EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas

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O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira que classificará o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, numa decisão que entra em vigor no dia 5 de junho. Em comunicado, o governo americano afirmou que PCC e CV estão entre os grupos criminosos “mais violentos do Brasil” e atribuiu às facções ataques contra policiais, autoridades públicas e civis. Os Estados Unidos também sustentam que as organizações atuam além das fronteiras brasileiras, com presença em outros países da região e conexões em território americano. Leia aqui a íntegra do comunicado. (g1)
A designação acontece poucos dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca, onde ele se encontrou tanto com o presidente americano, Donald Trump, quanto com o secretário de Estado, Marco Rubio. Flávio afirmou ter pedido pessoalmente a Trump e Rubio que o PCC e o CV fossem classificados como organizações terroristas. A decisão ocorre três semanas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter tentado, segundo interlocutores do governo, evitar que os Estados Unidos adotassem esse tipo de medida em relação às facções brasileiras. (Folha)
Flávio Bolsonaro usou as redes sociais para comemorar a classificação. De acordo com o pré-candidato do PL à Presidência da República este foi um “Grande Dia”. (CNN Brasil)
A reação do Planalto veio por meio de Celso Amorim. O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais afirmou que o combate ao crime organizado é necessário, mas ressaltou que segurança pública é um tema de soberania nacional e que qualquer possibilidade de intervenção externa é “inaceitável”. Segundo Amorim, a cooperação internacional é bem-vinda em áreas como combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, mas não pode servir de justificativa para interferência externa. (g1)
Além de reacender o debate sobre soberania nacional, a decisão dos EUA pode prejudicar o combate ao narcotráfico. O cientista político Maurício Santoro avaliou que a classificação do PCC e do CV como terroristas pode ampliar os instrumentos legais para participação das Forças Armadas americanas em ações de combate ao crime organizado na região. Já o promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirma que a mudança de classificação transfere a autoridade da agência antidrogas (DEA) do FBI para a CIA, dificultando ações conjuntas. “Eu, por exemplo, troco informações toda semana com a DEA e com o FBI. Com a transferência para a CIA, isso não vai ocorrer”, afirmou Gakiya, considerado a maior autoridade do país no combate ao PCC. (Globo e Estadão)
Malu Gaspar: “Com a campanha presidencial nas cordas desde a revelação de suas negociações milionárias e nebulosas com Daniel Vorcaro há duas semanas, Flávio Bolsonaro conseguiu uma vitória que poderá servir de armadilha para o presidente Lula durante todo o processo eleitoral. Como o presidente será contra a decisão dos EUA, o pré-candidato do PL vai usar a atitude para repisar o discurso dos bolsonaristas de que o petista ‘defende bandido’”. (Globo)
A União e o governo do Distrito Federal fecharam um acordo que permitirá ao DF buscar empréstimos de até R$ 6,5 bilhões para socorrer o Banco de Brasília, afetado por perdas relacionadas a operações com o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Como o Tesouro Nacional não dará aval federal ao empréstimo de R$ 5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito, o governo distrital terá de oferecer garantias próprias ao sistema financeiro privado. O plano prevê que bancos privados atuem como fiadores do BRB na operação com o FGC. Os recursos seriam usados para recompor o capital da instituição e evitar sua liquidação. (UOL)
Por conta disso, o governo do DF vai congelar reajustes salariais, suspender concursos, limitar contratações e barrar novas despesas obrigatórias como contrapartida ao acordo. Sem garantia da União, o governo distrital ofereceu como contrapartida um pacote de ajuste fiscal que inclui ainda restrições à criação de cargos, benefícios tributários e vantagens salariais. (Estadão)
