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10 de julho de 2020
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Prezadas leitoras, caros leitores —

A Inglaterra vai permitir que as academias de ginástica abram no próximo dia 25. Quase quatro meses após o repentino início da quarentena no país, em 23 de março. Nova York, que está fechada desde 1º de março, não pretende reabrir suas escolas quando as férias de verão terminarem, em setembro. Bali, que vive do turismo internacional, já está se agitando para reabrir suas fronteiras. Em outubro. Talvez. Milão, o epicentro da pandemia na Itália, já permitiu que os restaurantes abram. A maioria escolheu permanecer entregando, sem receber os clientes. Os abertos estão vazios — poucos vão. Em toda Europa, nos restaurantes, este vazio se repete.

O mais provável é que tenhamos de conviver com o novo coronavírus por uns anos. Pelas contas do MIT, 90% da população mundial ainda estará vulnerável à contaminação no primeiro semestre de 2021 e algo entre 1,5 e 3,7 milhões de pessoas terão morrido. Claro: é possível que uma das vacinas sendo testadas dê certo. Não é impossível. Mas não costuma ser tão rápido. Possivelmente lidaremos com um abrir e fechar durante um tempo.

Neste sábado, o Meio tentará explicar como alguns lugares do mundo estão encarando o processo de reabertura. Como governos estão se organizando para repensar a economia para propiciar o retorno. Como a cultura está se cuidando.

O Meio, como todos, está enfrentando a quarentena — e sobrevivendo graças a cada assinatura de vocês, queridos leitores. São dez reais mensais. Não é muito. Era um chope no tempo em que podíamos beber chope. E voltaremos a poder. Desinformação é um problema, é uma ameaça à democracia — um problema que ajudamos a resolver todos os dias, com nossa edição gratuita. Que é financiada com cada assinatura paga. Esta edição de amanhã será especial, e importante. Assine o Meio.

— Os editores


Queiroz vai pra casa, tem juiz de olho em vaga no STF


O ministro João Otávio de Noronha concedeu habeas corpus para Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete do senador Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio. Queiroz, que é investigado por comandar o esquema das rachadinhas, vai para casa em prisão domiciliar, terá de usar tornozeleira eletrônica e não pode ter contato com outros investigados. Noronha também concedeu o benefício da prisão domiciliar a Márcia Aguiar, mulher de Queiroz, que está foragida. De acordo com o ministro, que é presidente do STJ, Márcia precisa cuidar do marido, que se recupera de um câncer. (Poder 360)

Carolina Brígido: “A decisão de conceder prisão domiciliar a Fabrício Queiroz reforçou o posto do presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio Noronha, de principal aliado de Jair Bolsonaro no Judiciário. Tirar Queiroz da cadeia passa o recado de que o investigado não representa risco à sociedade. E, ainda, de que o crime apurado não é tão grave. A mensagem atende às expectativas do Palácio do Planalto. Noronha já vinha galgando um caminho de aliado de Bolsonaro em decisões recentes. Um desses movimentos foi quando livrou Bolsonaro da obrigação de divulgar os laudos de todos os exames que realizou para a Covid-19. Antes disso, o ministro liberou a nomeação de Sérgio Camargo para a Fundação Palmares.” (Globo)

Maria Cristina Fernandes: “Fabrício Queiroz pode deixar a prisão antes de Jair Bolsonaro sair da convalescença. Não poderia haver dobradinha mais simbólica dos arranjos que se montam em Brasília. Depois de adquirir imunidade frente ao vírus, tem outras a buscar. Não é a cloroquina que vai lhe garantir sobrevida, mas um rol de créditos, nomeações e acordos. O pedido de, pelo menos, R$ 30 bilhões em créditos extraordinários a ser enviado ao Congresso para os gastos dos Ministérios do Desenvolvimento Regional e da Infraestrutura, vai irrigar as bancadas governistas e estender o prazo de sua imunidade no Congresso. Nos tribunais, o termômetro está no STJ. Seria mais um serviço prestado pelo ministro ao presidente para tomar a dianteira na corrida por uma das vagas ao Supremo Tribunal Federal. É uma disputa encarniçada no seu próprio tribunal, sem falar daqueles que correm por fora no Ministério Público (Augusto Aras) e no Executivo (Jorge Oliveira).Noronha terá mais meios para se mostrar útil até o fim de agosto, quando acaba seu mandato de presidente. O páreo mais duro para qualquer um dos três ministros do STJ é o procurador-geral da República. A condição de coveiro da Lava-Jato lhe dá costas quentes tanto no Congresso, onde se amontoam alvos da operação, quanto no Executivo.” (Valor)

