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3 de setembro de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Têm sido confusas estas últimas semanas. Difíceis. De uma democracia sob estresse. Mas, das poucas surpresas em meio ao caos, uma certamente é a do manifesto de algumas entidades do agronegócio. Enquanto Fiesp recuou da decisão de publicar um texto anódino, a Associação Brasileira do Agronegócio, acompanhada de outras entidades do setor, tornou público um texto ainda mais firme.

Quando Fernando Henrique Cardoso chegou à presidência, em 1994, o PIB produzido pelo agro não chegava a R$ 40 bilhões em valores de hoje. Pois já se aproxima dos R$ 350 bi. O Brasil sempre teve vocação agrícola — tem terra, tem água, tem Sol. Mas uma das conquistas fundamentais da Nova República, desde a escrita da Constituição para cá, foi que esta indústria se sofisticou. Ganhou tecnologia, qualidade de gestão, excelência técnica. Se tornou cosmopolita.

É o caminho inverso daquela outra indústria — a urbana, de manufatura.

O crescimento do negócio da agropecuária trouxe junto o Centro Oeste, o interior de São Paulo, um bom naco de Minas Gerais, um sólido pedaço do Sul. Mudou o cenário cultural, com a explosão da música sertaneja. Tornou onipresente nas redes e na TV o sotaque com ‘R’ retroflexo, tão típico do interior. O agro mudou a imagem que o Brasil tinha de si.

Como foi este processo? O que aconteceu para o agro ter se tornado tão importante? Na edição deste sábado, o Meio vai dos anos 1980 até aqui, dos debates da Constituição ao embate entre bolsonaristas e cosmopolitas nestes anos 2020. Com bônus: a incrível história da família do primeiro líder do agro neste tempo, ainda hoje personagem fundamental dessa história. O governador goiano Ronaldo Caiado. Que, assim como o agro, oscila entre o bolsonarismo e a democracia de dose em dose de vacina.

O objetivo é só um: revelar o que divide o ogro do agro nos tempos de hoje.

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— Os editores.


MP age para barrar PMs em atos pró-Bolsonaro


O Ministério Público entrou em campo para conter o ímpeto radical das polícias militares. Em seis estados – SP, PE, CE, PA, MS e SC – e no Distrito Federal promotores e um juiz militar entraram com ações para questionar a participação de PMs em atos políticos no feriado de Sete de Setembro. O MP interpelou o governo do DF após a PM indicar que não puniria policiais que violassem o estatuto da corporação e participassem de atos em favor do presidente. (Folha)

Numa indicação do caminho a seguir, o Ministério Público Federal e a Promotoria Militar do DF recomendaram que o período entre 6 e 8 de setembro seja declarado “de prontidão”. Com isso, todos os PMs que não estiverem de serviço nas ruas devem estar recolhidos aos quartéis. Quem não estiver será considerado desertor. (Extra)

Apenas lembrando... Na quarta-feira a ministra do STJ Laurita Vaz arquivou dois habeas corpus preventivos pedindo que PMs e militares da ativa não fossem punidos por participarem de atos políticos de apoio ao presidente. (Metrópoles)

Em resposta ao clima de radicalismo para o Sete de Setembro, o presidente do STF, Luiz Fux, disse confiar “que os cidadãos agirão, em suas manifestações, com senso de responsabilidade cívica e respeito institucional”. Segundo Fux, “liberdade de expressão não comporta violência”. (Metrópoles)

Já o presidente Jair Bolsonaro pela primeira vez procurou abaixar a temperatura. Segundo ele, “ninguém precisa temer o Sete de Setembro”. (CNN Brasil)

A aprovação do governo Bolsonaro caiu ao menor nível já registrado pelo PoderData, 27%. E desaprovação está em 63%. Para 55% dos ouvidos no levantamento, o trabalho de Bolsonaro é ruim ou péssimo, contra 25% que o consideram ótimo ou bom. A reprovação do presidente é menor na Região Norte (46%) e entre pessoas com Ensino Médio (48%). Um dado notável é que Bolsonaro é pior avaliado entre homens (59% de ruim ou péssimo) que entre mulheres (52%). (Poder360)

E Bolsonaro cometeu um ato falho ontem, durante sua live semanal. Ele se referiu a 2024 como um ano fora de seu governo, admitindo que não se reelegerá. (Poder360)

E a erosão do apoio a Bolsonaro na elite econômica é visível. A Federação Brasileira dos Bancos (Febrabran) emitiu uma nota reiterando seu apoio a um manifesto de defesa da democracia e da harmonia entre os poderes. Quando o esboço do texto começou a circular, a Caixa e o Banco do Brasil, controlados pelo governo federal, ameaçaram deixar a entidade. Ontem os dois bancos estatais tentaram sem sucesso impedir a divulgação das notas. (Folha)

