Bolsonaro ridiculariza o cargo que ocupa, diz Erika Hilton

Receba notícias todo dia no seu e-mail.

Assine agora. É grátis.

PUBLICIDADE

“Bolsonaro tira a seriedade da política, banaliza, ridiculariza, vulgariza o cargo que ocupa, e não só ele, mas seu aliados, a trupe que caminha ao lado dele”, afirma a deputada federal eleita Erika Hilton (PSOL-SP), ao defender que o governante seja derrotado nas urnas. Ela classificou como “triste” e “deplorável” o momento político atual do Brasil com a maneira como o presidente da República tem exercido sua função. Em entrevista ao programa #MesaDoMeio, Erika criticou Jair Bolsonaro pelas declarações que geraram indignação ao debate público, quando sugeriu que garotas venezuelanas se prostituíam em uma região periférica de Brasília, e lembrou que acusações falsas pelo chefe do Executivo são rotineiras.

Como uma das duas únicas parlamentares transexuais eleitas para o próximo ciclo no Congresso Nacional, Erika não quer pautar apenas discussões sobre questões LGBTQIA+, apesar do estereótipo de que alguém da minoria somente trata desses assuntos. “De fato, há mesmo essa tentativa de enquadrar a gente, como se nós pudéssemos falar apenas de uma única pauta, como se pessoas LGBTs, pessoas negras, mulheres, não tivessem capacidade ou até mesmo formação para atuar nas mais diversas áreas.” Ela ressalta que apesar de ter sido eleita por uma parcela importante da sociedade, seu mandato será de atuação nas mais diversas áreas da política, como tem feito como vereadora da cidade de São Paulo. Entre os assuntos que pretende defender estão a fome, o meio ambiente, educação e cultura.

Mas ela também espera ter espaço para discutir pautas essenciais para a vida de pessoas LGBTQIA+, caso se confirme uma eventual vitória de Lula no segundo turno. Para a deputada eleita, “o direito à dignidade, à cidadania, à humanidade das pessoas LGBTQIA+ não poderá ser tratada como pauta de costumes, porque se nós continuarmos encarando vidas e direitos como pautas de costumes, nós deixaremos uma fenda gigantesca aberta para que daqui a quatro anos o fascismo volte a imperar [no Brasil].”

Erika Hilton reconhece que a esquerda brasileira falhou em rotular todos os oponentes como fascistas, e que isso contribuiu para que o bolsonarismo recrutasse essa parcela da população que foi antagonizada pelo debate político, mas ressalta que esse erro não se repetiu nesta eleição. Ela defende que um ponto chave para reduzir a influência do bolsonarismo junto aos mais pobres é a esquerda “descer do pedestal” e desenvolver um diálogo mais direto com o povo. “Muitas vezes, essa determinada esquerda, quando quer adentrar esse território [entre os mais humildes] vem com uma linguagem tão acadêmica, rebuscada, distante da realidade dessas pessoas, que o youtuber bobinho, babaca, que tem seus milhões de seguidores, consegue falar o que muitas vezes a gente não está conseguindo, porque não estamos completamente contaminados e envolvidos pela realidade”. Ela lembra que não são apenas os mais ricos que apoiam Bolsonaro. “Há muito voto de pobre, de gente lascada, que se deu mal pra caramba nesse governo, mas que está ali, sendo cooptada, sendo movida por essas faixas [da extrema-direita]”.

Encontrou algum problema no site? Entre em contato.