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29 de outubro de 2020
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Centrão obstrui pautas do governo em briga com Maia


O principal líder do Centrão, deputado Arthur Lira, entrou em choque com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Há semanas Lira vem obstruindo as votações no plenário, impedindo que qualquer coisa seja aprovada. Um grupo de parlamentares se recusa a registrar presença, não dando quórum mínimo para que a sessão seja aberta e assim algo possa ser votado. Desde que existem parlamentos democráticos, a obstrução é uma ferramenta legítima da oposição para reagir ao rolo compressor da maioria. O Congresso brasileiro inovou e criou a obstrução da maioria: é a base do próprio governo que trava pautas de interesse do Executivo. Segundo Gerson Camarotti, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, telefonou ontem para Maia reclamando da dificuldade de avançar no ajuste fiscal. A resposta do deputado foi direta: “Ligou para a pessoa errada. Quem está obstruindo a pauta é a base do governo.” Os motivos para a auto-obstrução seriam a disputa pelo controle da Comissão Mista de Orçamento, que sequer foi instalada, e a sucessão na Câmara. Maia quer emplacar um aliado na CMO. Este era um acordo firmado em fevereiro por todos — o comando da CMO caberia ao DEM. Lira, por outro lado, vê nesta briga um teste de forças para ver quem tem mais votos na briga pela presidência da própria Câmara. Com uma manobra Jurídica, Rodrigo Maia pretende disputar mais um mandato. Aliados do governo já falam em uma “freada de arrumação” para apaziguar o clima no Congresso. (G1)

Aliás... O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, respondeu só ontem à crítica feita por Maia no fim de semana via Twitter. O deputado havia defendido o ministro-general Luiz Eduardo Ramos na briga entre os dois. Ontem, Salles limitou-se a escrever também via Twitter: “Nhonho”. É um dos apelidos dados pelos inimigos de Maia. (UOL)

Pois é... Maia e Ramos, conta Bela Megale, também têm apelido para Salles. Maria Veneno. (Globo)

A briga entre Salles e Ramos não é a única a mexer com os militares. Está dividido o generalato brasileiro a respeito do governo Jair Bolsonaro — o artigo pesadamente crítico ao presidente publicado pelo ex-porta-voz, general Otávio Rêgo Barros, é o indício. Alguns, generais do Planalto, se queixaram do texto. Viram nele deslealdade e até mesmo vaidade de Rêgo Barros, conta Bela Megale. Mas o artigo reflete a opinião de muita gente. (Globo)

Merval Pereira: “A maioria da ala militar pensa igual a ele. Alguns ficam constrangidos, mas são amigos do presidente; outros acham que, apesar de tudo, vale a pena ficar no governo e outros têm interesses para permanecer no poder e ganhar um adendo salarial. Mas o desabafo de Rego Barros não é normal, e tem repercussão dentro do exército. Para uma ala militar, que tem certos pudores e constrangimentos diante de atitudes do presidente, há um limite e se Bolsonaro não passou dele, está chegando perto. É um sinal de que as coisas não estão tão calmas quanto o presidente finge que estão. Temos também o caso do ministro da saúde, general Pazuello, completamente desmoralizado por Bolsonaro, e de Luiz Eduardo Ramos, que ameaçou sair da Secretaria de Governo caso Ricardo Salles não pedisse desculpas. Os fatos vão se acumulando. Militares devem estar sentindo que estão sendo usados e manipulados pelo presidente, que se cercou deles para dizer que o exército o apoia, mas não respeita seus generais.” (Globo)

Não bastasse... Teve repercussão muito negativa um decreto elaborado pelo Ministério da Economia que permitia conceder à iniciativa privada a administração de Unidades Básicas de Saúde. E o governo recuou. Políticos de oposição diziam que a medida, que não teve aval do Ministério da Saúde, poderia levar à privatização do SUS. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) também reagiu contrariamente, enquanto a hashtag #defendaosus deu o tom da revolta nas redes, que envolveu anônimos e celebridades. Pela manhã, a Secretaria-Geral da Presidência tentou numa nota minimizar o impacto da medida. Mas não houve jeito. Mesmo dizendo que a privatização do SUS era “falsa”, Bolsonaro anunciou no Facebook a revogação do decreto. (Poder 360)

