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3 de dezembro de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Quando a Nova República começou, uma única questão dominava de forma obsessiva os governos: como vencer a inflação. Inúmeros planos foram tentados, inúmeros fracassaram de formas distintas.

O brasileiro, cheio de esperança com a democracia, encarou estes planos de maneira diversas.

Algumas vezes, com otimismo e engajamento.

Noutras, com indiferença.

Em pelo menos um caso, o Plano Collor, com revolta.

Esta semana, o Brasil entrou em recessão técnica. Estamos perante o fantasma dos anos 1980: a estagflação. A economia não cresce, e ainda assim há inflação.

O risco é de que o governo Bolsonaro perca seu controle no ano que vem.

Se perder, o presidente eleito em 2022 terá a partir do outro janeiro uma prioridade. Combater a inflação, domá-la.

Muitos brasileiros não têm memória de como era viver com inflação. Neste sábado, o Meio vai lembrar como foi este período.

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— Os editores


Brasil entra em recessão técnica com inflação alta e desemprego


O Brasil entrou em recessão técnica. O Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu 0,1% no terceiro trimestre deste ano na comparação com trimestre anterior, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE. No 2º trimestre, o PIB recuou 0,4% ante os três primeiros meses do ano. Com isso, o Brasil entra em uma nova recessão técnica, que é quando o PIB tem retração por dois trimestres seguidos. A última foi registrada nos dois primeiros trimestres de 2020, quando o PIB ‘encolheu’ 2,3% e, em seguida, 8,9%. (g1)

No 3º tri, a economia brasileira foi puxada pelo setor de serviços, que avançou 1,1% por conta da normalização parcial das atividades presenciais e o avanço da vacinação. Entretanto, a queda de 8% na agropecuária e de 9,8% nas exportações de bens de serviços pressionaram o resultado do 3º tri para baixo. Já o PIB industrial ficou estagnado, afetado pelos gargalos nas cadeias globais de produção, os entraves no transporte marítimo, a escassez de peças e componentes e a crise hídrica, que encareceu a geração de energia. (Estadão)

Enquanto isso... O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil está "condenado a crescer", mas afirmou que o esforço para combater a inflação vai diminuir o ritmo de expansão. Segundo ele, os preços têm subido por fatores como a desorganização das cadeias produtivas globais e sugeriu que o BC vai controlar os preços por meio dos juros. “O Brasil está condenado a crescer, a pergunta é se vai ter um pouco mais ou menos de inflação. E isso vai depender justamente de como é que a gente vai combater essa inflação”, disse. (Folha)

Míriam Leitão: Com a recessão técnica do país no terceiro trimestre, o mercado financeiro começa a se perguntar se o Banco Central vai fazer um ciclo tão forte de alta dos juros. Em outras palavras, o BC está em um dilema. Tem, por um lado, inflação de dois dígitos, por outro, uma economia no vermelho. Levar a Selic a dois dígitos será um choque monetário sobre uma economia já combalida. (O Globo)

Apesar da divulgação do PIB, o Ibovespa ontem foi influenciado pela aprovação da PEC dos Precatórios no Senado e fechou em alta de +3,66% aos 104.466 pontos. Foi a maior alta diária do índice no ano. O dólar fechou em baixa de -0,19%, cotado a R$ 5,66. (InfoMoney)

O plenário do Senado aprovou ontem a PEC dos Precatórios por 64 votos a favor, incluindo de opositores ao governo, 13 contra e duas abstenções. Como o texto que veio da Câmara sofreu alterações, a PEC voltará a ser analisada pelos deputados. Numa manobra com grandes chances de ir parar no STF, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), quer fatiar a PEC, promulgando o que não foi mudado e discutindo as alterações no ano que vem. A medida eleva o teto de gastos e limita o pagamento anual de dívidas transitadas em julgado, abrindo espaço no Orçamento para gastos extras de R$ 106 bilhões e liberando recursos para o pagamento do Auxílio Brasil de R$ 400. Para conseguir a aprovação, o relator Fernando Bezerra (MDB-PE) fez uma série de concessões, acatando emendas de partidos. (g1)

O Senado também aprovou a medida provisória que cria o Auxílio Brasil, mas com uma alteração na qual volta a permitir que famílias fiquem na fila de espera do programa. Isso porque o Senado voltou a atrelar o fim da fila à disponibilidade de recursos no Orçamento. Agora, a proposta seguirá para sanção do presidente Jair Bolsonaro. O novo programa de transferência de renda substitui o Bolsa Família, que atendia 14,7 milhões de famílias. O governo prometeu subir para 17 milhões de beneficiados em 2022. (Estadão)

