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3 de abril de 2020
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Mais de um milhão têm novo coronavírus


O mapa da Universidade Johns Hopkins, uma das mais respeitadas instituições de saúde do mundo, mostrou que 1.002.159 pessoas já foram infectadas pelo novo coronavírus. Passou de um milhão. As vítimas estão divididas em 181 países ou regiões, segundo atualização feita às 16h de ontem. Ainda segundo o levantamento, o número de mortes pela Covid-19 ultrapassou a marca de 50 mil. A nota positiva é que mais de 200 mil pessoas já estão curadas. O número da universidade é maior do que os aferidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que confirma até o momento 896 mil casos confirmados em 205 países. (CNN)

O número de mortos por dia de covid-19 já é maior do que a média diária de mortos de tuberculose, a doença infecciosa mais letal do mundo. (BBC)

No Brasil, o balanço mais recente do Ministério da Saúde apontou 299 mortes; eram 241 na quarta, e 7.910 casos confirmados, eram 6.836 24h antes. A letalidade é de 3,8%. O novo balanço mantém o estado de São Paulo no topo da lista dos mais afetados pelo novo coronavírus: 3.506 casos confirmados e 188 mortes. (G1)

Pois é... um juiz federal de Brasília determinou ontem à União, em caráter liminar, que exclua as atividades religiosas do rol de serviços considerados "essenciais" durante a pandemia. (BBC)

Nos EUA, um novo recorde de mortes em um dia: 1169 nas últimas 24h. A contagem reflete cifras reportadas pela universidade Johns Hopkins, entre as 20h30 de quarta-feira (21h30 de Brasília) e o mesmo horário de ontem, elevando a 5.926 os mortos pelo novo coronavírus desde o início da pandemia.(G1)

E um novo recorde na Espanha. Foram 932 mortes nas últimas 24h levando o país a 10.935 vítimas da covid-19. Os espanhóis representam 19,6% das vítimas fatais — cerca de uma em cada cinco mortes. Já a Itália registrou 760 mortes e 4.668 novos casos em 24 horas. O país já tem mais de 13 mil mortes por coronavírus e 115 mil infecções confirmadas e deve prorrogar confinamento até dia 2 de maio.

No Japão, o número de novos casos em um único dia bateu recorde, mas país ainda tem menos da metade de mortes por covid-19 registradas na cidade de São Paulo. Até o momento, não há uma explicação científica para a resiliência nipônica ao coronavírus. A obsessão nipônica com a higiene, segundo analistas, pode estar fazendo a diferença neste momento. Não se vê lixo amontoado nas ruas e os banheiros públicos, em geral, se mantêm limpos. E os japoneses cultivam um hábito milenar que ajuda a manter a sujeira longe do ambiente doméstico: tiram os sapatos quando entram em casa. (Exame)

No Peru, começa hoje o rodízio entre homens e mulheres nas ruas. Na segunda, quarta e sexta-feira, os homens sairão para comprar comida, remédios e ir aos bancos; na terça, quinta e sábado, as mulheres. Ninguém sai aos domingos. A restrição irá até 12 de abril. (Uol)

No Equador, o sistema de saúde e funerário entrou em colapso. O país teve, nos últimos dias, dificuldades para coletar os cadáveres das vítimas, e algumas famílias relataram que ficaram com o corpo dos parentes em casa por vários dias. Moradores de Guayaquil, a maior cidade do Equador, dizem que, por causa de rigorosas medidas de quarentena destinadas a impedir a propagação da doença, incluindo um toque de recolher, não têm como enterrar seus parentes de forma prática e digna. (CNN)

As imagens dos corpos deixados na rua são fortes. É o segundo maior número de mortes da América Latina, mesmo tendo apenas a oitava população do continente.

E as lágrimas de um repórter ao vivo na TV durante a cobertura no país. (Twitter)

Uma bolota cheia de espinhos. A imagem serve de fundo a telejornais, circula no noticiário mundo afora e já foi transformada em formato para biscoitos e em moldes para tricô. Alissa Eckert —ilustradora médica do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o CDC, na sigla em inglês– ajudou a criar o desenho do coronavírus. O trabalho dela em muitos casos requer tornar visível o que é invisível. Para a ilustração do coronavírus, eles recorreram ao que os ilustradores médicos profissionais definem como “beauty shot”: uma visão detalhada, de perto. Demorou uma semana e ela espera que seu sucesso estabeleça um padrão da próxima vez que um vírus tiver de ser ilustrado. Conheça o processo. (Folha)

Galeria: fotos de varandas e janelas durante o confinamento. Ou o que acontece mundo afora durante o isolamento para conter o coronavírus.

