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Ponto de Partida

Pedro Doria em análises profundas e didáticas sobre a política do Brasil e do mundo.

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A direita não se une nem na cadeia

Agora temos duas pesquisas já de 2026. A nossa, Meio/Ideia, e a Genial Quaest. Elas mostram que Lula é favorito, que a direita tem chance mas segue dividia. Pois é. Diferentemente da esquerda.

Quem está certo no Irã?

Imagine a seguinte situação: você está tão cansado, tão exausto de um governo que sai às ruas todo dia para protestar. Agora, dobra isso. Imagine que sair às ruas para protestar seja um risco de vida. Literalmente a polícia, ou o Exército, pode matar você. Ou talvez pior. Você pode ser preso e levado para uma cadeia onde será barbaramente torturado sem que ninguém, nenhum amigo, nenhum familiar, tenha qualquer ideia de onde você está, se vivo ou morto. Estou falando de tortura do pior tipo. Da mais dolorosa. E, ainda assim, você segue escolhendo sair às ruas. Processou esta ideia? Imagine, então, que você é pai ou mãe. Que o líder máximo do seu governo foi à televisão e disse o seguinte: não deixe seus filhos irem às ruas. Se deixarem, não reclamem se o pior acontecer com eles. E, ainda assim, o povo segue tomando as ruas. Segue protestando. Segue pedindo a queda do governo. É isso que está acontecendo no Irã neste momento. A ideia de liberdade é abstrata até o instante que deixa de ser. A gente não tem essa experiência, no Brasil, há muito, muito tempo. Mas, para estas pessoas no Irã, a vida está tão insuportável que não dá mais. Esse “não dá mais” tem este peso: arriscar a vida, arriscar o nível máximo de sofrimento físico, é preferível a continuar como está. Sabe, são momentos assim da história que nos fazem lembrar que a luta por liberdade, que o anseio por liberdade, move povos a situações de limite. Como construir uma opinião a respeito do Irã? Se acreditamos na autodeterminação dos povos, então só há um caminho a seguir. Se o povo do Irã derrubar o regime dos aiatolás, se o povo conseguir derrubar a ditadura do Irã, então viva os iranianos. Eles estão tentando. Agora vamos para um teste muito, muito duro de resiliência. De um lado, o quanto um povo consegue aguentar de violência, de brutalidade, de morte, até ser posto de joelhos. Do outro, enquanto as pessoas com mais poder dentro do regime acreditam que seguirão capazes de se manterem no poder. Quem piscar primeiro, perde. É isso que a gente vai ver nos próximos dias. Nas próximas semanas. Agora, tem algumas coisas inéditas. A coalizão que está nas ruas é totalmente diferente de todos os protestos, no Irã, neste século. São muito mais grupos sociais, pela primeira vez juntos. A ditadura dos aiatolás também nunca esteve tão frágil militarmente. É, igualmente, a primeira vez em que há um clamor visível pelo retorno do xá, o antigo rei, nas ruas do Irã. Não é que isto seja bom ou seja mal. É o que é, e é muito diferente do que foi. Mas, fundamentalmente, é importante não esquecer de um ponto, um único ponto crucial. A estimativa das organizações de direitos humanos é de que já morreram pelo menos 500 pessoas. E, ainda assim, as pessoas continuam enchendo as ruas. A gente precisa respeitar isso. A alternativa é, de longe, acreditar que nós estamos entendendo melhor o que acontece no Irã do que os próprios iranianos. A alternativa é considerar que sabemos melhor o que serve aos iranianos do que eles. É de uma prepotência inimaginável. Então, vem cá, quem está nas ruas? E por que o regime dos aiatolás está mais fraco do que jamais esteve? O que mudou desde a última onda de protestos, em 2022, para cá? Vem comigo, vamos dissecar esse jogo. Primeira coisa a entender, por que o regime está mais fraco? Bem, após o desmanche do Iraque pelos americanos, os aiatolás estenderam forte sua influência militar no Oriente Médio. Já tinham laços fora do país, reforçaram. Mantinham o Hizbolá, dentro do Líbano, o Hamas, em Gaza, e outros grupos. Isso garantia ao país, essencialmente, um nível altíssimo de controle sobre estes dois territórios. Além disso, estava também lá a ameaça nuclear. Em 2025, tudo mudou. Israel decepou a liderança do Hizbolá e e um bom naco da do Hamas. Israel também promoveu assassinatos seletivos de inúmeros líderes da Guarda Revolucionária, o principal braço armado do regime iraniano. Os americanos bombardearam pesado instalações nucleares dentro do país. O poder que o Irã tinha sobre a região simplesmente desapareceu. Sua capacidade de impor instabilidade não tem, nem de longe, o alcance que teve. Internamente, isso tem peso. Porque o povo olha para o regime com a compreensão de que ele está mais fraco. As revoltas populares no Irã são recorrentes. Em 2009, foi por conta da fraude eleitoral que tirou a vitória do candidato à presidência Mir Hossein Mousavi. Foi a Onda Verde. Quem foi pras ruas? A classe média cosmopolita de Teerã. Porque isso é importante de compreender sobre o Irã. O país é divido mais ou menos entre alguns grandes centros urbanos. A capital, gigante, com um quarto da população do país, aí Mashaad, Isfahan, Karahj, Shiraz e Tabriz. A cidade de Shiraz, aliás, diz a lenda que é a origem da uva Sirah. Estas grandes cidades têm uma população cosmopolita e com altíssimo nível educacional. Há mais mulheres do que homens com curso superior, no Irã. Estamos falando de uma das quatro civilizações da Antiguidade com histórico contínuo de produção artística e científica. Irã, Índia, China, Grécia. É um país sofisticado, que tem história de um período democrático no século 20. Essa classe média altamente educada foi às ruas em 2009 e, depois, em 2022. Essas são as passeatas do hijab, contra a polícia religiosa, a basij, que estava prendendo e torturando mulheres que permitissem um chumaço de cabelo escorregando para fora do véu. Entre 2017 e 2019, houve outra onda de protestos. Esta pegou comerciantes e trabalhadores mais pobres, inclusive no interior. O Irã é muito desigual. Esse interior é bastante pobre, com índices baixíssimos de educação formal. O motivo? Crise econômica. Foram protestos fragmentados, espalhados, pequenos em número de pessoas, mas em muitos lugares diferentes. O que está acontecendo agora é que juntou todo mundo. O Rial, a moeda do Irã, foi muito desvalorizada em dezembro. Há seca no país e escassez de produtos nos supermercados. O comércio não está vendendo nada. Então estão todos estes grupos nas ruas. A classe média cosmopolita e educada, a classe trabalhadora pobre e com pouca educação, a elite comercial que é muito importante. E, temos indícios, o baixo clero. Os clérigos que não têm acesso aos líderes de Qom, a cidade dos aiatolás. Nesse baixo clero, veem os aiatolás como uma elite corrupta que se distanciou dos verdadeiros valores da religião. Veja, estes grupos querem coisas muito diferentes e esse movimento revolucionário não tem um líder claro. Talvez seja por isso que, nos protestos iranianos, pela primeira vez se ouça cânticos e slogans clamando pelo retorno do xá Reza Pahlavi, que é o filho do antigo xá, derrubado pela Revolução Islâmica. Nada é dado, tá? Muita coisa diferente pode acontecer. Não é absurda a ideia de que a Guarda Revolucionária chute para fora os aiatolás, isso de alguma forma satisfaça a população, e feche numa ditadura diferente. Uma ditadura militar. Pode terminar numa solução espanhola. Põe o xá como chefe de Estado, numa solução que traz algum tipo de líder consensual simbólico, e vai pruma democracia constitucional. Pode ser que a matança siga e os aiatolás continuem no poder. Muita coisa pode acontecer. Mas, sabe, nessa história em particular só tem um lado no qual se deve estar. É o lado do povo iraniano que está arriscando muito. Que está arriscando tudo.