A adesão dos senadores petistas à PEC foi alvo de críticas de adversários e constrangimento dentro da legenda. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) elogiou os “valorosos senadores” de seu partido por votarem contra e atacou os petistas: “O que eles falam no almoço não serve para o jantar.” (Globo)

Já a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR) se disse surpresa com a adesão de cinco dos seis senadores da bancada ao projeto do governo. “Não entendi nada, o partido sempre foi contra”, afirmou. (CNN Brasil)

Pré-candidato do Podemos ao Planalto, o ex-ministro Sérgio Moro atingiu abaixo da linha de cintura seu adversário direto, Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista a uma rádio do Paraná, Moro afirmou que o presidente comemorou a soltura do ex-presidente Lula (PT) em novembro de 2019, após o STF mudar seu entendimento sobre a prisão após condenação em segunda instância. “Na verdade, o que a gente sabia é que o Planalto, o presidente, comemorou quando o Lula foi solto em 2019 porque ele entendia que aquilo o beneficiava”, disse o ex-juiz da Lava-Jato. Moro lembrou que Bolsonaro mandou o filho Carlos apagar um tuíte criticando a decisão do Supremo. A resposta do presidente veio ontem mesmo em sua live semanal. “É um papel de palhaço, um cara sem caráter. Mentiroso deslavado”, foram alguns dos adjetivos de Bolsonaro sobre o ex-auxiliar. Ele, claro, negou ter celebrado a libertação de Lula. (UOL)

Em resposta às críticas por sua suposta inação quanto aos resultados da CPI da Pandemia, o procurador-geral da República, Augusto Aras, disse ontem ter aberto seis investigações preliminares sobre crimes de que o presidente Jair Bolsonaro é acusado, além de outras autoridades com foro privilegiado. Algumas acusações já são alvo de ações no STF, como as irregularidades na compra, depois cancelada, da vacina indiana Covaxin. (Globo)

Aprovado pelo Senado na quarta-feira, o futuro ministro André Mendonça tomará posse no STF no próximo dia 16, anunciou ontem o presidente da Corte, Luiz Fux, com quem Mendonça se reuniu pela manhã. E ele chega já com cerca de 900 processos a sua espera, e pelo menos dois deles são cascudos. Mendonça será relator, por exemplo, do recurso do Patriota contra o veto pelo STF à prisão após condenação em segunda instância e da ação movida pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, que o indicou ao cargo, contra o bloqueio de perfis e blogs bolsonaristas por disseminarem conteúdo antidemocrático. (g1)

Meio em vídeo. Ciro Gomes tem o caminho mais difícil para chegar ao segundo turno de todos os candidatos “nem Lula, nem Bolsonaro”. Por outro lado, ele tem um projeto com detalhes que nenhum outro tem. É um bom projeto? Depende de como você enxerga o mundo. Confira no Ponto de Partida. (YouTube)


Pesquisa eleitoral

Orlando Pedroso

Pesquisa_eleitoral_Orlando

Não há democracia, dizia Thomas Jefferson, sem eleitores informados. Mas, no século 21, os veículos tradicionais perderam o encaixe na vida. Mas o Meio encaixa. A gente já resolve para você, de segunda a sexta, o problema das notícias. Podemos resolver também o do contexto, da profundidade, com a edição de sábado. Assine. Não vai se arrepender. É tão barato…

Cultura


Se em 2019 a Bienal Livro deu o que falar pela homofobia do então prefeito Marcelo Crivella e pela resistência do público e dos autores, a 20ª edição da festa, que começa hoje e vai até o dia 12, traz as marcas da diversidade e do reencontro. Mas a ideia não é colocar os autores em caixinhas temáticas. Uma mesa apenas com autores negros não tem como tema o racismo, e escritores LGBTQIAP+ estão presentes em 80% das mesas, embora só duas tratem do tema. Por conta da pandemia, o evento está menor, ocupando dois galpões do Rio Centro e tendo parte dos debates feita remotamente. Os ingressos são vendidos apenas pela internet e é necessário usar máscaras e apresentar comprovante de vacinação para entrar. Confira a programação. (Globo)

A comunidade geek vai à loucura! Será aberta amanhã, em São Paulo, a Comic Con Experience (CCXP) 2021, parada obrigatória para os amantes de ficção científica, fantasia, quadrinhos, animes, cosplay e muito mais. Nesta edição, a homenagem principal vai para a cartunista Laerte, que completou 70 anos. Entre os convidados estão Álvaro Morte, o Professor de La Casa de Papel, e Jim Davis, criador do Garfield, que vai bater um papo sobre quadrinhos com Maurício do Souza. Mas a cereja do sundae vai ser o painel da Warner no domingo, com a presença de alguns dos astros de Matrix Resurrections (trailer), encabeçados pelo próprio Neo, Keanu Reeves. Veja a programação. (Folha)

Confira os destaques da agenda cultural.