Daniel Vorcaro, por sua vez, segue tentando fechar uma delação premiada. Uma semana após rejeitar a proposta inicial do banqueiro, a Polícia Federal retomou as negociações com a equipe de defesa de Vorcaro. Segundo relatos de pessoas que acompanham a investigação, o banqueiro teria feito alguns pedidos que deixaram os investigadores perplexos. Ele propôs reassumir o controle do Banco Master, conduzir a venda de ativos da instituição e administrar o pagamento das dívidas remanescentes. (Folha)
E a degustação de uísque promovida por Vorcaro em Nova York para o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), reuniu também lideranças influentes do Centrão. O encontro ocorrido em maio de 2024 no Carnegie Club, tradicional clube de charutos e uísques próximo ao Central Park, contou com a presença dos deputados Hugo Motta (Republicanos-PB), Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (Progressistas-RJ), além do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI). Após as novas revelações, Cláudio Castro desistiu de se candidatar ao Senado. (Globo)
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça a PEC da oposição que cria um regime flexível de contratação baseado em horas trabalhadas. A proposta foi apresentada como contraponto à PEC aprovada pela Câmara dos Deputados que reduz a jornada semanal de trabalho para 40 horas e prevê o fim da escala 6x1. Articulado por parlamentares do Partido Liberal e apoiado por 36 senadores, o texto foi protocolado na madrugada desta quinta-feira e recebeu despacho de Alcolumbre no mesmo dia. A PEC defendida pela oposição prevê um modelo de remuneração por hora trabalhada. (CNN Brasil)
Funcionários do governo dos Estados Unidos disseram nesta madrugada que seu país e o Irã chegaram a uma “proposta de acordo” de paz, mas que o documento ainda precisa da assinatura do presidente Donald Trump. Segundo o vice J.D. Vance, ainda há algumas “questões de linguagem” a serem acertadas. O acordo, segundo fontes, prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e o início de negociações, com prazo de 60 dias, sobre o programa nuclear iraniano. (CNN)
Viver
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirma ser quase certo que até 2030 haverá um ano com temperaturas recordes, com 75% de probabilidade de o aquecimento médio ultrapassar temporariamente o limite de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, estabelecido pelo Acordo de Paris. Já a probabilidade de algum dos próximos cinco anos superar o calor recorde de 2024 é de 86%. A previsão de chegada do El Niño ainda este ano poderá fazer com que o recorde global de calor seja quebrado já em 2027. Estima-se que o aquecimento global provocado pela emissão de combustíveis fósseis já esteja ceifando uma vida a cada minuto. (Guardian)
Uma pesquisa inédita do Instituto Alana com o Instituto Equidade.Info mostra que quatro em cada dez alunas faltam às aulas pelo menos uma vez por mês por conta de sintomas menstruais. Realizado com a participação de 2,5 mil estudantes e 303 docentes dos ensinos médio e fundamental das redes pública e privada do país, o relatório aponta a cólica menstrual como o principal sintoma, relatado por 57,7% das alunas entrevistadas. Cansaço e dor no corpo (30%); dor de cabeça (28%); além de vergonha e medo de vazamento (19%) foram outros pontos citados. Especialistas alertam para a necessidade de políticas integradas com foco no cuidado integral das estudantes. (g1)
Com o objetivo de combater o exercício ilegal da profissão, o Conselho Federal de Medicina (CFM) lançou nesta quinta-feira uma iniciativa para registrar casos de pacientes que sofreram danos causados por atendimentos realizados por não médicos. A plataforma Medicina Segura permitirá que médicos cadastrados registrem as ocorrências para investigação por órgãos como Polícia Civil, Ministério Público e vigilância sanitária, que devem responsabilizar os autores. Segundo o CFM, todos os dias tramitam ao menos dois casos de exercício ilegal da medicina no Poder Judiciário ou nas polícias civis dos estados. (Folha)
Cultura

Celebrando os cem anos de Marilyn Monroe, o Estação Gávea apresenta a mostra Quanto mais Marilyn Melhor, que vai até quarta-feira exibindo 14 longas-metragens da atriz. Outro destaque no fim de semana carioca é o encontro musical do percussionista Sergio Krakowski e o guitarrista Bernardo Ramos com a pianista Erika Ribeiro no Porongo. Em São Paulo, a Feira do Livro começa no sábado na Praça Charles Miller com mais de cem autores na programação. Já a ArPa leva até domingo 60 galerias de arte à Mercado Livre Arena Pacaembu. Leia todas as sugestões no site do Meio.