3,2,1…Feliz Nova ordem mundial?

No primeiro Ponto de Partida React de 2026, nesta sexta-feira (9), Yasmim Restum e Pedro Doria falam sobre a possível ruptura da ordem mundial do nosso último século a partida da invasão dos Estados Unidos na Venezuela no início de janeiro. A conversa passa por comparações entre as potências China e Estados Unidos, e os riscos inerentes a democracias liberais em um contexto de lideranças autoritárias. No entanto, o movimento do presidente estadunidense não é algo novo no mundo, e remonta um perigoso anacronismo que põe em xeque a soberania das nações e acordos multilaterais. Dá pra chamar de imperialismo? E se essa moda pega? Como o Brasil e outros países semelhantes ficam nesse cenário? Junte-se a Yasmim Restum e Pedro Doria nessa jornada de perguntas e respostas orientada pelos comentários que vocês enviam nas redes sociais e canais do Meio. Para participar, comente nos vídeos do Ponto de Partida de segunda ou quarta no Youtube. Acompanhe em áudio no seu tocador de podcasts preferido e assista em vídeo no Youtube.

Que mundo Trump está criando?

Tem uma pergunta que tem me atormentado estes dias: o quanto o mundo mudou após a captura de Nicolás Maduro? Porque, vejam, se você passeia pelas redes sociais existem duas leituras predominantes. Pela direita, tem uma turma eufórica achando que os americanos derrubaram a ditadura bolivariana, que democracia vai voltar pra Venezuela e tudo o mais. Já está claro que não foi nada disso, não é? Pela esquerda, a coisa é vista como os americanos são imperialistas, sempre foram imperialistas, seguirão sendo imperialistas. E, olha, é um lugar confortável de estar para quem é de esquerda, não perturba em nada sua zona de conforto cognitivo e resolve tudo. É só que, para apostar nesse caminho, você precisa achar que as motivações de Donald Trump são as mesmas de todo presidente americano. E, não, não são. Nem suas motivações, nem sua visão de mundo. Trump é uma ruptura radical na política americana, seja democrata, seja republicana. Trump é algo novo e diferente. E o diabo é o seguinte: dizer que é diferente é fácil. Dizer no que ele é diferente, nem tanto.

Como falar de política na ceia

Estamos em 2025. Ano que vem tem eleição presidencial. E este é o último Ponto de Partida do ano. Sabe, estamos juntos aqui faz algum tempo, já. Acho que temos proximidade o suficiente para que eu possa fazer um pedido a todos vocês. A cada um. Seja, você, quem traz paz para a Ceia. Não importa se a festa de família é o Chanuká, o Natal ou o Ano Novo. Não brigue. E, ainda assim, converse sobre política. Não deixe de conversar sobre política.

Já é 2026?!

No último Ponto de Partida React do ano, desta sexta-feira (19), Yasmim Restum e Pedro Doria sentem que 2026 já começou - ao menos, eleitoralmente - e conversam sobre o atual cenário para a disputa presidencial, questionando a viabilidade de Flávio Bolsonaro como o herdeiro direto do capital político da família. O papo passou também pela relevância de Ciro Gomes e Renan Santos; as percepções sobre corrupção na esquerda e na direita; e ainda o dilema do século: por que, em algumas democracias, a população tem uma sensação de mal-estar mesmo com bons índices econômicos? Na segunda (22), ainda tem o último Ponto de Partida do ano. O React retorna na sexta, dia 9 de janeiro. Para participar, comente nos vídeos do Ponto de Partida de segunda ou quarta no Youtube. Assista em vídeo, e acompanhe em áudio no seu tocador de podcasts preferido.

O caminho da direita

Agora vamos compreender que tipo de eleição será travada. E ela depende, essencialmente, do eleitor de direita. Agirá de forma racional para ter uma oportunidade de vitória? Ou o vírus bolsonarista ainda contamina o corpo?

Flávio é mesmo candidato?

