Como foi o golpe de Bolsonaro

54% dos brasileiros não consideram que houve uma tentativa de golpe de Estado, em 2022. O número vem da pesquisa Meio/Ideia, que nós publicamos na semana passada. É um índice que vem me assombrando nos últimos dias. O que você acha? Talvez você seja uma daquelas pessoas que tenha dúvidas exatamente sobre o que aconteceu, sobre por que Bolsonaro foi condenado. Se for seu caso, este vídeo talvez possa ajudá-lo.
Cerco ao Supremo

Como podemos convencer a sociedade a defender a democracia quando as próprias instituições sofrem de uma crise profunda de credibilidade? Ao mesmo tempo em que o Supremo Tribunal Federal se vê emaranhado nas revelações do escândalo do Banco Master, a nova pesquisa Meio/Ideia revela que 54% dos brasileiros não acreditam que houve uma tentativa de golpe de Estado no fim de 2022. Como essa negação se cruza com a proteção corporativista no STF? E qual é o risco desse cenário alimentar um discurso antissistema?
54% não acham que teve golpe

Hoje mais cedo, no Central Meio, Maurício Moura lembrou da insurreição do 6 de janeiro, nos Estados Unidos. Nas semanas seguintes, Joe Biden já havia tomando posse como presidente, o Instituto Pew perguntou aos americanos o que achavam da investigação que o Congresso estava conduzindo. 87% dos americanos consideravam fundamental investigar. Em janeiro do ano seguinte, um ano depois, 54% dos americanos achavam que os parlamentares haviam sido injustos com a turma que fez a invasão. Em todas as pesquisas, a percepção de que aquele 6 de janeiro havia sido muito, muito grave, foi desandando. A mesma coisa está acontecendo por aqui. A Pesquisa Meio/Ideia, que nós publicamos hoje, registra que 54% dos brasileiros não acham que Jair Bolsonaro tentou um golpe de Estado.
Toffoli tem de sair

A melhor coisa que pode acontecer para o país, este ano, é o conjunto de ministros do Supremo convencerem José Antonio Dias Toffoli a se aposentar precocemente. Ainda no primeiro semestre. É isso mesmo. O equivalente a uma renúncia. Talvez a única forma de evitar um ataque pesado ao Supremo, no caso de uma vitória bastante possível de Flávio Bolsonaro, seja essa. E não é só Flávio, né? Hoje, Pablo Marçal já botou o pezinho pra sentir a temperatura da água. Renan Santos está doido pra entrar nesse jogo. O cheiro de que a eleição tem espaço prum candidato anti-sistema está aí. Não é só. De acordo com o jornalista Merval Pereira, os comandantes militares procuraram o presidente Lula. O Supremo condenou, no julgamento do golpe, quem quis. E agora, com o Supremo agindo como está, como é que fica a República?
Flávio não é Jair?

Desde o esvaziado ato bolsonarista na Avenida Paulista, que pareceu evidenciar a dificuldade de Flávio Bolsonaro em empolgar a militância, até a quebra de um protocolo histórico pelos Estados Unidos ao ordenar a morte de um chefe de Estado no Irã, o Ponto de Partida React desta sexta (6) analisa o atual cenário no Irã diante de um vácuo de poder, e o difícil equilíbrio necessário a Flávio para seguir competitivo nessa eleição.
Flávio não empolgou bolsonaristas

Em fevereiro de 2024, exatamente dois anos atrás, o ex-presidente Jair Bolsonaro levou 185 mil pessoas para a Avenida Paulista. Ele já estava sendo investigado por tentativa de golpe de Estado mas o julgamento não havia começado. Naquele dia, o mote do protesto era a soltura da turma que depredou os palácios dos três Poderes, no 8 de janeiro de 2023. Agora nesse domingo, dois anos depois, Flávio Bolsonaro conseguiu juntar 20 mil e 400 pessoas. Em ambos os casos, a contagem foi feita pela mesma equipe da Universidade de São Paulo, agora em conjunto com a ONG More in Common. Mesma técnica, mesmo software. E, sim, a manifestação do domingo ocorreu num contexto muito específico. Flávio está crescendo nas pesquisas de uma eleição presidencial que vai acontecer este ano. O que isso quer dizer?
Khamenei não faz falta

Nunca, na história de Israel, o país ordenou a morte de um chefe de Estado. Com os americanos a coisa é mais controversa mas, pela lei, tudo indica que a ordem de morte do aiatolá Ali Khamenei foi ilegal. A ruptura por ambos os países com sua tradição importa aqui porque é uma porta que se abre. Principalmente no caso americano. Agora pode assassinar presidentes, reis?
Flávio à frente; e o golpe?

Atlas Inteligência. Lula e Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente no segundo turno. Flávio na frente, tá? O que nos obriga a lembrar o que foi o governo Jair Bolsonaro. E como ele tornou nossa democracia muito pior do que já era.
O alvo no Supremo

Pelo menos duas pesquisas de opinião, uma encomendada por um partido político, outra pela Faria Lima, ouviram o seguinte nas últimas semanas: mais de metade dos eleitores escolherão seus candidatos ao Senado com um único critério. O compromisso com o impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Como não são pesquisas registradas no TSE, os detalhes não podem ser divulgados. Mas, hoje, com março já na antessala, Carnaval passado, a tendência é essa.
Enterro dos Ossos

O fim do Carnaval é o recomeço da conversa séria sobre os rumos do nosso país. Na ressaca da folia, o Ponto de Partida React desta sexta (20) tem Yasmim Restum e Pedro Doria voltando a falar de política e democracia, sem deixar o Carnaval de lado. Em um bate-bola rápido, a gente separa confete de distração, micareta de problema real, e tenta entender quem está puxando o trio elétrico da política brasileira.