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Maggie Gyllenhaal transforma monstros em inimigos públicos

Jessie Bucley brilha como uma noiva de Frankenstein em busca de vingança. Foto: Divulgação

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Existem adaptações ultrafiéis de livros (O Poderoso Chefão), adaptações que, mesmo sendo grandes filmes, subvertem a essência dos livros (O Iluminado) e adaptações nas quais o material original é só uma vaga inspiração para se viajar em cima. É o caso da principal estreia desta semana A Noiva!, segundo filme da consagrada atriz Maggie Gyllenhaal como diretora. Jessie Buckley, que concorre ao Oscar por Hamnet, faz Mary, uma mulher que frequenta as altas rodas da riqueza e do crime numa grande cidade americana dos anos 1930 e é observada à distância por um homem misterioso. Uma noite, ela é empurrada das escadas e morre, tendo o corpo recolhido pelo stalker, ninguém menos que o monstro de Frankenstein (Christian Bale). Com a ajuda de uma cientista, ele traz Mary de volta à vida para ser sua noiva, mas os planos dela são mais ambiciosos e vingativos. Gyllenhaal cria uma espécie de Bonnie & Clyde sobrenatural altamente estilizado, bebendo visualmente no filme A Noiva de Frankenstein (1935), de James Whale, inclusive na maquiagem de Bale. Para não dizer que Mary Shelley, autora do livro original, passou batida, no nome da protagonista é uma homenagem a ela.

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Uma noiva assassinada também é o tema da segunda estreia de destaque, está uma recriação. Em Kill Bill: The Whole Bloody Affair Quentin Tarantino conta em mais de quatro horas e meia a história de vingança da icônica assassina vivida por Uma Thurman da maneira como ela a concebeu em 2003. O roteiro todo mundo conhece, Beatrix “Black Mamba” Kiddo (Thurman) está no fim da gravidez, vai se casar e deixar para trás a vida de matadora quando a igreja é invadida por sua antiga gangue, chefiada por Bill (David Carradine), o pai da criança. Ela leva um tiro na cabeça, entra em coma e acorda anos depois em um hospital ­— numa situação apavorante — sem o barrigão. O que se segue é uma maratona de lutas de espadas, golpes de kung fu e sanguinolência caricata, tributo de Tarantino ao cinema de artes marciais. Para esta versão, ele tirou a recapitulação que abria a parte 2 e incluiu novas tomadas e animações. E uma pausa para ir ao banheiro, porque, francamente…

Outra maratona cinematográfica é Kokuho – O Preço da Perfeição, filme de maior bilheteria na história do cinema japonês (fora os animes, claro). O diretor Lee Sang-il usa com maestria as três horas de projeção para retratar Kikuo, o filho de um chefe da yakuza, que aos 14, após testemunhar o assassinato do pai, decide não seguir o “negócio” da família. Em vez disso, vai para Osaka e se torna aprendiz de um mestre do teatro kabuki, vivido pelo sempre brilhante Ken Watanabe, e melhor amigo do filho deste. Ambos se especializam como “onnagata”, homens interpretando papéis femininos, dando à amizade um componente de rivalidade que vai se estender por décadas.

Escrito e dirigido por Letícia Simões, A Vida Secreta de Meus Três Homens é um “passar a limpo” de sua própria identidade a partir das histórias reais das três figuras masculinas que marcaram sua vida. Seu avô, que fugiu de casa jovem para se juntar ao cangaço; seu pai, um boêmio boa praça que secretamente colaborara com a ditadura militar; e seu padrinho, um homem negro gay que não assumia a própria sexualidade e perdeu assim seu grande amor. A atriz Nash Laila dá voz a Letícia, cuja direção minimalista empresta ao longa um tom ao mesmo tempo teatral e pessoal.

