Clássico da literatura ganha nova versão livre nas telonas

Receba as notícias mais importantes no seu e-mail
Assine agora. É grátis.
Adaptar um livro para um filme é sempre algo espinhoso, especialmente quando a obra é um clássico que já ganhou uma penca de versões para as telas. Talvez por isso a cineasta Emerald Fennell tenha decidido chutar o balde ao trazer sua visão de O Morro dos Ventos Uivantes, baseado no livro publicado em 1847 por Emily Brontë sob o pseudônimo Ellis Bell. O filme carrega no erotismo ao trazer Margot Robbie como uma Cathy fogosa e alivia o racismo colocando Jacob “Frankenstein” Elordi como o anti-herói Heathcliff — no livro o personagem é “escuro como um cigano”. A cenografia e o guarda-roupa, especialmente de Robbie, também criam muito livremente sobre a ambientação do século 19. Apesar disso, os principais elementos do romance, como o preconceito social, o amor não consumado e a culpa, estão bem representados.
O segundo destaque da semana é um documentário, mas muitos preferíamos que fosse ficção. Orwell: 2+2=5, dirigido por Raoul Peck e feito em parceria com os herdeiros de George Orwell (1903-1950), combina a vida do escritor inglês, trechos de suas obras — em particular 1984 e A Revolução dos Bichos — e conexões com a situação atual do mundo e dos Estados Unidos. Orwell, na voz do ator Damian Lewis, escrevia tendo como referência o regime brutal de Josef Stálin na União Soviética, mas suas descrições do uso da propaganda, do discurso de ódio e medo e da idolatria a um líder autoritário parecem a leitura de um noticiário político de hoje. Mesmo com a edição um tanto confusa em alguns momentos, o longa é uma ferramenta importante para entendermos o mundo hoje.
Como tem gente que não passa sem um suspense-pipoca, temos Caminhos do Crime, de Bart Layton, estrelado por meia Marvel. Chris Hemsworth (Thor) é um ladrão de joias que planeja o maior roubo de sua carreira com a ajuda, ou assim ele acredita, de uma agente de seguros vivida pela sempre maravilhosa Halle Berry (Tempestade). No caminho da dupla, porém, há um detetive obstinado interpretado por Mark Ruffalo (Hulk) e um assassino a cargo de Barry Keoghan (Druig, do chato Os Eternos). Não chega a ser um filme para guardar na memória, embora qualquer coisa com Halle Berry seja inesquecível.
Por que só as bonecas como M3gan podem ser maníacas homicidas? Sem ligar para o sexismo, Rob1n: Inteligência Assassina, de Lawrence Fowler, segue a mesma linha de máquina do mal com desinência de gênero. Um jovem vai apresentar a noiva ao tio, um recluso gênio da robótica que perdeu o filho de 11 anos de forma trágica, descobre que o velho criou uma cópia artificial do menino. Logo o androide revela os sinais de psicopatia do garoto original e se torna uma ameaça a todos.
E no campo das animações temos Um Cabra Bom de Bola, de Tyree Dillihay e Adam Rosette. O cabrito Cam sonha em competir no “berrobol”, uma espécie de basquete anabolizado e superviolento, coisa de bicho grande. Graças a sua insistência, consegue ser aceito numa grande equipe que não vive lá sua melhor fase. Caberá a ele vencer a resistência dos colegas maiores, especialmente da pantera que comanda o time em quadra. O título em inglês GOAT faz um trocadilho intraduzível com a palavra bode e a sigla de greatest of all times (maior de todos os tempos). No Brasil, para justificar o “cabra” do título, Cam ganhou um sotaque nordestino genérico.
Confira a programação completa nos cinemas da sua cidade.


