O Meio utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência. Ao navegar você concorda com tais termos. Saiba mais.

As notícias mais importantes do dia, de graça

Edição de Sábado

Assine para ter acesso básico ao site e receber a News do Meio.

Edição de Sábado: Dois pra lá, dois pra cá

No Nordeste, 91,4% das pessoas ganham até R$ 5 mil. No Norte, o percentual é de 85,1%. No Sudeste, que “parece rico”, são 72,3%. No Sul, “que também parece rico”, 70,8%. E, no Centro-Oeste, 68,6%. Os dados são do levantamento Brasil em Mapas, baseado na PNAD Contínua do IBGE. O presidente Lula (PT) recorreu a esses números ontem, em São Paulo. No palco montado no Centro de Convenções Rebouças, durante a cerimônia de lançamento de um novo modelo de crédito imobiliário, voltado a ampliar o acesso da classe média à casa própria, o petista discursava ligeiramente mais enfurecido do que o habitual. Tentava desenhar o Brasil e a camada para a qual direciona a maioria de suas políticas. E preparava o terreno para avançar contra o Legislativo.

Edição de Sábado: As duas direitas

Jair Bolsonaro não lidera a direita brasileira. A afirmação pode parecer peremptória, exagerada, talvez até iludida. Mas não é. Para quem mergulha nos números, a liderança absoluta do ex-presidente é uma miragem. Perguntas incluídas a pedido do Meio no levantamento feito em setembro pelo Instituto Ideia, dirigido pelo economista Maurício Moura, demonstram com clareza esta afirmação. Ainda assim, os principais líderes partidários desta mesma direita atuam como se devessem tudo a ele. Por quê? Talvez, para responder a esta que é a pergunta mais importante no atual cenário da política brasileira, seja preciso começarmos pelos próprios números.

Edição de Sábado: Côncavo e convexo

Foto: Ana Volpe/Agência Senado

“Hoje é um dia que vai mudar muito a nossa imagem no Brasil. A imagem do Senado Federal. Eu não tenho nada contra a Câmara, tenho muitos amigos e amigas lá. Mas, no cafezinho, o apelido da Câmara é rodoviária, e o nosso é aeroporto”, disse o senador Jorge Kajuru (PSB) naquela sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador Otto Alencar (PSD), na quarta-feira. A mesma que, por unanimidade, sepultou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/21, conhecida como PEC das Prerrogativas. Ou da Blindagem. Ou da Bandidagem. Ou da Impunidade. A que condicionava a abertura de qualquer processo criminal contra parlamentares ao aval dos próprios parlamentares — e em votação secreta. E ampliava, ainda, o foro privilegiado aos presidentes nacionais de partidos. 

Edição de Sábado: A tibieza de Hugo Motta

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Quem manda aqui é o presidente, respeitando o regimento. Eu não aceito desrespeito. Eu não aceito desrespeito. Eu não aceito desrespeito”, berrou triplamente o deputado Hugo Motta (à época no então PMDB, hoje no Republicanos). “Vossa excelência me respeite. Cabelo branco não é sinônimo de respeito!” Chamado de “moleque” pelo parlamentar Edmilson Rodrigues (PSOL), Motta retrucou, já com a voz falhando, no mais alto tom que sua garganta suportava. “Eu quero dizer a vossas excelências que não serei nenhum fantoche para me submeter à pressão de quem quer que seja. Um deputado aqui se levantou e me desrespeitou. Não tenho medo de grito e, da terra de que venho, homem não me grita.” Vem de João Pessoa, cria de uma família tradicional na política de Patos e do sertão da Paraíba. 

Edição de Sábado: Um Brasil que já não dói

Foto: José Cruz / Agência Brasil
Foto: José Cruz / Agência Brasil

Um aceno com a mão direita, estática, um pouco abaixo do ombro, e todos os dedos unidos. Acompanhado dos lábios apertados em um sorriso discreto, embora largo. Assim a ministra Cármen Lúcia permaneceu por algumas dezenas de segundos após proferir seu voto (vídeo) condenando o ex-presidente Jair Bolsonaro e os outros sete réus acusados de dar corpo à tentativa de golpe de Estado. Aliás, mais do que sentenciando. Após usar o verbo para cicatrizar as úlceras d’uma República afligida repetidas vezes por aqueles que a sequestraram. São oito os golpes militares bem sucedidos até aqui. Os que não vingaram é praticamente impossível contabilizar. Ninguém, nunca, foi sequer processado pelas intentonas concretizadas ou fracassadas. Até agora.

