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8 de março de 2017
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8 de março de 2017

O jeito CIA de fazer espionagem digital

É o vazamento mais relevante a respeito de espionagem digital desde aquele realizado por Edward Snowden, em 2013. O Wikileaks publicou num diretório de nome Vault 7, ontem, informações sobre programas que compõem o arsenal de ferramentas para hackers à disposição da CIA. São softwares e vírus que permitem interceptar mensagens, grampear conversas, vasculhar computadores, e que revelam fragilidades nunca documentadas em equipamentos que usamos todos os dias. Nem todos os programas foram desenvolvidos pela CIA — alguns vêm de outras agências de inteligência americanas ou de países aliados, além de empresas externas contratadas. As ferramentas circulavam com alguma liberalidade inclusive entre estes terceirizados a serviço da Agência Central de Inteligência. Foi um destes que reuniu o conjunto e o repassou para o Wikileaks. Por decisão de Julian Assange, que dirige a entidade, os códigos não foram tornados públicos. O que está à disposição, ao menos por enquanto, são os documentos escritos entre 2013 e 2016 que descrevem seu funcionamento.

Uma das técnicas da CIA permite quebrar o sigilo do WhatsApp. A agência não conseguiu romper a encriptação do app de mensagens. Trespassou, porém, a segurança tanto de iPhones quanto de Androids, o que permite interceptar textos e imagens antes do envio. Há 24 formas diferentes de violar a segurança de celulares Android na lista e 14 de iPhones. Indica que os aparelhos Apple são um quê mais seguros, embora igualmente quebráveis. Nenhum sistema operacional ficou de fora: há vulnerabilidades inéditas exploradas em várias versões do Windows, Mac OS, e até os mais profissionais, caso do Solaris, um Unix da Oracle popular em servidores da Internet. Está lá, até, um jeito de deixar o microfone das TVs inteligentes Samsung aberto mesmo quando o aparelho está desligado. Funciona como um sistema de escuta que grava tudo o que se passa no ambiente e envia pela internet para os agentes. Mas, neste caso, para implantar o vírus que permite este uso é preciso ter acesso físico à televisão. À distância, pela rede, não dá.

No pacote também estava uma coleção de memes. Parece que a turma da CIA curte.

Enquanto isso… Donald Trump passou duas horas da manhã de terça twittando ao vivo comentários sobre o que via no programa de TV Fox and Friends. Os âncoras estavam cientes da avalanche. E, em alguns momentos, pareceram até conversar.

Entre 2015 e 2016, a economia brasileira recuou ao ponto em que estava no mês de setembro de 2010. Todo o crescimento neste período de seis anos foi perdido. Da queda de produção agropecuária à perda de dinheiro para consumo das famílias, Alexandre Cabral explica, setor por setor, como o Brasil afundou neste período. (Estadão)

Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a carga tributária está chegando “ao seu limite” no Brasil. É o argumento que usou para convencer deputados do PMDB a aprovar a reforma da Previdência.  “A Previdência do Brasil é uma das mais generosas”, afirmou. “O problema é que alguém paga.” Ficou clara a ameaça de mexer nos impostos, dependendo do resultado. (Globo)

Eduardo Cunha prestou serviços para a Andrade Gutierrez tanto como deputado quanto como presidente da Câmara na tramitação de nove medidas provisórias. E foi pago por isso, segundo delação de Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da empreiteira. (Globo)

No mínimo, o número impressiona: a Odebrecht pagou, entre 2006 e 2014, US$ 3,39 bilhões em caixa dois. Em reais, está na casa dos 10 bilhões em dinheiro de hoje. (Estadão)

Aliás… Num lance que surpreendeu o Congresso, a 2ª Turma do Supremo aceitou denúncia e tornou o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) réu na Lava Jato. Ele é acusado de ter recebido R$ 500 mil de propina disfarçada da construtora Queiroz Galvão. O dinheiro foi registrado no TSE como doação oficial — caixa um. Assim, está aberta a porta para que outros processos semelhantes ocorram. Mesmo que registrado o montante, nos casos em que os delatores afirmarem ter sido dinheiro para corromper, o processo é possível. (Estadão)

O ex-governador fluminense Sérgio Cabral saiu no braço com seu ex-operador, Carlos Emanuel Miranda. Brigaram literalmente — e foram apartados, em Bangu 8. O operador quer entregar deputados estaduais importantes e, Cabral, não. Ambos tentam costurar uma delação conjunta, informa Lauro Jardim. (Globo)

