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12 de agosto de 2020
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Equipe econômica em debandada


O secretário especial de Desestatização, Salim Mattar, e o de Desburocratização, Paulo Uebel, pediram demissão ontem, no final do dia. São a sétima e oitava baixas da equipe econômica que assumiu o governo junto ao ministro Paulo Guedes. “Ele me diz que é muito difícil privatizar”, explicou Guedes, a respeito de Mattar. “Ele reclama que a reforma administrativa parou, disse sobre Uebel. “Se me perguntarem se houve uma debandada hoje, houve”, continuou. “Quem dá o timming é a política, quem tem voto é a política. Se o presidente da Câmara quiser pautar algo, é pautado. Se o presidente da República quiser mandar uma reforma, é mandado. Se não quiser, não é mandado. Quem manda não é o ministro e nem os secretários. E os secretários, enquanto o negócio não anda, podem desistir ou insistir. A nossa reação à debandada que aconteceu hoje é acelerar as reformas. É mostrar que, olha, nós vamos privatizar. Nós vamos insistir nesse caminho. Pelo menos, nós vamos lutar.” Ao assumir o cargo, Paulo Guedes falava em vender estatais à soma de R$ 1 trilhão. Em 2019. Desde então, nenhuma estatal foi vendida e uma foi criada. (Poder 360)

Enquanto geria a debandada, Guedes se reunia, também, com os presidentes de Câmara e Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre. Com eles, defendeu a manutenção do teto de gastos. “Os conselheiros do presidente que estão aconselhando a pular a cerca e furar teto vão levar o presidente para uma zona sombria, uma zona de impeachment, de irresponsabilidade fiscal. O presidente sabe disso, o presidente tem nos apoiado.” (G1)

Conheça: Os oito nomes que já debandaram da equipe econômica, incluindo Joaquim Levy, Mansueto Almeida e Marcos Cintra. (Globo)

Fábio Zanini: “Mattar cuidava da redução do Leviatã, como gosta de definir o próprio Guedes, e Uebel tratava de livrar o empreendedor brasileiro das amarras oficiais. Não é à toa que a reação imediata à saída dos secretários foi de decretar a morte do casamento conservador-liberal que elegeu Jair Bolsonaro. Em fevereiro de 2018, quando era apenas ‘o economista de Bolsonaro’ e a vitória do capitão ainda era vista com extremo descrédito, Guedes deu uma de suas primeiras entrevistas de fôlego. Prometeu um governo menor, dizendo que o país era ‘paraíso dos rentistas e inferno dos empreendedores’. Fez também pregação de fé sobre um amplo programa de privatizações, que tocaria até em vacas sagradas. ‘Se privatizar tudo, você zera a dívida, tem muito recurso para saúde e educação. Ah, mas eu não quero privatizar tudo. Privatiza metade, então. Já baixa metade da dívida’, disse. Questionado se havia clima político para isso, devolveu a pergunta. ‘É o contrário: tem clima para não privatizar? Você vê clima para continuar com as estatais? Por que não pode vender o Correio? Por que não pode vender a Petrobras?’ Dois anos e meio, os atrasos na trinca privatização-desoneração-desregulamentação emparedaram Guedes. O Leviatã está sendo osso duro do roer.” (Folha)

Vera Magalhães: “Minha mãe era a rainha dos adágios. Um dos que ela achava mais divertidos (e politicamente incorretíssimo) era, se referindo a qualquer pessoa de que não gostasse: ‘Fulano para idiota só faltam as penas.’ Ao incauto que objetasse que idiota não tem penas, ela completava, triunfante: ‘Então não falta nada.’ Para o governo Jair Bolsonaro descambar para o nacional-desenvolvimentismo, só faltam as penas. Neste caso, as penas são a saída de Paulo Guedes. O ministro da Economia vem resistindo. Haja Karl Popper para justificar, talvez para si próprio, como continuar acreditando que um governo que colocou as reformas em banho-maria para comprar um plano do governo Médici recauchutado, ainda pode ser chamado de liberal. Na verdade, há algum tempo já, os bolsonaristas raiz passaram a incluir os liberais no mesmo saco de pancadas em que colocam comunistas, isentões e outros inimigos imaginários. Os próprios filhos do presidente entoam a cantilena de que os liberais querem destruir Bolsonaro.” (Estadão)