Atila Iamarino, biólogo, pesquisador e comunicador científico. “EUA e França entrando em novo território. EUA bateram recorde de mortes ontem com mais de 1000, França passou de 1300 hoje. Levamos 3 meses para chegar em 100 mil casos e 1 mês para chegar em 1 milhão. Mortes darão um salto proporcional em algumas semanas”. (Twitter)

O médico e escritor Drauzio Varella discutiu, no programa UOL Debate, o momento atual do vírus no país. Ele falou sobre como a desigualdade social contribui para o contágio no Brasil e acredita que demorará "muito tempo" para retomar os hábitos anteriores à pandemia. “Tínhamos visão benigna da epidemia, mas estamos numa situação de guerra. Esquece a vida normal, ela não vai existir por muito tempo. Não vai ser normal porque não poderá ser. Daqui a quanto tempo vai acontecer? Não tenho ideia, ninguém tem ideia. Na prática, estamos aí. Quando começou? Em dezembro, em janeiro sabemos de lá. Tem três meses, é impossível fazer previsões sobre o futuro”.

Para ler com calma... Por dentro de um hospital de campanha na Espanha que luta contra o coronavírus. O El País conheceu a linha de frente do centro de exposições Ifema, complexo improvisado ante o colapso dos centros sanitários da capital espanhola.

"O pigarro de um homem de meia-idade rompe o silêncio por um instante. E o primeiro aplauso da manhã, que os profissionais de saúde dedicam à primeira alta do dia, protagonizada por um senhor de idade avançada. No final do dia, mais de vinte pessoas sairão por seus próprios meios. Em um balcão do primeiro posto de enfermagem na área de pacientes do sexo masculino, dezenas de laudos médicos estão espalhados. Joaquín, Sergio, Alexis, José, Santos..."

Lista de compras. O que você precisa ter na despensa e na geladeira para garantir refeições variadas nesta quarentena (do ponto de vista dos nutrientes e também dos sabores) e levando em conta a durabilidade dos ingredientes. Alimentos não-perecíveis e hortaliças resistentes formam a lista de sugestões do Panelinha, o site de receitas da Rita Lobo. Além de sal e açúcar, leite e manteiga também fazem parte da lista.


Jogo da vida

Tony de Marco

 
Corona-Game

Política


Pela primeira vez, o presidente Jair Bolsonaro bateu ontem de frente, e em público, com seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. “Ele já sabe que a gente tá se bicando há algum tempo”, disse o presidente, em entrevista ao vivo ao programa Os Pingo nos Is, da rádio Jovem Pan. “O Mandetta quer valer muito a verdade dele, está faltando humildade para conduzir o Brasil nesse momento delicado.” A frustração de Bolsonaro é com o discurso de manutenção da quarentena feita pelo auxiliar. Quando perguntado porque não impõe seu desejo, o presidente relutou. “Tenho um projeto pronto na minha frente, para ser assinado, considerando atividade essencial toda aquela exercida por homem ou mulher, que seja indispensável para que ele leve o pão para a casa todo dia.” Seria uma volta à rotina normal. Mas afirmou que não assinará ainda. “Um presidente pode muito, mas não pode tudo. Só posso tomar certas decisões com o povo ao meu lado.” (Jovem Pan)

Mandetta não está sozinho. “Ainda estamos naquele momento pré-pico”, afirmou o vice-presidente Hamilton Mourão. “A avaliação é que nós temos que continuar com a política de isolamento, no sentido de atravessarmos esse abril, quando se espera que o pico comece a partir do dia 20, 25.” (Estadão)

Não só. No Instagram, também a mulher do ministro Sérgio Moro defendeu em público o ministro. “Entre ciência e achismos eu fico com a ciência”, escreveu Rosângela Moro no que pode ser visto como uma forma indireta de apoio dada por Moro a seu colega. “Se você chega doente em um médico, se tem uma doença rara você não quer ouvir um técnico? Henrique Mandetta tem sido o médico de todos nós e minhas saudações são para ele. In Mandetta I trust.” (Poder 360)

Pode ser, mas Mandetta está incomodado. A amigos, informa o Painel, disse que tem vontade de deixar o cargo. Mas não pedirá para sair. (Folha)

Não é a primeira vez que o Brasil tem, no poder, um presidente cujo comportamento vai do excêntrico ao bizarro — antes, houve Jânio Quadros, também ele eleito por um movimento popular, de massas, pela direita. Esta é a história que o Meio relembrará no sábado. Torne-se um assinante premium e conheça como foi o governo Jânio. De quebra, você nos ajuda a manter o Meio vivo para informar a muita gente durante a pandemia.

