Nas telas, como curar sua estrela

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Imagine acordar numa nave espacial muito longe da Terra sem fazer a menor ideia de como foi parar lá. Isso é o que acontece com Ryland Grace (Ryan Gosling) em Devoradores de Estrelas, de Phil Lord e Christopher Miller. Aos poucos, sua memória vai voltando. O Sol está morrendo, o que, com o tempo, vai acabar com a vida na Terra. Mas diferentemente do que acontece no subestimado Sunshine – Alerta Solar, ele não está sozinho; todas as demais estrelas próximas, em termos espaciais, estão na mesma situação, exceto uma. Grace, um doutor em microbiologia que prefere ensinar ciências a crianças, é enviado — não exatamente de livre e espontânea vontade — para descobrir por que aquela estrela isolada é imune ao que está destruindo suas irmãs. E ele não é o único com essa missão: uma nave alienígena também está lá para investigar, e os dois viajantes vão se juntar para salvar seus mundos.
Talvez por conta do título no Brasil, Casamento Sangrento, de 2019, foi encarado por muita gente como mais um slasher. Injustiça. O longa esbanjava humor sombrio e crítica social ao contar a história de Grace, uma jovem pobre que, ao se casar com um o herdeiro de uma família indecentemente rica, se descobre em um jogo que envolve sacrifício (o dela) devido a uma maldição familiar. No fim, só ela sobrevive. E eis que chega Casamento Sangrento 2: A Viúva, de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett. Grace agora tem de se proteger e à irmã das famílias mais poderosas do mundo, compelidas a matá-las para não perderem suas fortunas. A ideia de que toda riqueza excessiva deriva de um pacto com o Mal e do desrespeito pela vida humana é dos roteiristas, não nossa, ok?
Uma mensagem que Hollywood insiste em passar através dos anos é: não chifre. Infidelidade conjugal nunca acaba bem, essa é a lição ignorada por Zach (Jeremy Irvine) em Turbulência, de Claudio Fäh. Em meio a uma crise no casamento com Emmy (Hera Hilmar), ele programa um fim de semana de amor e aventura em um resort de luxo nas montanhas e se hospeda antes para deixar tudo pronto. Na véspera da chegada de Emmy, Zach acha que transar com outra mulher é uma boa ideia. Ok, ele até começa resistindo, mas a Julia de Olga Kurylenko é persuasiva. Emmy chega, não percebe nada e embarca com o marido em um passeio de balão. Só que, na última hora, chega uma terceira passageira, Julia, e a diversão vira uma luta pela sobrevivência.
Consequências, justas ou não, também dão o mote de Uma Segunda Chance, de Vanessa Caswill, baseado no romance açucarado de Colleen Hoover, coautora do roteiro. Maika Monroe vive Kenna, que viva um romance idílico com Scotty — já tinham até uma filhinha bebê — quando, dirigindo após beber, provoca um acidente no qual ele morre. Condenada, ela passa sete anos na prisão e, ao sair, tenta rever a filha, posta sob a tutela dos avós paternos, que odeiam Kenna por ter-lhes tirado o filho e negam acesso à menina. Daí em diante são lágrimas e beijos, estes com Ledger, dono do bar em que a jovem vai trabalhar.
Ainda no quesito drama e conflito de família chega o francês Enzo, de Robin Campillo. O personagem-título, vivido por Eloy Pohu, é um rapaz de 16 anos que não se sente feliz no mundo de sua família rica e decide trabalhar como pedreiro, para desespero do pai. Eu sua nova vida, o jovem descobre não apenas o trabalho árduo, mas um interesse pelo colega Vlad, um ucraniano dividido entre continuar trabalhando na França ou voltar para lutar na guerra em seu país. Como a idade do consentimento na legislação francesa é de 15 anos, um eventual relacionamento entre os dois não seria um crime per se, mas um novo elemento para balanças as estruturas familiares de Enzo.
Mas vamos falar de Brasil. Dirigido por Emiliano Ruschel, O Velho Fusca acompanha Júnior (Caio Manhente), um rapaz que acredita ser capaz de conquistar a garota dos seus sonhos se tiver um carro, algo que seus pais não podem dar. Mas nem tudo está perdido. Seu avô (Tonico Pereira) tem um Fusca parado há décadas na garagem, e consegui-lo seria muito fácil, não fosse por um detalhe: o dito avô e o pai de Júnior não se falam desde antes de o rapaz nascer, e o motivo da briga foi justamente o bendito carro. Caberá a ele conquistar a confiança da velho, fazer os dois superarem a velha rixa e conseguir o Fusca para si.
Fantasia é a ferramenta que o cineasta Jeferson De usa para falar de racismo em Narciso, nome de um órfão negro que é devolvido ao lar temporário na véspera de seu aniversário, já que a família branca desistiu de adotá-lo. Para tentar alegrá-lo, um amigo lhe dá uma bola de basquete que diz ser “mágica”. Se acertar três cestas seguidas, invocará um gênio. A magia dá certo, e Narciso pede ao gênio (Seu Jorge) para ser branco e ter uma família. O desejo é atendido com uma pegadinha: os brancos o verão como branco; os negros (e o espectador) como ele realmente é, mas, a exemplo do mito grego, se Narciso vir o próprio reflexo, tudo estará perdido.
E na mesma linha de crianças e realismo mágico chega A Mensageira, coprodução argentina, uruguaia e espanhola, dirigida por Iván Fund. Anika (Anika Bootz) é uma menina com o dom de compreender e verbalizar os pensamentos de animais domésticos e silvestres. Seu talento é explorado pelos avós, que a levam em um trailer pelo interior da Argentina oferecendo “consultoria animal” em troca de dinheiro. O longa mistura de forma sensível os dramas tanto da protagonista quanto dos bichos que ela ouve.
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