O ministro da Justiça, André Mendonça, se recusou a enviar o dossiê que coletava informações sobre servidores públicos por serem antifascistas ao Supremo. Perante a pressão do Congresso, não resistiu. Uma cópia foi enviada para a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência. (BR Político)

Meio em vídeo: Professor de Literatura da Uerj, João Cezar de Castro Rocha leu, assistiu e ouviu o principal da produção do bolsonarismo para compreender a visão muito particular que o governo tem da história recente do Brasil. É a partir dela que lê o país e o mundo, assim como escolhe atuar. Nossa entrevista da semana. Assista.


A senadora Kamala Harris, da Califórnia, completará a chapa do democrata Joe Biden como candidata à vice-presidência americana. Filha de um pai jamaicano e de uma mãe indiana, ela é a primeira mulher negra a estar numa chapa presidencial de um dos dois grandes partidos e, aos 55, já tem uma extensa carreira política. Foi procuradora-geral da Califórnia e, no Senado, tem assento em duas das principais comissões — a de Justiça e a de Inteligência. Por sua política mais rígida com o crime, o que teria levado a um aumento desproporcional da prisão de jovens pobres na Califórnia, é criticada pela esquerda. Mas seu perfil atrai eleitores mais ao centro, que é o objetivo de Biden. O candidato à presidência democrata tem 77 anos — a idade que Ronald Reagan tinha ao deixar a Casa Branca. E ele foi o presidente mais velho no cargo. No caso de sua eleição, portanto, Harris deve ser a candidata do partido já em 2024. (Vox)

Alexander Burns e Katie Glueck: “A escolha reflete um reconhecimento empático da diversidade da coalizão do Partido Democrata e o papel fundamental que mulheres negras, particularmente, têm na legenda. Sem seu apoio, Biden dificilmente teria sido nomeado candidato. Ao escolher uma mulher negra, ele mostra reconhecer esta imensa dívida política. Quando os democratas finalmente aprovarem Harris como vice, em um mês, eles provavelmente estarão também a indicando como líder do partido na corrida presidencial e 2024.” (New York Times)

Viver


O Brasil confirmou 1.242 mortes por Covid-19 em um dia; foram 56.081 novos casos em 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 1.000 óbitos, uma variação de -4% em relação aos dados registrados em 14 dias. O país já registrou 103.099 mortes e contabiliza 3.112.393 infectados pelo novo coronavírus desde o começo da pandemia.

A Espanha registrou 1.418 casos nas últimas 24 horas segundo os dados oficiais. Considerando apenas a última semana, a Espanha é o país onde o número de casos confirmados per capita mais cresceu em toda a Europa.

E depois de 102 dias sem casos, a Nova Zelândia registrou quatro infectados. Todos na mesma família, que reside em Auckland, a maior cidade do país. A primeira ministra, Jacinda Ardern, explicou que a fonte da transmissão do vírus é desconhecida, e que os novos doentes não tem nem histórico de viagem e nem estiveram em contato direto com outro infectado.

Os EUA contabilizam 5.141.208 infectados e 164.537 mortes. Na cidade de Nova York, e em muitos outros lugares que reabriram, as refeições em ambientes fechados, que se mostraram muito mais perigosas do que ao ar livre, continuam proibidas.

Sem finalizar os testes, o presidente russo Vladimir Putin anunciou ontem a aprovação de uma vacina para o novo coronavírus, alegando que é a "primeira do mundo". Questões sobre sua segurança e efetividade seguem sem respostas.

Por que tantas suspeitas? A Rússia não publicou nenhum estudo ou dado científico sobre os testes que realizou, e também não se conhecem os detalhes sobre as fases do processo que geralmente devem ser cumpridas antes de se aprovar e lançar no mercado uma vacina.