O governo federal segurou por um dia mais a publicação, no Diário Oficial da União, da lei que cria a Renda Emergencial Básica — R$ 600 mensais por três meses como auxílio aos trabalhadores informais. Após ter feito o rito da assinatura para sanção, em público, o presidente tomou a decisão de só publicar o texto quando houvesse uma MP indicando a origem dos recursos. O auxílio deve começar a ser pago na semana que vem. Ou, ao menos, é o que promete o Planalto. (G1)

A pelo menos um interlocutor, o governador paulista João Doria afirmou que toparia uma frente ampla contra Bolsonaro na próxima eleição. Mesmo que ela inclua partidos de esquerda, segundo ouviu Guilherme Amado. (Época)

Ontem, Doria trocou afagos com Lula via Twitter. “Temos muitas diferenças”, escreveu, “mas agora não é hora de expor discordâncias. O vírus não escolhe ideologia nem partidos.” O ex-presidente havia elogiado os governadores em tuíte anterior. (Twitter)

Meio em vídeo: Você sabe como se dá um Golpe de Estado?

Economia


A indústria de bens duráveis é uma das mais afetadas pela crise. Sem vendas, setores como têxteis e calçados já estão com 70% a 80% da capacidade produtiva suspensa. 64 das 65 montadoras no país estão paradas. No setor de eletroeletrônicos, apenas 14% das fábricas operam regularmente. Para evitar demissões, a solução tem sido férias coletivas, redução de jornada e banco de horas. Mas não devem aguentar por muito tempo: o setor tem cobrado o governo que ainda não liberou as medidas anunciadas, como linhas de empréstimos pelo BNDES. (Folha)

Monica de Bolle: “É um caminhão de coisas que estão faltando, porque o Governo não fez quase nada, está em uma inércia absoluta. O Banco Central tomou ações importantes nas últimas semanas, todas elas na direção correta, de dar liquidez para o mercado, indiretamente para as empresas, que precisam também. O BC tem feito, no entanto, o esforço que pode, já que o protagonista precisa ser o Ministério da Economia. E o esforço maior que precisa ser feito é muito grande. Requer o repasse dos recursos ao SUS, a implantação da renda mínima, as linhas de crédito que você pode dar para as empresas para garantir empregos. Não se pode apenas atuar na frente das pessoas vulneráveis, mas também na manutenção dos empregos formais. E só se consegue isso dando sustentação para as empresas. É necessário desenhar qual a forma que você vai fazer isso, e a maneira a ser feita para uma empresa de médio porte é completamente diferente para um microempresário, ainda mais para as microempresas que estão muito endividadas e não vão conseguir linha de crédito dos bancos públicos. Para esses microempresários, é necessária uma ação parecida com a renda mínima. O Tesouro dá dinheiro diretamente para essas empresas com uma contrapartida de manutenção de emprego, dá para monitorar. Além disso, o microempresário muitas vezes é uma pessoa só, não é questão de manutenção de emprego é de sobrevivência dessas pessoas. Hoje, dane-se o Estado mínimo, você precisa gastar. É preciso errar pelo lado do excesso não para o lado da cautela numa crise desse tipo.” (El Pais Brasil)

O governo aumentou o rombo para estados e municípios. O Congresso aprovou um déficit de R$ 30,8 bilhões. O valor permite aos estados pedirem mais dinheiro emprestado. Guedes também pediu uma mudança na LDO para dispensar a necessidade de que o aumento de gastos seja acompanhando de medidas de compensação. Com isso, o governo vai emitir mais dívida para pagar as despesas. (Globo)

Para a Moody’s, o Brasil ainda não corre risco de ruptura fiscal. A agência de classificação de risco diz que o perfil de crédito do país é resiliente para as medidas anunciadas pelo governo e que podem prevenir uma queda maior do PIB. (CNN Brasil)