Enquanto isso... Mais de 200 industriais mineiros soltaram uma nota desautorizando a Federação das Indústrias do estado, que na véspera criticara o STF, fazendo coro ao bolsonarismo. Chamado de Segundo Manifesto dos Mineiros, o texto defende as instituições brasileiras, o Estado de Direito e a democracia. (Estadão)

Tomas Traumann: “Nenhum presidente ameaçou os donos de banco e saiu vivo do outro lado para contar a história. Brigar com os donos do dinheiro é coisa que os candidatos dizem no conforto dos palanques e que desdizem sob o ar-condicionado dos gabinetes. Em geral, são os banqueiros que decidem abandonar um governo, não o contrário. Haverá vingança.” (Poder360)

Meio em vídeo. Não é que os próximos meses vão ser difíceis. É pior do que isso. Nós vamos juntar os piores momentos dos últimos presidentes numa torrente só, ao mesmo tempo. A gente vai sentir na pele o resultado de um presidente incompetente como nunca. E é para fingir que não tem nada com isso que Bolsonaro quer botar fogo no país. Confira o Ponto de Partida no YouTube.

Até sua separação de Jair Bolsonaro em 2007, a advogada Ana Cristina Valle gerenciou o esquema de rachadinhas nos gabinetes dos enteados Flávio e Carlos na Alerj e na Câmara do Rio, respectivamente. A denúncia, revelada com exclusividade por Guilherme Amado, é de Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, que trabalhou para a família desde 2002 até este ano. Lotado no gabinete de Flávio, ele disse ter devolvido ao deputado 80% do que recebeu, creca de R$ 340 mil. Mais do que isso, Nogueira diz que Ana Cristina ocultou através de laranjas o patrimônio formado durante o casamento com Bolsonaro. Um exemplo é a mansão em Brasília na qual ela vive com o filho, Jair Renan. Oficialmente, é alugada, mas, segundo Nogueira, a ex do presidente tem um contrato de gaveta (não registrado) de compra do imóvel. (Metrópoles)

Há dois meses, no aniversário de Nogueira, Jair Renan o homenageou com uma publicação no Instagram de uma foto juntos. “Você me ensinou muito, especialmente a como me tornar uma boa pessoa. Sua empatia e seu carinho são contagiantes, e eu serei eternamente grato a Deus por tê-lo colocado em nosso caminho”, escreveu o Zero Quatro. (Globo)

Contrariando a ala militar, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei aprovada pelo Congresso que extingue e substitui a Lei de Segurança Nacional, mas com vetos que falam ao coração de seus apoiadores. Bolsonaro vetou, por exemplo, a punição para quem divulga notícias falsas em massa e o aumento da pena em casos de ações contra a democracia por funcionários públicos ou militares ou por meio de “violência grave” ou uso de “armas de fogo”. (CNN)

O advogado e lobista Marconny Faria, apontado como intermediário da Precisa Medicamentos junto ao Ministério da Saúde, passou a quinta-feira driblando a CPI da Pandemia. Apesar de seu médico ter anulado o atestado que ele apresentara, Faria não compareceu para depor, levando os senadores a pedirem sua condução coercitiva e a apreensão de seu passaporte. Ele já tinha o direito de ficar em silêncio, mas sua defesa pediu à ministra do STF Cármen Lúcia que ele fosse desobrigado de depor, o que foi negado. (Poder360)

O dia na CPI já começara agitado com a notícia de que a polícia federal havia prendido um assessor do senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) por envolvimento com tráfico internacional de drogas. Marcelo Guimarães Cortez Leite foi exonerado ainda pela manhã. (UOL)


Passa de 40 o número de mortos no Nordeste dos EUA devido à tempestade tropical Ida. Em Nova York, a chuva provocou alagamentos, afogando pessoas que viviam em apartamentos nos porões de prédios. (G1)


Zé Continha, o novo mascote do governo

Tony de Marco

Zé-Continha
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Cultura


Morreu esta madrugada em São Paulo, aos 82 anos, o ator Sérgio Mamberti. Ele estava internado com uma infecção nos pulmões e teve falência múltipla dos órgãos. Um dos maiores nomes dos palcos brasileiros, ele estreou em 1963 e atuou até 2019, em O Ovo de Ouro. Entre muitos prêmios, conquistou em 1975 o Molière de melhor ator por Réveillon. Mamberti atuou ainda em dezenas de filmes e novelas de TV, mas seu trabalho favorito na telinha foi como o doutor Vitor, do Castelo Rá-Tim-Bum. “Digo que é minha obra-prima porque une educação, cultura e comunicação”, dizia. “Raios e trovões”, Sérgio, que tristeza. (UOL)

Já se vão 40 anos desde que o quarteto sueco ABBA não lançava um disco, mas a influência dele na música pop só fez crescer. Eis que ontem Bjorn Ulvaeus e Benny Andersson, cérebros musicais do grupo, anunciaram um novo álbum e um espetáculo feito por hologramas rejuvenescidos dos dois e das vocalistas Anni-Frid Lyngstad e Agnetha Fältskog. O disco Voyager está em pré-venda e sai em 5 de novembro, e duas canções – I Still Have Faith In You e Don’t Shut Me Down – já estão nas plataformas. (G1)

Veja as fotos do ABBA com o equipamento para capturar movimentos e de como ficaram os hologramas. (Twitter)

Ok, ok, a gente já sabe o que vocês querem, ABBA cantando Dancing Queen (YouTube) em 1974.

