Você vai pagar o Master

Quando Tiradentes subiu o patíbulo, naquele 21 de abril em 1792, ele estava com um juiz, um padre e o carrasco. Os três o acompanharam desde o início da procissão, quando saíram da cadeia pública, no Rio de Janeiro. É onde fica hoje a Assembleia Legislativa, ela não se chama Palácio Tiradentes à toa. Ele não estava barbado, isso é ficção, coisa que inventaram para o alferes parecer Jesus Cristo. Quem era executado na forca não usava barba. Atrapalhava. Então o carrasco pôs nele o capuz e aí perguntou. Quais são suas últimas palavras.
A censura de Erika

A pedido da deputada federal Erika Hilton, a Advocacia Geral da União mandou uma notificação extrajudicial ao X, o antigo Twitter, pedindo remoção ou rotulagem em 72 horas de posts de pelo menos 10 contas. Entre elas estava a jornalista Madeleine Lacsko, do Antagonista. Estava também o humorista Leo Lins. Um monte de gente. A acusação era de que essa turma ameaçou, entre aspas, “a integridade do processo legislativo e o funcionamento regular do Congresso” por divulgar “conteúdo falso e descontextualizado” a respeito do projeto de lei da Misoginia.
Como funciona o crime organizado

No Ponto de Partida React desta sexta-feira (17), Yasmim Restum confronta Pedro Doria com as dúvidas da audiência sobre a polêmica decisão do relator da CPI do Crime Organizado de focar os holofotes na Suprema Corte, seguida de uma ameaça de cassação contra o senador Alessandro Vieira, relator da comissão.
Toffoli ameaça senador

A quantidade de linhas que foram cruzadas em Brasília, nas últimas 48 horas, é tão alarmante que choca mesmo quem está acostumado. Ao menos, deveria chocar. Porque as últimas 48 horas passaram em branco, como se tudo fosse normal. Mais um dia no debate da política polarizada brasileira. Mas, ontem, um ministro do Supremo ameaçou de cassação um senador da República.
Como se derrota um ditador?

Tudo o que a gente aprendeu sobre crise democrática vai ser posto em teste agora, na Hungria. É isso que a derrota de Viktor Orbán quer dizer. Porque, vejam, vocês lembram daquele livro, Como as Democracias Morrem, escrito pelos professores Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, certo? Logo de cara, eles citavam dois países, dois governos, cujos líderes haviam de certa forma criado o jeito de matar democracias sem golpes, sem Exército. Matar por dentro. Um era o governo de Hugo Chávez, na Venezuela. O outro, ora, o governo de Viktor Orbán na Hungria. Um de esquerda, outro de direita. Ontem, domingo, Orbán perdeu as eleições. Seu partido, o Fidesz, tomou uma surra. Peter Magyar, líder da oposição, levou quase 70% das cadeiras do parlamento.
Mulheres de enfeite?

Pela primeira vez em quase duas décadas, as eleições presidenciais estão caminhando sem nenhuma mulher cabeça de chapa. Enquanto caciques partidários se perdem em rachas internos, ignoram que a chave do pleito está nas mãos das eleitoras. E elas pedem moderação.
Mulheres: o pesadelo de Flávio e Lula

Procura-se. Mulher. Moradora das grandes cidades do Sudeste, Rio, São Paulo e Minas. Está de mal com política. Acha que a economia está ruim — custo de vida aumentou, endividamento também. Votou em Jair Bolsonaro em 2022, agora anda por aí dizendo que vai votar em Flávio mas, olha, se você pergunta se esse voto é firme ela logo te diz, não é, não. Acredita que o STF é a principal ameaça à democracia brasileira. Acredita, igualmente, que a violência contra mulheres aumentou, sabe perfeitamente bem o que é feminicídio e está bem preocupada com isso.
Enquanto o PL se fortalece, o bolsonarismo racha

Os políticos fizeram suas escolhas: a gente mede isso pela movimentação partidária na Câmara dos Deputados. Não tem partido que se deu melhor do que o PL, de Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro. Ganhou 13 deputados. Havia eleito 99, chegou em seu pior momento desta legislatura a 87, e vai entrar na eleição com 100 deputados federais. Por que esse movimento? É simples de explicar. Durante o governo Lula, uma turma menos dedicada ideologicamente achou que era bom ficar num partido mais próximo do Palácio do Planalto. Agora, um monte de gente voltou atrás. Tem cheiro de vitória estar ao lado do nome Bolsonaro. O União Progressista parece ter perdido uns dez. Ficou exatamente do mesmo tamanho do PL, com 100 deputados no total, só que tinha mais. E, durante este fim de semana, Eduardo Bolsonaro achou por bem passar um pito público em Nikolas Ferreira. Aí a Michelle saiu em defesa do deputado mineiro. O PL surfando e com briga interna. Que passa?
Entre Centro e Centrão, o que é ser moderado?

O que é moderação para você? Centro e Centrão é a mesma coisa? Diante da ausência de uma via liberal para as Eleições 2026, Pedro Doria e Yasmim Restum conversam sobre o esvaziamento do centro político e também analisam a tentativa de Flávio Bolsonaro de se mostrar mais moderado, distanciando-se dos escândalos da política fluminense onde foi forjado. O que o diferencia — ou aproxima — de nomes como Ronaldo Caiado na disputa pelo espólio conservador do ex-presidente?
Acabou o Centro: 2026 será só briga

Nos últimos dias, um movimento extenso ocorreu. Gente dentro do PSDB, do Cidadania e do MDB acenou para o governador gaúcho Eduardo Leite. Queriam ele lá. O queriam candidato a presidente. Leite estava na competição com o governador goiano Ronaldo Caiado para ser o candidato do seu partido, o PSD. Ganhou Caiado, a coisa ficou solta. Na frustração, o movimento rolou. Ficou tudo em suspenso. Aí Leite fez o que tinha de fazer. Ligou para Caiado, lhe deu parabéns pela indicação. E, pela primeira vez desde 1989, o Brasil vai ter uma eleição presidencial sem candidato de Centro. Isso é um problema? É.