Edição de Sábado: O crime sem autor

Foto: Evaristo Sá, Mauro Pimentel, Pablo Porciuncula / AFP
Foto: Evaristo Sá, Mauro Pimentel, Pablo Porciuncula / AFP

Filho de um general quatro estrelas, é tenente-coronel com mais de trinta anos de Exército. Serviu na Brigada de Infantaria Paraquedista e nas Operações Especiais do Exército Brasileiro, foi instrutor na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), observador militar e oficial de ligação das Operações das Nações Unidas no Chile, e comandante do curso de artilharia da Aman. Ainda participou do planejamento e envio de militares brasileiros para a Força Interina das Nações Unidas do Líbano, pós-graduou-se em Relações Internacionais, tornou-se doutor em Ciências Políticas Militares, mestre em Operações Militares, e bacharel em Ciências Militares, especialista em Guerra Irregular e Ações de Comando, escreveu livros, recebeu mais de 15 medalhas de honra. “E, por último, foi ajudante de ordens do ex-presidente da República Jair Bolsonaro”.

Edição de Sábado: Três golpes em um

Foto: Evaristo Sá/Mateus Bonomi/Cristina Szucinski/Agif e Anadolu Agency via AFP/AFP
Foto: Evaristo Sá/Mateus Bonomi/Cristina Szucinski/Agif e Anadolu Agency via AFP/AFP

O dia 7 de setembro de 2021 acabou entrando para a crônica política brasileira como o dia em que o então presidente Jair Bolsonaro, diante de uma multidão verde-amarela na Avenida Paulista, desafiou Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. “Qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá”, bafejou. “Dizer aos canalhas: nunca serei preso.”

Edição de Sábado: Um cérebro entre a Amazônia e as estrelas

Em uma sala de roteiro, alguém poderia apresentar a ideia de um “plot” em que, confrontado com o alzheimer do pai de sua mãe quando ainda criança, um inteligente jovem se torna geneticista e passa a se interessar pela manifestação da capacidade social no cérebro humano, na intenção de entender a doença que levou embora o avô ainda em vida. Então, cria minicérebros humanos em laboratório e descobre que a invenção pode ajudar o filho, autista. Mas, para isso, o cientista precisará ir ao espaço. E, para tornar o estudo mais completo, vai botar na bagagem espacial plantas amazônicas.

Edição de Sábado: A indignação de Jason Stanley

Jason Stanley está revoltado. Indignado. Furioso mesmo. Mas não está sozinho. Sua voz sintoniza o que uma parte da esquerda americana, aquela que está bem à esquerda dos liberais de lá, vem sentindo e manifestando desde as eleições de 2024, quando Donald Trump foi escolhido mais uma vez para ocupar a Casa Branca. A cada nova sandice que Trump empreende, mais esse pedaço dos progressistas, representados na política em boa medida por figuras como a deputada Alexandria Ocasio-Cortéz e pelo senador Bernie Sanders, se insurge, se radicaliza. É um efeito natural provocado por um extremista. E, convenhamos, sandices não faltam.

Edição de Sábado: Política movediça

Foto: Marcos Correa / PR / Mateus Bonomi / AGIF / AGIF via AFP
Foto: Marcos Correa / PR / Mateus Bonomi / AGIF / AGIF via AFP

Os ventos do Norte podem não mover muitos moinhos. Mas a intervenção operada por Donald Trump na política brasileira, via tarifaço, Magnitsky e ameaças, produziu pelo menos um vendaval: Jair Bolsonaro está preso. Na jovem democracia brasileira, com todas as suas conquistas e falhas, testemunhar a prisão de um ex-presidente pode ser um momento histórico, mas não é inédito. E a comparação com as anteriores — e com suas consequências políticas — torna-se exercício quase imediato.