Ainda não é assinante? Assine. Não custa nada.



4 de março de 2020
Consultar edições passadas

Biden vence a Superterça e é o favorito democrata


O ex-vice-presidente americano, Joe Biden, teve ontem sua melhor noite desde o início da campanha eleitoral. Venceu em nove dos 14 estados em disputa, e assim virou o jogo. A partir de hoje, ele encabeça a lista do candidato com maior probabilidade de vencer as primárias do Partido Democrata e, assim, disputar a eleição presidencial contra Donald Trump. O senador Bernie Sanders não é carta fora do trabalho — vencerá na Califórnia, cuja contagem de votos vai demorar ainda alguns dias. Mas é uma virada e tanto. Descartado por muitos analistas nas primeiras semanas das prévias por conta de derrotas acachapantes, com muito menos dinheiro do que seus principais adversários, não venceu apenas no Sul onde o eleitorado negro mantem a simpatia pelo vice de Barack Obama. Ganhou em Massachussetts, Nova Inglaterra, estado da senadora Elizabeth Warren e vizinho ao Vermont de Sanders. Venceu, também, em Minnesotta, no Meio Oeste, região que custou a Hillary Clinton sua vitória contra Trump. E levou, por margem estreita, o Texas, que oferece um mix próximo do típico eleitorado americano — negros e latinos, brancos mais velhos e moderados, muita gente em idade de universidade em busca de uma revolução. (Five Thirty Eight)

O Banco Central dos EUA cortou em 0,5% sua taxa de juros em resposta aos possíveis impactos do coronavírus na economia. Esse é o 1º corte emergencial desde 2008. A taxa agora está em uma faixa de 1% a 1,25%. Mesmo assim, as bolsas caíram: o S&P 500 de Nova York teve queda de 2,8%. Por aqui, analistas também esperam que o BC corte a Selic para  3,75% e 3,5% no final deste ano. (Folha)

Mas para economistas, apesar do temor, a disseminação do coronavírus ainda não está no nível de levar à recessão. Mesmo com os impactos econômicos, a doença só tem afetado setores como turismo e a indústria, sem impacto na demanda ou oferta de empregos. (New York Times)


Congresso e Planalto chegaram a um aparente acordo para definir os vetos do presidente Jair Bolsonaro à Lei Orçamentária. Após duas semanas de impasse, o governo apresentou projeto que define a divisão pela metade dos R$ 30 bilhões que eram disputados entre os Poderes. Da parte do Congresso, a Câmara controla R$ 10 bilhões e, o Senado, os R$ 5 bilhões restantes. A intenção dos parlamentares que aceitaram o trato é deixar o governo definir as regras de execução para anular a ideia de que o Congresso chantageia, como dito pelo General Heleno, ministro-chefe do GSI. (Folha)

Mesmo assim, Bolsonaro se negou a fazer uma demonstração de apoio aos parlamentares, observa Andreia Sadi. O Congresso cobrou do presidente um gesto de repúdio à afirmação, pelo ministro-general Augusto Heleno, de que o Legislativo chantageava o Planalto. O receio de assessores de Bolsonaro é que, ao não azeitar agora as relações com o Congresso, o presidente esteja semeando conflitos na avaliação das reformas que virão. (G1)

Pois é. Os deputados já estão se organizando para frear as iniciativas do governo. A oposição e o Centrão estariam negociando formar um bloco para levantar pautas próprias. Se concretizado, a Câmara contaria com um superbloco de 481 parlamentares. (Congresso em Foco)

Isso pode dificultar para Guedes, que parece já estar sob pressão. O ministro disse ter apenas 15 semanas para “mudar o Brasil”. O prazo foi dado por Bolsonaro para o ministro mostrar serviço e não perder os superpoderes na pasta. A agenda de Guedes, no entanto, é pouco viável: prevê a votação no Senado da reforma administrativa e tributária ainda em julho, embora a primeira ainda não tenha sido enviada ao Congresso e a segunda esteja sendo debatida. Para pressionar, o ministro chegou a pedir que a manifestação convocada por Bolsonaro se tornasse pró-reformas. (BR Político)