A candidatura de Flávio Bolsonaro é para valer? Bem, depende para quem você pergunta. Se, neste momento, você for dar uma olhadinha no Fintweet, a turma da Faria Lima que badala no X, no Twitter, eles ainda estão convencidos de que Tarcísio é candidatíssimo. Essa é daquelas análises que misturam muito desejo com o racional. Se você for perguntar a Gilberto Kassab, ele já está trabalhando ativamente com o cenário Flávio é candidato até o fim e Tarcísio disputa a reeleição em São Paulo. Nessa análise não tem nada de desejo mas também não quer dizer que seja por convicção. O que rola, aí, é cálculo. O cenário pode mudar, mas é prudente operar como se já fosse certo. Flávio anunciou sua candidatura em 5 de dezembro. Aí, no dia 7, um domingo, fez que podia negociar uma saída. Na segunda da semana passada, reiterou a candidatura. No final de novembro, o pessoal da AtlasIntel fez perguntas sobre um cenário em que Flávio seria candidato. No primeiro turno, Lula teria 47% dos votos e, Flávio, 23%. Ronaldo Caiado chegaria em terceiro com 10%, Ratinho Júnior com 7, Zema com 5, daí vêm os nanicos, os retardatários. Importante registrar: esse aí é um levantamento no qual ainda não havia se espalhado, pelas redes bolsonaristas, a notícia de que o filho Zero Um havia sido ungido. Nesse cenário da Atlas, tem segundo turno e Flávio disputa com Lula. Perde, mas essa é outra história, muito cedo pra realmente dizer. Quando o anúncio da candidatura Flávio foi feito, muita gente no Bluesky lulista ficou eufórica. Agora sim, vitória no primeiro turno. Vai ser fácil. Pois é. Muito mais desejo do que análise também aí. Na verdade, uma candidatura Flávio pode até não levá-lo ao segundo turno, mas aumenta em muito as chances de haver segundo turno. Vem cá, qual é a regra? É simples. Se um candidato recebe mais votos do que seus adversários somados, vitória no primeiro turno. Metade mais um dos votos válidos. Se recebe menos, ele e o segundo colocado vão disputar uma nova eleição. Vocês lembram como foi, em 2022? Primeiro turno, Lula teve 48,4%. Jair Bolsonaro teve 43,2%. Diferença de cinco pontos percentuais. De seis milhões de votos. Um bocado. Chegou no segundo, apertou e muito. Lula chegou muito perto do seu teto já no primeiro. Bolsonaro, não. A diferença entre os dois foi de menos do que dois pontos percentuais. Ficaram por dois milhões de votos um do outro. Se Flávio for candidato mesmo, esta eleição de 2026 vai ser muito diferente daquela. Os motivos são dois. Um, que o bolsonarismo enfraqueceu. E, dois, que Bolsonaro não é presidente. O incumbente, quer dizer, o sujeito que está na presidência e se candidata a seguir no cargo, tem uma vantagem natural. Olha só, todo presidente, no ano da reeleição, tem uma melhora de sua avaliação entre o primeiro e o segundo semestre. Não tem nenhuma razão para achar que isso não será verdade para Lula. Isso acontece pelo seguinte: o governo gasta mais com propaganda e se organiza para gastar mais dinheiro no ano eleitoral. Mais dinheiro na economia dá uma aquecida a mais, as pessoas têm a impressão de que tem mais grana rolando. O otimismo é bom pro governante. Todo mundo fez isso, todo presidente, todo governador, até os prefeitos fazem isso. Vencer incumbente é difícil. O problema para Lula é o seguinte: só um político, em todo o Brasil, tem rejeição maior do que a de Lula. Jair Bolsonaro. Lula é muito rejeitado. Os dois são. Mais de metade dos brasileiros, realmente, gostariam de ver os dois pelas costas. Só que, aí, entra outra questão. Eles são também os políticos com a maior base de fãs, de eleitores dedicadíssimos, do país. Lula tem 17% de fãs, segundo o Instituto Ideia. Bolsonaro tem 12% de fãs. Essa é a base, o alicerce, o mínimo do mínimo do mínimo. Parte daqueles 23% de votos que a Atlas encontrou na pesquisa para Flávio são esses 12%, aí. Isso é sólido. A outra parte é puro reconhecimento de nome. É a parte que dá pra roubar. Ou não. Então voltamos para nossa pergunta essencial. A candidatura de Flávio Bolsonaro é para valer? A chave é saber se tem segundo turno e se ele estará lá. Se chegarmos a junho, julho, e Flávio ainda estiver em segundo nas pesquisas, com cara de que vai ter segundo turno, não tem muito motivo para ele sair da briga. E o fato de Flávio estar