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9 de janeiro de 2020
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Crise militar entre EUA e Irã arrefece


O presidente americano Donald Trump anunciou ontem, ao vivo, que as hostilidades entre EUA e Irã estavam arrefecendo. “O Irã parece estar baixando o tom”, ele afirmou, “o que é bom para todos os envolvidos assim como para o mundo.” Cauteloso, optou por falar lendo um texto previamente escrito no teleprompter, evitando como é de seu hábito o improviso. “Os Estados Unidos estão prontos para abraçar a paz com qualquer um que a busque.” No Capitólio, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, afirmou que os deputados aprovarão hoje uma medida que proíba o presidente de qualquer ação militar direta contra o Irã sem antes consultar o Congresso. “Temos sérias dúvidas sobre a decisão do governo de abrir hostilidades contra o Irã sem qualquer estratégia clara”, ela ponderou. “Nossas preocupações não foram ainda esclarecidas.” (New York Times)

Pela avaliação de muitos no meio militar, o objetivo do Irã ao disparar mísseis contra as bases americanas foi mandar um recado. Segundo eles, a tecnologia usada demonstra precisão de mira. Teerã poderia ter atingido áreas onde havia soldados americanos e escolheu não fazê-lo. (CNN)

Então... O Irã tem mísseis de cruzeiro, ainda precisos, assim como drones — tanto voltados para ataque quanto para reconhecimento de área e investigação. Embora seu exército convencional lide com a precariedade típica do Oriente Médio, o arsenal que tem à disposição impõe respeito, e não tem igual na região. (New York Times)

Pois é... O presidente americano não se conteve e precisou trazer ao discurso seu antecessor. Para Trump, o Irã se armou financiado indiretamente pelo Acordo de Paz firmado com Barack Obama. (Washington Post)

É o mesmo que fez seu par brasileiro. O presidente Jair Bolsonaro entrou ontem numa live para se apresentar assistindo via GloboNews o pronunciamento de Trump. Ao fim, achou por bem criticar o antecessor. “Muitos acham que o Brasil deve se omitir no tocante aos acontecimentos”, comentou. “Só quero dizer uma coisa: o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto presidente da República, esteve no Irã e lá defendeu que aquele regime pudesse enriquecer urânio acima de 20%, que seria para fins pacíficos.” Durante o governo Lula, houve uma tentativa brasileira de interceder por um acordo de paz com o Irã. Os termos eram muito parecidos com os do acordo que terminou sendo estabelecido pelo país com EUA e Europa. (Estadão)

Durante mais de duas horas, Carlos Ghosn se declarou vítima de um sistema judicial fraudulento e de um golpe corporativo. Em coletiva no Líbano, o ex-CEO da Nissan afirmou que um grupo de executivos japoneses da companhia, que gostariam de ter mais autonomia, iniciaram uma perseguição pessoal. Eles teriam forçado acusações para impedir a fusão da gigante japonesa com a francesa Renault. (New York Times)

O executivo se queixou do governo brasileiro. Em resposta a Roberto D’Ávila, afirmou que esperava mais ajuda. “O presidente Bolsonaro fez um anúncio no jornal, onde alguém fez uma pergunta para ele, se ele estava pronto para falar do meu caso com as autoridades japonesas. Se me lembro, ele falou que não quis fazer isso para não atropelar, atrapalhar as autoridades japonesas.” O presidente teria sido aconselhado pelo chanceler Ernesto Araújo a não intervir, apesar de Ghosn ter cidadania brasileira. (G1)

Ghosn não explicou como fugiu. Mas disse ter sido a decisão mais difícil da vida, que ele avaliou como necessária para que não fosse refém de um sistema judicial que vazou informações falsas e ocultou provas. “Não escapei da justiça”, argumentou. “Fugi da injustiça”. A fuga teria contado com ajuda de ex-militar de elite dos EUA, viagem em trem-bala dentro de uma caixa de instrumento musical, e jato particular. (Folha)

A ministra da Justiça do Japão respondeu. Classificou como intolerável que Ghosn venha propagando informações falsas sobre o sistema legal japonês. (Globo)


