Ficção e realidade se misturam na tela para retratar o horror em Gaza

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Um soco no estômago. Não há forma diversa para descrever a principal estreia desta quinta-feira nos cinemas, A Voz de Hind Rajab, escrito e dirigido por Kaouther Ben Hania a partir de gravações reais. O longa, que concorre ao Oscar de filme estrangeiro pela Tunísia, mostra a tentativa de uma equipe do Crescente Vermelho para salvar uma menina palestina de cinco anos que estava presa em um carro com os corpos da família nos arredores da cidade de Gaza. Durante três horas e meia, a equipe conversou com Hind por celular, e as gravações originais são usadas no longa. Dias depois, os corpos dela, da família e de dois socorristas que tentaram resgatá-la foram encontrados.
Se você prefere escapismo, a pedida é Song Sung Blue: Um Sonho a Dois, de Craig Brewer, também baseado numa história real. Hugh Jackman e Kate Hudson vivem Mike e Claire Sardina, dois esquecidos do sonho americano unidos pelo amor à música e (em seguida) por um ao outro. A vida dura do casal começa a mudar quando montam Thunder &; Lightning, uma banda-tributo ao cantor Neil Diamond, o que os torna celebridades no estado de Wisconsin.
Para rir e, se você tem estômago fraco, sentir um certo nojo, há Alerta Apocalipse, de Jonny Campbell, que também assina o roteiro com David Koepp, autor do livro em que o longa é baseado. Um jovem casal de vigias noturnos de um depósito é atraído por um movimento estranho no subsolo. Acabam descobrindo que o lugar foi sobre uma instalação militar americana desativada e que “alguma coisa” escapou. Trata-se de um fungo mortífero que, por conta de uma mutação, tem potencial de destruir o planeta. Liam Neeson, um especialista do governo em bioterrorismo, tem de se juntar aos dois vigias para salvar a Humanidade. Parece filme catástrofe, mas é comédia mesmo.
Dirigido pelo mestre Sam Raimi, responsável por Evil Dead e pelos melhores filmes do Homem-Aranha, Socorro! leva ao limite a vingança e a inversão de papéis. Rachel McAdams vive Linda, uma supercompetente e subvalorizada funcionária de uma grande empresa. Ela é alvo constante de assédio moral por parte do chefe Bradley, um poço de arrogância que deve a posição a laços de família e marketing pessoal. Até que um acidente deixa os dois numa ilha deserta — para piorar, Bradley tem um ferimento sério e está à mercê de Linda. Parece que o jogo virou…
O terror explícito fica por conta de O Primata, de Johannes Roberts. A universitária Lucy leva os amigos para um fim de semana na paradisíaca casa da família em uma praia e os apresenta a Ben, um chimpanzé criado e treinado desde bebê pela mãe dela. Ele é simpático, extremamente inteligente e capaz de se comunicar por meio de um tablet. Tudo está bem até que Ben é mordido durante a noite por um (outro) animal, contrai raiva e se torna uma máquina assassina. Os universitários vão ter que se provar mais inteligentes que o chimpanzé para sobreviver. Coitados.
Mas também temos bichinhos fofos. O Menino e o Panda é o mais recente trabalho do francês Gilles de Maistre, especializado em filmar animais. Rodado na China, o longa acompanha um menino que, após tirar notas baixas na escola, vai “de castigo” para a casa da avó, no meio da floresta. Um dia, buscando lenha, ele acidentalmente descobre um panda, dando início a uma bela amizade. A produção foi complexa, já que Maistre faz questão de não usar CGI nem robôs, e as leis chinesas para contato com pandas são bem rígidas, já que se trata de uma espécie em risco de extinção.
A semana é marcada também por documentários autolaudatórios sobre mulheres muito famosas inicialmente por conta de seus sobrenomes. Produzido pela Amazon, Melania, de Brett Ratner, acompanha a novamente primeira-dama dos Estados Unidos nos 20 dias que antecederam a posse de Donald Trump no segundo mandato. Como a própria Melania é produtora executiva do longa, não se deve esperar nada vagamente crítico. Segundo fontes em Hollywood, o longa tem uma dupla função: testar, via bilheterias, a popularidade da primeira-dama e sua eficiência como cabo eleitoral e cimentar ainda mais as ligações de Jeff Bezos, dono da Amazon, com a Casa Branca.
Já Paris Hilton – Infinite Icon – Uma Memória Visual, de JJ Duncan e Bruce Robertson, tem um certo gosto de vingança. Uma das herdeiras da rede de hotéis Hilton, Paris despontou para a fama no fim dos anos 1990 como uma jovem socialite de Nova York sem, de fato, produzir qualquer coisa de relevante. Suas tentativas como atriz lhe valeram diversas Framboesas do Ouro, o anti Oscar, e seu álbum como cantora pop, lançado em 2006, embora tenha vendido bem, foi massacrado pela crítica. Desde 2014, porém, ela mantém uma sólida carreira como DJ, especialmente na Europa, e lançou um segundo álbum em 2024. O longa acompanha a turnê do álbum entrecortado por vídeos de sua infância e adolescência e lembranças da fama. Nas palavras dela, uma tentativa de “retomar sua narrativa”.
Confira a programação completa nos cinemas da sua cidade. (AdoroCinema)