Por aqui, o Ministério da Saúde adotou tom de cautela. Considera que ainda não há provas de segurança e eficácia da vacina que justifiquem abrir negociações para a compra do produto com recursos do governo federal.

Batizada de Sputnik V, em homenagem ao primeiro satélite artificial a orbitar em volta da Terra, a vacina despertou o interesse do governador do Paraná, que deve assinar acordo hoje com o país. A Anvisa informou que não recebeu nenhum pedido para analisar essa vacina pelo laboratório russo responsável.

Pois é... sem os resultados de ensaios clínicos das fases 1, 2 e 3, a OMS não recomendará a vacina russa, afirmou Jarbas Barbosa da Silva Jr., diretor-assistente da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).

No futebol, a CBF viu o coronavírus se tornar o centro das atenções nas Séries A, B e C do país. Depois de apenas quatro dias do início das competições, já são 40 casos de atletas contaminados.

Em Manaus, primeira capital a reabrir as escolas, uma professora testou positivo para o novo coronavírus no primeira dia do retorno das aulas presenciais. A Secretaria de Estado de Educação e Desporto informou que os estudantes e servidores da unidade foram liberados para nova desinfecção no local.

Economia


Os pequenos investidores vão ganhar acesso mais fácil a aplicações no exterior. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vai permitir, a partir de setembro, que investidores de varejo comprem ativos listados no exterior, como ações, fundos de índice e títulos de dívida, sem sair da B3, por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts). A regra, até então, só permitia investidores classificados como “qualificados”, aqueles com mais de R$ 1 milhão investidos. O movimento também aproxima a possibilidade de dupla listagem — abertura de capital no Brasil e no exterior — para as companhias brasileiras. (Folha)

Mas vai demorar um pouco para a medida efetivamente entrar em vigor. A B3 vai ter que realizar uma série de questões operacionais com corretoras, que devem ficar prontas entre setembro e outubro. (Estadão)

Para especialistas, a mudança vai trazer mais oportunidade de investimento para o mercado brasileiro e vem em meio ao aumento de 62% no número de pessoas físicas na Bolsa, chegando a 2,8 milhões. (Valor Investe)

Aliás… Essa popularização de pequenos investidores, aliado à juros baixos, tem levantado a discussão, tanto por aqui como nos EUA, de que papéis que entram na moda nas redes sociais estão criando bolhas no mercado. O movimento acontece principalmente com empresas ligadas à tecnologia, que não devem entregar resultados num horizonte de tempo visível por analistas e gestores. (Valor)

A primeira etapa da reforma tributária do governo prevê cortar R$ 28,2 bilhões (34%) dos benefícios fiscais de PIS e Cofins concedidos a vários setores da economia. Segundo o governo, o fim dessa parcela foi considerado no cálculo ao fixar em 12% a alíquota do novo tributo, o CBS, sem perder arrecadação. O valor, no entanto, está sendo questionado por especialistas, por aumentar a carga tributária. Diante das críticas, Guedes disse que pode rever a alíquota. Enquanto os outros subsídios para o Imposto de Renda, como rendimentos isentos e deduções, além do IRPJ e do IPI, serão discutidos nas próximas etapas da reforma. (G1)

Então… Pedro Fernando Nery destaca que as isenções fiscais atuais, em particular dos lucros e dividendos, está descolada da realidade do país, e beneficia uma elite de acordo com sua ocupação e região. Dentre os 50 municípios em que os contribuintes menos se beneficiam das isenções do IR, quase todos estão no Norte e Nordeste. Enquanto os que mais se beneficiam estão no Rio Grande do Sul e São Paulo. (Estadão)

E enquanto o governo planeja a reforma tributária, a administrativa, que mexe com os servidores, vai ficar para 2021 — depois das eleições no Congresso. (Globo)

Na temporada de balanços… Com despesas operacionais mais elevadas, o lucro ajustado do BTG recuou 4,1% no 2º trimestre, para R$ 987 milhões. Sem o ajuste, o lucro contábil foi de R$ 977 milhões, alta de 0,6%.