Chico Buarque pode ter assinado o manifesto Volta Lula. Mas Caetano Veloso acaba de anunciar outro apoio para 2018: Ciro Gomes. (Globo)

 

Viver

Uma das principais bandeiras do movimento feminista, a legalização do aborto, pode começar a caminhar no país. Uma ação que pede a descriminalização do ato para qualquer gestação com até 12 semanas acaba de chegar ao STF. Assinado pelo instituto de bioética Anis e enviado pelo PSOL ao Supremo, o documento defende que as restrições hoje impostas pelo Código Penal ferem a Constituição e levam mulheres a praticar o aborto de forma clandestina, expondo-as a riscos. Negras e pobres são as mais vulneráveis. Atualmente, o aborto só é permitido no país em três casos: se a mulher corre risco de morte por causa da gestação, se foi vítima de estupro e se o feto é anencéfalo. 

Pelo direito ao aborto, contra a reforma da Previdência e a violência de gênero, as mulheres saem às ruas hoje, Dia Internacional da Mulher. Em São Paulo, a Marcha das Mulheres começa às 15h. O movimento também pede a greve de mulheres hoje, em mais de 50 países, como forma de chamar a atenção para a desigualdade de gênero no âmbito profissional. (Folha)

“Você, mulher, pare onde estiver. Pare de fazer o que quer que esteja fazendo — e você faz tudo. Note sua importância e faça sua ausência ser notada. Entre em greve, escrevem as ativistas Manoela Miklos e Mayra Cotta. Elas explicam que a greve de mulheres é necessária para demandar melhores condições profissionais e o reconhecimento do trabalho reprodutivo, além de reforçar a luta contra a violência.

Os números continuam alarmantes. Uma em cada três brasileiras diz ter sido vítima de violência no último ano, revela a Folha. Já os investimentos do governo federal em ações contra esse tipo de violência vêm despencando desde 2008.

Semanas depois de divulgar uma propaganda com muçulmanas esportistas — e reacender o debate sobre o esporte e as mulheres seguidoras do Islã —, a Nike anunciou o lançamento do Nike Pro Hijab, um véu para atletas muçulmanas.

Cultura

O Ministério da Cultura vai reformar a Lei Rouanet. Entre as novas regras, está a fiscalização mais rigorosa, que poderá ser feita em tempo real por qualquer cidadão, via Portal Transparência, e o teto máximo por projeto, de R$ 10 milhões. A mudança também terá impacto direto para o consumidor: os ingressos de projetos fomentados não poderão ultrapassar R$ 150. (Folha)

Inspirado na música homônima da Legião Urbana, o filme Eduardo e Mônica tem orçamento de R$ 8,3 milhões. (Globo)

O editor de cartuns da New Yorker, Bob Mankoff, deixa o cargo, depois de 20 anos. O cartunista conta ao New York Times que perde o amigo, mas não perde a piada — e faz uma seleção dos melhores que publicou na revista.

O The Who vai tocar pela primeira vez no Brasil. O show será no Rock in Rio, na mesma noite que o Guns N’ Roses. (Globo)

O Lollapalooza divulgou a programação completa do festival em São Paulo, marcado para os dias 25 e 26 de março. Metallica e The Strokes estão entre as atrações.

Uma Thurman está no elenco do próximo filme de Lars von Trier. Será vítima de um serial killer em The House that Jack Built. (Folha)

No Dia Internacional da Mulher, a Rádio Batuta, do Instituto Moreira Salles, dedica um programa a elas. Ouça Mulheres: Marias e Marias.

Cotidiano Digital

Um aplicativo vai contar o chamado ‘manterrupting’ — quando um homem interrompe a fala de uma mulher. O Woman Interrupted diferencia as vozes masculina e feminina em quatro idiomas (português, francês, espanhol e inglês). Os dados serão lançados numa plataforma aberta, que vai compilar informações por país e oferecer comparativos entre regiões e faixas etárias. (Estadão)

O WhatsApp é o aplicativo mais baixado por brasileiros na Google Play Store. A plataforma, que completou cinco anos, divulgou o ranking dos programas com mais downloads no país.

Em 24 horas, uma casa foi produzida por uma impressora 3D, na Rússia. Tem 38 metros quadrados e custou US$ 10 mil. Segundo a fabricante, é a primeira a ser impressa no local de construção, e não apenas montada com peças já impressas em outros lugares.

Apresentando um filme em que se percorre a cidade de São Paulo com 360°, a Folha lançou um app de realidade virtual.

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