Prezadas leitoras, caros leitores —
Houve uma época em que brinquedos sexuais eram tabu, “consolos” para pessoas solitárias comprados em sex shops escondidas no fundo de galerias e prédios comerciais. Quem os usava não falava a respeito, sob o risco de ser visto como “pervertido”. Felizmente, essa época ficou no passado. “Sex toys” fazem parte hoje da vida íntima de casais, seu uso é admitido e apregoado por personalidades, e não são poucos os profissionais de saúde que os apontam como fundamentais para o bem-estar das pessoas.
Na Edição de Sábado do Meio, conversamos com quem produz, vende e usa esses (não tão) novos auxiliares do prazer. Descobrimos como eles são criados e elaborados, como é a relação — sem trocadilhos — do público com esse mercado e como se deu essa mudança de mentalidade. E aqui vai um spoiler: a pandemia de covid-19 e o empoderamento feminino tiveram considerável responsabilidade nisso.
Aproveitamos também para ir ao espaço e descobrir os segredos do universo descortinados pelo telescópio espacial James Webb, um ano após o envio de sua primeira imagem. E, das estrelas para o estrelato, celebramos o cinquentenário de “Queen”, o nem sempre lembrado álbum de estreia de uma das mais importantes bandas de rock de todos os tempos.
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— Os Editores
Após 30 anos, Câmara aprova reforma tributária
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Com folga. Foi assim que a reforma tributária foi aprovada na madrugada de hoje na Câmara. O feito pode ser considerado histórico. Há pelo menos 30 anos que se discute uma reforma dos tributos, que só agora começa a sair do papel. No primeiro turno, o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/2019 passou com 382 votos a 118, além de três abstenções. No segundo turno, houve 375 votos a favor, 113 contrários e três abstenções. Para alcançar esse resultado, foi necessária muita negociação entre o relator Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com governadores, prefeitos e setores econômicos. Como não houve tempo de colocar no texto todos os ajustes negociados ao longo do dia, logo após o primeiro turno, a Câmara aprovou, por 379 votos a 114, uma emenda aglutinativa, incluindo dispositivos como benefícios a mais setores e isenção para associações sem fins lucrativos ligadas a igrejas. Antes da primeira votação, em gesto simbólico, Lira deixou a presidência da sessão para destacar na tribuna o dia histórico e defender uma análise sem polarização política. “Deixemos as urnas de lado, voltemos os olhos para o país. Reforma tributária não será joguete na boca de ninguém”, afirmou. (Valor)
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que atuou de forma intensa nas negociações, afirmou que a reforma “não é uma proposta de governo”, foi pedida pelo país, e uma “vitória para nós e para as próximas gerações”. Confira as reações e veja como cada deputado votou no primeiro e no segundo turno. (UOL)
Entenda os principais pontos da reforma tributária. (g1)
A reforma tributária avançou. Mas os outros dois projetos econômicos do governo – mudanças no Carf, o tribunal da Receita Federal, e o arcabouço fiscal – devem ficar para agosto. Para Haddad, isso pode gerar “algum” prejuízo para a elaboração do orçamento de 2024. (Estadão)
Em busca de apoio parlamentar, o governo registrou na quarta-feira um novo recorde no empenho de emendas de congressistas: R$ 5,4 bilhões. Um total de R$ 5,3 bilhões foram para as chamadas “emendas PIX”, que caem diretamente na conta dos municípios. Na terça-feira, já havia liberado R$ 2,1 bilhões. (Poder360)
E, como prometido na véspera, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou do encontro do PL, que tem a maior bancada da Câmara, para defender a reforma tributária. Mas foi interrompido por Jair Bolsonaro e vaiado. Tarcísio defendeu que a direita discutisse o projeto e levasse o crédito. Mas foi interrompido pelo ex-presidente: “Se o PL estiver unido, não aprova nada”. Ele insistiu na defesa da reforma, mas foi vaiado. “Tudo bem, gente. Se vocês acham que a reforma tributária não é importante, não vota”, afirmou o governador. O embate é bom politicamente para o governador, um sinal rumo ao centro, diz Octavio Guedes. (g1)
Pela manhã, Lula afirmou que a reforma tributária é a primeira a ser realizada por um regime democrático no Brasil, apesar de não ser a que ele quer. (Correio Braziliense)
