Brasil precisa de maturidade para taxar os ricos, diz André Perfeito

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A primeira parte da reforma tributária segue em tramitação no Congresso, mas ainda há muito trabalho a ser feito. O economista André Perfeito espera que o Brasil tenha maturidade para fazer uma reforma que taxe os mais ricos e desonere os mais pobres para manter o nível de arrecadação que permita o pagamento da normalizada alta taxa de juros. Em entrevista à jornalista Andrea Freitas no programa Conversas com o Meio, ele explica que o problema é saber se o país abrirá exceções para diferentes setores econômicos, que têm poder político para defender seus próprios interesses e atrapalhar o progresso das próximas etapas. “Cabe ter um pouco de sabedoria e usar essa sorte que a gente tem para fazer um ajuste para frente, não para trás.”

Segundo o economista, a queda de juros seria a alternativa correta para resolver questões de inadimplência e outros assuntos econômicos que o governo federal tenta solucionar criando programas como o Desenrola Brasil, uma medida especial para compra de passagens aéreas por R$ 200 ou mesmo os descontos para compra de carros no valor de até R$ 120 mil. “Quando os juros caem, você consegue financiar melhor, comprar o carro mais barato e colocar uma passagem no cartão de crédito.” Perfeito entende que o governo tenta ganhar tempo com essas medidas enquanto os juros não caem.

Ele também espera que o BC comece a cortar a taxa de juros já na próxima reunião que deve ocorrer no início de agosto, já que a inflação está em queda há 12 meses, reformas econômicas foram anunciadas ou já começaram a serem debatidas no Congresso, e a taxa não está compatível com a conjuntura. Ressalta ainda que a Selic está atualmente em 13,75% enquanto a inflação acumulada em 12 meses é de 3,16%. “Não é pouco juros”, conclui. Mesmo esperando que haja um recuo nessa tarifa, Perfeito destaca que o Copom formado por Campos Neto tem se comportado de maneira adversa do que espera o mercado. Enquanto a expectativa é de que o ano termine com uma taxa de 12,25%, o economista aposta em algo em torno de 10% até meados de 2024.

O IBC-Br, que funciona como uma prévia do PIB, teve um recuo de 2% em maio com relação a abril. Para André Perfeito, é um erro de percepção achar que o crescimento continuaria nos meses seguintes à alta da atividade econômica, comparado aos anteriores. “Todo mundo se surpreendeu com o PIB do primeiro trimestre, porque não era para ter subido tanto”. Ele esclarece que por ter tido uma alta inesperada na margem de crescimento, é normal que haja essa desaceleração atual. “Se a gente crescer no segundo trimestre, isso quer dizer que estamos indo muito bem mesmo.”

Normais também são as pressões políticas pelo corte de juros no Banco Central. Ele exemplifica com o caso de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva batendo de frente com a taxa Selic mantida pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Apesar de muitos críticos entenderem que o episódio significa uma clara tentativa de interferência indevida na política monetária, o economista diz ser comum presidentes da República desaprovarem esse tipo de medida, não sendo Lula o primeiro a fazê-lo. “É um jogo político. Não entendo porque o mercado financeiro tem um faniquito com isso. É óbvio que é desse jeito.”

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