Assine o Meio: notícia confiável para quem não tem tempo de ler jornal.





Share Tweet
7 de dezembro de 2016
Consultar edições passadas

7 de dezembro de 2016

Hoje, tudo pode acontecer

Renan Calheiros ainda é presidente do Senado. Recusou-se, ontem, a receber o oficial de Justiça que lhe informaria da liminar expedida pelo ministro Marco Aurélio que o tirou do cargo. Um acordo para que os líderes dos partidos lhe dessem apoio foi tentado. Não conseguiu. O apoio que veio foi o da mesa diretora e construiu-se um discurso: como a liminar é decisão provisória, não teria a força da definitiva, que será tomada pelo Supremo em plenário. Legalmente, não faz sentido. Mas a desobediência é só aparente. Não houve sessão do Senado. Renan, portanto, não exerceu o cargo de presidente. A liminar, tecnicamente, não foi desobedecida. (Globo)

Aumentando a tensão: a Jorge Bastos Moreno, do Globo, o ministro Gilmar Mendes sugeriu o impeachment de seu colega de STF, Marco Aurélio. “É um caso de reconhecimento de inimputabilidade”, continuou. A repórteres do Estadão, Renan foi mais duro: “Toda vez que ele ouve falar em acabar com supersalário”, disse sobre Marco Aurélio, “parece tremer na alma.”

Diminuindo a tensão: o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC) procurou pela manhã a presidente do Supremo, Cármen Lucia. Ele conversou também com os ministros Luiz Fux, Dias Toffoli, Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso. A presidente recebeu, à tarde, telefonema do senador Aécio Neves, que pedia uma decisão rápida. Ela própria falou longamente com Marco Aurélio e Gilmar Mendes. E o próprio Renan foi ao Planalto, acompanhado do líder do governo Romero Jucá, para discutir com Temer. O que se disse nestas conversas não vazou. Ontem, em Brasília, muita gente conversou a portas fechadas. (Jota)

No Planalto, a maior preocupação é o voto que falta da PEC do Teto, marcado para terça que vem. O plenário do Senado a aprovará. Mas se o PT, no comando da Casa, não puser em votação, nada acontece. O Plano B já foi posto em prática. Romero Jucá aumentou o tom com o líder do PT, Lindbergh Farias. Em fevereiro, o PMDB voltará à presidência. Se o PT não cooperar, estará fora da mesa diretora, segundo a Coluna do Estadão. E tem o Plano C, via Painel da Folha: Jorge Viana pode renunciar. Ele quer ficar bem com todos, com seu partido, com o governo. Aí o segundo vice entra. É Jucá.

Enquanto isso, todos esperam o Supremo reunido. É hoje. Toffoli diz que pode devolver o processo que tira réus de cargos na linha sucessória da presidência. Se fizer isso e nenhum ministro mudar seu voto, Renan sai. Toffoli vai sugerir uma solução no meio. Ele sai da linha sucessória, mas não da presidência do Senado. Renan conta com que que outros ministros abracem a ideia. (Folha)

O STF se encontra às 14h. A TV Justiça transmite também via streaming.

Algo acontecerá, hoje. É impossível dizer o quê.

Para ler com calma: o Supremo teve três anos e meio para tornar Renan réu. Decidiu fazê-lo agora. Está discutindo a questão de réus na linha sucessória desde março. Seus prazos não são claros, seus critérios de quando decidir o quê, imprecisos. Diego Werneck Arguelhes, da FGV Rio, discute o papel do STF na crise. (Jota)

Na Reforma da Previdência proposta por Temer, os políticos têm regra de transição mais favorável que a do resto dos brasileiros. (Estadão)

As coisas não estão boas, no Rio. Servidores e a Polícia Militar voltaram a se enfrentar em frente à Assembleia Legislativa, com lançamento de bombas de gás lacrimogênio e coquetéis molotov. Dentro do prédio, os deputados aprovaram o corte de salários do governador e seus secretários.