na briga já meio que faz essa uma eleição com jeitão que terá segundo turno. Sabe por quê? Porque, gente, vamos voltar à regra? Metade mais um. Se o líder da corrida não tiver metade mais um dos votos válidos, tem segundo turno. Se a direita apresenta muitos candidatos, o que ocorre? Na maior parte das eleições presidenciais que tivemos, o cenário é algo assim: um primeiro lugar acima dos trinta, um segundo acima dos vinte e um terceiro, distante, mas ali com 10 a 15 porcento dos votos. E um pelotão com cinco, com quatro, com seis, com dois. Eleição com muito candidato tem disso. As pessoas não querem Dilma, não querem Aécio. Correm pra Marina. As pessoas não querem Bolsonaro, não querem Haddad, correm pro Ciro. Sempre tem esse candidato meio para-raios. Uma pessoa que atrai os votos de todo mundo que quer evitar aquela dupla no segundo turno. Se a direita lança o governador paulista Tarcísio de Freitas, a tendência são os partidos de direita se reunirem ao redor dele. Pouca gente na briga. Mas, se alguém com o sobrenome Bolsonaro entra na briga, aí a tendência é a direita se dividir. Ironicamente, Tarcísio é simultaneamente o candidato mais forte da direita e aquele que dá a maior chance de Lula vencer no primeiro turno. Porque uma eleição com Tarcísio candidato é uma com poucos outros candidatos. Tem menos gente para ser aquele terceiro para o qual todo mundo que não quer nem um, nem o outro, consegue correr. E aí? A candidatura de Flávio vale, vale de verdade, é firme? Vamos trabalhar com duas datas-chaves para sabermos. A primeira, 4 de abril de 2026. E, a segunda, 15 de agosto. Se Flávio ainda for candidato no dia 4 de abril, isso é tipo um mês depois do carnaval, 80% de chances de ele ser candidato. Se em 15 de agosto estiver de pé, essa é a briga. Por que, vocês perguntam. Vamos lá ao por quê. Vamos lá, sem firula. Os partidos de direita querem lançar Tarcísio de Freitas à presidência. Tarcísio deixou claro para todo mundo que só sai com apoio de Bolsonaro. E Bolsonaro indicou Flávio. Pois bem, Tarcísio tem um de dois caminhos. Por um lado, candidatura fácil à reeleição em São Paulo. Por outro, a batalha pelo Planalto. A Constituição determina que, se você concorre à reeleição, pode seguir onde está. Se quer outra disputa, precisa deixar o cargo executivo seis meses antes. A eleição é em 4 de outubro. Tarcísio tem até 4 de abril para renunciar ao governo de São Paulo. Se não renunciar, só tem uma eleição que ele pode disputar. A para continuar onde está. Então vamos lá: por que Flávio desiste da candidatura se, em 4 de abril, ele se mantiver em segundo, distante do terceiro, num quadro com cara de dar segundo turno? Tem um motivo. Anistia para o pai. O Congresso aprova a anistia, o Supremo deixa rolar. Está com zero cara de que vai acontecer. Tem outro cenário? No momento, muito difícil imaginar. “Ah, mas de que adianta chegar ao segundo turno se vai perder para Lula?” Muito simples. Por mais quatro anos a família Bolsonaro poderá dizer que é líder da direita no Brasil. Pode valer mais perder tendo chegado ao segundo turno do que não disputar. No momento, é este cálculo que estão fazendo. Agora, conforme julho vai se aproximando, os partidos precisarão definir seus candidatos. Isso quer dizer que, embora a campanha não esteja rolando oficialmente, todo mundo vai estar batendo perna pelo Brasil. Governadores como Zema, Ratinho e Caiado terão renunciado ao cargo e vão fazer de tudo e gastar os tubos para se apresentarem a muita gente. E os números vão começar a flutuar. Mais gente vai ver estes nomes no Zap, no Insta, no TikTok, no X, onde for. Uns vão crescer, um deles vai botar o pescoço pra fora e chegar ali em terceiro. Esse terceiro é um terceiro 12%? Ou um terceiro 18%? Flávio, a essa altura, vai estar estável, vai inclinar para baixo, para cima? No primeiro semestre, tudo é pesquisa. As pesquisas vão mostrar que, para uns, é mais negócio desistir e virar vice. Para outros, bota mais grana porque está rendendo. Em 15 de agosto, os partidos terão já de ter registrado os candidatos. É dada a largada. Alguém ultrapassa Flávio? Flávio desiste antes? E aí? Flávio é candidato ou não é? Tudo é pesquisa. Vamos assistir de camarote. Vai ser intenso. Vai ter surpresa. Que surpresa? Pois é.

