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18 de setembro de 2020
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Prezadas leitoras, caros leitores —

O debate sobre o retorno às aulas está nas ruas. E não é um debate trivial. Na quarta-feira, o Centro para Controle de Doenças americano, CDC na sigla em inglês, tornou público seu guia para orientar as escolas do país. Estabelece três níveis de possibilidade de contágio pelo novo coronavírus — risco médio, alto ou altíssimo — e afirma que 90% dos distritos escolares nos EUA estão, ainda, nas duas categorias de muito risco.

O problema, evidententemente, é que na volta das crianças às aulas elas serão expostas e levarão para suas casas a doença. O problema é que pode voltar a explodir. Em São Paulo capital, o prefeito Bruno Covas quer o retorno das atividades extra-curriculares das escolas no próximo dia 7.

Mas há outro lado por observar: muitas famílias precisam enviar seus filhos para as escolas. É onde se alimentam melhor. É onde estão seguros enquanto os pais trabalham. É onde aprendem, principalmente nos muitos casos em que não há em casa os equipamentos que permitem o ensino remoto.

Na edição deste sábado, o Meio mergulhará neste dilema. O que dizem os estudos, como está o debate. Faça uma assinatura premium do Meio. São dez reais que mantém nossa máquina rodando durante a pandemia.

— Os editores.


Bolsonaro: Brasil ‘de parabéns’ na preservação ambiental


O fogo já toma quase metade das áreas indígenas regularizadas na região do Pantanal, revelou um levantamento inédito da Agência Pública. A apuração, que analisou todos os focos de incêndio registrados em 2020, revelou que o número começou a aumentar no final de julho, mas explodiu em agosto e setembro – 72% dos focos do ano ocorreram apenas nesses meses. Os dados de satélite revelam também que, em alguns dos locais que mais sofreram com as queimadas, os focos de incêndio surgiram e se multiplicaram primeiro em propriedades privadas. Além disso, parte do fogo teve início em áreas de reserva legal e de mata nativa de donos de terra, que são protegidas por lei e devem ser preservadas.

Em meio ao aumento recorde nas queimadas no Pantanal, o presidente Jair Bolsonaro disse ontem que o “Brasil está de parabéns” pela forma como preserva o seu meio ambiente. A declaração foi dada durante a inauguração de uma usina fotovoltaica no interior da Paraíba.

Pois é... a fumaça das queimadas que atingem o Pantanal chegou ao Sudeste e à cidade de São Paulo. A expectativa é em relação à possibilidade de “chuva negra” até o próximo domingo em todo o município, a exemplo do que ocorreu em agosto do ano passado com o material particulado que veio da Amazônia.

O Brasil registrou 857 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 135.031 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 779 óbitos, uma variação de -9% em relação aos dados registrados em 14 dias. Em casos confirmados, já são 4.457.443 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 35.757 desses confirmados no último dia. A média móvel de casos foi de 31.097 por dia, uma variação de -22% em relação aos casos registrados em 14 dias.

O mundo ultrapassou a marca de 30 milhões de casos confirmados do novo coronavírus, apontou o monitoramento da Universidade Johns Hopkins. O número de mortos pela Covid-19 desde o início da pandemia em todo o planeta passa de 943 mil. Os Estados Unidos continuam sendo o país com o maior número absoluto de casos. Em seguida, vem a Índia. O Brasil aparece em terceiro lugar.

Atila Iamarino: “Até quando e até onde vai, não sabemos. O atraso de registros e a falta de testes deixam o cenário tão opaco quando o céu de Cuiabá com a fumaça do Pantanal. Com certeza tem muito esforço por trás dessa queda, trabalho de profissionais de saúde, prefeitos, governadores e quem mais tenta fazer sua parte. Mas nossa situação é tão descoordenada que não reconhecemos uma causa universal. Em países europeus, puderam medir o efeito de cada decisão na redução de casos: fechamento de escolas, de comércio, proibição de aglomerações e afins, já que foram medidas federais acompanhadas de testes. Aqui, a explicação mais próxima da realidade que ouvi foi a fala de Mandetta ainda em março, dizendo que a Covid-19 seria sazonal e veríamos uma redução de casos parecida com a da gripe, entre o final de agosto e começo de setembro.” (Folha)

Hans Kluge, diretor da Organização Mundial da Saúde na Europa. “Estamos diante de uma situação muito grave. Os novos casos semanais na Europa já superam os registrados durante o primeiro pico da pandemia. Na semana passada foram contabilizados mais de 300.000 infectados”.

