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21 de agosto de 2019
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Sniper mata sequestrador e governador celebra como a um gol


Foram seis tiros em sequência. Rápidos. O sequestrador, um rapaz de 20 anos chamado Willian Augusto da Silva, mantinha dentro de um ônibus parado na Ponte Rio-Niterói 37 reféns. Havia acabado de sair do veículo e estava para voltar ao interior quando foi atingido e caiu. Morreu na ambulância, antes de chegar ao hospital. Ninguém mais se feriu. Quem disparou, um atirador de elite da Polícia Militar do Rio, devidamente mascarado e camuflado em cima de um caminhão de bombeiros, acertou todos os tiros. Um na perna esquerda, no antebraço direito e no braço esquerdo, os outros no tórax. De acordo com o tenente-coronel Maurílio Nunes, comandante do Bope, a decisão de atirar só ocorreu após o sequestrador cessar suas comunicações com os policiais. “Utilizamos protocolos internacionais”, afirmou. “Tanto que conseguimos retirar com a negociação seis vítimas que estavam no veículo. 90% das ocorrências são resolvidas com negociação, porém, quando vidas humanas são colocadas em risco, temos de tomar decisões.” Com um revólver que depois descobriu-se ser de brinquedo e gasolina espalhada em garrafas pet pelo ônibus, Willian ameaçou suicídio pulando da Ponte e levando consigo um refém, também afirmou que mataria dez pessoas se não lhe dessem dinheiro e sugeriu que poderia incendiar tudo. (Globo)

O sniper fez uma comemoração discreta, erguendo o polegar para cima, imediatamente após a tensão máxima do tiro. Ao seu redor, os policiais aplaudiram. Tendo chegado de helicóptero 45 minutos após, o governador Wilson Witzel saltou e logo ergueu os braços como num gol, acompanhado de perto por um assessor que a tudo filmava. “Estava feliz por ver atuação dos PMs”, explicou numa entrevista coletiva, à tarde. “Celebrei a vida.” Com vídeo. (G1)

Vera Magalhães: “Ações como as perpetradas pela polícia do Rio, em que um atirador de elite matou o sequestrador de um ônibus que fazia 37 reféns, dividem especialistas. Ainda assim, uma medida extrema como o tiro de precisão para abater um ofensor e evitar que faça vítimas civis é uma possibilidade legítima. O que não é justificável em hipótese alguma é um comportamento patético como o manifestado por Witzel, que armou uma chegada triunfal de helicóptero na cena do crime e festejou aos pulos a morte do sequestrador. De um governante se espera comedimento e lucidez em situações que mantêm inocentes sob extrema tensão e levam a polícia a agir de forma extrema. Até para que tenha meios de explicar a decisão à população.” (BR Político)

No outro lado da moeda, um momento: O pai de uma das reféns consola, à porta da Delegacia, a mãe do sequestrador. (UOL)

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, candidato a embaixador em Washington, passou ontem na Anatel. “Argumentei pelo fim da proibição prevista na Lei do SeAC, quem produz conteúdo para TV não pode também distribuí-lo e vice-versa”, explicou. “Minha luta é pelo livre mercado.” (Teletime)

Trata-se de um pedido pessoal de Donald Trump. A gigante das telecomunicações AT&T quer comprar, por US$ 85 bilhões, o grupo Time Warner — controlador de marcas como CNN, HBO, Cartoon Network e os quadrinhos DC. As duas companhias estão presentes em 18 países, e todos precisam aprovar o negócio. No Brasil, a Lei do Serviço de Acesso Condicionado, ou Lei da TV Paga, proíbe que a empresa que distribui TV seja a mesma que produz o conteúdo. Não só os canais TW são exibidos no Brasil como a operadora Sky pertence à AT&T. O negócio já foi aprovado em 17 países, mas não pode sê-lo no Brasil. É ilegal. Seria preciso mudar a lei. Na Casa Branca, Bolsonaro ouviu de Trump um pedido de empenho para resolver a questão no Brasil. O filho Zero Três está trabalhando. (Folha)