Pois é. Mas pegou mal. Ministros do STJ ouvidos por Bela Megale trataram a decisão de Noronha, tomada durante o plantão no recesso e que, portanto, não tem como ser questionada naquela corte, como vergonha. Para os ministros, o presidente do tribunal está expondo a todos. (Globo)

O presidente da CPMI das Fake News, Angelo Coronel, quer marcar um depoimento de Tercio Arnaud Tomaz, assessor especial do presidente Jair Bolsonaro. Ele é apontado pelo Facebook como administrador de perfis falsos que foram expurgados da rede na última quarta-feira. (G1)

Tercio é muito próximo do presidente. Aos 33, tem acesso livre ao Palácio da Alvorada. São ideias suas imagens como a de Bolsonaro comento em postos de gasolina ou o pão com leite condensado. Foi também Tercio quem popularizou o apelido ‘mito’. (Folha)

Merval Pereira: “Os assessores de Bolsonaro membros do chamado ‘gabinete do ódio’, principalmente Tercio Arnaud Tomaz, são a partir de agora os principais obstáculos para a permanência dele à frente do governo, superando a ameaça que Queiroz representa. Prevalecia entre os assessores jurídicos do Planalto a tese de que Bolsonaro não corria perigo de impeachment devido às apurações da rachadinha, mesmo que seu nome aparecesse diretamente ligado à prática, porque os fatos aconteceram antes de ele assumir a presidência da República, e o presidente não pode ser julgado pelo que ocorreu antes de seu mandato. Como, no entanto, o chamado ‘gabinete do ódio’ atuou durante os primeiros meses de governo, os eventuais crimes cometidos estarão diretamente ligados ao próprio presidente. Por outro lado, os processos que correm no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão relacionados à interferência das redes sociais, especialmente do WhatsApp, na campanha presidencial e invasões de sites contra Bolsonaro.” (Globo)

Nessa toada... O vereador Carlos Bolsonaro cogita não se candidatar a reeleição. O cérebro por trás da estratégia nas redes sociais vê o cerco fechando contra seu projeto ao passo em que seu pai se afasta dos aliados mais radicais. Carlos cogita se mudar para o Texas nos EUA, embora não afaste a possibilidade de se transferir para Brasília. (Estadão)

Meio em vídeo: A revelação de que um assessor direto do presidente Jair Bolsonaro estava no comando de uma rede de notícias falsas é não só grave, como pode ter consequências sérias no TSE. Incluindo cassação do mandato. Compreenda por quê. Assista.

Aliás...assinou o Meio? ;-)

O presidente do Supremo, Dias Toffoli, mandou as forças-tarefas da operação Lava Jato em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro compartilharem dados com a Procuradoria Geral da República. Segundo Toffoli, o compartilhamento poderá garantir que o Ministério Público não esteja investigando indevidamente autoridades com foro privilegiado. (Poder 360)

Ala da falsidade ideológica

Tony de Marco

 
Quebra-cabeca

Viver


O Brasil registrou 1.199 mortes por coronavírus em 24 horas e mais de 42 mil novos casos registrados, segundo o consórcio de veículos de imprensa. País soma 69.254 óbitos e mais de 1,7 milhão de infectados.

Existe uma dificuldade das secretarias de Saúde em notificar os dias corretos dos óbitos. O Ministério da Saúde divulga dois dados diferentes sobre as vítimas: o número total de mortes e as datas em que ocorreram. O total de vítimas é divulgado diariamente. Contudo, há uma grande defasagem nos dados. (Poder360)

Para deixar mais claro, o G1 e os telejornais da Globo e da GloboNews passaram a divulgar dados mais detalhados sobre a pandemia de Covid-19 no Brasil ao adotar o critério da média móvel.

Enquanto isso, um em cada dez moradores da cidade de São Paulo já foi infectado pelo novo coronavírus. Nova testagem feita pela Prefeitura em uma amostra da população permite concluir que 1,2 milhão de pessoas tiveram contato com o vírus na cidade, o que aumenta em sete vezes o número de casos oficiais confirmados até ontem no município. O levantamento mostrou também que a taxa de contaminação é três vezes maior na classe E do que na classe A. (El País)

Pois é... praias do Rio de Janeiro só serão reabertas oficialmente para banhistas quando houver uma vacina para a Covid-19, disse o prefeito Marcelo Crivella. (Reuters)

Os EUA registraram, em um dia, o maior número de casos de Covid-19 já relatado por qualquer país. Mais de 60.000 novas infecções, a maior contagem desde que o vírus surgiu no final do ano passado na China. Foram mais de 900 mortes pelo segundo dia consecutivo.

E o comício da campanha de Trump pode ter contribuído para o pico em Tulsa, Oklahoma.