Pantanal: página queimada da nossa história

Tony de Marco

 
Queimadas

Política


Em depoimento prestado à Polícia Federal, o vereador carioca Carlos Bolsonaro negou o uso de robôs para impulsionar temas de interesse do governo nas redes sociais. “Jamais fui covarde ou canalha ao ponto de utilizar robôs e omitir essa informação”, disse o filho Zero Dois. Carlos também negou que tenha papel na elaboração da comunicação do pai. Segundo ele próprio, o vereador apenas ajuda reproduzindo o conteúdo que a equipe do presidente entrega. (Poder 360)

Então... A PF está investigando se o governo federal financiou pessoas e páginas na internet dedicados à propagação de atos antidemocráticos. O relatório parcial apura que há, sim, relação entre o Planalto e os movimentos. Os indícios chegaram por meio da CPMI das Fake News, realizada pelo Congresso. (Globo)

Meio em vídeo: Não há muito, questionar a democracia liberal era tabu nas redes sociais. Nos últimos anos, a direita começou a fazê-lo. Agora começa a aparecer na esquerda. A descrença se espalha no debate público e este não é um bom caminho. Assista.

Caso as eleições presidenciais fossem hoje, o presidente Jair Bolsonaro teria 35% dos votos, no primeiro turno, seguido do ex-presidente Lula, com 21%. O ex-ministro Sergio Moro chegaria em terceiro, com 11%. A pesquisa foi realizada pelo PoderData. O também ex-ministro Luiz Henrique Mandetta teria 5%, o governador paulista João Doria, 4%. Flávio Dino e Ciro Gomes teriam 3% cada um. (Poder 360)

Num eventual segundo turno, Bolsonaro e Lula empatariam em 41% cada um. Contra Moro, o empate seria técnico — 40% para o presidente, 37% de Moro. Bolsonaro venceria de Fernando Haddad, 45 a 38%, Ciro Gomes — 48 a 33% — e João Doria — 45 a 32%. (Poder 360)

Bem... Há um debate interno no PT sobre a possibilidade de repetir o modelo empregado por Cristina Kirchner, na Argentina. Uma chapa puro-sangue com Haddad candidato e Lula de vice, informa o Painel. (Veja)

Com o fim das convenções municipais, já estão definidos os candidatos à Prefeitura em todo o país. No dia 27 próximo terá início a propaganda eleitoral e, em 15 de novembro, ocorrerá o primeiro turno. O segundo será no dia 29. Veja quem disputa em algumas capitais. (G1)

São Paulo: Andrea Matarazzo (PSD), Antonio Carlos (PCO), Arthur do Val (Patriota), Bruno Covas (PSDB), Celso Russomanno (Republicanos), Filipe Sabará (Novo), Guilherme Boulos (PSOL), Jilmar Tatto (PT), Joice Hasselmann (PSL), Levy Fidelix (PRTB), Márcio França (PSB), Marina Helou (Rede), Orlando Silva (PCdoB), Vera Lúcia (PSTU). Leia os perfis. (G1)

Rio de Janeiro: Benedita da Silva (PT), Clarissa Garotinho (Pros), Cyro Garcia (PSTU), Eduardo Bandeira de Mello (Rede), Eduardo Paes (Democratas), Fred Luz (Partido Novo), Glória Heloiza (PSC), Luiz Lima (PSL), Marcelo Crivella (Republicanos), Martha Rocha (PDT), Paulo Messina (MDB), Renata Souza (Psol), Suêd Haidar (PMB). Leia os perfis. (G1)

Porto Alegre: Fernanda Melchionna (PSOL), Gustavo Paim (PP), João Derly (Republicanos), José Fortunati (PTB), Juliana Brizola (PDT), Julio Flores (PSTU), Luiz Delvair Martins Barros (PCO), Manuela D'Ávila (PCdoB), Montserrat Martins (PV), Nelson Marchezan Júnior (PSDB), Rodrigo Maroni (PROS), Sebastião Melo (MDB), Valter Nagelstein (PSD). Leia os perfis. (G1)

Salvador: Bacelar (Podemos), Bruno Reis (DEM), Celso Cotrim (PROS), Cezar Leite (PRTB), Hilton Coelho (PSOL), Major Denice Santiago (PT), Olívia Santana (PC do B), Pastor Sargento Isidório (Avante), Rodrigo Pereira (PCO). Leia os perfis. (G1)

Economia


O governo vai turbinar o Plano Pró-Brasil com cortes nos orçamentos de outros ministérios, que lançaram uma verdadeira ofensiva para tentar proteger seus recursos. Um dos mais prejudicados, o da Educação deve perder R$ 1,5 bilhão. O da Cidadania vai perder 80% do seu crédito. Até o da Defesa, que tem normalmente apoio do governo, terá R$ 430 milhões a menos. Os valores serão repassados para o Ministério do Desenvolvimento Regional e o da Infraestrutura, que receberão R$ 1,6 bilhão cada. Já o Congresso ficará com R$ 3,3 bilhões, recursos que em parte também serão usados para financiar investimentos dessas duas pastas, mas seguindo a orientação dos parlamentares. (Estadão)

Enquanto a ajuda do governo aos Estados teve distribuição desigual e sem relação com a pandemia. A maioria das capitais recebeu transferências federais maiores que as perdas na arrecadação no semestre. As exceções foram Florianópolis, Rio de Janeiro e João Pessoa. Enquanto oito estados não conseguiram compensação pelas perdas: São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Ceará. (Folha)

