Uma chacina na operação policial em Guarujá

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O número de mortos por policiais militares em uma operação no Guarujá, litoral paulista, em resposta à morte de um soldado da Rota por criminosos, já chega a 14, segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. A jornalista Mariliz Pereira Jorge chama de “bandidagem” a ação dos agentes, que agem sem método na Baixada Santista. “Não era uma operação para tentar entender e prender os responsáveis pela morte desse policial. Para mim, era realmente chegar lá e fazer o que eles fizeram, que é uma chacina.” No programa #MesaDoMeio, ela diz não se surpreender com a posição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que chegou a prometer em campanha eleitoral que retiraria as câmeras das fardas.

A editora-executiva do Meio Flávia Tavares destaca a incomum discordância entre ouvidoria da polícia e governo na manhã de ontem, sobre o número de mortos. O Palácio dos Bandeirantes só reconhecia oito dos dez óbitos anunciados pelo órgão na manhã de segunda-feira. “Não é uma coisa corriqueira ter uma ouvidoria de uma força de polícia que cumpra esse papel, principalmente em um caso em que o governador está celebrando a atuação”, comenta. E lembra que Tarcísio tem proximidade com as forças de segurança do estado e que a ouvidoria está tendo “a ousadia” de contrapor a versão oficial.

Mas não são apenas os militares de São Paulo que estão sob o olhar do país. Em Brasília, as Forças Armadas se eximem da responsabilidade dos atos golpistas de 8 de janeiro, enquanto atribuem ao governo Lula a culpa por falhar na segurança do Palácio do Planalto, que deveria ter sido realizada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O editor-chefe do Meio, Pedro Doria, critica a visão dos militares de decidir o que pode ou não ser feito no Brasil. “Nós temos uma corporação que deveria servir à defesa do território nacional e da Constituição, mas que acha que é seu o direito de decidir quem manda e quem não manda nesse país.”

Ele diz ter impressão de que o então ministro do GSI general Gonçalves Dias “não entendeu absolutamente nada” do que ocorreu na sede dos Três Poderes no dia do atentado à democracia.

Já o cientista político Christian Lynch afirma que vivemos no mesmo “velho Brasil” de sempre, que é onde “se mata preto e pobre como se fosse criminoso, se comete feminicídio, e os militares acham que podem dar golpes de Estado”. Mesmo com a mudança de governo, a realidade brasileira segue a rota histórica de violência. “Bolsonaro passa e continua a mesma coisa. Ele passa e esse velho país continua”, pondera.

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