Supremo rasga a fantasia e joga com Lula, diz Pedro Doria

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A reabertura de processos do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, no Supremo Tribunal Federal, pode ajudar a manter o caldo de fervura da política brasileira. Para o editor-chefe do Meio, Pedro Doria, mesmo a 1ª turma do STF tendo rejeitado denúncia de corrupção contra o parlamentar, nesta terça-feira, dia 6, a liberação do caso para julgamento em um momento de estresse entre Lira e o Planalto coloca a Corte como um terceiro ator político. Durante o programa #MesaDoMeio, ele avalia que “o Supremo rasgou a fantasia, porque boa parte da força do presidente Lula nesse momento vem do fato que o Supremo está jogando junto”.

O cientista político Christian Lynch lembra que o STF é uma corte penal de políticos, o que lhe dá um poder maior do que o previsto constitucionalmente. “Os processos ficam lá, e politicamente eles [os ministros] sabem ‘cozinhar’ os processos: param, aceleram, bota na pauta, tira, pedem vista”, explica.

De Brasília, a repórter especial Luciana Lima compara a relação entre Lula e Lira a uma guerra fria, com “uma tensão na qual ambos esperam os próximos movimentos do adversário, mas sem se declarar como inimigos”. Os chefes do Planalto e da Câmara tomaram café no Palácio da Alvorada após a votação da MP que desmantelou os ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas e uma operação da PF que atingiu o presidente da Câmara. A impressão é de que nenhum dos políticos acreditou no que foi dito um ao outro. Enquanto Lula deve manter a estratégia de negociar diretamente com deputados para votações estratégicas para o governo, Lira confidencia a aliados que dará o troco em Lula na Câmara.

Na avaliação de Christian Lynch, o poder de Lira tende a enfraquecer nos próximos seis meses com o STF reabrindo processos em seu nome. Ele aposta que seus aliados devem ficar preocupados com a capacidade de o presidente da Casa dar proteção em outros casos parados na Justiça. “Ele vai deixar de ser presidente da Câmara daqui a um ano, então ele quer ver se entra no governo, porque depois vai ter de enfrentar Renan Calheiros [seu principal rival político] em Alagoas”. Para o cientista político, a estratégia do governo é desidratar o poder de Lira, ora fazendo concessões, ora retirando o que foi dado anteriormente.

Mariliz Pereira Jorge vê com preocupação o fato de o STF ter aberto processos como sinal de que Lira precisa diminuir a sanha de poder. Ela avalia que pode haver um desequilíbrio ainda maior entre os poderes e que o governo tem lideranças que não sabem lidar com o Congresso, incluindo o presidente da República. “O próprio Lula talvez ainda não tenha entendido que o jogo está muito diferente do que era entre seus primeiro e segundo mandatos.”

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