Regina Duarte assume a Secretaria de Cultura hoje com o desafio de pacificar o setor. (G1)

E já chegou demitindo. Os nomes dos seis olavistas estão no Diário Oficial. São eles: Reynaldo Pereira, Rodrigo Junqueira, Camilo Calandrelli, Marcos Azevedo, Paulo Cesar Brasil e Dante Mantovani. (Antagonista)

Viver


As fortes chuvas que atingiram a região Sudeste do país na primeira semana de março deixaram vítimas, desaparecidos, desabrigados e deslizamentos nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Na Baixada Santista, no litoral paulista, a Defesa Civil do estado confirma ao menos 16 óbitos e 200 desabrigados. Já no Rio, onde os locais mais afetados estão na capital e na Baixada Fluminense, os números chegaram a cinco mortos e aproximadamente 5.000 desabrigados. Os transbordamentos, deslizamentos e mortes nas duas regiões repetem os destinos de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, Estados que sofreram com enchentes devido ao volume de chuva nos primeiros meses de 2020.

Aquecimento global? Afinal, por que fevereiro de 2020 teve chuvas acima da média no Sudeste? A ausência de variações de temperatura no Oceano Atlântico e o aquecimento global explicam as fortes chuvas que atingiram a região em fevereiro de 2020, segundo especialistas consultados pelo G1. Neste mês, as quatro capitais da região apresentaram índices de precipitações acima da média histórica. O mês de fevereiro também foi o mais chuvoso na cidade do Rio de Janeiro em 24 anos, de acordo com a estação do instituto no Alto da Boa Vista. Em São Paulo, o mês de fevereiro de 2020 foi o mais chuvoso desde o início da histórica do Inmet, que começou em 1943.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio podem ser adiados até o final de 2020 em uma tentativa de impedir a propagação do coronavírus, que já contaminou 274 pessoas e matou seis no país. A ideia foi citada pela ex-patinadora e ministra olímpica, Seiko Hashimoto, que afirmou que a interpretação do acordo do Japão com o Comitê Olímpico Internacional (COI) permitiria essa mudança. O COI tem o direito de cancelar os jogos somente se eles não ocorrerem dentro de 2020. Isso pode ser interpretado como a possibilidade dos Jogos serem adiados, contanto que sejam realizados durante esse ano — disse Hashimoto, em resposta a audiência no parlamento japonês. Atualmente, os Jogos Olímpicos estão marcados para acontecer de 24 de julho a 9 de agosto, e tanto o Japão quanto o COI insistem na realização do evento na data inicialmente prevista. Diversos eventos-teste para a Olimpíada foram cancelados em meio ao surto do coronavírus no país. Dick Pound, vice-presidente do COI, foi quem sugeriu que os Jogos pudessem ser cancelados se a contaminação do vírus seguisse aumentando. Contratualmente, o Japão não tem qualquer influência. Os termos estipulam que o COI tem "discricionariedade única" para avaliar os riscos e pode cancelar os Jogos por razões que incluem a segurança estar "seriamente ameaçada".

David e Alicia Tschirhart clonaram Marley, um Labrador, um cão que lutou contra uma cascavel. Quando Marley morreu de câncer, seus donos usaram uma empresa de clonagem de animais para criar um filhote geneticamente idêntico, chamado Ziggy.

Arwa Mahdawi, colunista do Guardian: “Eu não cresci com animais de estimação. Agora que tenho um cachorro, entendo completamente. Se o dinheiro não impedisse, eu clonaria 100% Rascal, meu pequeno vira-lata. Rascal nunca me salvou de uma cascavel e duvido que ele o faria. Ele provavelmente cheiraria a cobra enquanto ela me matasse. Mas ele me salvou de outras maneiras e eu faria qualquer coisa para estender meu tempo com ele.”

