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Ponto de Partida

Pedro Doria em análises profundas e didáticas sobre a política do Brasil e do mundo.

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O premiê canadense está certo

O primeiro ministro canadense Mark Carney fez, ontem, talvez o melhor e mais importante discurso deste ano em Davos. E esse discurso é, essencialmente, um convite às médias potências do mundo a caminharem juntas. É com a gente, tá? Brasil, hoje, é a décima economia do mundo. O Canadá é a nona. Coreia do Sul, a décima segunda. Índia, a quarta. França, Itália, sétima e oitava. Agora, neste pacote do Carney, está também uma leitura muito pragmática de como o mundo funcionava e como parece que está caminhando para funcionar.

A ideologia de Lula e a de Bolsonaro

Qual é a sua ideologia? Você já parou pra pensar nisso? Um pedaço importante da Pesquisa Meio/Ideia foi mapear, pela primeira vez, a ideologia dos brasileiros. E uma das coisas que a gente descobriu, de cara, é que esse mapa ideológico explica muito sobre a crise da democracia brasileira.

Barbárie no Irã & Eleições no Brasil

No Ponto de Partida React, desta sexta-feira (16), Yasmim Restum e Pedro Doria falam sobre a violenta repressão no Irã, onde cidadãos exaustos se arriscam sob pena de fuzilamento e a tortura bárbara para protestar contra um regime que nunca esteve tão isolado de seus antigos aliados regionais. A conversa também passa pela dificuldade da direita brasileira se unir em torno de um nome para as Eleições de 2026, o que corrobora o favoritismo de Lula. A prioridade em eleger grandes bancadas na Câmara e no Senado, visando o controle do orçamento e a pressão sobre o Judiciário, muitas vezes se sobrepõe à construção de uma candidatura única e viável ao Palácio do Planalto. Yasmim Restum e Pedro Doria te guiam nessa jornada com uma seleção dos comentários que vocês enviam nas redes sociais e canais do Meio. Para participar, comente nos vídeos do Ponto de Partida de segunda ou quarta. Assista em vídeo no Youtube, e acompanhe em áudio no seu tocador de podcasts preferido.

A direita não se une nem na cadeia

Agora temos duas pesquisas já de 2026. A nossa, Meio/Ideia, e a Genial Quaest. Elas mostram que Lula é favorito, que a direita tem chance mas segue dividia. Pois é. Diferentemente da esquerda.

Quem está certo no Irã?