Então... Ao sair do Alvorada, ontem, o presidente fez sua já tradicional parada para conversar com os repórteres de plantão. Comentou que poderia recuar da indicação. “Não quero submeter o meu filho a um fracasso”, afirmou. Ouvido pela repórter Andréia Sadi, Eduardo afirmou que não há recuo. Por enquanto, com o resultado ainda não garantido, o Planalto não apresentou formalmente o nome de Zero Três ao Senado. (G1)

Pois é... Os técnicos do Senado não descartam nepotismo. No centro da questão está o debate sobre se o cargo de embaixador é político ou técnico. Se for político, o STF autoriza. Se for técnico, é ilegal. De acordo com o Painel, aliados do governo sinalizaram ao Planalto que o risco de traição dos senadores, no voto secreto, é bastante alto. (Folha)

Aliás... O vice-presidente Hamilton Mourão fez ontem palestra a um grupo de empresários. “Não há nada fora da democracia. Às vezes, a gente pode ser tentado pela solução fácil, um cabo e um soldado resolvem o problema”, argumentou. “Não resolvem. Podem resolver temporariamente, mas em algum momento a conta chega. A democracia é o pilar da nossa civilização ocidental.” Foi justamente Eduardo Bolsonaro que havia sugerido, no passado, que um cabo e um soldado poderiam fechar o Supremo, lembra Lauro Jardim. (Globo)

As coisas não estão pacificadas na Receita Federal. O novo número dois da instituição, que assumiu ontem o cargo, já sinalizou que não pretende trocar o comando do órgão no Rio como deseja o presidente Jair Bolsonaro. Bolsonaro deseja trocar o superintentente no Rio por este se negar a substituir o delegado da Alfândega em Itaguaí. Está assim todo o comando da Receita — em estado de tensão, em ato de resistência ao Planalto. E todos vêem o chefe, Marcos Cintra, como alguém disposto a ceder a pedidos políticos para se manter no cargo. (Folha)

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, chorou ontem quando elogiado pelo deputado Alexandre Frota. “Quero que você saiba que devo minha chegada ao PSDB a você”, lhe disse Frota, ao lado do governador paulista João Doria. “Não tenho vergonha das lágrimas que estão descendo do meu rosto. Devo muito a você.” O DEM de Maia e o PSDB já anunciaram que estarão juntos na campanha presidencial de 2022. Com vídeo. (UOL)

Sérgio Abranches: “A crise política alerta as lideranças democráticas para reagirem, mas ainda persiste a velha polarização. O Brasil está vivendo dois tempos de polarização. A velha, PT-PSDB, que ainda não foi superada. Há muito ressentimento do PT e partidos de esquerda com os partidos de centro que foram protagonistas do processo de impeachment da Dilma. E a nova, que é a da extrema direita iliberal não democrática contra o centro democrático. Qual a lógica recomendada nesse processo? Definir que o adversário principal deve unificar as forças da democracia. O sistema partidário foi desalinhado em 2018 e pode ocorrer um realinhamento. A mudança no PSDB faz parte desse movimento. O PSDB está se movendo para a direita, e poderia até mudar de nome, porque está se tornando um partido liberal conservador. Esse deslocamento do PSDB tem uma vantagem, permite trazer uma parte das forças liberais conservadoras que apoiaram Bolsonaro para um meio mais institucional. Se isso acontecer, terá sido um ganho para a democracia, pois eles deixarão de se agregar a uma liderança disruptiva e iliberal. E também abre mais espaço na centro-esquerda, assim como a crise do PT cria a possibilidade de reorganização das forças pela esquerda. O nosso problema hoje é quem vai liderar a redefinição desse espectro que era ocupado pelo PSDB e pelo PT.” (Deutsche Welle)

Conforme esta edição do Meio fechava, a Polícia Federal estava nas ruas para a 63ª fase da Operação Lava Jato. São cumpridos dois mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão em São Paulo e Bahia. Um dos alvos é o ex-ministro Guido Mantega. (G1)

