A tragédia que inspirou a tragédia

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Poucas histórias são mais conhecidas que a tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca, que, compelido pelo fantasma de seu pai assassinado, engendra um plano de vingança à custa da própria vida e de todos a sua volta — além de inspirar uma música da Taylor Swift. O que nem todos sabem (ou sabiam) é que o nome do príncipe desafortunado veio de uma tragédia pessoal de seu criador, William Shakespeare: a morte aos 11 anos de seu filho, Hamnet. Essa é a história contada pela principal estreia de hoje, Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, de Chloé Zhao. Com os Globos de Ouro de melhor drama e melhor atriz para Jessie Buckley, o longa chega como forte concorrente ao Oscar e é baseado no livro de Maggie O’Farrell, coautora do roteiro. Mas há diferenças sérias entre as duas obras, já que o livro é contado exclusivamente pela ótica de Agnes, a esposa, e o nome do Bardo sequer é mencionado. Zhao dividiu o protagonismo, enfatizando o amor de Agnes e William (Paul Mescal), a felicidade da família, a tragédia e a catarse através da peça. Em tempo, a esposa de Shakespeare se chamava Anne Hathaway, embora o pai se refira a ela como Agnes em seu testamento.
Embora também tenha origem em um livro, O Beijo da Mulher Aranha, de Bill Condon, é uma adaptação para as telas do musical da Broadway inspirado na obra do argentino Manuel Puig. A história é a mesma do longa de Hector Babenco que deu o Oscar de melhor ator a William Hurt em 1985: em uma cela durante a ditadura argentina estão o preso político Valentin (Diego Luna, de Andor) e Molina, homossexual preso por corrupção de menores. Os dois se aproximam e vão chegar a se relacionar, com as conversas de Molina girando em torno dos filmes musicais estrelados por sua atriz favorita, Ingrid Luna (Jennifer Lopez). O que Valentin não sabe é que o companheiro é um espião, plantado ali para pegar informações sobre a guerrilha em troca de uma pena mais curta.
Dando continuidade à série iniciada em 2002, Extermínio: O Templo dos Ossos, dirigido por Nia DaCosta, foi filmado paralelamente e a Extermínio: A Evolução, lançado no ano passado, e se passa imediatamente depois — é a primeira vez que um longa da franquia não traz um salto temporal. O grande Ralph Fiennes reprisa o papel como o médico Ian Kelson, que constrói um monumento às vítimas da praga que transformou as pessoas em loucos assassinos. O fato de o monumento ser erguido com os ossos das ditas vítimas mostra que o médico também não é tão são assim, o que não o impedirá de fazer um contato inusitado.
Por que só as bonecas como M3gan podem ser maníacas homicidas? Sem ligar para o sexismo, Rob1n: Inteligência Assassina, de Lawrence Fowler, segue a mesma linha de máquina do mal com desinência de gênero. Um jovem vai apresentar a noiva ao tio, um recluso gênio da robótica que perdeu o filho de 11 anos de forma trágica, descobre que o velho criou uma cópia artificial do menino. Logo o androide revela os sinais de psicopatia do garoto original e se torna uma ameaça a todos.
Dirigido e escrito por Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, Ato Noturno é um drama-thriller-erótico LGBTQIA+ focado no jovem ator negro Matias (Gabriel Faryas). Ao mesmo tempo em que procura crescer em uma respeitada companhia teatral gaúcha, ele começa a ter um relacionamento com o político Rafael (Cirillo Luna) que compartilha sua fantasia: fazer sexo em locais públicos. Além do risco inerente à prática, a situação dos dois se complica conforme crescem as chances de Rafael se eleger prefeito de Porto Alegre. Será que o candidato vai encarar de frente a homofobia e o racismo ou vai renegar o parceiro?
Preconceito também permeia a produção francesa Me Ame Com Ternura, de Anna Cazenave Cambet. A advogada Clémence (Vicky Krieps) assume a bissexualidade e se divorcia, o que dá início a uma guerra pela guarda do filho. Ferido no orgulho machista, o ex-marido vai usar a sexualidade dela como arma para mantê-la afastada do menino.
Para as crianças, a pedida é O Diário de Pilar na Amazônia, de Duda Vaisman e Rodrigo Van Der Put, baseado nos livros de Joanna Pena. Graça a uma rede mágica que ganhou do avô, Pilar (Lina Flor) vai parar na Amazônia, onde vai ajudar uma menina ribeirinha a achar sua família e tentar impedir a destruição da floresta. Cuidado, Pilar. A bancada ruralista não é de brincadeira, não.
E fechando a semana está a animação Davi – Nasce um Rei, que leva para a linguagem infantil a narrativa bíblica da infância do futuro rei de Israel.
Confira a programação completa nos cinemas da sua cidade. (AdoroCinema)


