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9 de agosto de 2019
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Do Planalto ao Supremo, um dia de crise para Moro


A quinta-feira não foi um dia fácil para o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Seu pacote anticrime, que já vinha sendo paulatinamente desidratado pelo Congresso, foi colocado na geladeira por ninguém menos que o presidente Jair Bolsonaro. Segundo este, com a reforma da Previdência já no Senado, a prioridade do governo é tocar a reforma tributária, o que jogaria o pacote do ministro para as calendas gregas. “O Moro está vindo de um meio onde ele decidia com uma caneta na mão. Agora, não temos como decidir de forma unilateral”, disse Bolsonaro. “Entendo a angústia dele, de querer que o projeto vá para frente, mas nós temos que fazer o Brasil andar.” Para diminuir o desconforto, ele levou Moro para sua tradicional live nas redes sociais. (Estadão)

Depois, Moro precisou se explicar ao ministro Luiz Fux, do STF, negando ter mandado destruir provas obtidas com hackers que invadiram celulares de autoridades. A intenção de Moro havia sido revelada pelo presidente do STJ, João Otávio Noronha. A Fux, o ministro da Justiça diz que houve um “mal-entendido”. (Folha)

Para completar, comprou briga com a OAB ao pedir que a PGR investigue o presidente da Ordem, Felipe Santa Cruz, por suposto crime de calúnia. Em entrevista, Santa Cruz, cujo pai foi morto durante a ditadura, disse que Moro “banca o chefe de quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas”.

Vera Magalhães: “De ministro ‘indemissível’ e candidato – com direito a anúncio público – à ‘primeira vaga’ que houvesse no Supremo Tribunal Federal, Sérgio Moro passou a ser alvo das famosas ‘caneladas’ de Jair Bolsonaro, seja em declarações públicas, em críticas reservadas ou mesmo em ações para enfraquecê-lo. Acontece que Moro precisa ficar no cargo, uma vez que abriu mão da magistratura e o STF é, cada vez mais, um sonho distante. (Estadão)

Bela Megale: “A relação entre Bolsonaro e Moro passa pelo seu momento mais delicado, com direito a críticas feitas pelo presidente ao seu ministro em reuniões mais reservadas, segundo interlocutores do Planalto. Mesmo assim, Bolsonaro não cogita afastar o ex-juiz do comando da pasta da Justiça. Por outro lado, Moro também já confidenciou a pessoas próximas certo desconforto com algumas posições do governo, mas evitou tecer críticas diretas a Bolsonaro.” (Globo)

Uma das críticas mais comuns à Receita Federal é que ela usa a defasagem da tabela do Imposto de Renda para aumentar a arrecadação. Com a tabela congelada desde 2015, reajustes que apenas reponham o poder de compra dos salários jogam o contribuinte para uma faixa maior de tributação. Agora, o ministro Paulo Guedes estuda incluir na proposta de reforma tributária o reajuste automático da tabela pela inflação. Em contrapartida, acabariam todas as deduções, como despesas com saúde e educação. (Globo)

Outros dois pontos que devem nortear a reforma, a ser apresentada na próxima semana, são a criação de um Imposto de Valor Agregado (IVA) federal, unificando diferentes tributos e uma nova versão da CPMF para financiar a Previdência. (Folha)

Uma boa notícia para Bolsonaro. Segundo uma fonte do governo brasileiro, os EUA deram sinal verde para que Eduardo, o filho 03, assuma a embaixada em Washington. Agora depende do Senado. (Globo)

Apontado até agora como favorito para substituir Raquel Dodge na Procuradoria geral da República, o subprocurador Augusto Aras virou alvo do partido do presidente Jair Bolsonaro. Políticos e apoiadores do PSL dizem que Aras, que já se reuniu quatro vezes com o presidente e se apresenta como conservador, já defendeu posições de esquerda, criticou a Lava-Jato e elogiou o MST. (Estadão)

Correndo por fora, o subprocurador Paulo Gonet, apoiado pelo PSL, esteve na quinta com Bolsonaro e, segundo o Painel, disse ser contra a criminalização da homofobia pelo STF. Soou como música aos ouvidos do presidente, que deve anunciar o novo PGR até segunda. (Folha)

Relator da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que deve apresentar seu parecer em até três semanas. Para evitar que o texto precise voltar para a Câmara, ele disse que eventuais mudanças, como a inclusão de servidores estaduais e municipais e o regime de capitalização, devem ser apresentadas numa Proposta de Emenda Constitucional (PEC) paralela. Durante evento em São Paulo, o ministro Paulo Guedes disse ainda ter “objetivos maiores” para a capitalização, uma de suas principais bandeiras.