Diga-se... Bolsonaro decidiu que não irá este ano ao Fórum Econômico Mundial, em Davos. “As razões são aquelas que já estamos esboçando há tempo”, explicou o porta-voz Otavio do Rêgo Barros. “Aspectos econômicos, de segurança, políticos. Somados, permitiu avaliar que não seria o caso de participar, nesse momento, desse Fórum.” Ele será representado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. (Poder 360)

O presidente do STF, Dias Toffoli, já começou a analisar as ações contra a figura do juiz de garantias. A tendência é de que sejam negadas. Havia expectativa. Se ele deixasse os casos para o vice-presidente da Corte, Luiz Fux, que comanda o tribunal no recesso a partir do dia 20, poderia haver diferença. Toffoli já se mostrou favorável à figura, que foi reprovada por Sergio Moro. Fux, mais próximo da Lava Jato e juiz de carreira, poderia agir diferentemente. (BRPolítico)

O desembargador Benedicto Abicair, do Tribunal de Justiça do Rio, conta Ancelmo Gois, achou por bem baixar liminar retirando do ar A Primeira Tentação de Cristo — a sátira do Porta dos Fundos realizada para a Netflix. “Se me aparenta mais adequado e benéfico, para a sociedade brasileira majoritariamente cristã, até que se julgue o mérito do Agravo, recorrer-se à cautela”, ele escreveu. “Para acalmar os ânimos.” Tanto o juiz de primeira instância quanto o plantonista do TJ durante o recesso já haviam negado a mesma liminar. (Globo)

A Bernardo Mello Franco, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, reagiu de presto. “É uma barbaridade”, afirmou sobre a decisão. “Os ares democráticos não admitem censura.” (Globo)

Então... O suspeito de atacar a sede da produtora, Eduardo Fauzi entrou na lista de alerta máximo da Interpol. Ou seja: pode ser preso por qualquer força policial do país em que esteja. Fauzi está foragido da polícia desde que fugiu para Moscou, um dia antes do seu mandado de prisão. Uma autoridade brasileira na capital russa já iniciou as tratativas com as autoridades locais para a sua extradição. (G1)

O empresário disse, em entrevista à Rádio BandNews FM, que foi à Rússia passar o Natal com o filho e pretende se entregar no fim do mês. Ou quase. Caso se sinta inseguro, comentou, não cumprirá a promessa. (BandNews)

De acordo com Guilherme Amado, ele já entrou com um pedido de habeas corpus. (Época)

Pois é. O ministro da Educação não sabe escrever imprecionante. (Metrópoles)

Cultura


O tema é: a relação de trabalho entre chineses e americanos. O documentário American Factory é a primeira produção do casal Obama para a Netflix. A produtora deles chama-se Higher Ground Productions e os diretores do documentário são Steven Bognar e Julia Reichert. O longa traz ainda um curta-metragem que mostra o diálogo entre os produtores e os cineastas. Barack Obama dá uma de crítico e diz que o que o atrai no filme são suas nuances, as sutilezas e complexidades dessa relação laboral entre duas culturas.

As estreias da semana nos cinemas trazem dois longas assinados por diretoras. Adoráveis Mulheres, de Greta Gerwig (Lady Bird), que tem boas chances de Oscar, e Retrato de uma Jovem em Chamas, da francesa Céline Sciamma (Tomboy). Adoráveis Mulheres (trailer) acompanha irmãs de personalidades bem diferentes - Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh) - em meio à Guerra Civil americana. Já a trama do longa francês Retrato de uma Jovem em Chamas (trailer) mostra a jovem pintora Marianne, que recebe a tarefa de pintar um retrato de casamento sem que a noiva saiba. O outro destaque é Ameaça Profunda (trailer), com Kristen Stewart. Ela faz parte de um grupo de pesquisadores precisando sobreviver no fundo do mar com pouco oxigênio, quando descobrem a presença de uma criatura mortal.