Aliás… A mulher do ex-governador fluminense Sérgio Cabral Filho, Adriana Ancelmo, foi presa e recolhida ao complexo penitenciário de Bangu. É acusada de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ela, o marido e mais onze viraram réus, ontem. Conheça a ex-primeira dama. (Globo) 

Políticos em Brasília começam a temer por suas mulheres. 

O premiê italiano, Matteo Renzi, está demissionário. Mas articula pesado. Quer marcar logo as eleições com a esperança de voltar já em fevereiro. E aposta que, até lá, os populistas do Movimento 5 Estrelas e a extrema-direita não conseguirão formar maioria para levantar gabinete. (Estadão)

Cotidiano Digital

Uma loja sem filas ou caixa. O consumidor entra se identificando rapidamente pelo celular, pega o que deseja e sai. Os sensores nas prateleiras identificam o que foi pego e o cartão é debitado. A loja existe: Amazon Go. Em vídeo.

Max Chafkin mergulhou no mundo dos influenciadores. O repórter da Bloomberg Businessweek se submeteu ao trabalho da agência digital nova-iorquina Socialyte, especializada na rede Instagram. Ao longo de outubro, com roupas emprestadas de lojas, ensaios feitos por um fotógrafo profissional pela cidade, um caro corte de cabelo e a compra de likes e comentários, o jornalista saltou de 200 para 1500 seguidores. Postou diariamente ao menos três fotos. Comprou também, de uma fotógrafa especializada, um pacote de imagens de almoços e drinks, para simular uma vida de glamour. Sim: existe em Nova York quem venda pacotes de imagens para simular a boa vida nas redes. A partir de cinco mil seguidores, já há quem pague por posts de publicidade para grifes. Qualquer um pode se tornar celebridade das redes, desde que tenha o dinheiro para pagar os consultores certos.

De um influenciador digital entrevistado por Chafkin: “Você vende parte da alma. Não importa que momento bonito você viva, será preciso tirar uma foto e compartilhar. Distinguir entre o que é vida e o que é criação de conteúdo que interesse às pessoas é duro.”

Cultura

O escritor português José Luiz Peixoto venceu o Prêmio Oceanos com o romance Galveias. É o prêmio de maior prestígio da língua portuguesa. O brasileiro Julián Fuks ficou em segundo, com A Resistência. (Folha)

Um livro brasileiro lidera os downloads gratuitos da Amazon local. É Consequências, da paulista Sue Hecker. Livro curto e erótico que apresenta personagens e serve de isca para o romance Tutor, a ser lançado em janeiro na onda dos tons de cinza.

Vinte grandes filmes que estão no Netflix.

Aliás… entraram no Netflix as cinco temporadas de Haven, série americana e canadense inspirada no romance The Colorado Kid, de Stephen King. História típica do autor: o FBI chega para investigar um assassinato e, logo descobre, algo de sobrenatural ronda a cidade. William Shatner, o capitão Kirk de Star Trek, faz uma ponta. Veja o trailer.

Viver

Cingapura ficou em primeiro lugar nos testes de Leitura, Ciências e Matemática aplicado pela OCDE em alunos de 15 anos de 70 países. O Brasil ficou pior do que estava no teste anterior, de 2012. Ficou abaixo até da média latino-americana: 59º em Leitura, 63º em Ciências e 65º em Matemática. Não custa lembrar: de um total de 70.

O Museu da Cannabis de Montevidéu abre as portas sexta-feira. O cultivo da erva é legal, no Uruguai, desde 2013. (Folha)

A língua de gato não é uma lixa. Sim, um grupo de cientistas foi estudar a língua dos felinos. Ela é composta por um enorme número de cerdas invertidas feitas de queratina – mesmo material de nossas unhas. Ou seja, como as cerdas de uma escova de cabelo cuja base é capaz de maleabilidade rigidez. E, por isso, limpa bem os pelos.

Aliás… Chimpanzés são capazes de reconhecer uns aos outros pelo traseiro assim como nós nos reconhecemos pelo rosto.

Ainda não é assinante? Assine. Não custa nada.





Share Tweet



Consultar edições passadas