Veja como será a tramitação da reforma no Senado.

E a Comissão Mista de Orçamento aprovou a LDO com salário mínimo de R$ 1.040,00, sem aumento real.

Míriam Leitão: “A tramitação da reforma da Previdência foi vitoriosa na Câmara. O texto agora vai para o Senado. O foco tem que ser aprovar a reforma e começar a tramitação da PEC paralela, que inclui estados e municípios. Mas a sugestão do ministro Paulo Guedes de debater a capitalização pode incluir mais ruído na discussão, que levantará diversas perguntas: como será feita, qual o custo da transição, quem vai garantir. Nenhuma dessas questões foi respondida, e por isso a Câmara retirou a capitalização do texto.” (Globo)

“Bolsonaro é um produto dos nossos erros. A pergunta é onde nós erramos”, disse, de forma nada sutil, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), durante evento em São Paulo. (Folha)


Na Edição de Sábado: Nos anos 1960, quem defendia livre acesso a armas, nos EUA, era a esquerda radical. Mas, a partir da década de 1970, uma mudança estratégica construiu a causa do armamento através de propaganda, consolidou um novo tipo de eleitor ao redor do Partido Republicano e, sim, aos poucos terminou em chacinas e num impasse político. A causa, artificial, já aterrissou no Brasil de Bolsonaro. Esta história inacreditável de marketing político é a que contaremos na edição premium de amanhã. Assine, ajude o Meio, custa quase nada.


A insustentável leveza do Deltan

Tony de Marco

 
Bigorna

Cultura


Em São Paulo, no Tomie Ohtake, a mostra Arte Atual | Jamais me olharás lá de onde te vejo, com obras do paraense Éder Oliveira, da paulistana Regina Parra e da baiana Virgínia de Medeiros. Em comum, os trabalhos refletem sobre a identidade do outro e os limites entre as relações. A partir desta sexta-feira no Sesc Av. Paulista, Mika Lins dirige o espetáculo Tutankáton, texto de Otavio Frias, com participação de Bete Coelho no elenco. Com direção de Gabriel Villela, estreia neste final de semana no Sesc Pompeia uma montagem de Auto da Compadecida. No sábado, começam as sessões de Cordel do Amor Sem Fim, com direção de Daniel Alvim, no Sesc Santo Amaro. Ian Ramil volta a São Paulo para um dos últimos shows do disco Derivacivilização nesta sexta, no Sesc 24 de Maio. No mesmo dia, o Jazz Nos Fundos recebe a Banda Black Rio. Alice Caymmi lança Electra, seu novo disco, sábado, na Casa Natura Musical. No sábado e domingo, o Mombojó lança o vinil do Nadadenovo, tocando o repertório do álbum já clássico no Sesc Avenida Paulista. Para uma noite mais underground, a Associação Cultural Cecília recebe o festival Desviantes, com as bandas Demonia, Cosmogonia e Derrota. Domingo tem MC Tha de graça no Sesc Pompeia. E a festa Selvagem recebe hoje François K na Fabrique.