Truco entre poderes

Desde a candidatura chantagista de Flávio Bolsonaro, à aprovação do PL da Dosimetria na Câmara, passando pela crise institucional no STF envolvendo os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes e pela barbárie na Câmara dos deputados, os sintomas de uma corrosão democrática se avolumam. No Ponto de Partida React, desta sexta-feira (12), Yasmim Restum e Pedro Doria conversam sobre o perigo do abandono da universalidade e do diálogo. Como exemplo da tribalização social agravada pelas redes, está a polêmica de Francisco Bosco — filósofo cancelado recentemente sob o argumento do "lugar de fala". Yasmim Restum e Pedro Doria te guiam nessa jornada com uma seleção dos comentários que vocês enviam nas redes sociais e canais do Meio. Para participar, comente nos vídeos do Ponto de Partida de segunda ou quarta. Assista em vídeo no Youtube, e acompanhe em áudio no seu tocador de podcasts preferido.

Dosimetria, Glauber e Chico

É incrível, 10 de dezembro e o Brasil não para. Gilmar Mendes suspendeu parcialmente sua decisão de mudar a lei do impeachment para o Supremo. Hugo Motta arrancou com violência Glauber Braga, um deputado federal, do plenário da Câmara. E a Casa aprovou, mandando para o Senado, a Lei da Dosimetria. Se aprovar, se virar lei, diminui a pena de Bolsonaro e dos generais.