Em busca de um acordo de delação premiada, o hacker Thiago Eliezer dos Santos, acusado de invadir os celulares do ex-ministro Sérgio Moro e de integrantes da força tarefa da Lava-Jato, disse à PF ter gravações de conversas do grupo que ainda não vieram a público. Ele diz que não participou da invasão, apenas orientou Walter Delgatti Neto sobre como fazê-lo. Outra novidade é que Eliezer teria apontado outros participantes e até mesmo mandantes do crime, embora afirme que somente Delgatti tinha contato com eles. (Globo)

Por intermédio do governador cearense Camilo Santana, o ex-presidente Lula e o candidato pedetista à presidência Ciro Gomes fizeram as pazes em uma conversa. Estavam brigados desde a eleição de 2018. Passaram boa parte de uma tarde em setembro conversando. Primeiro das mágoas mútuas, depois diagnosticando o resultado da eleição, o governo atual, o impacto da pandemia. Não está descartada uma aproximação de PT e PDT para a eleição nacional. (Globo)

Sabe a charge animada de Tony de Marco que dá um colorido especial à edição de sexta-feira do Meio? Pois é, você pode acompanhar hoje, via Twitch às 15h, a criação dela. Aponte seu browser para este link e divirta-se.


A menos de uma semana das eleições presidenciais nos EUA, a tensão racial voltou a explodir, desta vez na Filadélfia, fazendo a prefeitura decretar toque de recolher. O estopim mais uma vez foi a morte de um homem negro por policiais brancos. Walter Wallace Jr. tinha 27 anos e, segundo a família, problemas mentais. Ele portava uma faca quando foi baleado por dois agentes. O caso levou a uma nova onda de protestos, com direito a saques e prisões. Para agravar, a Filadélfia é a maior cidade da Pensilvânia, considerada um dos estados decisivos das eleições do próximo dia 3. Donald Trump culpou a prefeitura democrata e insistiu no mote de lei e ordem, enquanto Joe Biden, que nasceu na Pensilvânia mas fez carreira política em Delaware, se solidarizou com a família do morto e cobrou protestos pacíficos.

Viver


Com os 487 óbitos registrados até as 20h de quarta-feira, o Brasil atingiu a marca de 158.468 mortos pela Covid-19. É o segundo país com o maior número de vítimas fatais, atrás apenas dos EUA, onde já morreram 227.604 pessoas. O total de infectados chegou a 5.440.903, e a média móvel voltou a cair. Isso, no entanto, significa apenas que o total de óbitos está estabilizado. Santa Catarina, Amapá e Amazonas são os estados com tendência de alta nas mortes.

Entre os mortos de ontem está Vani Terezinha Ferreira, mãe de Rosângela Silva, namorada do ex-presidente Lula. Vani, de 80 anos, havia sido internada em São Bernardo do Campo com uma infecção urinária e contraiu a Covid-19 no hospital.

A situação segue grave nos Estados Unidos e na Europa. Alemanha e França anunciaram novas medidas de contenção, com fechamento de bares e restaurantes, mas manutenção das aulas presenciais. Já os EUA tiveram um recorde de mais de 500 mil novos casos da doença em apenas uma semana.

Dois brasileiros entraram para a lista de futuros beatos e possíveis santos. Em decreto divulgado ontem, o Papa Francisco reconheceu o martírio da mineira Isabel de Campos e as virtudes heroicas do religioso paulista Roberto Giovani. O reconhecimento abre caminho para a beatificação dos dois e para um posterior processo de canonização. A estudante Isabel, vinda de uma família de forte tradição católica, foi assassinada aos 20 anos, em 1982, em Juiz de Fora durante uma tentativa de estupro. Após um processo de oito anos, aberto a pedido de fiéis de Barbacena, onde ela está enterrada, a Santa Sé reconheceu que ela foi morta por “ódio à fé”, o que qualifica o martírio. Já o irmão Giovani, da ordem dos Estigmatianos, morreu em 1994, aos 90 anos, após décadas de atividades junto aos pobres de Casa Branca (SP). Muitos fiéis atribuem a ele graças, mas será preciso a comprovação de um milagre para a beatificação. De Isabel, por ser mártir, não será exigido um milagre.