No Rio de Janeiro, os finalistas do prêmio Pipa 2019, Berna Reale, Cabelo, Guerreiro do Divino Amor e Jaime Lauriano expõem seus trabalhos a partir deste sábado na Villa Aymoré. Adiada após as chuvas da semana passada, a Feira no Cobogó será neste sábado e domingo no IMS. Abre no sábado no Espaço Cultural Correios Niterói a individual de Marciah Rommes, Vestígios. Nos mundos eletrônicos e experimentais, Ananda e Amanda Mussi recebem hoje Gui Mauad, Una e Julio Rodrigues na festa Kode. Perverto, Verjault e Críptido fazem a noite do Escritório. Sergipe e Bahia estão na programação do festival Levada nesta semana: hoje tem The Baggios. Djavan toca amanhã no Morro da Urca. O Festival Dança em Trânsito, que circula por 8 cidades, começa nesta semana no Rio de Janeiro, no Theatro Municipal, Teatro Riachuelo, Sesc Ginástico e também ocupa as ruas. Veja a programação completa. E Agosto, texto de Tracy Letts adaptado e dirigido por André Paes Leme, estreia hoje no Imperator. José Staneck, Ricardo Santoro e Sheila Zagury tocam Piazzolla, hoje, na Sala Cecília Meireles. Para mais dicas culturais, assine a newsletter da Bravo!

Em Rafiki (trailer), duas grandes amigas, filhas de políticos rivais, se envolvem amorosamente. Elas então precisam decidir se vão desafiar o conservadorismo da sociedade queniana para ficarem juntas. Adaptação do conto Jambula Tree, da escritora ugandense Monica Arac de Nyeko, foi exibido em Cannes e na 42ª Mostra. Com Elisabeth Moss, Melissa McCarthy e Tiffany Haddish, Rainhas do Crime (trailer) é a adaptação da HQ The Kitchen, de Ollie Masters e Ming Doyle, sobre três mulheres que passam a coordenar a rede de crimes instaurada pelos maridos, presos pelo FBI, na Nova York dos anos 1970. Já a cinebiografia Simonal (trailer) acompanha a carreira do músico carioca (1938-2000). De sua ascensão e astronômico sucesso até o envolvimento com membros da ditadura militar, que o levou ao ostracismo. Vencedor dos prêmios de melhor fotografia, direção de arte e trilha sonora no Festival de Gramado.

De documentários a longas baseados em histórias reais, sugestões de filmes italianos contemporâneos para o fim de semana. Todos disponíveis na Netflix.

Viver


Está na Estônia a melhor educação da Europa - ou, indo além, a melhor educação do Ocidente. Entre os 70 participantes da avaliação, o Brasil ficou em 63º lugar.

A partir de agora, na pesquisa pela palavra "lésbica", no Google, o mecanismo de buscas recomendará a página da Wikipédia e outros conteúdos informativos. A busca indicava, nos primeiros resultados, páginas pornográficas.

Cotidiano Digital


A Uber preocupou o mercado financeiro ao anunciar ontem ao mesmo tempo seu maior prejuízo e menor crescimento de receita. No segundo trimestre deste ano, a empresa registrou um prejuízo de impressionantes US$ 5,2 bilhões, dos quais US$ 3,9 bilhões referem-se a pagamentos feitos a funcionários após a decepcionante oferta pública de ações. Mesmo assim, o US$ 1,3 bi restante foi quase o dobro do prejuízo registrado no mesmo período do ano passado. Já o faturamento da Uber no trimestre cresceu 14%, a menor taxa desde que ela começou a publicar seus números. Em comunicado, a empresa disse que este deve ser seu ano com maiores investimentos, o que garantirá um crescimento sustentado, mas o mercado espera melhores resultados já nos últimos trimestres do ano. (New York Times)

Você já acha ruim o Facebook saber tudo sobre seus hábitos de consumo, suas opiniões e seus gostos? Pois se prepare. Ele quer saber tudo sobre seus pensamentos também. A empresa anunciou que está financiando um projeto da Universidade da Califórnia com voluntários humanos. Eletrodos implantados no cérebro dos pacientes “traduzem” para fala sinais mentais emitidos quando a pessoa responde a perguntas simples. Segundo os pesquisadores, o nível de acertos (resposta do sistema igual à do paciente) foi animador, acima do que seria esperado aleatoriamente. Ao financiar a pesquisa, o Facebook diz ter em vista o desenvolvimento de equipamentos que permitam ao usuário, inclusive pessoas com dificuldades motoras ou de fala, interagir com músicas e jogos a partir de comandos enviados diretamente do cérebro.





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