Na tentativa de angariar apoio do União Brasil, após mais de um mês de imbróglio, o governo confirmou a troca no Ministério do Turismo. Daniela Carneiro (UB-RJ) esteve com Lula na tarde de ontem. Mas sua demissão não foi anunciada de imediato. Inicialmente, a Secretaria de Comunicação informou que ela continuaria no posto por ao menos uma semana, à espera das votações da agenda econômica na Câmara. Isso levou uma ala do partido a pedir o adiamento da votação da reforma tributária. Depois, a Secom disse que Daniela já havia colocado o cargo à disposição. À noite, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, confirmou a saída. “O presidente Lula e eu nos reuniremos com o presidente e os líderes do União Brasil, em data a ser definida amanhã [hoje], para receber a indicação do deputado Celso Sabino, que vai liderar a pasta do Turismo.” (Folha)
Quando Sabino assumir a pasta, o ex-deputado federal Marcelo Freixo (PT) deixa a Embratur. Pelo menos, esse é o desejo do União Brasil, que quer o Turismo de porteira fechada, conta Leonardo Sakamoto. Mas Lula não quer a troca devido aos bons resultados do petista. A Embratur tem cargos que podem apaziguar anseios políticos. (UOL)
E as mudanças não devem ficar só nisso. Além do Turismo, o centrão espera mudanças nos ministérios do Desenvolvimento e dos Esportes e o comando de uma estatal, que poder ser a Caixa. Com essas entregas, atendendo a União Brasil, PP e Republicanos, os projetos do Carf e do arcabouço fiscal seriam aprovados em agosto. (Poder360)
Suspensão imediata. Foi o que Gilmar Mendes determinou à Polícia Federal em relação ao inquérito sobre desvios de recursos do Fundo Nacional para Desenvolvimento da Educação para a aquisição de kits de robótica por escolas alagoanas. O ministro do Supremo Tribunal Federal determinou que o caso seja totalmente paralisado até que a Corte julgue, em agosto, se a investigação deve ser anulada por suspeita de violação do foro privilegiado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), cujo nome apareceu nas investigações, que envolvem seus aliados e assessores. (UOL)
Para ler com calma. Relatórios sigilosos da Abin apontoam empresários do agronegócio e entidades do setor como articuladores e financiadores de atos antidemocráticos que culminaram com a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Entre os principais nomes está Antonio Galvan, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja do Brasil, Aprosoja. (Globo)
No auge da Lava-Jato, em 2016, procuradores suíços e brasileiros trocaram mensagens no Telegram sobre ações envolvendo suspeitos de pagamento de propinas da Odebrecht. Os textos, conta Jamil Chade, indicam que o então juiz Sergio Moro pressionou os procuradores para que pedissem a extradição do executivo da construtora Fernando Migliaccio. No grupo, que durou três anos, os procuradores antecipavam documentos e decisões, apesar de isso só ser possível via solicitações formais de um país ou do Judiciário e por canais oficiais. As mensagens integram o material apreendido pela Polícia Federal na operação Spoofing, que investigou o hackeamento das contas do atual senador Moro (UB-PR) e dos procuradores da Lava-Jato. (UOL)
Lauro Jardim: “Tony Garcia, empresário e ex-deputado estadual do Paraná que nas últimas semanas tem dito em entrevistas que atuou ‘como agente infiltrado’ de Moro e dos procuradores no caso Banestado, já avisou ao MPF que está trazendo dos EUA quase uma hora de gravações que julga comprometedoras para o ex-juiz e os dois procuradores”. (Globo)
Cultura
O teatrólogo e diretor José Celso Martinez Corrêa não resistiu aos ferimentos causados pelo incêndio em seu apartamento e morreu na manhã de ontem, aos 86 anos. Ele estava internado desde a madrugada de terça-feira com 50% do corpo queimado e apresentou complicações renais. O velório está acontecendo no Teatro Oficina, a revolucionária companhia que ele fundou em 1958, na Bela Vista, Centro da capital. A prefeitura de São Paulo decretou luto oficial de três dias. Marcelo Drummond, marido de José Celso, e outros dois moradores do apartamento tiveram alta ontem. (g1)
Paulista de Araraquara, Zé Celso, como era conhecido, estudava Direito no Largo de São Francisco (USP) quando, em 1958, jogou a faculdade para o alto e criou com colegas de curso o Teatro Oficina. A ideia era fugir tanto do modelo europeu tradicional do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) quanto da abordagem nacionalista do Arena. O primeiro grande sucesso veio em 1963, com Pequenos Burgueses, do russo Máximo Gorki (1868-1936), mas a consagração viria quatro anos depois com O Rei da Vela, uma peça inédita do modernista Oswald de Andrade (1890-1954). Zé Celso levou para o palco a estética tropicalista e revolucionou o teatro brasileiro. No ano seguinte, desconstruiu Roda Viva, primeira peça de Chico Buarque numa montagem direta e agressiva com referências religiosas que provocaram a fúria de grupos armados de extrema direita. E o tom político de sua obra seguiu até o fim, com a montagem de Fausto, do inglês Christopher Marlowe (1564-1593), falando do bem e do mal em plena campanha eleitoral de 2022. (BBC)