Imagine a seguinte situação: você está tão cansado, tão exausto de um governo que sai às ruas todo dia para protestar. Agora, dobra isso. Imagine que sair às ruas para protestar seja um risco de vida. Literalmente a polícia, ou o Exército, pode matar você. Ou talvez pior. Você pode ser preso e levado para uma cadeia onde será barbaramente torturado sem que ninguém, nenhum amigo, nenhum familiar, tenha qualquer ideia de onde você está, se vivo ou morto. Estou falando de tortura do pior tipo. Da mais dolorosa. E, ainda assim, você segue escolhendo sair às ruas. Processou esta ideia? Imagine, então, que você é pai ou mãe. Que o líder máximo do seu governo foi à televisão e disse o seguinte: não deixe seus filhos irem às ruas. Se deixarem, não reclamem se o pior acontecer com eles. E, ainda assim, o povo segue tomando as ruas. Segue protestando. Segue pedindo a queda do governo. É isso que está acontecendo no Irã neste momento. A ideia de liberdade é abstrata até o instante que deixa de ser. A gente não tem essa experiência, no Brasil, há muito, muito tempo. Mas, para estas pessoas no Irã, a vida está tão insuportável que não dá mais. Esse “não dá mais” tem este peso: arriscar a vida, arriscar o nível máximo de sofrimento físico, é preferível a continuar como está. Sabe, são momentos assim da história que nos fazem lembrar que a luta por liberdade, que o anseio por liberdade, move povos a situações de limite. Como construir uma opinião a respeito do Irã? Se acreditamos na autodeterminação dos povos, então só há um caminho a seguir. Se o povo do Irã derrubar o regime dos aiatolás, se o povo conseguir derrubar a ditadura do Irã, então viva os iranianos. Eles estão tentando. Agora vamos para um teste muito, muito duro de resiliência. De um lado, o quanto um povo consegue aguentar de violência, de brutalidade, de morte, até ser posto de joelhos. Do outro, enquanto as pessoas com mais poder dentro do regime acreditam que seguirão capazes de se manterem no poder. Quem piscar primeiro, perde. É isso que a gente vai ver nos próximos dias. Nas próximas semanas. Agora, tem algumas coisas inéditas. A coalizão que está nas ruas é totalmente diferente de todos os protestos, no Irã, neste século. São muito mais grupos sociais, pela primeira vez juntos. A ditadura dos aiatolás também nunca esteve tão frágil militarmente. É, igualmente, a primeira vez em que há um clamor visível pelo retorno do xá, o antigo rei, nas ruas do Irã. Não é que isto seja bom ou seja mal. É o que é, e é muito diferente do que foi. Mas, fundamentalmente, é importante não esquecer de um ponto, um único ponto crucial. A estimativa das organizações de direitos humanos é de que já morreram pelo menos 500 pessoas. E, ainda assim, as pessoas continuam enchendo as ruas. A gente precisa respeitar isso. A alternativa é, de longe, acreditar que nós estamos entendendo melhor o que acontece no Irã do que os próprios iranianos. A alternativa é considerar que sabemos melhor o que serve aos iranianos do que eles. É de uma prepotência inimaginável. Então, vem cá, quem está nas ruas? E por que o regime dos aiatolás está mais fraco do que jamais esteve? O que mudou desde a última onda de protestos, em 2022, para cá? Vem comigo, vamos dissecar esse jogo. Primeira coisa a entender, por que o regime está mais fraco? Bem, após o desmanche do Iraque pelos americanos, os aiatolás estenderam forte sua influência militar no Oriente Médio. Já tinham laços fora do país, reforçaram. Mantinham o Hizbolá, dentro do Líbano, o Hamas, em Gaza, e outros grupos. Isso garantia ao país, essencialmente, um nível altíssimo de controle sobre estes dois territórios. Além disso, estava também lá a ameaça nuclear. Em 2025, tudo mudou. Israel decepou a liderança do Hizbolá e e um bom naco da do Hamas. Israel também promoveu assassinatos seletivos de inúmeros líderes da Guarda Revolucionária, o principal braço armado do regime iraniano. Os americanos bombardearam pesado instalações nucleares dentro do país. O poder que o Irã tinha sobre a região simplesmente desapareceu. Sua capacidade de impor instabilidade não tem, nem de longe, o alcance que teve. Internamente, isso tem peso. Porque o povo olha para o regime com a compreensão de que ele está mais fraco. As revoltas populares no Irã são recorrentes. Em 2009, foi por conta da fraude eleitoral que tirou a vitória do candidato à presidência Mir Hossein Mousavi. Foi a Onda Verde. Quem foi pras ruas? A classe média cosmopolita de Teerã. Porque isso é importante de compreender sobre o Irã. O país é divido mais ou menos entre alguns grandes centros urbanos. A capital, gigante, com um quarto da população do país, aí Mashaad, Isfahan, Karahj, Shiraz e Tabriz. A cidade de Shiraz, aliás, diz a lenda que é a origem da uva Sirah. Estas grandes cidades têm uma população cosmopolita e com altíssimo nível educacional. Há mais mulheres do que homens com curso superior, no Irã. Estamos falando de uma das quatro civilizações da Antiguidade com histórico contínuo de produção artística e científica. Irã, Índia, China, Grécia. É um país sofisticado, que tem história de um período democrático no século 20. Essa classe média altamente educada foi às ruas em 2009 e, depois, em 2022. Essas são as passeatas do hijab, contra a polícia religiosa, a basij, que estava prendendo e torturando mulheres que permitissem um chumaço de cabelo escorregando para fora do véu. Entre 2017 e 2019, houve outra onda de protestos. Esta pegou comerciantes e trabalhadores mais pobres, inclusive no interior. O Irã é muito desigual. Esse interior é bastante pobre, com índices baixíssimos de educação formal. O motivo? Crise econômica. Foram protestos fragmentados, espalhados, pequenos em número de pessoas, mas em muitos lugares diferentes. O que está acontecendo agora é que juntou todo mundo. O Rial, a moeda do Irã, foi muito desvalorizada em dezembro. Há seca no país e escassez de produtos nos supermercados. O comércio não está vendendo nada. Então estão todos estes grupos nas ruas. A classe média cosmopolita e educada, a classe trabalhadora pobre e com pouca educação, a elite comercial que é muito importante. E, temos indícios, o baixo clero. Os clérigos que não têm acesso aos líderes de Qom, a cidade dos aiatolás. Nesse baixo clero, veem os aiatolás como uma elite corrupta que se distanciou dos verdadeiros valores da religião. Veja, estes grupos querem coisas muito diferentes e esse movimento revolucionário não tem um líder claro. Talvez seja por isso que, nos protestos iranianos, pela primeira vez se ouça cânticos e slogans clamando pelo retorno do xá Reza Pahlavi, que é o filho do antigo xá, derrubado pela Revolução Islâmica. Nada é dado, tá? Muita coisa diferente pode acontecer. Não é absurda a ideia de que a Guarda Revolucionária chute para fora os aiatolás, isso de alguma forma satisfaça a população, e feche numa ditadura diferente. Uma ditadura militar. Pode terminar numa solução espanhola. Põe o xá como chefe de Estado, numa solução que traz algum tipo de líder consensual simbólico, e vai pruma democracia constitucional. Pode ser que a matança siga e os aiatolás continuem no poder. Muita coisa pode acontecer. Mas, sabe, nessa história em particular só tem um lado no qual se deve estar. É o lado do povo iraniano que está arriscando muito. Que está arriscando tudo.

