Ainda não é assinante? Assine. Não custa nada.



11 de setembro de 2020
Consultar edições passadas

Prezadas leitoras, caros leitores —

O presidente americano Donald Trump tinha consciência de que o novo coronavírus seria o maior desafio de sua presidência. De que era muito mais grave do que uma gripe. Desde janeiro. E, enquanto desdenhava da doença em público, permitiu ao jornalista Bob Woodward que gravasse entrevistas nas quais ele, o presidente, relatava com clareza pensar o contrário do que dizia. Por que Trump ameaçaria a própria a própria reeleição falando tão abertamente com Woodward?

Bob Woodward não é qualquer jornalista. Fez parte da dupla de repórteres que levantou o escândalo Watergate e levou à queda de Richard Nixon. Mas não só. Com o passar dos anos, tornou-se o repórter com quem presidentes querem falar. O repórter difícil, rigoroso, com quem é essencial falar para construir a imagem que será projetada de um governo no futuro. Não há um equivalente no Brasil.

Amanhã, na edição de sábado do Meio, são das histórias de Woodward — inclusive com Donald Trump — que trataremos. Como se faz um jornalista excepcional e como um jornalista excepcional faz presidentes se abrirem até quando não é de seus interesses. Por aqui, afinal, acreditamos no jornalista e em sua relação com a democracia.

Assine a edição premium do Meio. São dez reais por mês — quase nada.

Nos mantém de pé. =)

(Ontem fizemos a primeira conversa por Zoom com assinantes premium. Era para ser coisa de uma hora, hora e meia. Virou de três horas e foi ótimo. Obrigado aos que vieram.)

— Os editores.


Fux toma posse defendendo Lava Jato


O ministro Luiz Fux tomou posse, ontem, como novo presidente do Supremo — ficará no cargo por dois anos. “Aqueles que apostam na desonestidade como meio de vida não encontrarão em mim qualquer condescendência ou tolerância”, afirmou no discurso. “Não permitiremos que se obstruam os avanços que a sociedade brasileira conquistou nos últimos anos em razão das exitosas operações de combate à corrupção, todas autorizadas pelo Poder Judiciário.” O tom de sua presidência deve ser muito distinto daquele que marcou a do antecessor, Dias Toffoli. “Democracia não é silêncio, mas voz ativa; não é concordância forjada seguida de aplausos imerecidos, mas debate construtivo e com honestidade de propósitos”. Estiveram presentes no plenário do STF o presidente da República, Jair Bolsonaro, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, além do procurador-geral da República, Augusto Aras. Marco Aurélio Mello, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes também foram, enquanto Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes assistiram por videoconferência. A ministra Rosa Weber assumiu como vice-presidente. (Poder 360)

O primeiro ministro a discursar foi Marco Aurélio, que é o segundo mais velho na Corte. O decano, Celso de Mello, ainda está de resguardo por problemas na saúde. E, o que não é praxe, Marco Aurélio não citou Toffoli no discurso. Foi, segundo Bela Megale, um mal-estar. Parte dos magistrados não gostam da proximidade do agora ex-presidente com Bolsonaro. (Globo)

Bruno Boghossian: “A carta de intenções de Luiz Fux em sua posse como presidente do STF deixa poucas dúvidas: o tribunal está perdido no labirinto político em que se meteu. O ministro propôs um pacto para reduzir a interferência do Judiciário sobre outros Poderes, mas se recusou a reconhecer os erros cometidos pela corte. Ao fugir da autocrítica e sugerir uma ‘intervenção judicial minimalista’ em temas polêmicos, o novo presidente prova que não há caminhos traçados para resolver o dilema que divide o STF entre a omissão e o ativismo exagerado. Atropelos cometidos pelo STF acabaram fragilizando o papel do tribunal em decisões que interferem de maneira legítima nas atribuições de outros Poderes. Nada indica que o novo presidente tenha a solução para esse problema.” (Folha)

O Ministério da Economia questionou a Secretaria Nacional do Consumidor, ligada ao Ministério da Justiça. Queria saber por que supermercados foram notificados a respeito de aumentos de preços de produtos da cesta básica. E quem respondeu foi Jair Bolsonaro — a notificação foi autorizada por ele próprio. “Ninguém quer tabelar nada, interferir em nada”, disse o presidente. (Globo)