Aumentaram os pedidos de renegociação de contratos de aluguel. Com lojas fechadas e empresas com demanda reduzida, 75% de locatários de imóveis corporativos fizeram pedidos de descontos temporários de até 60% ou até mesmo isenções no aluguel durante a pandemia, segundo a Secovi-SP. O setor tem se posicionado contra a intervenção do governo. Por pressão, o Senado chegou a retirar projeto que suspendia os pagamentos de contratos residenciais. (Folha)

Não são só os alugueis que estão sendo renegociados. As empresas também têm pedido revisão de contratos de compras e serviços. Por causa da pandemia, elas têm alegado força maior ou evento fortuito quando acontece algo imprevisível. O meio jurídico teme que aconteça um efeito dominó por toda a economia. (Estadão)

O Ibovespa teve uma leve recuperação em relação às perdas anteriores e fechou em 1,81%. Mas o dólar continuou em alta e ficou em R$ 5,26. O resultado foi motivado por um anúncio de que Trump conversou com Russia e Arábia Saudita e ambas anunciariam um acordo de redução na produção de petróleo, o que levou o preço da commoditie a subir. A alta da bolsa brasileira acompanhou o mercado americano. Os índices de Wall Street fecharam em torno de 2,2%. Até hoje de manhã, nenhum acordo foi anunciado a e preço do petróleo abriu em queda no mundo.

Mercados asiáticos fecharam em leve baixa e bolsas européias abriram em queda de cerca de -1%.

 

E a Tesla anunciou que entregou mais de 88 mil carros no primeiro trimestre. Acima da expectativa de 79.900 carros. Essa expectativa já levava em consideração o impacto da Covid-19 nas fábricas chinesas. Antes da pandemia, a expectativa era que a empresa entregaria 95.5 mil carros no trimestre.

Cultura


Sobre o Festival Internacional de Criatividade de Cannes, as holdings estão reavaliando suas participações. A organização adiou o evento, que normalmente ocorre em junho, para outubro. Mesmo assim, alguns grupos de comunicação estão considerando não comparecer por conta dos custos envolvidos – entre inscrições de prêmios, estadia e passagens áreas – em meio à possibilidade de uma recessão global. Segundo reportagem da Campaign, o WPP e o Omnicom não estarão no festival este ano. Diante da notícia, que não foi oficialmente confirmada pelas holdings, a organização do Cannes Lions estaria cogitando realizar todo o evento online, de acordo com o Ad Age. (Meio e Mensagem)

O próximo grande evento da temporada de festivais é o Festival Internacional de Cinema de Toronto, que ocorre anualmente em setembro. A diretora executiva do festival e o diretor artístico, Joana Vicente e Cameron Bailey, afirmaram que pretendem fazer da edição de 2020 – caso aconteça – numa espécie de “festival dos festivais”. A dupla se pronunciou por meio de um vídeo postado no Twitter.

A 4ª temporada de La Casa de Papel está disponível na Netflix.

E um guia com o o que você precisa lembrar antes de maratonar a série. Se você ainda não viu as três últimas temporadas, alerta de spoiler.

Cotidiano Digital


As empresas de telefonia junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia estão desenvolvendo uma plataforma de dados de geolocalização dos celulares. A ideia é que a Oi, Vivo, Algar Telecom, Claro e TIM disponibilizem gratuitamente para os governos federal e dos estados conseguirem identificar como se desloca a população, se há multidões e situações de risco. A mesma estratégia foi usada na Coreia do Sul, um dos países que conseguiu controlar a disseminação. A medida, no entanto, levantou o debate sobre a privacidade dos usuários. Segundo o governo brasileiro, os dados serão anônimos e só serão compartilhados durante a pandemia.

Por falar em privacidade digital, a LGPD pode ficar para 2021. A lei de Proteção de Dados entraria em vigor em agosto, mas o Senado quer adiar para não prejudicar as empresas. A LGPD prevê multas de até R$ 50 milhões ou 2% do faturamento bruto anual para quem vazar dados.

E tem novidades das big techs. O Facebook lançou versão desktop do Messenger de olho no crescimento de chamadas por vídeo. O YouTube deve lançar este ano o Shorts. A nova funcionalidade é para competir com o TikTok. Vai funcionar dentro do YouTube e vai permitir criar vídeos curtos aproveitando o catálogo da plataforma. E a Amazon deve lançar mês que vem o seu primeiro jogo online, Crucible.



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3 de abril de 2020
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