A hora da Panelinha no Meio. O fim de semana está chegando, o que significa tempo de preparar uma receita mais longa e de curtir uma lombeira depois do almoço. Para isso, um prato que é a alma do Nordeste, com a vantagem de levar ingredientes facilmente encontráveis no país inteiro: o baião de dois. Arroz, feijão e carne seca num refogado arretado de toucinho, queijo coalho, cebola, coentro — vai ter coentro, sim. Dá vontade até de cantar Luiz Gonzaga.

Cultura


A área de Cultura ganhou mais um integrante com ampla experiência em... quartéis. O coronel da reserva Paulo Cezar Dias de Alencar foi nomeado substituto eventual do secretário nacional de Desenvolvimento Cultural, o escritor olavista Maurício Waissman. Engenheiro formado pelo IME, ele já estava no DC desde agosto, como diretor do Departamento de Desenvolvimento, Análise, Gestão e Monitoramento. Sua visão de cultura, além de críticas aos “autoproclamados iluministas”, está exposta nas redes sociais do tipo “a cultura é um insight espiritual de primeira grandeza, é o evento teofânico em que o culto (cultura) brota em uma sociedade e define todos os demais aspectos da existência humana”. (Folha)

Estreia hoje no Brasil, após vários adiamentos, Tenet, de Christopher Nolan, aclamado diretor de Interestelar, A Origem, Amnésia e da trilogia Batman – Cavaleiro das Trevas, entre outros. Desde que foi lançado no Canadá e em países da Europa em agosto, Tenet, que custou US$ 200 milhões (R$ 1,14 bilhão), vem dividindo a crítica. Chamar sua trama de “complexa” é gentileza: um agente secreto chamado apenas “O Protagonista” (John David Washingnton) precisa evitar a terceira guerra mundial, prenunciada por objetos e pessoas que vêm do futuro num processo de “inversão”, claramente inspirado na primeira cena de Amnésia. No Rotten Tomatoes, que faz um balanço das críticas, Tenet aparece com 71% de aprovação, longe de ser uma unanimidade.  A Folha o classificou como “uma decepção”, apesar de trazer “tudo o que se espera do cinema-espetáculo”. Apenas não estaria à altura de Nolan. Já o Globo botou seu bonequinho aplaudindo sentado, afirmando que "é o filme mais audacioso do diretor — e que mais uma vez vai dividir opiniões, algo essencial no cinema."

Cotidiano Digital


Durante quase quatro horas, os líderes do Facebook, Twitter e Google responderam perguntas, pela segunda vez no ano, no Congresso americano. A audiência era para discutir possíveis mudanças na Seção 230, da Lei de Decência nas Comunicações, mas a discussão foi marcada pela polarização política. Os republicanos, que acusam as empresas de censurar suas ideias, chegaram a perguntar se as equipes de moderação de conteúdo são formadas com base em convicções ideológicas — o que foi negado pelas big techs. Do outro lado, os democratas criticaram que as empresas têm ajudado a dar mais voz aos conservadores. Dentre os três líderes, Sundar Pichai, do Google, foi o menos interpelado pelos congressistas. Enquanto Jack Dorsey foi o mais pressionado pelos republicanos. Foi questionado especificamente por esconder tuítes de Donald Trump e por proibir, e depois voltar atrás, os links para a reportagem do New York Post sobre Joe Biden. Já Mark Zuckerberg ficou na mira dos democratas. Foi perguntado sobre a Seção 230 — ele se mostrou favorável a uma mudança, sugerindo maior transparência nos processos de moderação de conteúdo — e sobre as políticas do Facebook para as eleições do dia 3.





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