Pois é… A gestão pública de 12 Estados e o Distrito Federal ficou mais ineficiente, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados. O DF, por exemplo, de líder no ano passado, caiu para 14º. Enquanto Santa Catarina saltou seis lugares e foi para a primeira colocação. (Estadão)

As commodities agrícolas devem continuar pressionando os preços até o final do ano. Segundo a FGV, mesmo que a cotação de alguns produtos em dólar diminua, ainda é possível que a desvalorização do real impeça um alívio acentuado nos preços agrícolas. (Estadão)

Pois é… O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), composto pela aferição de preços no atacado, varejo e construção civil, subiu 4,34% em setembro. Enquanto impulsionado pela elevação de preços do minério, soja e milho, a inflação no atacado, medida pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), subiu 5,99% em setembro, ante uma elevação de 3,38% em agosto. Ambos os índices tiveram as maiores taxas desde 2002. (Valor)

As altas nos preços para os consumidores já têm feito moradores da periferia trocarem alimentos ou até sofrerem com falta de comida. (Folha)

A privatização dos Correios já tem interessados. Segundo o ministro das Comunicações Fábio Faria, Amazon, Magazine Luiza, DHL e a FedEx estão entre as cinco empresas de olho na venda da estatal, que deve ocorrer no ano que vem. (UOL)

O Ibovespa não acompanhou o cenário externo e fechou em +0,42%, retomando os 100 mil pontos. Influenciou a decisão do Copom que deixou fresta aberta para um eventual novo corte no juro. Assim, o dólar caiu para R$ 5,23. Enquanto nos EUA, o S&P 500 ficou em -0,84% e o Dow Jones em -0,47%. Pesaram as sinalizações de incerteza sobre o futuro feitas pelo Fed e o pacote de estímulos que segue travado no Congresso.

Na Ásia, os índices ficaram no azul, mas ainda pressionados pela preocupação com a recuperação econômica. O Nikkei japonês fechou em +0,18%, o Shanghai chinês em +2,07%, o Hang Seng de Hong Kong em +0,47% e o Kospi coreano em +0,26%. Os índices europeus são influenciados pelos mesmos motivos. Pela manhã, o DAX alemão estava em +0,31%, o FTSE 100 inglês em +0,09% e o CAC 40 francês em -0,08%.

Cotidiano Digital


O Google assumiu um dos compromissos ambientais mais ambiciosos entre as big techs: suas operações serão exclusivamente movidas com energia renovável até 2030. “Isso significará que cada e-mail que você enviar pelo Gmail, cada pergunta que você fizer no Pesquisa Google, cada vídeo do YouTube que você assistir e cada rota que você fizer usando o Google Maps será fornecido por energia limpa a cada hora de cada dia”, escreveu o CEO Sundar Pichai no blog da empresa. O Google também anunciou que já comprou compensações de carbono suficientes para zerar toda emissão que gerou desde que foi fundada em 1998. A nova agenda sustentável veio da pressão interna de funcionários.

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entra em vigor hoje após sanção de Bolsonaro. O texto, no entanto, não menciona a criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Dezenas de pontos da lei, como a aplicação das multas, dependem de regulamentação da autoridade, responsável por guiar e supervisionar a aplicação da norma nas empresas públicas e privadas.

Cultura


Os 39 melhores filmes de todos os tempos, segundo Martin Scorsese, inclui alguns clássicos como Metrópolis (1927) e Ladrões de Bicicletas (1948). Antonioni aparece com destaque. Herzog também. O cineasta deixa de fora grandes nomes como Federico Fellini e Ingmar Bergman, mas fez referência a filmes japoneses do pós-guerra. A lista completa.

Fim de semana e temos... Drik Barbosa, hoje, às 19h, abrindo o Festival Favela Em Casa SP, que acontece até domingo, dia 20. Pensado para a web e protagonizado por artistas e produtores periféricos, o festival destaca a diversidade das diferentes identidades e a democratização dos espaços de produção, abrangendo música, literatura, dança e teatro. São mais de 35 artistas e 12 horas de programação online, transmitida pelo canal do YouTube e pela página do Facebook do festival. O show de abertura também terá transmissão pelo Instagram Sesc Ao Vivo.

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo apresenta mais um concerto da Temporada OSESP hoje, às 19h. No programa, Sinfonia Concertante em Mi bemol maior, KV 364, de Mozart, e Sinfonia nº 93 em Ré Maior, de Haydn, com transmissão pelo YouTube, Facebook e Instagram. Com mais de 70 mulheres da indústria e artistas como Céu, Daniela Mercury, Xênia França e As Baias, o WME Conference RMX acontece nos dias 18, 19 e 20 de setembro. Segue até domingo, dia 20, o Festival In-Edit Brasil, com uma programação de longas e curtas documentais sobre música.  Já o Itaú Cultural realiza uma série de painés às terças para refletir sobre a 5ª edição da Retratos da Leitura no Brasil, disponível para download.

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18 de setembro de 2020
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