A tragédia de Zé Celso devastou o meio artístico. “Não há nem haverá na nossa Arte Teatral alguém com a sua transcendência criativa, querido e insubstituível Zé Celso”, escreveu Fernanda Montenegro. Gilberto Gil lembrou o “legado eterno” do amigo, enquanto Gerald Thomas, profundamente influenciado pelo dramaturgo, não escondia a tristeza: “Só o tempo dirá e só o tempo vai curar esse vazio. Não adianta fingir. Estou aos prantos.” (Estadão)
Além de custar a vida do diretor, o incêndio destruiu manuscritos inéditos dele, segundo o ator Ricardo Bittencourt, que também morava no apartamento no Paraíso. Eram cadernos com ideias de peças, observações sobre montagens e desenhos para concepção cênica. Os textos já encenados ou em vias de publicação estavam digitalizados e não se perderam. Marcelo Drummond, marido do diretor, vai assumir o comando do Oficina e dar continuidade ao legado de Zé Celso. (Folha)
A frase é do professor de história e teoria do teatro Luiz Fernando Ramos, da USP. “Morreu, quase consensualmente, o maior artista do teatro brasileiro de todos os tempos, pelo menos nos últimos três séculos.” (Folha)
Cotidiano Digital
O Twitter está levando a sério o Threads, nova rede social lançada nesta semana pela Meta, como seu concorrente. A empresa do bilionário Elon Musk notificou a dona do Facebook de forma extrajudicial, ameaçando processá-la por plágio. O documento obtido pelo site Semafor e assinado por um advogado do Twitter alega que a Meta contratou dezenas de ex-funcionários da rede social de Musk com acesso a documentos e segredos comerciais da plataforma para desenvolver uma “cópia”. O Twitter demitiu cerca de 4.000 funcionários desde que Musk comprou a rede social em outubro. A carta endereçada ao CEO Mark Zuckerberg afirma que o documento é um aviso formal e que o Twitter pode começar a levantar provas em uma possível disputa judicial entre ambas. Os ex-funcionários do Twitter que agora estão na Meta também podem ser alvos de processo. O diretor de comunicação da Meta, Andy Stone, publicou no Threads que as acusações não se sustentam. “Ninguém no time de engenharia por trás do Threads é ex-funcionário do Twitter.” (Semafor)
Enquanto isso, o novo app da Meta já ultrapassou 30 milhões de usuários. (Época Negócios)
Meio em vídeo. É cedo pra dizer se o Twitter está condenado, mas em sete horas a nova plataforma do Meta, o Threads, tinha reunido 10 milhões de usuários. Uma resposta do público ao ambiente hostil criado por Elon Musk no Twitter. Mas será que a Meta conseguirá mudar o comportamento que intoxicou o concorrente, indaga Mariliz Pereira Jorge na coluna De Tédio a Gente Não Morre. (YouTube)
Viver
Para ler com calma. Passarelas são úteis para que pessoas vençam obstáculos naturais ou artificiais, além de oferecer segurança aos pedestres. Mas urbanistas avaliam que essas construções deixam de servir quem transita a pé para priorizar o fluxo de veículos nas grandes cidades, como carros, ônibus e caminhões. Elas se tornam estruturas excludentes, inseguras, caras e ruins para pessoas com deficiência e mulheres com crianças por terem longas subidas em escadas, que desestimulam sua utilização. (Casa e Jardim)
Um novo estudo publicado na revista Lancet mostra que a morte da primeira pessoa a receber um transplante de coração de porco geneticamente modificado teve múltiplos fatores. Com uma condição cardíaca grave e sem a possibilidade de receber um órgão humano, David Bennett, 57 anos, aceitou fazer o xenotransplante em janeiro de 2022, mas morreu devido a uma parada cardíaca dois meses depois. Os pesquisadores da Universidade de Maryland (EUA) constataram que o coração suíno apresentava uma inflamação provavelmente causada por uma forte resposta imune gerada pela rejeição do órgão. Essa reação pode ter sido provocada pela aplicação de imunoglobulina intravenosa, usada para tentar recuperar o sistema imunológico do paciente debilitado. (Folha)
As áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia tiveram queda de 33,6% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2022. Os dados do sistema Deter do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foram divulgados ontem pelo Ministério do Meio Ambiente. Foram 2.649 km² de áreas sob alerta entre janeiro e junho de 2023 contra 3.988 km² nos seis primeiros meses do ano passado. O Amazonas foi o estado com melhor resultado, reduzindo o desmatamento em 55,2%. (g1)