E uma playlist chamada Peace. Tem George Harrisson, Scorpions, Oasis e Marvin Gaye. (Spotify)

Viver


O Palácio de Buckingham emitiu um comunicado oficial dizendo que as discussões sobre a decisão do príncipe Harry e de Meghan Markle de deixarem os cargos do alto escalão na realeza britânica, e se mudarem para a América do Norte ainda estão “em fase inicial”. Harry e sua mulher querem se afastar das funções cotidianas da Família Real e viver uma vida independente.

Apareceu em três filmes de Audrey Hepburn. Uma de suas suítes é um monumento nacional. Agora, após uma reforma de quatro anos e um revés, o Ritz Paris está finalmente de volta, mais bonito do que nunca. As imagens.

As histórias... Em 1971, o programa de TV americano 60 Minutes transmitiu uma reportagem no Ritz Paris, na qual uma marquesa russo-espanhola - envolta em brilhantes penas negras, como um pássaro ainda escorregadio e ainda exótico - elogiou a equipe do hotel por não empalidecer ao encontrar sua jibóia de estimação tomando café da manhã. "Deve haver uma pequena ilha!" ela chorou para a câmera, onde pessoas como ela poderiam se sentir bem-vindas e confortáveis. "E essa ilha é o Ritz."

Novas regras para a cirurgia de transição de gênero foram publicadas hoje pelo Conselho Federal de Medicina. A portaria que saiu no Diário Oficial da União amplia o acesso à cirurgia e também ao atendimento básico para transgêneros na rede pública de saúde. A norma estabelece a idade mínima de 16 anos para o início de terapias hormonais e define regras para o uso de medicamentos para o bloqueio da puberdade. Procedimentos cirúrgicos envolvendo transição de gênero estão proibidos antes dos 18 anos. (G1)

Cotidiano Digital


Ivanka Trump, filha e conselheira política do presidente Donald Trump foi uma das poucas representantes femininas no CES. Mas a sua escolha para falar sobre o futuro do trabalho sem fazer parte do meio tecnológico não agradou. Várias mulheres do setor contaram ter sugerido temas para painéis, mas foram rejeitadas pela organização do evento. A prática já seria comum no CES: durante anos vem negando debates propostos por mulheres, com a resposta de que não teriam currículo extenso ou não atendiam aos requisitos. Desde 2018, o evento sofre críticas por contar com painéis com apenas homens. E parece que não foi dessa vez que acertou.

Enquanto isso, o terceiro dia do CES foi marcado pelo anúncio do Twitter de que vai permitir que usuários limitem ou bloqueiem respostas aos seus tweets. A ideia é conter o abuso e assédio na rede social.

Com o CES chegando ao fim amanhã, é a hora das listas. Como os 10 gadgets mais extraordinários, os 10 dispositvos mais legais e as oito inovações mais inteligentes.

O domínio “.org” da internet está em um disputa comercial. O fundo Ethos Capital fez uma proposta para comprá-lo por US$ 1 bilhão. Mas a oferta gerou críticas e preocupação. Os receios das organizações sem fins lucrativos são que, nas mãos do fundo, os preços cobrados aumentem e os dados dos usuários comecem a ser vendidos para que o negócio se torne lucrativo. As organizações também temem que comecem a ser censuradas. O fundo nega. Diz que planeja investir em novos serviços, na redução de spam, cibersegurança e fazer uma limpa em sites ilícitos. O impasse, no entanto, pode ter encontrado uma solução. O grupo contra criou a Cooperative Corporation of .ORG Registrants. A ideia é não só convencer o ICANN, órgão hoje responsável pelo domínio, a não aceitar a oferta, mas ainda passar o controle para eles. A decisão deve sair no começo deste ano.

O leilão de 5G não terá pressão dos EUA contra a Huawei, segundo o ministro de Ciência e Tecnologia. Marcos Pontes disse que não vetará nenhuma empresa da disputa. O ministro ainda confirmou que o leilão marcado para este ano pode ser adiado para 2021. No entanto, a razão não seria a pedido dos americanos, mas sim a problema técnico de interferência nas antenas de TV.





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