Aliás... Em sua tradicional live de quintas-feiras, Bolsonaro recebeu ontem uma YouTuber de dez anos. Com ela, fez piada sobre pessoas obesas, afirmou que não sabia o que era misoginia quando foi acusado de ser misógino pela primeira vez, e incentivou o trabalho infantil. “Eu trabalhei, aprendi a dirigir com 12 anos. Molecada quer trabalhar, trabalha. Hoje, se está na Cracolândia, ninguém faz nada com o moleque.” (UOL)

Não esqueça a máscara

Tony de Marco

 
Mascaras

Viver


Mais de oito milhões de casos de coronavírus na América Latina. O número foi alcançado no momento em que persistem as iniciativas globais para encontrar uma vacina efetiva e enquanto alguns dos países mais afetados pela pandemia começam a mostrar uma tendência de queda nos números de casos. A média diária na região caiu para 67.173 na última semana até a quarta-feira, frente a uma média diária de 80.512 nos sete dias anteriores, segundo uma contagem da Reuters. O Brasil segue liderando a tabela de contágios na região, com mais de 4,2 milhões de casos.

Com 922 mortes registradas em 24 horas, o Brasil segue em tendência de queda nos óbitos considerando a média móvel, com -21%, em relação aos 14 dias. No total, são 129.575 mortes e 4.239.763 casos confirmados de coronavírus. A média móvel de casos foi de 27.659 por dia, apontando uma variação de -29% em relação aos casos registrados em 14 dias. É a maior queda no número de novos casos que o Brasil registrou desde o início da pandemia.

Ainda que esteja em tendência de queda, a média móvel de óbitos em sete dias subiu para 692, quebrando a sequência de três dias seguidos de números em baixa.

Já a taxa de contágio do novo coronavírus no Brasil registrou um leve aumento esta semana e voltou a ser igual a 1, o que significa que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para mais uma. Os índices das três semanas anteriores oscilaram pouco e, pela análise, tem sido difícil consolidar uma tendência de queda de casos. O cálculo é do mais recente relatório do Imperial College de Londres, que mostra que o país está dentro de um cenário estável ou de crescimento lento.

A espera por uma vacina abriga também países onde o percentual de pessoas que concordam que imunizações são importantes pode variar dos 26% na Albânia a 95% no Iraque. Estes e outros números foram publicados no periódico científico The Lancet com base em uma pesquisa com 284 mil adultos sobre a importância, segurança e eficácia das vacinas em 149 países. Ela se reflete no atraso ou recusa à imunização, muitas vezes motivados por boatos e notícias falsas. O Brasil aparece no grupo dos países em que o percentual de pessoas que acredita fortemente nestes três benefícios das vacinas fica acima de 50%.

Pascal Soriot, executivo-chefe do laboratório farmacêutico britânico AstraZeneca, disse que a eficiência da vacina contra o coronavírus poderá ser atestada até o fim do ano, caso sejam retomados os testes interrompidos nesta semana em todo o mundo. A pesquisa foi suspensa após um dos voluntários apresentar uma doença que pode estar relacionada ao medicamento. A AstraZeneca não informou prazos para a retomada do teste. Mas esse tipo de avaliação costuma levar meses, disse o virologista da UFRJ Davis Ferreira. Porém, ele observa que o caso de forma alguma invalida essa e as demais vacinas.

Pois é... o retorno às aulas presenciais nas escolas particulares do Estado do Rio de Janeiro foi proibido pela Justiça do Trabalho. Segundo a decisão, “até a vacinação de professores e alunos ou até que se demonstre, por meio de estudo técnico ou de outro modo, que não há risco aos alunos, professores e à sociedade”.

Na cidade de São Paulo, as grandes escolas particulares pretendem voltar às aulas com todos os seus alunos em vez de escolher séries para serem priorizadas. Esses colégios vão usar o que ficou conhecido como esquema de “bolhas” ou “clusters”. A ideia das bolhas é a de que os alunos tenham contato com um grupo menor de colegas. Países como Alemanha e Inglaterra usaram o modelo. A recomendação é que esses pequenos grupos façam tudo junto e separados dos outros, como recreio, alimentação e aulas. Em muitas escolas, as carteiras até serão identificadas com os nomes dos estudantes. A Prefeitura ainda não liberou a volta às aulas na capital e a decisão do prefeito Bruno Covas é esperada para a semana que vem. Pesquisas de opinião indicam que cerca de 70% dos pais não querem a volta às aulas agora.

