Assine o Meio: notícia confiável para quem não tem tempo de ler jornal.





Share Tweet
6 de dezembro de 2016
Consultar edições passadas

6 de dezembro de 2016

Renan virou tóxico

Era fim de tarde, em Brasília, quando o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, acatou pedido da Rede e tornou pública liminar em que apeia do comando o presidente do Senado, Renan Calheiros. Um dia após manifestações contra Renan se apresentarem por todo o país. E esta terça-feira amanhece com duas dúvidas. O Senado votará, na terça que vem, a PEC do Teto dos gastos públicos como estava previsto? É a rodada final. Com o afastamento de Renan, o PT assume a presidência da Casa. O acreano Jorge Viana, afinal, é o vice. E votou contra a PEC no primeiro turno. A segunda pergunta é se a liminar, que será avaliada na quarta-feira pelo colegiado do Supremo, permanecerá de pé.
 
A decisão de Marco Aurélio expõe uma rixa interna do tribunal. Em novembro, o ministro Dias Toffoli pediu vistas a uma decisão que já estava aprovada e tornaria ilegal que réus ocupem lugar na sucessão presidencial. Desde a semana passada, Renan é réu. O gesto de Toffoli salvou o presidente do Senado usando um truque regimental que adia mas não evita a decisão. Pois Marco Aurélio o driblou por liminar. A expectativa é de que, na quarta, o pedido de vistas se torne inútil e Renan seja afastado em definitivo.

A decisão não estava no radar de ninguém. Foi construída em silêncio. Começou, como lembrou José Roberto de Toledo no Twitter, no momento em que Renan tentou votar às pressas as 10 Medidas modificadas pela Câmara. Quando os senadores o deixaram sozinho na manobra, o presidente da Casa revelou-se frágil pela falta de apoio. Depois, como diz Mara Bergamaschi no Globo, o Judiciário achou por bem oferecer uma resposta clara ao pedido das ruas, domingo.

Renan se recusou a receber o oficial de Justiça à noite. Marcou um encontro público, no próprio Senado, perante a imprensa. Hoje, 11h. (Folha)
                       
A segunda-feira não parou aí.

Um juiz do Mato Grosso mandou bloquear R$ 38,2 milhões em bens de, entre outros, Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil de Temer. É para a recuperação de um desastre ambiental causado por fazenda sua. Enquanto isso, a Polícia Federal executou mandado de busca e apreensão contra o ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT) e o ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo (PMDB) por conta da Lava Jato. (Estadão)

O presidente Michel Temer apresentou oficialmente sua proposta de Reforma da Previdência. Aposentadoria só a partir dos 65 anos, tanto para quem é do setor privado quanto para servidores públicos.  Os militares não precisarão se adequar à regra que muda. No Estadão, Cida Damasco se pergunta: por que poupá-los?

O Cade apresentou o acordo de leniência feito com a Andrade Gutierrez. A empreiteira denunciou a formação de um cartel para realizar as obras dos estádios da Copa do Mundo que incluíam também Odebrecht, OAS, Carioca Engenharia, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa. (Globo)

Chegamos ao ponto em que até os bancos estão pedindo uma taxa Selic menor. (Globo)

E gasolina e diesel aumentam hoje. (Estadão)

Neste ano, perderam seus cargos os presidentes da República, da Câmara e do Senado.
 
Faltam 25 dias para 2016 acabar.

O primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, estará no Havaí entre 26 e 27 de dezembro. A data marca os 75 anos do ataque do país à base naval de Pearl Harbor e a decisão dos EUA de entrarem na Segunda Guerra. Oficialmente, não se trata de um pedido de desculpas. O gesto, porém, é inédito.

Viver

Um iceberg de 588 km2 deslocou-se da Antártica em julho de 2015. Equivalente a uma terça parte do município de São Paulo. Um evento destes é raríssimo. E dois estudos publicados agora chegaram, em separado, a uma mesma explicação. O continente é parte terra firme e parte gelo. O gelo milenar está ancorado à terra por espessos pilares, como píeres naturais. Por baixo, circulam rios de água salgada que vêm do oceano. Mais quentes, estes rios estão entrando mais longe e, assim, derretem as amarrações que seguram o Manto de Gelo da Antártica Ocidental (Wikipédia). Esta área, que contém 2,2 milhões de km3 de gelo, representa 10% do continente. Para os pesquisadores, a questão não é se o manto vai se descolar. É quando. O tempo, possivelmente, se mede em décadas. Um vídeo construído com fotos de satélite mostra o descolamento do iceberg. (Folha)

Aliás… o Google pôs no ar o Timelapse. Não é um arquivo completo como o Google Earth, mas reúne imagens de satélite da Terra entre 1989 e 2016 e permite a construção de um vídeo com o passar do tempo. Registra a expansão de cidades, lagos que secam, gelo que some. O Guardian preparou um pacote de exemplos.

Cotidiano Digital

O Allo chegou ao Brasil. É um WhatsApp inteligente construído pelo Google. Ele aprende os tiques de cada um e antecipa respostas possíveis, como expressões usadas com frequência ou os emojis favoritos do usuário. Permite edição de fotografias no estilo Snapchat. O mais importante não é isso: com ele, chega ao português o Google Assistant. É a plataforma de inteligência com linguagem natural do Google, que responde a perguntas por escrito ou voz. Lançado muito recentemente, só existia em inglês e alemão. Português brasileiro é sua terceira língua.

A Câmara dos Deputados decide, hoje, se votará com urgência um projeto para proibir o Uber em todo o território nacional.

Cultura

No início de The Last Guardian, um menino encontra uma besta presa – mistura de um gato gigantesco com um pássaro – e logo tem o desafio de domá-lo. Não é um filme, é um game que acaba de sair para a plataforma PS4, da Sony. O menino que o jogador encarna não tem nada do típico personagem de videogame. Frágil, capaz de pulos raquíticos, inseguro. É sua habilidade de criar uma relação com a besta que lhe permitirá explorar o ambiente e tentar descobrir o mistério acerca de onde está. Não é ação que o designer Fumito Ueda pretendia explorar, e sim esta relação. O desafio do jogador é a lenta criação de empatia, o amadurecimento de uma relação. Mais um passo na tentativa de levar games para uma linguagem mais profunda. Assista ao trailer.

“Alguém achou que Maria não sabia que a cena seria violenta. Isto é falso”, escreveu o diretor Bernardo Bertolucci, ontem. Trata da polêmica a respeito do estupro representado por Marlon Brando e Maria Schneider, no filme O Último Tango em Paris. “Maria sabia de tudo porque estava no script. A única surpresa foi a ideia de usar manteiga como lubrificante.” Em um vídeo de 2013, citado pelo Meio ontem, ele parecia sugerir que ela não estava informada de que haveria uma cena de violência sexual. Décadas depois, a atriz disse que se sentiu humilhada pela experiência.

Em tempo: na cobertura da imprensa em geral foi esquecido um detalhe. A reação de Marlon Brando ao estilo de direção de Bertolucci não foi diferente. “Fui completamente violado”, escreveu o ator ainda nos anos 1970. “Nunca mais farei um filme deste jeito.”

Assine o Meio: notícia confiável para quem não tem tempo de ler jornal.





Share Tweet



Consultar edições passadas