Sob a direção de William Coelho, o Coro da Osesp canta hoje obras dos franceses Francis Poulenc e Lili Boulanger. Amanhã, Fabio Mechetti e a Filarmônica de Minas Gerais vão de Villa-Lobos a John Adams. No domingo, a Sinfônica Heliópolis recebe a pianista Sylvia Thereza em programa com peças de Rachmaninoff e Dvorák.

A cultura periférica carioca será celebrada ao longo do fim de semana no Escuta Festival, transmitido pelo Instituto Moreira Salles. Veja a programação.

Para ver a agenda completa, clique aqui, e para outras dicas de cultura, assine a newsletter da Bravo!.

Viver


A confirmação de mais casos da variante ômicron do sars-cov-2 fez o governo de São Paulo e a prefeitura da capital apertarem medidas de segurança. A pedido do Comitê Científico do estado, o governador João Doria suspendeu a liberação do uso de máscaras em locais públicos, que entraria em vigor no dia 11. Além de acompanhar a orientação estadual, o prefeito Ricardo Nunes cancelou a tradicional festa de Réveillon na Avenida Paulista. Outra atração da cidade na virada do ano, a Corrida São Silvestre, está mantida. (Folha)

Já chega a cinco o número de casos de covid-19 pela variante ômicron no Brasil. Dois pacientes que vieram da África e estão com a cepa foram identificados em Brasília. Um deles está assintomático, e o outro apresenta sintomas leves. (g1)

A exemplo da Áustria, a Alemanha determinou que pessoas não vacinadas só tenham acesso a serviços essenciais, como mercados e farmácias. Para enfatizar a seriedade da medida, o anúncio foi feito em conjunto pela chanceler Angela Merkel e por seu sucessor, Olaf Scholz, que toma posse na semana que vem. (CNN)

Enquanto isso... Duas horas depois de baixar um decreto estabelecendo exigência de comprovante de vacinação em praticamente todas as atividades em ambientes fechados, o prefeito do Rio Eduardo Paes recuou nos dois pontos mais polêmicos: shopping centers e táxis - e, por extensão, veículos de aplicativos. “Temos que fazer algo cumprível. A gente não pode exigir o que não vai ser cumprido”, justificou-se o prefeito. (Extra)

Na onda conservadora que ainda grassa no país, as visitas íntimas a que presidiários têm direito foi transformada pelo Ministério da Justiça em “visita conjugal” e agora exige a apresentação de certidão de casamento ou união estável, revela Carolina Brígido. Presos sem um relacionamento formal vão ficar no “ora veja”. Além disso, não pode haver mais de uma visita conjugal por mês. Só falta estabelecerem que esse encontro se destina apenas a fins de procriação. (UOL)

O Atlético Mineiro conquistou ontem o Campeonato Brasileiro de 2021 ao vencer de virada o Bahia por 3 a 2. Foram quase cinco décadas de espera desde a primeira conquista do Galo no Brasileirão, em 19 de dezembro de 1971. (UOL)

Cotidiano Digital


Pois é… Demorou até que o Facebook começasse a estudar políticas de combate ao racismo. Foi só após o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos e o movimento Black Lives Matter ganharem projeção global, que a companhia decidiu estudar ações para evitar a normalização do racismo e melhorar a experiência de pessoas negras na plataforma. Entretanto, a realidade da Meta é outra: falta de dados raciais e ações concretas. Além disso, a rede social teria detectado vídeos virais nocivos de brutalidade policial e “discriminação algorítmica". As informações são de relatos de funcionários registrados em documentos internos de 2020 e 2021. Os relatórios estão nos chamados Facebook Papers, documentos fornecidos ao governo dos Estados Unidos pela ex-funcionária Frances Haugen. (Folha)

Depois do Google, foi a vez da Apple destacar os aplicativos e games das lojas de apps de suas plataformas. A empresa divulgou ontem a lista com os apps e games para iPhone e iPad favoritos da empresa durante o ano de 2021. O App Store Award acontece todo fim de ano há uma década e destaca as novidades lançadas para iPhone, iPad, Mac e Apple Watch. (Estadão)



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