Cultura


Na Netflix, a partir de 13 de março, a terceira temporada de Elite foca em um novo assassinato que desencadeia mais investigações em Las Encinas. Já Ozark, a série sobre uma família envolvida num esquema de lavagem de dinheiro, também chega ao terceiro ano e estará disponível a partir do dia 27. Entre a estreias, destaque para A vida e a história de Madam C. J. Walker, que começa no dia 20, sobre a vida da primeira mulher afro-americana a conquistar uma fortuna por criar o próprio império no ramo de produtos de beleza. A protagonista é interpretada por Octavia Spencer. Para os fãs das tramas policiais, no dia 13 de março chega O assassino de Valhalla, em que uma detetive e uma policial investigam juntas assassinatos diversos que podem estar relacionados.

A Chanel fez de seu desfile no Grand Palais, em Paris, uma ode ao amor em todas as suas formas ao reler na passarela a moda dos anos 1960, tendo como referência o casal lésbico do filme As Corças (1968), de Claude Chabrol. Foi a base estética da casa de costura mais tradicional do mundo no último dia da Semana de Moda de Paris. A plateia acompanhou a ousadia da nova estilista da maison, Virgine Viard, que assumiu o posto máximo da grife após a morte de Karl Lagerfeld. Ela apontou para o conservadorismo que, possivelmente, define o comportamento de uma parcela de seus clientes mais antigos, ao mandar as modelos desfilarem em pares e de braços dados, como as personagens Frédérique e Why. Em alguns momentos, como no final protagonizado pela modelo Gigi Hadid, elas saíram em três, como no triângulo amoroso que o filme desenvolve e que culmina em tragédia. Veja fotos do desfile da Chanel.

Aliás, o trailer do filme.

Cotidiano Digital


O Google cancelou seu maior evento do ano, o Google I/O 2020, que ocorreria entre 12 e 14 de maio. O motivo: coronavirus. Do mesmo porte, já haviam sido canceladas a F8, do Facebook, e o Mobile World Congress, voltado para telefonia celular.

Aliás... O Google liberou acesso aos recursos avançados do Hangouts Meet, seu sistema para teleconferências. Já a Microsoft passou a oferecer gratuitamente, por seis meses, o pacote premium do sistema Microsoft Teams. São ferramentas de trabalho remoto.

A nova versão do WhatsApp, para iPhone e Android, conta, enfim, com dark mode que inverte a tela colocando o fundo em negro com letras brancas. O anúncio foi feito através de um clipe especial, com uma versão inédita de Sounds of Silence cantada por Paul Simon. Hello darkness, my old friend, I’ve come to talk to you again. Já disponível para update.

Uma estadia em um quarto pelo Airbnb levou o jornalista da Wired UK a descobrir um esquema fraudulento em Londres que tem se espalhado pelo mundo. Chamados de hotéis fantasmas em Toronto, e hotéis distribuídos em Praga, o esquema consiste em empresas que alugam o maior número possível de apartamentos, mobiliam e tiram fotos com aparência profissional para enganar os usuários. Depois criam dezenas de contas, listagens e comentários falsos no Airbnb para valorizar a propriedade. Para os usuários, significa alugar uma local que não condiz com o mostrado. Em um caso, fotos de um apartamento eram versões espelhadas de outro também listado na plataforma. O esquema de Londres foi organizado por uma empresa internacional com call centers nas Filipinas e operadores profissionais.

Por falar no Airbnb, o seu IPO, previsto para este ano, pode ser adiado para 2021. O motivo: os efeitos do coronavírus no setor do turismo. A empresa quer mostrar números mais positivos para os investidores antes de entrar na bolsa. Comparada à situação do ano passado, a empresa teve uma queda de 80% na China, o epicentro da doença.

A  MIT Technology Review lançou sua lista anual com as 10 tecnologias emergentes de 2020. Uma medicina hiper personalizada, com moléculas descobertas por inteligência artificial, e medicamentos antienvelhecimento são os destaques da publicação. Sobre mudanças climáticas, o uso de supercomputadores e dados de satélite para rastrear eventos climáticos extremos se sobressaiu. Outras techs emergentes: o dinheiro digital, como a Libra do Facebook, e IA em dispositivos móveis para a privacidade do usuário.





Bem-vindo ao Meio. A assinatura básica é gratuita, comece agora mesmo.



4 de março de 2020
Consultar edições passadas