Entre ataques em escolas e o esconderijo das joias de Bolsonaro

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Um dia após o ataque de um aluno de 13 anos que matou a professora Elisabeth Tenreiro na escola estadual Thomazia Montoro, na Zona Oeste de São Paulo, um jovem de 15 anos foi apreendido nesta terça-feira por tentar esfaquear colegas na Escola Municipal Manoel Cícero, na Gávea, Zona Sul do Rio. Atentados em escolas já não são novidade no Brasil e a radicalização de jovens na internet, que têm acesso a discursos de ódio, está ligada a movimentos como red pill e os incells, segundo a colunista Mariliz Pereira Jorge. “São jovens que têm problemas de baixa autoestima, em isolamento social, de olhar para o futuro e de não achar seu lugar na sociedade, e acabam se encontrando com outros jovens que se sentem da mesma forma”, explica.

Na estreia do #MesaDoMeio no novo estúdio do Meio, Mariliz destaca que o adolescente usava na internet o sobrenome do autor no massacre de Suzano, que deixou oito mortos em 2019 em uma escola da Grande São Paulo. “Esses assassinos acabam virando ídolos nessas redes e, por isso, eles cometem esses crimes, porque é a única forma de encontrar redenção na vida, saindo do anonimato e sendo festejados por outros membros da comunidade.”

O editor-chefe do Meio, Pedro Doria, afirma que o Ocidente atravessa uma crise de homens jovens. “Existe uma grande quantidade de homens que estão com cada vez mais dificuldade de acesso a emprego, porque não têm qualificação necessária para uma economia digital, e acesso a afeto. Isso é uma bomba-relógio”, pondera.

Em Brasília, a repórter especial Luciana Lima conta que o PL quer marcar “uma volta triunfal” de Bolsonaro nesta quinta-feira. Ela ouviu de deputados que o objetivo do evento é mobilizar ao máximo o bolsonarismo. O partido não descarta a possibilidade de uma motociata no mesmo dia. “O problema é que as motociatas estão proibidas aqui no Distrito Federal”, explica. Nesta quarta-feira, haverá uma reunião com a segurança do DF para avaliar se o passeio será permitido ao ex-presidente. “A ordem para esses deputados é tratar Bolsonaro como o grande líder da direita, que retorna ao país para ser oposição ao presidente Lula.”

Enquanto o ex-presidente não retorna ao país, a novidade fica por conta de um terceiro conjunto de joias recebido por Bolsonaro como presente do regime saudita, segundo apurou o Estadão. O conjunto teria sido guardado na casa de Nelson Piquet. Mariliz afirma que “é muito decepcionante” ver o ex-piloto de Fórmula 1 se associando a Bolsonaro até mesmo em casos como o das joias. Ela diz que gostava de Piquet, mas percebeu que o conhecido mau humor do atleta ia mais além: “Era falta de educação, arrogância, grosseria, muitos preconceitos”. Ela diz que não é surpresa ver suas atitudes, após as falas contra o piloto britânico Lewis Hamilton, que gerou uma condenação de R$ 5 milhões.

O cientista político Christian Lynch questiona o que leva pessoas que já foram admiradas a se associarem em situações constrangedoras como esconder as joias do ex-presidente. Ele diz que aquelas que sentem falta da época em que “a lei não era para todos” e que a ideia de “pessoas de bem” era um disfarce de autoengano para os que, “na verdade, são do mal”. “As pessoas que ganharam a eleição em nome da honestidade são os mais desonestos”, afirma. “Tem um setor inteiro que está nesse autoengano, de que são os benfeitores, quando são os bandidos.”

Pedro ressalta que o auxílio de Piquet para esconder as joias de Bolsonaro “é mais do que compromisso ideológico, é compromisso na rapinagem, na corrupção”. Ele destaca que a atitude do ex-piloto destoa dos discursos moralistas de grupos que se diziam contra a corrupção na política. “Não vem me falar de discurso da Lava Jato, porque já passou dessa fase.”

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