Não há risco de guerra civil em Israel, tranquiliza cientista político

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Israel segue passando por uma crise desde que o Knesset, Parlamento israelense, aprovou um ponto da reforma do Judiciário que tira poder do Supremo para derrubar decisões dos poderes Executivo e Legislativo, baseado na cláusula da razoabilidade. O cientista político André Lajst explica que, apesar de o mecanismo ter sido derrubado, as cláusulas de arbitragem ou proporcionalidade ainda podem ser usadas pelo Judiciário. Em entrevista ao #MesaDoMeio, ele descarta a possibilidade de uma guerra civil, mesmo que haja preocupação com violência, por conta das características da região. “É um país muito pequeno, não tem como fugir da polícia ou de crimes. Existem muitas pessoas armadas nas ruas por outros motivos, por uma questão de segurança”, esclarece, citando as polícias e as Forças Armadas como exemplo.

Por não ter Senado nem Constituição, os contrapesos sobre decisões do Legislativo e do Executivo em Israel ficam a cargo da Corte Suprema. “Os que aprovam a reforma do Judiciário dizem que o Supremo está sendo mais ativista ou intervindo de acordo com a posição pessoal dos juízes. Os que são contra dizem que essa decisão pode agravar violações de direitos humanos e individuais”, elucida Lajst.

O editor-chefe do Meio, Pedro Doria, lembra que o premiê israelense Benjamin Netanyahu se apresentava como figura modernizante dentro de seu partido, o Likud, quando entrou para a política. “Era como um Bill Clinton um pouco mais à direita.” Mas ele lembra que foi também com esse perfil que surgiu o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán. “Os dois surgem como líderes jovens, modernizantes, interessantes, que caminhavam rumo à moderação”. A mudança ocorre quando percebem que uma aliança com a extrema direita de seus países poderia lhes render o poder absoluto.

No Brasil, o caso Marielle Franco ganha novos episódios, com as novas descobertas da Polícia Federal. A jornalista Andrea Freitas acredita que a PF está mais perto de desvendar o verdadeiro mandante do assassinato da vereadora carioca. “A mecânica do crime parece estar mais clara, mas a resposta de quem efetivamente deu a ordem a gente ainda não tem.” Ela lembra que, em delação, o ex-policial militar Élcio de Queiroz afirma que Edimilson Oliveira da Silva, conhecido como “Macalé”, teria encomendado o crime, “mas ele não é o autor intelectual”.

A jornalista Mariliz Pereira Jorge destaca que após as primeiras prisões serem feitas, pouca coisa avançou nas investigações. Ela lembra que houve diversos contratempos nos últimos cinco anos, como trocas de delegados e o pedido de federalização, e acrescenta mais duas perguntas para o caso, além de quem matou e mandou matar Marielle: “Quem é que evitou e quem intercedeu de alguma forma para que essas investigações não fossem adiante?” Ela enfatiza que é simbólica a incapacidade de resolver o caso porque “é um recado trágico de que o Estado não pode proteger o cidadão”.

Para Pedro Doria, uma outra pergunta importante a se fazer é: “qual era a relação de Jair Bolsonaro com Roni Lessa?” Ele recorda que o governo Bolsonaro atuou para impedir as investigações e não está clara a relação entre o autor dos disparos contra Marielle e o ex-presidente. Pedro cita fatos importantes ainda não explicados sobre a ligação de Lessa à casa de Bolsonaro no dia do crime e a movimentação de sua família para pegar as gravações na portaria do condomínio onde ambos eram vizinhos. “Não estou dizendo que existe uma ligação entre o ex-presidente e o assassinato, mas que ele tinha uma conexão evidente com Roni Lessa no momento em que Lessa trabalhava para assassinar uma vereadora eleita do Rio de Janeiro, essa relação está dada”, conclui.

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