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Meio Político

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O muro entre evangélicos continua de pé

Foto: Miguel Schincariol / AFP

A estabilidade do alinhamento eleitoral desde 2018 revela menos um comportamento religioso homogêneo e mais uma clivagem política que o país ainda não compreendeu plenamente.

A incógnita Trump

Foto: Mandel Ngan / AFP

Os manuais de risco político trazem uma definição e uma premissa. A definição é nomear este tipo de risco como toda e qualquer possibilidade de dano potencial a uma organização empresarial causado pelo ambiente político em uma dada região. Esta, por sua vez, alimenta a premissa: a de que quanto maior for a instabilidade política em uma dada região, maior será o nível de risco político ali vinculado.

A polarização tem cura?

A política é atividade competitiva por excelência, pois o seu ponto de partida é a divergência e o conflito de interesses, vontades e valores. E não há nada de errado nisso; ao contrário, trata-se de forma mais civilizada de mediação dos inevitáveis conflitos que resultam da liberdade e da singularidade humanas.

Autoritarismo e gênero

Foto: Olga Maltseva/AFP

A tendência atual de retrocesso democrático e autoritarismo pode também ser vista como um ataque a valores liberais como a igualdade de gênero. Líderes como Vladimir Putin, Viktor Orban e Recep Tayyip Erdogan chamaram a atenção da mídia por suas observações sexistas e declarações depreciativas sobre a “ideologia de gênero”. Essas figuras são frequentemente vistas como promotoras de uma reação ideológica contra as conquistas feministas das últimas décadas. O chauvinismo espontâneo de Orban, por exemplo, tem sido atribuído ao desejo de manter as mulheres fora da esfera pública e dentro da cozinha.

Reinventar a democracia

Em recente artigo publicado no Financial Times, Martin Sandbu propõe uma releitura crítica da obra de Michael Sandel a partir de uma confissão intelectual geracional. Ex-aluno do filósofo em Harvard e participante direto do universo tecnocrático que moldou o liberalismo pós-1989, Sandbu retorna às advertências formuladas desde os anos 1980 contra a neutralização moral da política e pergunta, retrospectivamente, por que elas foram ignoradas justamente no momento em que pareciam mais pertinentes. O artigo não pretende oferecer um diagnóstico definitivo do populismo contemporâneo, tampouco uma teoria geral da crise democrática; seu interesse está em iluminar, a partir da trajetória de uma geração, os limites históricos de um tipo específico de democracia liberal que se consolidou durante o ciclo da globalização e hoje dá sinais inequívocos de esgotamento.

Eleições 2026: atores e tendências

O longo ano de 2026 parece entrar em sua reta final. Tal assertiva, longe de ser premonitória, se coloca em linha com os movimentos que são cada vez mais visíveis em torno daquele que é o cálice sagrado da política brasileira desde a promulgação da Constituição de 1988: as eleições para o Congresso, governadores e presidente da República.

Como começam as guerras civis

Foto: Arthur Maiorella / Anadolu via AFP

Todo regime autoritário, para se constituir contra a legalidade que o limita, precisa antes suspender simbolicamente a normalidade. O expediente é conhecido: a invocação permanente de uma ameaça à segurança nacional, suficientemente difusa para não poder ser verificada, mas suficientemente insistente para justificar a exceção. É em nome dessa ameaça que se desloca o centro da autoridade, que se relativizam direitos e que a arbitrariedade se torna rotina. Não há ditadura que não se apresente, em seu nascedouro, como governo de salvação.

O corpo do presidente

Imagem: Reprodução / Instagram Janjalula

À primeira vista, o vídeo parece banal: Lula, de férias, caminhando pela praia, de sunga, torso nu, em imagens divulgadas no Instagram da primeira-dama. Nada que não se enquadrasse na categoria já banalizada da “humanização” do poder, esse esforço recorrente de mostrar líderes como gente comum, em situações privadas, longe do figurino cerimonial do cargo. Enquanto caminha pela bela Restinga da Marambaia (RJ), com a água do mar fluindo à esquerda e à direita, Lula filosofa sobre tolerância, complementariedade e realismo. A mente afiada e a sabedoria viriam com a experiência e com os anos; o corpo em forma, do autocuidado. Um homem em paz consigo mesmo, em equilíbrio.

Os reais perigos da IA para a democracia

O ano de 2024 começou com previsões de que uma onda de desinformação e informações falsas impulsionadas pela inteligência artificial (IA) em eleições logo se tornaria a maior ameaça à estabilidade global. De fato, surgiram esforços de influência impulsionados pela IA. Chatbots imitaram políticos online e campanhas usaram avatares de desenhos animados para reabilitar a imagem pública de seus candidatos. Candidatas foram vítimas de imagens íntimas geradas por IA, apenas para citar alguns exemplos.

Aos impérios cabe exibir os seus troféus

Foto: Ernesto Benavides/AFP

No ano de 46 A.C., Vercingetórix, líder militar gaulês que se opôs à ocupação romana, foi exibido como um troféu de guerra por um triunfante Júlio César pelas ruas de Roma. A procissão, um marco do processo de transformação da República Romana em Império, serve como um marcador importante de uma premissa que encontra recorrência no tempo: Impérios se perpetuam pelos seus triunfos, que são exibidos como troféus em praça pública.