Chegando ao Festival de Veneza com The Power of the Dog, seu primeiro filme em 12 anos, a neozelandesa Jane Campion comemorou as premiações recentes de mulheres cineastas no ainda machista mundo do cinema. Campion atribui parte disso ao movimento #MeToo, que denunciou casos de abuso e assédio sexual que a indústria varria para debaixo do tapete. “É como o muro de Berlim caindo ou o fim do Apartheid para as mulheres”, afirma. (Globo)

Confira os destaques da agenda cultural.

A veterana Helena Ignez atua ao lado da filha, Djin Sganzerla, no elenco de Insônia – Titus Macbeth, espetáculo em temporada online no Teatro Sérgio Cardoso que funde duas tragédias de Shakespeare sob a direção de André Guerreiro Lopes.

Está em cartaz até 15 de setembro a Mostra Afrofuturismo, curadoria de Kênia Freitas para o Centro Cultural São Paulo que destaca filmes como Sun Ra: A Joyful Noise, com o mestre do jazz espacial.

No feriado de 7 de setembro, o Museu do Ipiranga transmite um pocket show de João Bosco em homenagem a Aldir Blanc gravado no Edifício-Monumento, que está em reforma.

Para ver a agenda completa, clique aqui.

Viver


O STF interrompeu novamente ontem o julgamento do marco temporal para demarcação de terras indígenas, defendido pelo governo e pela bancada ruralista. Último a se manifestar na quinta-feira, o procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu que o tempo de ocupação da terra seja decidido caso a caso e que o marco não seja aplicado à disputa que motivou a ação no Supremo. O que parece defesa dos indígenas, porém, é um aceno aos ruralistas. Se o STF não declarar que o marco é inconstitucional, o Congresso pode estabelecê-lo por lei. A discussão será retomada, com o voto do relator Edson Fachin, no dia 8. (Folha)

Enquanto o STF não decide, cerca de mil indígenas permanecem acampados na Praça dos Três Poderes, ao lado da Esplanada dos Ministérios, onde haverá uma manifestação bolsonarista no dia 7. (UOL)

A segunda dose ou dose única da vacina contra a Covid-19 chegou a 64.687.797 pessoas no país, o que corresponde a 30,32% da população. Uma doença passa a ser considerada controlada quando 70% ou mais das pessoas têm a imunização completa. (G1)

E vacinar é muito importante. Um estudo publicado na revista Lancet indica que pessoas com a imunização completa têm 50% menos chances de desenvolver a chamada Covid longa, quando os sintomas se prolongam por meses. (Globo)

Nesta quinta-feira o Brasil registrou 776 mortes por Covid-19, levando o total a 582.004 desde o início da pandemia. A média móvel diária de 628 óbitos em sete dias foi a menor desde 28 de dezembro. (UOL)

O nadador Daniel Dias, que se despede da carreira de atleta paralímpico com 27 medalhas na coleção, será o porta-bandeira do Brasil no encerramento dos Jogos de Tóquio, às 8h de domingo (horário de Brasília). Confira como foi o dia nos jogos e o quadro de medalhas. (UOL)

Três anos após um incêndio devastador, o Museu Nacional lançou uma campanha para reconstruir seu acervo. O objetivo é obter dez mil peças, e a previsão de reabertura da instituição é 7 de setembro de 2022, bicentenário da Independência. (Folha)

Para relaxar um pouco, confira os finalistas do prémio ‘Fotografia de Comédia da Vida Selvagem 2021’. (Globo)

Cotidiano Digital


Então... O mundo vive uma escassez global de chips em diversos setores produtivos que pode perdurar até 2022. Nesta semana, a montadora Stellantis ampliou as paralisações da produção em várias fábricas na Europa, e a Ford, segunda maior montadora de veículos nos Estados Unidos, também cortou duas das três linhas de sua unidade no país. Além das montadoras, as gigantes de tecnologia estão sentindo os efeitos da crise causada pela falta de semicondutores. A Apple já se prepara para a alta demanda do iPhone 13 e o encarecimento do novo produto, depois que a fabricante de chips Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) anunciou um reajuste de preço. E existem vários tipos de chips, desde os mais complexos, usados em computadores, até os semicondutores usados em máquinas de lavar e cafeteiras. Fato é que a conta do desabastecimento vai para a pandemia, mas existem outros culpados para essa crise. Entenda. (VOCÊ S/A)





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3 de setembro de 2021
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