em queda, com valores abaixo da meta estipulada pelo governo para reconsiderar a flexibilização do fechamento do comércio não essencial. A taxa ideal estipulada é de 70%, mas o estado nunca atingiu essa meta, registrando a melhor taxa de 59% apenas em alguns domingos.

No Rio de Janeiro, as imagens de pessoas caminhando nas ruas, em muitos casos aglomeradas, são hoje um dos principais motivos de angústia dos médicos intensivistas. Em depoimento ao Globo, eles falaram sobre as jornadas intermináveis de trabalho que já os levaram a um nível nunca antes sentido de exaustão física e, principalmente, emocional.

Durante um velório na cidade de Cairu, baixo-sul da Bahia, a família de uma vítima suspeita de Covid-19 abriu o caixão. Cinco dias depois, cinco pessoas tiveram diagnóstico positivo para a doença. A família resolveu abrir o caixão, que saiu lacrado da unidade hospitalar, mesmo com recomendações contrárias da secretaria municipal de Saúde de Cairu.

Pois é... a aceleração dos contágios nas últimas semanas e a falta de uma política clara de combate ao novo coronavírus pode fazer com que brasileiros sejam barrados em países europeus quando viagens internacionais forem retomadas. Um dos principais critérios adotados pela União Europeia nas orientações divulgadas ontem para a reabertura de fronteiras internas é que sejam recebidos moradores de Estados com “uma situação epidemiológica em evolução positiva e semelhante” em relação à Covid-19. Indicador monitorado na maioria dos países europeus, a taxa de contágio (Rt) indica para quantas pessoas, na média, cada infectado transmite o coronavírus. Quando ela está acima de 1, a doença está fora de controle e a infecção está se acelerando. A taxa de contágio estimada para o Brasil não só é o dobro do considerado minimamente aceitável como também está entre as mais altas entre 54 países acompanhados pelo Imperial College (centro de referência no controle de epidemias).

Quatro ou cinco anos. Segundo Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, o tempo pelo qual o vírus continuará representando uma ameaça vai depender das mutações que ele possa sofrer, da eficácia de medidas de restrição do contágio implantadas pelos países e do desenvolvimento de uma vacina viável. Em uma conferência digital promovida pelo Financial Times, Soumya disse que “não há bola de cristal” para essa previsão.

Uma máscara de proteção capaz de detectar se a pessoa está infectada com o novo coronavírus. É o que pesquisadores da Universidade Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estão desenvolvendo.

Quem quer pão?! Se você evitou por achar complicado, visite o especial Padaria Panelinha, no site de receitas da Rita Lobo. Tem pães de preparo simples, com instruções para você acertar de primeira. Algumas sugestões: se gosta de pão cascudo, com miolo macio, vá no italiano sem sova. Se prefere pão fofinho, experimente o pão de batata-doce. Com bastante gente passando tempo em casa, essa é uma das atividades mais procuradas.

Cultura


Hoje tem. Confira a programação de lives e novidades de música no streaming disponíveis nesta quinta. O Olodum se apresenta às 17h no Instagram da Warner Music Brasil pelo "Entrou na sala". E Anitta volta a realizar um live. Batizada de "Anitta dentro da casinha", a apresentação intimista reúne seus principais hits. Às 23h, no YouTube.

Cotidiano Digital


Um software tem dominado o monitoramento do novo coronavírus. A maioria das instituições e governos têm usado o ArcGIS, criado pela empresa californiana Esri. Esse programa sempre esteve entre os mais usados por governos e grandes empresas que precisam se preparar e controlar desastres, além de monitorar a infraestrutura pública, como planejar a localização de chamadas de emergência. Mas, agora, 3.700 organizações estão usando esses painéis para obter informações relacionadas a Covid-19. O site da Universidade Johns Hopkins é um exemplo, e tem recebido mais de três milhões de acessos por hora. O aumento da procura tem significado algumas mudanças para a empresa. O ArcGIS foi projetado para ser usado em centros de operação, em grande telas, mas grande parte do uso relacionado a Covid-19 é feito nos smartphones.

Por falar em ferramentas sobre a pandemia…. O Estado de São Paulo começou a monitorar os celulares mais de 20 dias antes de formalizar com as teles a liberação dos dados. O acordo traz regras como a proibição do uso das informações para qualquer outro fim que não seja o acompanhamento do isolamento social.

Então… Uma lista do MIT Technology Review que avalia o grau de transparência e privacidade de todos os apps de rastreamento.

Agora, é obrigatório usar máscaras no Uber. Tanto motoristas quanto passageiros deverão confirmar o uso tirando uma foto. Os passageiros ainda só poderão sentar no banco de trás do carro, com a janela aberta.





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