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5 de outubro de 2016
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5 de outubro de 2016

STF não protege Lula, mas puxa orelha do MP

A segunda turma do Supremo Tribunal Federal negou o pedido dos advogados do ex-presidente Lula de que seu julgamento saísse de Curitiba. Os defensores argumentam que, como há um processo correndo no STF sobre o esquema de corrupção na Petrobras, ele deveria ser unificado. Para o ministro Teori Zavascki, responsável pela decisão, é inviável que todo o julgamento ocorra em Brasília. O Supremo só julgará aqueles réus obrigatórios por terem foro privilegiado.
 
Zavascki, que é um dos mais cautelosos ministros da Corte, censurou os procuradores. No Power Point apresentado por eles em Curitiba estava um slide com vários círculos apontando para Lula. Como se o estivessem acusando de comandar uma organização criminosa. A denúncia, porém, foi outra. Trata do recebimento de vantagens indevidas recebidas pelo ex-presidente em um tríplex no Guarujá e num sítio de Atibaia. “Essa espetacularização do episódio não é compatível com a seriedade que se exige”, afirmou. Ressaltou, também, que sua crítica é ao MP, não ao juiz Sergio Moro.

Aliás, no tiroteio: “O ex-presidente Lula sabe que vou visitá-lo em Curitiba.” De João Doria, prefeito eleito de São Paulo.

Mais uma para a coleção

A operação Hidra de Lerna, deflagrada ontem de manhã pela Polícia Federal, foi atrás do financiamento ilegal de campanhas eleitorais na Bahia e fraudes em licitações no Ministério das Cidades. Os alvos foram o governador Rui Costa (PT), os ex-ministros Márcio Fortes e Mário Negromonte, o PT estadual, a empreiteira OAS e a empresa de comunicação Propeg. Não houve prisões.

Curtas

O STF vai avaliar se aceita denúncia pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente do Senado, Renan Calheiros. Há quem sinta falta dele por lá.

Temer é reprovado por 55% dos brasileiros. E aprovado por 28%. Piora: 38% acham seu governo igual ao de Dilma; 31%, pior. Pesquisa CNI/Ibope.

Isaac Piyãko (PMDB) foi eleito prefeito de Marechal Thaumaturgo, no Acre. Recebeu 4.094 votos, pouco mais de 55%, contra o petista Aldemir Lopes. Piyãko é um índio ashaninka e diz ter sofrido preconceito durante a campanha.

Sai petista, entra tucano. Doria venderá Interlagos e o Anhembi. Espera R$ 7 bilhões.

Cariocas: o inacreditável tweet do Pastor Silas Malafaia.

Reforma política à italiana

A Itália se tornou uma República parlamentarista em 1946. Nestes 70 anos, trocou de governo 67 vezes. Não é difícil de explicar: basta que Câmara ou Senado vote uma Moção de Desconfiança e o primeiro ministro tem de voltar ao Plenário, renegociar todos os acordos políticos, trocar ministros e tudo o mais. Sempre que isso ocorre, o Parlamento para de avaliar leis para se dedicar à resolução da crise.
 
O país está começando uma super-reforma política.
 
O sistema político italiano não tem nada a ver com o brasileiro. Mas ambos são países latinos, com economias de tamanho similar, a Lava Jato foi inspirada na Mãos Limpas e aos dois requerem reformas pela estabilidade. Vale ficar de olho.

Viver

Os outros estados da matéria

Talvez você ache que a matéria passe por três estados: sólido, líquido, gasoso. Mas é um pouco mais complicado do que isso. Em condições extremas — quando está muito frio, ou quando é muito fina — a matéria encara outros estados. De princípios dos anos 1980 para cá, os físicos britânicos David Thouless, F. Duncan Haldane e J. Michael Kosterlitz se dedicaram ao estudo da topologia, das superfícies nestes estados raros. É daí que saem, por exemplo, os supercondutores que deixam eletricidade passar sem resistência. É deles o Nobel de Física deste ano.

Ele era um sapo

Toughie morava no Jardim Botânico de Atlanta e ninguém sabe ao certo quantos anos tinha. Estimava-se que 12, mas pode ser mais. Foi resgatado em 2005 por cientistas que cruzaram as matas panamenhas por conta da epidemia de um fungo que estava mudando por completo a região. 85% dos anfíbios que viviam ali morreram. Toughie, o sapo, era avermelhado com pintas brancas, subia em árvores com habilidade e tinha a capacidade de planar de uma copa para a outra. Foi o único de sua espécie conhecido e também o último. Morreu ontem de velhice.

E por falar no sapo

O Parlamento Europeu aprovou o Acordo de Paris, de combate às mudanças climáticas. A Índia assinou domingo. Assim, com signatários o suficiente que representem mais de 55% das emissões globais de carbono, ele entrará em vigor.

Ranking do Enem

São Paulo tem 30 dentre as 100 melhores escolas do país de acordo com o ranking do Enem. O Rio, em queda, tem 17. No top 10, Fortaleza aparece três vezes. Mais de metade das escolas pioraram em desempenho. E, de toda a lista, só três são públicas. O Globo pôs no ar uma ferramenta para fuçar todas elas.

Cotidiano Digital

Você tem email Yahoo?

Segundo a agência de notícias Reuters, o Yahoo! criou por encomenda do FBI um software que permitisse buscar, nos emails de todos seus usuários, por informações específicas. É a primeira vez que uma empresa do Vale do Silício se dá ao trabalho de criar tecnologias para facilitar a espionagem de seus usuários pelo governo.

Google quer ser Apple

A apresentação dos produtos não teve o requinte típico da vizinha Apple, mas ontem o Google se tornou uma empresa mais parecida com a concorrente. Sua nova estratégia se dá numa família de hardware mesclada com software. Se o que faz os aparelhos da Apple únicos é uma interface muito fácil de usar, o que está por trás das máquinas anunciadas pelo Google é a inteligência. A capacidade de antecipar os desejos do usuário e de lhe poupar trabalho. A imprensa está destacando os aparelhos: celulares, roteador wifi, óculos de realidade virtual, Chromecast e o assistente digital Google Home. Mas vai além. É uma família de produtos que faz sentido em conjunto, integrada com os programas via web da companhia.

Curtas

Whindersson Nunes passou o Porta dos Fundos e é o maior canal do YouTube brasileiro.

A Anatel tem novo presidente. O nome de Juarez Quadros foi aprovado pelo Senado. E ele quer se meter no processo de recuperação judicial da Oi.

Cultura

O mistério de Elena

Grandes mistérios literários existem para ser desvendados. Ou, talvez, não mais. Escrevendo para a tradicional New York Review of Books, o repórter investigativo Claudio Gatti afirma que a escritora por trás do pseudônimo Elena Ferrante é a tradutora alemã que vive na Itália Anita Raja. Ferrante, publicada no Brasil pela Editora Globo, mescla em seus romances temas como não querer filhos, o tédio do sexo no casamento, o manter de aparências de uma boa vida de classe média. Escreve faz vinte anos, sempre quis o anonimato. Nunca promoveu seus livros e ainda assim tornou-se famosa. Queria a liberdade de não ser conhecida. Desde que a reportagem foi publicada, domingo, uma penca de artigos vem saindo na imprensa de EUA e Europa defendendo a privacidade da escritora num mundo digital.

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