Bolsonaro tira o sossego das pessoas até no domingo, avalia Mariliz Pereira Jorge

Receba notícias todo dia no seu e-mail.

Assine agora. É grátis.

PUBLICIDADE

“Bolsonaro tirou das pessoas o direito ao descanso, o direito de viver, de se preocupar com as coisas mundanas”, desabafa a colunista do Meio Mariliz Pereira Jorge, ao falar da exaustão dos brasileiros que se depararam com cenas como as protagonizadas pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) atacando policiais federais em sua casa, no Rio de Janeiro. Os agentes cumpriam um mandado de prisão contra o aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), no último domingo, dia 23, quando foram atingidos por granadas lançadas por Jefferson durante resistência à prisão, além de tiros que atingiram a viatura. Em conversa durante o programa #MesaDoMeio, ela disse acreditar que Bolsonaro perdeu votos após o ataque.

A Copa do Mundo do Catar, no próximo mês, poderá ser um momento de distensionamento político após o segundo turno da eleição mais importante da história recente do país, segundo a colunista. Mas o editor-chefe, Pedro Doria, avalia que será necessário um esforço para resgatar a camisa da Seleção como símbolo nacional, atualmente utilizada pelo bolsonarismo. Ele lembra que “todo fascista precisa de um uniforme e o do [fascismo] brasileiro virou a camisa da Seleção”. Para o cientista político Christian Lynch, o uniforme remete a uma unidade nacional que não é dada pela política, mas pela cultura. “A impressão que eu tenho é que a camisa foi usurpada, roubada. Ela não é deles, é nossa. Eles que a devolvam”, conclui. Lynch associa o bolsonarismo mais ao hino e à bandeira nacionais por já terem sido apropriados por outros grupos, como os apoiadores da ditadura.

Na reta final da eleição, Pedro Doria aposta na traição de bolsonaristas, que podem se desfazer do atual presidente da República. Ele lembra de declarações recentes do candidato de Bolsonaro para o governo paulista, o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao dizer que votar nele não é votar em Bolsonaro. O editor-chefe do Meio avalia que parte desses grupos entendem a probabilidade de uma real derrota bolsonarista à presidência e começam a buscar alternativas de sobrevivência política a curto prazo. “Isso, em geral, sugere uma campanha que está começando a desmontar, porque os ratos começam a abandonar o navio”, pondera.

Enquanto alguns se afastam de Bolsonaro, nomes importantes da história política do país se juntam a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Figuras como os ex-presidentes do STF, Joaquim Barbosa, do BNDES, Pérsio Arida, do Banco Central, Armínio Fraga, do partido Novo, João Amoêdo, e do PSDB e atual senador pelo Ceará, Tasso Jereissati, declararam voto em favor do petista neste segundo turno. “O melhor do Brasil está todo junto nesta eleição”, analisa Pedro Doria, no sentido de todos estarem em favor da democracia. Christian Lynch avalia que essas novas alianças conquistadas por Lula lhe farão buscar uma frente centrista na tentativa de frear o movimento bolsonarista nos próximos anos. “Pessoas que não se sentavam juntas agora vão se sentar, outras que tinham velhos rancores os deixaram de lado para conversar”, reflete.

Mas nem tudo são flores no futuro político do país. Mariliz Pereira Jorge questiona se essas pessoas que se juntam em torno do campo democrático vão se tratar como adversários durante confronto de ideias, buscando um ambiente saudável, ou como inimigos, desfilando ressentimentos antigos e feridas abertas. “Porque até ontem, tinha gente da esquerda chamando Simone Tebet de fascista”, ressalta.

Encontrou algum problema no site? Entre em contato.