Cerca de 12 mil suicídios acontecem todos os anos no Brasil. Trata-se de uma triste realidade principalmente entre os jovens. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias. O Setembro Amarelo foi criado para ressaltar a importância da prevenção ao suicídio. Conheça ações de prevenção no Brasil.

Maya Gabeira fez história no esporte. De novo. Sete meses após pegar uma das maiores ondas em 2020, em Nazaré, veio a confirmação ontem da WSL de que a surfista carioca bateu o próprio recorde de maior onda já surfada por uma mulher: 22,4 metros.

A WSL recorreu a cientistas para desempatar entre a brasileira, cujo recorde mundial anterior (68 pés, 20,72 metros) também foi estabelecido em Nazaré em 2018, e a francesa Justine Dupont, a quem ultrapassou “por apenas 2 ou 3 pés”. O vídeo.

Cultura


Programação de lives para o fim de semana. Nesse sábado, o Teatro Porto Seguro inicia a temporada digital do inédito Pós-F, espetáculo baseado no livro de Fernanda Young e dirigido por Mika Lins. A Cia. dos Atores começa a subir hoje no YouTube a gravação de algumas de suas principais peças. Amanhã, Sidney Santiago Kuanza realiza a estreia de Numa Terra Estranha – 12 Respirações, que parte da obra de poetas negros, pelo Teatro Vivo, que disponibilizará os ingressos pelo Instagram. Hoje Joana de Gota D'Água a Seco e, no domingo, Paulo Betti apresenta Autobiografia Autorizada.

Na programação do Sesc, transmitida pelo YouTube e pelo Instagram, hoje tem show de Felipe Cordeiro; amanhã, de Lívia e Arthur Nestrovski e, no domingo, de Odair José. No domingo, a Filarmônica de Minas Gerais estreia a transmissão semanal de apresentações de câmara gravadas com peças de Villa Lobos e Friedrich Kuhlau. A Casa Natura Musical convidou 15 festivais brasileiros, como Rec-Beat e Mimo.

Já a Cia. Fragmento de Dança estreia online, no sábado e no domingo, o primeiro dos três episódios de Amor Mundi, coreografia elaborada por Vanessa Machado a partir do pensamento político de Hannah Arendt. Já a Casa Fiat de Cultura e o MIS-SP começam na terça uma exposição virtual nas redes sociais sobre a fotografia lambe-lambe.

Para mais dicas culturais, assine a newsletter da Bravo.

O último título de Christopher Nolan, Tenet, é o filme que pretende devolver maciçamente o público aos cinemas após a pandemia do coronavírus. Não é uma unanimidade, mas já arrecadou milhões.

Jaime Lorite, do El País: “O grande estouro de bilheteria do momento, o filme que todos vão ver, é uma extravagância cheia de teorias de física quântica, difícil de entrar e complicado de acompanhar. O contrário do que se deveria esperar de um fenômeno popular”.

Peter Bradshaw, do The Guardian: “Uma obra gloriosamente ambiciosa. Saí do cinema abalado, tirando a máscara, mareado pela vertigem de Nolan”.

Jordi Costa, crítico de cinema e chefe de exposição do Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona: “É um filme que na verdade disfarça um esquema narrativo muito simples. Acho que o problema não é o excesso de entendimento, e sim o excesso explicativo”.

Portugal terá sua primeira série na Netflix. Se chamará Glória e é um thriller de espionagem passado na Guerra Fria, durante os anos 1960. Assista ao teaser do anúncio.

Cotidiano Digital


No próximo ano, os smartphones da Huawei já terão sistema operacional próprio. Pressionada pelos EUA, os celulares contarão, em vez do Android do Google, com o HarmonyOS, um sistema que a chinesa já usa em outros dos seus dispositivos, como smartwatches e TVs. Com as sanções, a Huawei é forçada, atualmente, a entregar seus celulares com Android sem os serviços do Google, prejudicando seu ecossistema de aplicativos e funcionalidade para usuários fora da China.

Pois é... O cerco contra a Huawei continua fechando. A Samsung é mais uma empresa que não fornecerá mais chips para a chinesa. A mudança faz parte da recente regra do governo americano que também proíbe empresas não americanas de vender à Huawei componentes que desenvolveram usando equipamento ou software feito nos EUA.





Bem-vindo ao Meio. A assinatura básica é gratuita, comece agora mesmo.



11 de setembro de 2020
Consultar edições passadas