O atalho que quebrou o Brasil

O Brasil está prestes a cair num buraco fundo. E por dois lados ao mesmo tempo. De um lado, a política sendo engolida pela corrupção — a essa altura, prova aparece e já não derruba mais ninguém. Flávio Bolsonaro ganhou 60 milhões de Vorcaro? Só desliza um pouquinho nas pesquisas. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, ganhou um apartamento? Passa uma semana e o presidente ainda está pensando se demite ou não. Do outro, a economia saindo dos trilhos outra vez, porque a gente insiste no mesmo truque que já quebrou o país uma vez. Dois buracos. E olha: eles têm a mesma causa. Uma só. O Brasil foge do trabalho difícil. Apitar a falta não importa pra quem e segurar a economia no lugar são coisas chatas, lentas, que não rendem aplauso nem um inimigo bonito pra apontar. Trabalho de dia a dia não dá meme, não gera história de mocinho e bandido pra virar vídeo de um minuto. O atalho é sempre mais fácil. E é por isso que nenhum — nenhum — dos candidatos que estão aí na sua frente se oferece pra enfrentar os dois. Só que enfrentar os dois ao mesmo tempo é a única saída. A gente está empacado. Crescimento medíocre. As pessoas achando que não têm futuro. Onde está a liderança política que explica direito o problema? Que trabalha sem ser histriônico? Ainda tem adulto na sala?
Vorcaro comprou todo mundo

A Lava Jato prometeu acabar com a corrupção. O que ela acabou foi com a capacidade do Brasil de combatê-la. Esta não é uma conclusão óbvia. Mas é importante entender o tamanho do estrago que esse escândalo do Banco Master causou. Se você tentar entendê-lo na base do é um escândalo de esquerda ou é um escândalo de direita, talvez saia feliz, talvez saia triste, porque seu lado se deu bem ou se deu mal. Mas vai sair sem entender o que aconteceu de fato.
Isentão ou incompreendido?

Você já engoliu a seco uma opinião política durante um almoço só para evitar o desgaste e manter a harmonia? Se sim, saiba que você não está sozinho. No Ponto de Partida React desta sexta (19), Yasmim Restum confronta Pedro Doria com os comentários de vocês para que ele analise a realidade da maioria silenciosa no Brasil — que soma quase 70% dos eleitores e que recusa extremos ideológicos, mas se vê sufocada pela polarização.
Você não é isentão

Deixa eu te fazer uma pergunta. Você está cansado de política? Você às vezes vê um vídeo, ou uma postagem qualquer no Zap, em alguma rede, e tem vontade de comentar — aí hesita. Pensa em tudo que vai ouvir. Melhor não. Você já percebeu o jogo, né? Se você critica um lado, decidem que você é do outro. Se critica os dois, é isentão. Sobra calar a boca. E aí você acha que é só você. Não é — e isso é uma coisa que a maior parte das pessoas como você não tem como enxergar.
Sequestraram a sua política

Metade do Brasil sequestrou nossa política. É isso. Este é o tamanho real da nossa polarização. Se, uma pesquisa após a outra, você abre e vê sempre os mesmos dois sujeitos disputando a corrida lá em cima e quaisquer outros candidatos estão na batalha pra botar o pescoço acima dos 5%, a razão é essa. Metade do Brasil sequestrou nossa política. E a outra metade não consegue fugir disso. Existe uma polarização? Claro que existe. Mas ela não é uma coisa tipo metade dos brasileiros vestem amarelo, a outra metade veste vermelho. Não. Os polarizados são 52%. É o que a pesquisa diz: 26% de lulistas convictos, Luiz Inácio é nosso líder e não enxergo outro para liderar a nação. Assim como são 26% os que retrucam, Jair Bolsonaro é nosso líder, jamais houve presidente como ele, jamais haverá, eu sou é Flávio. E a outra banda do Brasil, os 48% que não têm este apego? Bem, estão divididos demais e não conseguem reagir a este xeque-mate.
O Pix e a representação do Brasil

No Ponto de Partida React desta sexta-feira, Pedro Doria responde às mensagens da audiência do Meio sobre o Pix, o ataque americano ao sistema de pagamento brasileiro, as periferias do Brasil e a corrida eleitoral.
Flávio perdeu o argumento

O escândalo Vorcaro não tirou de Flávio Bolsonaro um eleitor que importasse. E mesmo assim pode ter encerrado a candidatura dele. Parece contradição? Não é. Mas a questão é a seguinte: temos agora seis meses de pesquisas eleitorais acumuladas, uma certa estabilização a respeito dos candidatos. Se você não deseja a eleição do presidente Lula, me permita antecipar uma informação. Os indícios de que alguém possa ultrapassar Flávio Bolsonaro e disputar o segundo turno contra o PT são zero. Não tem qualquer sinal de que algo assim possa acontecer. Enquanto isso, os indícios de que Flávio tenha alguma chance de vencer o presidente Lula num segundo turno são cada vez mais baixos.
Eduardo quer entregar o seu PIX

Sabe o que a família Bolsonaro não entende? Ela não entende o que é ser da periferia urbana. Não me entendam mal. Um bom pedaço do governo Lula também não tem qualquer ideia sobre o que é ser periférico. Mas isso não quer dizer que, no mundo político, não tenha gente que entenda este universo bastante bem. Tem, sim. Nikolas Ferreira, o deputado mineiro, entende. Tabata Amaral, a deputada paulista, também entende. Eles são periféricos. E isso afeta profundamente a comunicação em tempo eleitoral.
Ou Lula, ou Bolsonaro

Estamos entrando na terceira campanha presidencial com o Brasil sequestrado pela dicotomia entre Lula e Bolsonaro. 2018, 2022, e agora 2026. De um lado, Lula. Do outro, Bolsonaro — ou quem o bolsonarismo ungir pra carregar a bandeira. Oito anos preso na mesma gangorra. E a cada eleição aquela sensação de que o país é obrigado a escolher entre dois mundos que mal se falam.
A régua dupla de Lula

Ontem, um presidente de esquerda fez o que Bolsonaro fez em 2022. Gustavo Petro, da Colômbia. Iván Cepeda, seu candidato, chegou ao final do primeiro turno com 40,91% dos votos. Abelardo de la Espriella, o candidato da direita, teve 43,73%. Menos de três pontos percentuais, uma eleição apertadíssima. O que o Petro diz? “Não aceito os resultados da contagem preliminar.” Ele vem com a história de que o algoritmo foi alterado três vezes na última semana. É exatamente a gramática de Donald Trump e Jair Bolsonaro. Fraude nas urnas diz o brasileiro, stop the steal, diz o americano, o algoritmo diz o colombiano. A diferença? Do ponto de vista da democracia? Nenhuma. Mas, claro, Petro é de esquerda.