Um levantamento divulgado pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros, nesta quinta-feira, mostra o crescimento nas vendas de livros pelas editoras. O comércio ao mercado em 2025 teve alta nominal de 7,7% em comparação ao ano anterior, enquanto o volume de exemplares vendidos cresceu 6,5%, ou 3,3%, descontada a inflação. Já o faturamento das editoras foi de R$ 4,5 bilhões. O saldo positivo foi puxado por obras gerais, como ficção, não ficção e literatura infantojuvenil. As editoras brasileiras lançaram cerca de 45 mil títulos e produziram 367 milhões de exemplares no ano passado. (Globo)
O centenário de Bezerra da Silva vai estar recheado de lançamentos no ano que vem. O sambista, que completaria cem anos em fevereiro de 2027, deve ganhar uma série documental, dois livros, um musical no teatro, shows, um disco e um especial de televisão. O projeto terá a produção audiovisual de Celso Athayde, fundador da CUFA, e Rafael Dragaud, roteirista que trabalhou na direção da turnê Tempo Rei, de Gilberto Gil. Segundo os organizadores, as músicas de Bezerra vão ganhar uma nova versão nas vozes de Seu Jorge, Zeca Pagodinho, Orochi, Jorge Aragão e Marcelo D2. Também será publicada uma biografia do cantor, com memórias, histórias e bastidores de sua carreira. (Folha)
Cotidiano Digital
A Meta lançou planos de assinatura para o Instagram, Facebook e o WhatsApp, em uma tentativa de reduzir a dependência de receitas vindas da publicidade. Hoje, os ganhos fora dos anúncios ainda representam uma parcela pequena do negócio da empresa. Os pacotes custam entre US$ 2,99 e US$ 3,99 por mês e incluem recursos extras, como personalização, estatísticas avançadas e ferramentas exclusivas para Stories. Além disso, a companhia começou a testar planos voltados para inteligência artificial, com mensalidades de até US$ 19,99, incluindo versões premium para criadores de conteúdo e empresas. (Quartz)
A Anthropic lançou o Claude Opus 4.8, uma atualização voltada para programação, raciocínio e tarefas intelectuais mais complexas. O modelo ganhou um modo rápido que, segundo a empresa, consegue operar até 2,5 vezes mais depressa e com custo menor do que as versões anteriores. A atualização também traz ferramentas para executar vários agentes de IA ao mesmo tempo e controles para que o usuário escolha quanto “esforço” o sistema deve dedicar a cada resposta. Apesar disso, o Opus 4.8 ainda é inferior ao Mythos, modelo mais avançado da Anthropic, que segue restrito a parceiros. (Axios)
A União Europeia multou a Temu em € 200 milhões por considerar que a varejista chinesa não fez o suficiente para impedir a venda de produtos ilegais na plataforma. Segundo os reguladores, a empresa falhou em avaliar riscos para consumidores e em limitar mecanismos que ampliam a circulação desses produtos, como sistemas de recomendação e promoções com influenciadores. Entre os produtos vendidos de forma irregular, estavam brinquedos para bebês e carregadores sem segurança. Em resposta, a Temu afirmou que a punição é desproporcional e disse que já reforçou suas políticas de segurança. (Reuters)
Meio em vídeo. No Pedro+Cora, os jornalistas Pedro Doria e Cora Rónai comentam sobre a encíclica divulgada pelo Papa Leão XIV em que ele pede a regulamentação da inteligência artificial. No papo, falam sobre as manifestações e preocupações do Pontífice sobre a tecnologia, armas e a interessante movimentação de grandes figuras religiosas dentro da era digital. Confira. (YouTube)

Em 1954, uma jovem baiana chamada Marta Rocha entrou num palco em Long Beach, na Califórnia, como favorita ao título de Miss Universo. Perdeu. Por duas polegadas de quadril os jurados acharam que o corpo da americana “venderia mais”. A notícia correu o mundo e, no Brasil, doeu fundo. Doeu porque não foi uma moça que perdeu: foi um país inteiro que se sentiu rejeitado na imagem que tinha de si mesmo. Existe uma palavra grega para isso: thymos, o desejo de ser visto, de ser reconhecido como alguém que tem valor. E é por aí, por uma derrota num concurso de beleza, que eu começo a contar uma história que parece ser sobre outra coisa: a dos partidos políticos brasileiros. De onde vieram, quem representam, e por que hoje tanta gente não se sente representada por nenhum. A resposta está no episódio 2 de Ponto de Partida, A Série — Nós, Brasileiros. Segunda-feira, 1º de junho, no streaming do Meio. Exclusivo para assinantes Premium. Assine e assista.