O aumento de casos e mortes em vários estados dos EUA estão diminuindo as esperanças de uma rápida recuperação econômica, com os consumidores se distanciando do comércio nas áreas mais atingidas pelo coronavírus. (Reuters)

Em Israel, "o retorno ao normal" teve vida curta. Com uma nova onda de infecções, a reabertura foi interrompida. A diretora de saúde pública renunciou ao cargo. Na Cisjordânia e Gaza, os casos também aumentaram. (NBC)

Para o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a comunidade internacional está dividida e isso faz com que o coronavírus “ganhe terreno”. A organização também anunciou a criação de uma comissão para avaliar a resposta internacional à pandemia. (Poder360)

Pois é...  a OMS reconheceu formalmente que a transmissão do novo coronavírus pelo ar pode ocorrer durante procedimentos médicos que geram aerossóis. Em seu site oficial, a seção de perguntas e respostas sobre como a Covid-19 é transmitida foi atualizada após a cobrança em carta aberta de 239 pesquisadores. A entidade incluiu a faixa "o que sabemos sobre a transmissão por aerossol".

Neurologistas britânicos apresentaram esta semana um estudo que alerta para os danos cerebrais da Covid-19 mesmo em pessoas com sintomas leves ou já curadas. Muitas vezes esses danos somente são identificados bem mais tarde. Os médicos da University College London analisaram 43 pacientes, alguns com sintomas graves. Em 9 casos eles diagnosticaram uma encefalomielite disseminada aguda, uma inflamação do sistema nervoso central que afeta a mielina (o revestimento dos neurônios que permite que os impulsos nervosos percorram as células) no cérebro e na medula.

A cobra naja que mordeu o estudante de veterinária Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl, 22 anos, está fisicamente bem, mas segue em observação para que possam ser feitas mais análises comportamentais, informou a Fundação Jardim Zoológico de Brasília. O rapaz acordou ontem do coma. Entenda o caso que está sendo investigado como tráfico internacional.

Cotidiano Digital


A função de eletrocardiograma do Apple Watch chegou no Brasil. Donos das gerações 4 e 5 do relógio poderão fazer teste cardíaco diretamente no pulso. Recurso será liberado na próxima atualização, com as versões iOS 13.6 e watchOS 6.2.8. O app ECG do iPhone, liberado pela Anvisa em maio, mede a frequência cardíaca em segundo plano, de tempos em tempos, e envia uma notificação se identificar sinais de ritmos cardíacos irregulares.

E até amanhã acontece a Campus Party. Evento gratuito e online reúne uma série de palestras com grandes nomes da internet e do setor de tecnologia, como Tim Berners Lee, um dos inventores da World Wide Web, e Edward Snowden. As atividades podem ser acompanhadas pelo YouTube e pelo site do evento.

Cultura


The Decameron Project está no ar e é um trabalho lindo. O projeto do NYT foi inspirado na obra O Decamerão, de Giovanni Boccaccio, um clássico escrito quando a Peste Negra devastou Florença no século XIV. Nessa releitura, 29 autores de várias partes do mundo escreveram histórias curtas inspiradas na pandemia. Nenhum dos autores é brasileiro.

Na obra original, sete mulheres e três homens se refugiam por duas semanas em uma vila nos arredores de Florença para evitar a pandemia. E lá passam o tempo contando histórias com um tema diferente para cada dia.

O rapper Black Alien, que acaba de lançar o disco Babylon by Gus Vol. 1 – O Ano do Macaco (Ao Vivo), estreia hoje à noite nas lives. A apresentação visa arrecadar fundos para a equipe do músico e para o projeto Backstage Invisível. Na programação do Sesc, transmitida pelo YouTube e pelo Instagram, hoje tem show de Roberta Campos, amanhã de Virgínia Rosa e, no domingo, de Margareth Menezes. Em artes cênicas, a atriz Teuda Bara, do Grupo Galpão, apresenta Queria Teatro. No festival #CulturaEmCasa, o duo de Lívia Nestrovski com Fred Ferreira se apresenta hoje; amanhã é a vez da cantora Angela Ro Ro. Os atores Silvero Pereira e Gyl Giffony realizam o espetáculo Metrópole On-line hoje e amanhã pelo Centro de Artes da UFF.

Por falar em música, a Pinacoteca publica no Instagram e no Spotify playlists elaboradas a partir de obras de arte por convidados. E depois de realizar uma chamada para obras escritas para clarinete e clarone de até um minuto, os músicos Daniel Oliveira, Diogo Maia e Batista Jr. reuniram 70 novas partituras. Cada uma será estudada, gravada e disponibilizada nos canais do projeto PandeMúsica no Instagram e no YouTube. Na segunda, a Cultura Artística retransmite o concerto realizado pela Orquestra Sinfônica de Montreal em 2019. Para mais dicas culturais, assine a newsletter da Bravo!.





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