3,2,1…Feliz Nova ordem mundial?

No primeiro Ponto de Partida React de 2026, nesta sexta-feira (9), Yasmim Restum e Pedro Doria falam sobre a possível ruptura da ordem mundial do nosso último século a partida da invasão dos Estados Unidos na Venezuela no início de janeiro. A conversa passa por comparações entre as potências China e Estados Unidos, e os riscos inerentes a democracias liberais em um contexto de lideranças autoritárias. No entanto, o movimento do presidente estadunidense não é algo novo no mundo, e remonta um perigoso anacronismo que põe em xeque a soberania das nações e acordos multilaterais. Dá pra chamar de imperialismo? E se essa moda pega? Como o Brasil e outros países semelhantes ficam nesse cenário? Junte-se a Yasmim Restum e Pedro Doria nessa jornada de perguntas e respostas orientada pelos comentários que vocês enviam nas redes sociais e canais do Meio. Para participar, comente nos vídeos do Ponto de Partida de segunda ou quarta no Youtube. Acompanhe em áudio no seu tocador de podcasts preferido e assista em vídeo no Youtube.

Que mundo Trump está criando?

Tem uma pergunta que tem me atormentado estes dias: o quanto o mundo mudou após a captura de Nicolás Maduro? Porque, vejam, se você passeia pelas redes sociais existem duas leituras predominantes. Pela direita, tem uma turma eufórica achando que os americanos derrubaram a ditadura bolivariana, que democracia vai voltar pra Venezuela e tudo o mais. Já está claro que não foi nada disso, não é? Pela esquerda, a coisa é vista como os americanos são imperialistas, sempre foram imperialistas, seguirão sendo imperialistas. E, olha, é um lugar confortável de estar para quem é de esquerda, não perturba em nada sua zona de conforto cognitivo e resolve tudo. É só que, para apostar nesse caminho, você precisa achar que as motivações de Donald Trump são as mesmas de todo presidente americano. E, não, não são. Nem suas motivações, nem sua visão de mundo. Trump é uma ruptura radical na política americana, seja democrata, seja republicana. Trump é algo novo e diferente. E o diabo é o seguinte: dizer que é diferente é fácil. Dizer no que ele é diferente, nem tanto.

Como falar de política na ceia

Estamos em 2025. Ano que vem tem eleição presidencial. E este é o último Ponto de Partida do ano. Sabe, estamos juntos aqui faz algum tempo, já. Acho que temos proximidade o suficiente para que eu possa fazer um pedido a todos vocês. A cada um. Seja, você, quem traz paz para a Ceia. Não importa se a festa de família é o Chanuká, o Natal ou o Ano Novo. Não brigue. E, ainda assim, converse sobre política. Não deixe de conversar sobre política.

Já é 2026?!

No último Ponto de Partida React do ano, desta sexta-feira (19), Yasmim Restum e Pedro Doria sentem que 2026 já começou - ao menos, eleitoralmente - e conversam sobre o atual cenário para a disputa presidencial, questionando a viabilidade de Flávio Bolsonaro como o herdeiro direto do capital político da família. O papo passou também pela relevância de Ciro Gomes e Renan Santos; as percepções sobre corrupção na esquerda e na direita; e ainda o dilema do século: por que, em algumas democracias, a população tem uma sensação de mal-estar mesmo com bons índices econômicos? Na segunda (22), ainda tem o último Ponto de Partida do ano. O React retorna na sexta, dia 9 de janeiro. Para participar, comente nos vídeos do Ponto de Partida de segunda ou quarta no Youtube. Assista em vídeo, e acompanhe em áudio no seu tocador de podcasts preferido.

O caminho da direita

Agora vamos compreender que tipo de eleição será travada. E ela depende, essencialmente, do eleitor de direita. Agirá de forma racional para ter uma oportunidade de vitória? Ou o vírus bolsonarista ainda contamina o corpo?