O lucro do Softbank subiu 12% no 1º trimestre fiscal, para US$ 11,9 bilhões. O resultado superou a estimativa e foi impulsionado pela venda do controle da Sprint, que ajudou o grupo a se recuperar do que seria o pior ano de sua história.

A XP teve lucro de R$ 540 milhões, no segundo trimestre. Uma alta de 137%, em relação ao mesmo período do ano passado e foi impulsionado pela migração de investidores para a Bolsa.

Enquanto isso... A Stone anunciou a compra da Linx por R$ 6,04 bilhões.

Acompanhando o cenário externo, o Ibovespa fechou em -1,23%. Pesou a falta de decisão nos EUA sobre os pacotes econômicos. Assim, o S&P 500 ficou em -0,80% e o Dow Jones em -0,38%. Enquanto o dólar caiu para R$ 5,41 com a ata do Copom que sinaliza pouquíssimo espaço para um novo corte na Selic.

Na Ásia, com exceção de Shangai que fechou em -0,63%, as Bolsas ficaram no azul. Tóquio ficou em +0,41%, Hong Kong em +1,42% e Coreia do Sul em +0,57%. Na Europa, os índices abriram sem uma direção, com o mercado do Reino Unido apresentando desempenho superior apesar do país registrar a pior contração de todas as grandes economias, de 20,4%. Pela manhã, o DAX alemão estava em -0,09%, o FTSE 100 inglês em +0,87% e o CAC 40 francês em +0,29%.

Cultura


O mercado editorial pode ser afetado pela proposta de reforma tributária do governo federal que prevê o fim da isenção de contribuição para livros. Na proposta, a isenção de contribuição deixa de existir, sujeitando as vendas de livros no Brasil à alíquota prevista de 12%. Consequentemente, o valor das obras para o consumidor final se tornaria mais alto. Entenda.

A Câmara Brasileira do Livro, o Sindicato Nacional dos Editores de Livro e a Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares publicaram um "manifesto em defesa do livro", em que se posicionam contrárias à mudança. Para as instituições, essa cobrança aumentaria a desigualdade do acesso ao conhecimento e à cultura.

Uma campanha em defesa dos livros no Brasil movimentou ontem as redes sociais.

Enquanto isso... a Amazon deixa a pandemia com 40% do mercado de venda de livros, no Brasil. No começo do ano, vendia 30%, informa a coluna Capital. É a líder isolada. (Globo)

Pabllo Vittar, cantora, em entrevista à Sonia Racy: “Como eu vou subir num palco pra drive-in? Primeiramente, para isso a pessoa tem que ter carro. Quem tem carro no Brasil? Não tem como eu subir num palco sabendo que tem um monte de gente que não está nem podendo trabalhar. Essa não é a energia que quero pra mim”. (Estadão)

Cotidiano Digital


O Google está criando um sistema mundial de alerta de terremotos pelo Android. Será implementado em etapas. A Califórnia será a primeira a testar o sistema, que será inicialmente alimentado por agências estatais de tremores. Eventualmente, os avisos serão feitos pelos próprios celulares: caso o usuário opte por participar, o Google usará o acelerômetro do smartphone para detectar o movimento, criando uma rede de dispositivos pelo mundo. A ideia é que, quando o usuário sentir um terremoto, pesquise no Google para ver se foi isso que sentiu ou não.

Novidade do Uber. O app lançou um serviço de assinatura, por R$ 25 mensais, que inclui descontos em viagens e na entrega de comida. O objetivo é reunir funcionalidades de vários de seus aplicativos em um único serviço.

Por falar no Uber… A Justiça da Califórnia definiu que o Uber e o Lyft devem contratar motoristas como funcionários. As empresas têm dez dias para apelar.

O Xbox Series X chega em novembro. O lançamento está definido como "mundial", mas ainda não há a confirmação sobre quando o console chegará ao Brasil. Enquanto isso, a Microsoft disse que cerca de 100 jogos serão otimizados para o novo Xbox e disponibilizados antes do final do ano.



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12 de agosto de 2020
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