Improvisação nos discursos atrapalha governo Lula

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Estados Unidos e União Europeia não verão mais o Brasil como mediador de um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, depois das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que que os ucranianos também são responsáveis pela guerra em seu território. Para o editor-chefe do Meio, Pedro Doria, Lula perdeu a confiança dos países “ao se colocar em um dos lados” das narrativas. “Essa coisa de ir na casa de um adversário americano e falar mal desse adversário, isso é uma mensagem diplomática. Você está se alinhando a um jogador que está diretamente relacionado ao contexto da guerra, porque o único apoio relevante que a Rússia teve após a invasão à Ucrânia foi da China”.

Durante o bate-papo no programa #MesaDoMeio, Pedro avalia que Lula ainda não compreendeu que não vai ter mais “espaço de improviso” e que precisa ter mais cuidado com o que fala em tempos de comunicação fragmentada das redes sociais. Ao modificar a mensagem constantemente, o PT perde a consistência e deixa sua militância perdida nos discursos, sem entender qual a proposta do governo. “Tem um aspecto de comunicação digital que está torto porque o presidente está improvisando”, conclui.

Para a colunista Mariliz Pereira Jorge, o presidente “falou demais”, ao fazer as críticas na viagem à Ásia. “Acho que tem um problema seríssimo de Lula não entender ainda que jogo precisa fazer em 2023.” Ela destaca que Bolsonaro conseguiu controlar as narrativas das histórias em quatro anos de mandato, enquanto o governo petista segue batendo cabeça com declarações que precisam ser corrigidas logo em seguida. E ressalta que o governo não está conseguindo se comunicar nem aos moldes antigos, dialogando diretamente com a imprensa, tampouco com a maneira atual de falar diretamente com o público pelas plataformas digitais.

O cientista político Christian Lynch destaca os ruídos desnecessários nos discursos de Lula, por “ter opinião demais”, principalmente em assuntos que não domina. “O ideal era falar generalidades seguras ou daquilo que entende bem para não causar muito ruído”, pondera. Em relação aos ataques diretos aos EUA, quando fala sobre a posição americana em relação à guerra na Ucrânia, Christian não vê necessidade de o petista “ficar provocando à toa”.

De Brasília, a repórter especial do Meio Luciana Lima conta que o Planalto voltou atrás e desistiu de taxar compras online de até US$ 50 feitas no exterior. O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Paulo Pimenta, explicou que a ideia é não prejudicar as classes desfavorecidas, que compram esses produtos por meio de aplicativos, enquanto reduz as desigualdades de consumo entre aqueles que têm condições de comprar produtos em viagens ao exterior e ter isenção de tributos na alfândega dos aeroportos. O presidente Lula voltou a pedir que esse tipo de anúncio seja feito apenas quando for acordado antes com a Casa Civil e com ele mesmo, para evitar confusões futuras.

Pedro lembra que as empresas de vendas de roupas e produtos eletrônicos por aplicativos, como Shein e Shopee, atingem um público de classe média baixa, “que sempre votou no PT, votou em 2018 em Bolsonaro, e voltou a eleger Lula por razões de crise econômica”. Ele afirma que deve haver um aumento na fiscalização da Receita Federal para reprimir o contrabando.

Para Mariliz, faz sentido manter a isenção da taxa para beneficiar consumidores de classes mais populares, mas sente falta de uma comunicação mais clara do governo para explicar como será a tributação. “Essas pessoas estão perdidas, sem saber o que pode acontecer, se elas vão poder continuar comprando ou quanto de aumento isso vai significar.”

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