Relações familiares também dão o mote do francês Minha Querida Família, de Isild Le Besco. A eterna diva Marisa Berenson vive a matriarca Queen, uma cantora de ópera aposentada que vai receber os filhos para uma reunião turbulenta. Estelle, a narradora, chega antes com os próprios filhos, fugindo de um casamento abusivo e tendo por parte da mãe uma recepção menos efusiva que o esperado. Conforme se juntam a mandona Janet, a artista Manon (vivida pela própria diretora) e o complexado Jean-Luc, filho do primeiro casamento de Queen, as tensões vão aumentando. Mas a matriarca só tem olhos para o caçula Marc, que volta após 20 anos trazendo as cinzas do pai e um pedido deste que vai abalar de vez as estruturas do clã.

Hey Joe, de Claudio Giovannesi, trata da paternidade. James Franco interpreta Dean, um veterano da Segunda Guerra que, após o conflito, deixou a namorada italiana grávida em Nápoles prometendo voltar. Ele volta 25 anos depois na tentativa de se (re)conectar com filho, adotado por um chefe mafioso, envolvido no mundo do crime e sem nenhum interesse por aquele estranho que abandonou sua mãe.

E fechando o pacote família, Bebê da Mamãe, produção alemã dirigida e coescrita por Johanna Moder, aborda a depressão pós-parto com tons de suspense, paranoia e até comédia. Marie Leuenberger vive Julia, uma maestra de 40 anos que, com o marido, busca um badalado (ainda que sinistro) especialista em fertilidade e consegue engravidar. O parto é tenso, e o bebê é levado dela para “exames e tratamentos”, sendo devolvido lindo e cheiroso no dia seguinte. Julia, porém, não consegue se conectar com a criança, interpretando a conversas entre o marido e a esquipe médica e até coisas banais, como um chutinho ao trocar a fralda, como algo suspeito. A ponto, claro, de desconfiar que seu filho foi trocado ou coisa pior.

Hora de levar sustos. Dirigido e escrito por David Charbonier e Justin Powell, Push: No Limite do Medo traz uma corretora de imóveis em fins de gravidez — o pai da criança, seu noivo, morreu — que tenta recomeçar vendendo uma casa de luxo onde aconteceu um crime. Um homem, inicialmente visto como cliente em potencial, se revela um perseguidor aparentemente ligado às mortes dos antigos donos. A jovem terá de lutar pela própria vida e pela do bebê que carrega.

Passeando pelo que Ivan Cardoso batizou de “terrir”, Tina Romero dirige Queens of The Dead, onde uma festa de drag queens é interrompida pela apocalipse zumbi. Tina tem um nome a zelar. Ela é filha do grande George Romero (1940-2017), cineasta que definiu o gênero dos filmes de zumbi com A Noite dos Mortos-Vivos, de 1968. A diretora é fiel à mitologia criada pelo pai, mas deixa sua marca pelo humor, com uma pegada que ela mesma chama de “glitter e gore”, sem economizar em nenhum dos dois.

Se você achou tudo até agora muito cerebral ou assustador, não se desespere. De Volta à Bahia, de Joana di Carso, está aí para dar um descanso a suas sinapses com romance, surf e corpos definidos. Barbara França e Lucca Picon vivem Maya e Pedro, dois surfistas que se preparam em Salvador para um campeonato enquanto enfrentam tensões e incertezas em família. Após ele salvá-la de um afogamento, os dois, claro, se apaixonam, mas as coisas não são tão simples — ou não haveria material para um filme.

E para as crianças (e adultos), temos a nova animação da Pixar, Cara de Um, Focinho do Outro. Mabel é uma estudante amante dos animais que participa de um projeto para entender os bichos e estudá-los em seu habitat. A mente dela é transferida para um robô em forma de castor, e a jovem vai para a floresta ao lado de sua cidade. Maravilhada com o complexo mundo dos animais, ela se anima e os incentiva a reagir à expansão da cidade, sem ter ideia das consequências de sua pregação.

Confira a programação completa nos cinemas da sua cidade. (AdoroCinema)

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