Viver


Foi negra como as nuvens a chuva que caiu sobre São Paulo, na segunda-feira, cujas águas foram recolhidas por moradores em vários pontos da capital. Os indícios agora são fortes de que a fumaça vinda de queimadas de outras regiões do Brasil e até do exterior pode, sim, ter auxiliado na formação das nuvens densas. Uma análise preliminar do Instituto de Química da USP confirma a presença de uma substância marcadora de queimada na água da chuva. Sobre o número de queimadas no Brasil, o G1 mostrou um aumento de 82% em relação ao mesmo período de 2019 — de janeiro a 18 de agosto. Foram 71.497 focos neste ano, sendo que 13.641 ocorreram no Mato Grosso, 19% do total do país. O Corpo de Bombeiros do estado está sobrecarregado.

No Acre, o governo estadual decretou em 19 de agosto o estado de alerta ambiental devido aos efeitos provocados por incêndios na mata. Nos primeiros 12 dias de agosto, 468 focos de incêndio foram registrados no município. As queimadas têm como origem, principalmente, ações humanas que visam a abrir espaço na floresta. Os objetivos mais comuns são o desmatamento e a limpeza de área para pasto, a fim de criar rebanhos bovinos. Em épocas de pouca ou nenhuma incidência de chuva, o fogo se alastra com facilidade e há regiões na Amazônia em que não chove há mais de três meses. (Nexo)

Dados podem ser ainda piores... A Amazônia brasileira perdeu mais que o dobro da área de 180 mil km² registrada, entre 2000 e 2017, pelo sistema de monitoramento de desmatamento anual adotado pelo Inpe. Uma Alemanhã por período, aponta estudo de uma equipe de pesquisadores da Universidade de Oklahoma publicado na revista científica Nature Sustainability. Cerca de 400 mil km² a menos de área verde. O conceito de floresta desmatada e a qualidade das imagens analisadas pelo satélite, com menos interferência de nuvens e sombras, são apontados como fatores para a discrepância nos resultados. O artigo revela ainda que as unidades de conservação da Amazônia perderam 20 mil km² de floresta entre 2000 e 2017. Quase quatro Brasílias. (BBC)

No Twitter Mundial, 'E a Amazônia' foi trending topic na noite de ontem com cerca de 510 mil tweets até às 21h.

Cultura


O filme Matrix, que teve uma trilogia formada pelos filmes Matrix (1999), Matrix: Reloaded (2003) e Matrix: Revolutions (2003), ganhará um 4º filme como sequência, segundo informou a revista norte-americana Variety. Lana Wachowski vai escrever, produzir e dirigir o filme, que terá Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss nos papéis de Neo e Trinity.

E os filmes do Homem-Aranha não devem mais fazer parte do universo Marvel: a Disney e a Sony não chegaram a um acordo para co-produzir a franquia.

Cotidiano Digital


O Facebook começa a implantar um novo recurso de privacidade: Atividade fora do Facebook. É uma lista de todos os apps e sites que enviaram informação à rede social sobre o usuário. Cada um pode escolher apagar tudo, assim como manter alguns apps conectados e outros não. Por enquanto, o recurso está funcionando na Irlanda, Coreia do Sul e Espanha. Ao longo dos próximos meses será expandido para o resto do mundo.

Segundo uma investigação conduzida pelo Wall Street Journal, funcionários da Huawei auxiliaram os governos de Zâmbia e Uganda, em ocasiões diferentes, a espionar seus próprios cidadãos. Em Uganda, os funcionários trabalhavam na sede da polícia e utilizaram um software hacker para acessar as mensagens de um artista considerado subversivo. O jornal não encontrou qualquer indício de que os executivos da companhia, na China, estivessem a par das atividades. Os governos dos dois países negaram as atividades, de acordo com o South China Morning Post. A Huawei também nega qualquer participação.

Aliás... O governo americano estendeu em mais 90 dias o prazo para que companhias do país sigam fazendo negócios com a Huawei.





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21 de agosto de 2019
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